CONTINUAÇÃO DE Comunicação e Mundo em Transformação - PARTE 1
Saímos de Vitória e fomos conhecer a Soul City, da África do Sul. O nome nasceu com um programa de TV, mas fez tanto sucesso que até batizou uma nova favela, algo assim como Roque Santeiro, que hoje é o maior mercado de Angola. O que surpreende é que Soul City é um programa que pode ser chamado de educativo - e isso prova que boa educação pode ser aliada de bom divertimento e altos índices de audiência. A fala de Harriet Perlman, produtora executiva senior do Soul City, partiu de uma crítica contundente das tradicionais campanhas de saúde que dizem "não fume" ou "use camisinha" - "se não fizer o que eu ordeno, você vai morrer". Esse tipo de intimidação simplista não funciona em lugar nenhum, em cultura nenhuma. As culturas são complexas, os indivíduos são complexos. Por isso as campanhas de saúde devem levar em conta essa complexidade. A boa dramaturgia, colocando em cena personagens com pontos de vistas distintos, torna possível que os temas sejam discutidos em profundidade, sem tratar o público como um território virgem, onde as verdades devem ser plantadas à força.
Outra experiência extremamente inovadora em termos de comunicação para a saúde está sendo realizada nas margens do rio Tapajós, perto de Santarém, no Pará, com o projeto Saúde e Alegria. No Seminário, Fábio Anderson Rodrigues Pena, o coordenador do Programa de Educação, Cultura e Comunicação do projeto, traçou um panorama geral de suas múltiplas atividades, incluindo a incrível Rede Mocoronga de Comunicação Popular. Além de programas de rádio e fanzines em várias vilas ribeirinhas, todos feitos por jovens locais, a Mocoronga está implantando telecentros em muitos lugares, todos abastecidos apenas por energia solar. O Fábio prometeu e vou ficar cobrando (aqui é assim: promessa de seminário é mais que dívida): ele vai convidar os usuários dos telecentros mocorongas para se tornarem colaboradores do Overmundo. Estamos ávidos por notícias culturais aí do Tapajós!
Minha mesa, a última do evento, seria dividida com Hanan Ayari, apresentadora de um programa da TV para crianças da Al-jazeera. Mas ela teve problemas de saúde e não pode fazer o vôo Qatar-São Paulo. Pena: eu estava curioso para conhecer melhor o projeto infantil da Al-jazeera, uma rede de comunicação que não brinca em serviço e parece ter várias respostas para o futuro da TV na era da internet (tanto que fez recentemente acordo comercial com o YouTube). Também queria saber como a programação para crianças lida com os ensinamentos religiosos: na semana passada, quando dei olhada no site para me preparar para o Seminário, a maioria dos programas falava sobre o jejum do Ramadan. Se houvesse a mesma presença religiosa numa TV educativa "ocidental", sem dúvida haveria protestos variados... Mas esse debate fica para um próximo Seminário?
Quem substituiu Hanan Ayari na mesa foi Marcela Benavides, do Ministério da Cultura da Colômbia, órgão responsável pela coordenação da programação cultural da TV pública colombiana. Marcela é especialista em uso de novas tecnologias para a educação, e isso dá para se perceber na nova programação do canal Señal Colombia que acaba de estrear: inclui revistas como a Sub30, com edição rapidíssima, uso de câmeras DVs, e um real espírito de experimentação que faz falta em muitos programas educativos.
Eu fui convidado para falar da minha experiência no Central da Periferia, que para mim é sobretudo um projeto de reflexão acerca do lugar possível da televisão tradicional (a chamada grande mídia) nesta nova realidade onde a produção de comunicação eletrônica se descentralizou e está sendo apropriada das maneiras mais diversas por grupos sociais diferentes. Tudo o que o Central da Periferia mostrou, mesmo os sucessos musicais cantados pelas multidões, não precisou da TV de massa para existir e se difundir nacionalmente. Fizemos um programa de auditório que tinha que ir para as ruas, para as favelas, para encontrar o que era realmente popular e que não tinha mais visibilidade dentro dos cômodos estúdios de TV. A estrutura de realização era até mais cara do que a de um programa de estúdio: mas era como se todo aquele aparato contemplasse sua insignificância e obsolescência: com muito menos, um estúdio de periferia faz sucessos nacionais que a TV hoje tem dificuldade de produzir ou reconhecer. O Central da Periferia nunca quis falar em nome dessas novidades (ou pior, ser porta-voz dessas novidades - essas novidades todas já têm vozes possantes): queria apenas discutir a nova situação.
Mesmo com todo seu poder, sua grana, a TV deixou de ser o centro, ou vai deixar de ser o centro cada vez mais rápido. A TV é a periferia? Agnaldo Silva comentando (para a coluna Outro Canal, da Folha de S. Paulo, 04/10/07) a baixa audiência dos primeiros capítulos de 2 Caras, sua nova novela, sentenciou: "O problema não é com a novela, é com a televisão. Numa terça-feira, o total de ligados em São Paulo foi de 64%, ou seja, 36% dos televisores estavam desligados. As pessoas estão comprando TVs de plasma para deixarem desligadas ou para verem filmes. Hoje, qualquer banca vende DVD pirata a R$5 [...] E ainda tem o Messenger e o Orkut. Agora até as criancinhas estão viciadas em Orkut. O Orkut virou novela, as pessoas escrevem suas próprias histórias."
Quem visita os camelódromos de todas as capitais brasileiras sabe: entre os DVDs à venda não há só piratas, mas muitas gravações de shows das bandas que apareceram no Central da Periferia - elas liberam os DVDs autoproduzidos para os piratas venderem: é a construção de um mercado audiovisual paralelo, sem passar pelo centro, pelo "formal". São só esses shows que vejo passando nas TVs de 29 polegadas que agora estão em muitos bares de periferia, TVs que antigamente estariam ligadas nas novelas. É uma transformação social e tanto, produzida pela tecnologia de comunicação, mas não pelos meios de comunicação de massa. Conversando com os componentes da Banda Calypso, eu afirmava que eles não precisavam mais da TV. A resposta foi algo mais ou menos assim: "precisamos sim, mas não para ganhar dinheiro, não para fazer sucesso, mas para ter o selo que prova que o que fazemos é cultura, ou que nós existimos, e assim descobrimos que o nosso sucesso estrondoso não é uma alucinação." Mas isso é muito pouco: vão aparecer rapidinho novas formas de comprovação de "realidade".
Não são só bandas como a Calypso que inventam trajetórias de sucesso independentes da grande mídia, do centro. Penso em grupos como o AfroReggae, que é apenas um dos mais bem-sucedidos numa enorme rede de coletivos "periféricos" que trabalham com cultura como arma contra a injustiça social. Na platéia do Seminário vários desses grupos estavam presentes. Tive a alegria de reencontrar o Alemberg Quindins, da Fundação Casa-Grande. Como entender o novo sertão nordestino sem entender o que está acontecendo na Fundação Casa-Grande, sem aprender com suas crianças-produtoras de TV a refazer a TV? Como pensar a crise constante das favelas cariocas sem a mediação do AfroReggae? Eles precisam da TV, ou é a TV que precisa urgentemente deles?
E além disso, Aguinaldo Silva está bem certo: a garotada está nas lan-houses, no MSN e no Orkut e em muitos outros sites mais (aqui um link para artigo que comenta a lei cuiabana determinando que não pode haver lan-houses a menos de 400 metros das escolas!). Em pesquisa recente feita pela F/Nazca e o DataFolha descobrimos que 42% dos internautas brasileiros (são 39% da população) afirmam já ter publicado seus próprios conteúdos na internet, quase sempre para "relacionar-se com outras pessoas". Isso só tende a crescer, e não tem volta. No filme exibido por Warren Feek na abertura do seminário, há uma profecia: em 2015 a TV aberta, fora da internet, desaparecerá.
Ao me encontrar, também no Seminário, com pessoas ligadas à nova TV Pública que vai ser inaugurada em breve no Brasil, tive que dizer em tom exaltado/influenciado por todas essas questões que reapareceram em muitas palestras: se for para ser uma TV tradicional, não faz o menor sentido, é dinheiro público desperdiçado com um modelo comunicacional obsoleto, é investimento em algo que é passado, enquanto o dever deveria ser criar o futuro. Digo com certeza: qualquer canal novo hoje tem que ter seu centro na internet. Se for copiar o formato já existente, com telejornais com bancadinhas ou mesmo documentários educativos bem intencionados, ninguém vai ver, o pessoal todo vai pro bar da esquina dançar ao som do DVD do Cavaleiros do Forró ou vai criar suas novelas no Orkut. A nova TV Pública brasileira tem que partir do Ginga, da interatividade, do game online, da realidade virtual imersiva, do jornalismo-cidadão, da Web 3.0 (pois a 2.0 já é coisa também superada), e de outras experiências comunicacionais ainda mais imprevisíveis e ousadas.
Na van, indo para o aeroporto que me traria de volta para o Rio de Janeiro, comentei com a Elke Schlote que tinha visto no site da IZI textos sobre o consumo de animês como Pokemón e Dragon Ball Z entre a criançada alemã. Disse que é a mesma coisa no Brasil: os garotos baixam esses desenhos da internet, e eles mesmos têm o trabalho de legendar, pois os episódios que chegam oficialmente no Brasil têm cortadas suas cenas "violentas". Falei que há uma subcultura formada por milhares de adolescentes em todo o Brasil que se unem em torno dos desenhos animados japoneses, tendo uma dieta comunicacional totalmente independente da mídia oficial/tradicional. Elke lançou uma pergunta que para mim é a principal para qualquer pesquisador em comunicação: diante dessa fragmentação toda, não vai haver mais conversas comuns unindo toda a sociedade? A sociedade vai virar um conjunto de mundos culturais diferentes, sem contato uns com os outros?
Improvisei uma resposta, na qual não sinto muita firmeza, mas foi o que me veio a mente naquele momento, o que confirma meu otimismo incurável: acho que dessa cacofonia de vozes, de mundos separados, de milhares de sites de relacionamento, de YouTubes e Justin.tvs, de twiters e mensagens instantâneas, de pescadores indianos vendendo peixes via SMS, de novelas pop-educacionais nicaragüenses ou sul-africanas, de memorandos internos do dono da EMI elogiando o Radiohead, de grupos de vídeo formados pelo Kinoforum, de redes de produção de conteúdo audiovisual para celular que podem surgir do Revelando os Brasis, de estúdios que gravam kuduro nos musseques angolanos (e das candongas - as vans angolanas - que cuidam da divulgação do kuduro), de telecentros movidos a energia solar da Floresta Amazônica (como diz o Otávio Velho, e eu não me canso de repetir: "não há mais grotões no Brasil" - e acrescento: nem no mundo...), de ilhas de edição do anarcopunks colombianos etc. etc. etc. - de tudo isso, tudo misturado, conectado pelos robôs do Google/Technorati ou por links de todos os blogs, vai surgir - quase que por auto-organização (a linda autopoeisis de Varela e Maturana) - um novo "entendimento", uma nova possibilidade de conversa, mas em outro nível, bem mais complexo do que a trama comunicacional, dependente ainda de "centros", na qual estamos submersos agora. A questão será: como conectar tudo? Como dar sentido para essas bilhões de mensagens clamando por atenção, num momento em que atenção é artigo cada vez mais raro?
De uma coisa eu tenho convicção: qualquer iniciativa de comunicação, grande ou pequena, que não aceitar o desafio posto por esta nova realidade tecnosocial está fadada a desaparecer (tal qual o modelo de negócios tradicional da indústria fonográfica já desapareceu - aquele papo de "você viu? a Madonna pulou fora da WEA"...). O que não deixa de ser excitante. É uma boa hora para países periféricos como o Brasil inventarem a nova onda.
Rapaz, que texto maravilhoso. Eu fui lendo e me perdendo nas referencias, que loucura!
Roberto Maxwell · Japão , WW 14/10/2007 13:51ô..senti o mesmo, Maxwell. "clamando por atenção" é o arremate! Pra mim, o sentido dessa coisa toda.
bucadantas · Natal, RN 16/10/2007 16:48
Este vai para os meus documentos, rico em informações e o tema interessante. Hermano, que pesquisa!
Parabens.
queria muito ter ido neste evento, que me lembre vi a nota ainda na fila de edição.. mas parece que vc trouxe muito do que aconteceu de bom pra cá. e dá-lhe link aberto pra olhar! hehe. :D eu só não sei se consigo ter tanto otimismo, ao menos no que diz respeito a esses prazos tipo 2015. porque, apesar das lanhouses, telecentros e wireless, ainda há uma grande parcela do Brasil e do mundo que não tem acesso à internet - ou à banda larga - e não sei se se pode afirmar que isso vai se difundir tão rápido a ponto de superar o alcance da TV. mas, em todo caso, é mais que certo que o caminho é por aí, pelas tecnologias e pela inovação de linguagens e novas formas de comunicação, daí veremos a velocidade com que tudo isso caminha..
Inês Nin · Rio de Janeiro, RJ 18/10/2007 00:29Outro dia observei intrigado o comentário de uma amiga: - Eu não coloco nada na internet e lá já têm minha tese de mestrado, meu currículo...que coisa...por mim eu não coloco e não vou colocar. Fiquei observando ela e aquilo fez um certo sentido. Há quem não necessite dessa comunicação toda. O Egberto Gismonti aqui no overmundo já disse a mesma coisa. De se pensar, não?
Mansur · Rio de Janeiro, RJ 18/10/2007 21:56
Com todo respeito a sua amiga mas, como pesquisadora, PARECE que ela apenas esta se defendendo de um momento em que a informacao pode ser acessada em qualquer lugar o que faz do trabalho de pesquisa algo muito mais serio e que exige muito mais dedicacao. Vou refrisar PARECE. Nao a conheco e ela pode ser uma excelente pesquisadora. Porem, eu nao sei se eu PRECISO dessa comunicacao toda. O que eu sei eh que pro meu trabalho de pesquisa acontecer, o uso da internet deixa as coisas muito mais fluidas, rapidas e transparentes. Mesmo os livros que eu venho lendo tive que comprar pela internet, visto que se eu encomendasse tantos livros estrangeiros numa livraria, eu perderia um tempo enorme, sem poder folhea-los antes (que eh a unica razao de se ir numa livraria: olhar os livros). Ou seja, a internet nao apenas facilita as coisas. Ela faz muitas coisas, antes limitadas, acontecerem.
Tem gente que tem nostalgia do passado. Tem gente que nao esta afim de conhecer o novo. Eh um direito. Ninguem eh igual a ninguem.
Tive a impressão de que o aspecto que ela abordava é sobre a disseminação de informações pessoais na rede. Obviamente ela mesma se beneficia da internet a muito tempo, inclusive para as suas pesquisas. No caso dela não creio que seja nostalgia ou aversão ao "novo". Fiz apenas um comentário como contraponto. Corremos um certo perigo de deslumbramento, já que as consequências dessa verdadeira "revolução" em que estamos metidos são inevitáveis e realmente tudo mudou, e vai mudar ainda mais, numa velocidade cada vez maior, é excitante sim, mas cabe a cada um fazer a sua reflexão sobre essas mesmas consequências, que são, de certa forma, imprevisíveis. Se os países periféricos ganharam poder com isso, não há dúvida. Se o Brasil pode inventar a "nova onda", vai depender da capacidade de análise da conjuntura geral pelos brasileiros, e a análise submetida a emoção do deslumbramento, fica mais suscetível de "esquecer" algum detalhe, que pode ser decisivo.
Mansur · Rio de Janeiro, RJ 19/10/2007 18:59
Hermano, estou aqui em Brasília no "I Encontro Nacional dos Pontos de Cultura Produtores Audiovisuais" (uma conversa que tentarei relatar em breve e que diz respeito justamente ao futuro da "tv" pública). Exausto, depois de um dia inteiro de debates... mas não consegui parar de ler seu texto. Vc toca em vários pontos do q estamos discutindo aqui... Mas vim aqui p/ dizer q relaxe... não existe o risco de "não haver mais conversas comuns unindo toda a sociedade" - pois a diversidade e a diferença são ótimas vitaminas p/ a comunicação. o resto é monólogo....rsrs
abçs
Hermano, li a parte I e estou terminando de ler agora esta parte II. Tudo extremamente interessante. Preciso arranjar tempo pra postar por aqui os resultados preliminares das investigações que ando fazendo sobre consumo e recepção do tripé da indústria de entretenimento japonesa (mangás, animes e videogames) por jovens. Tudo a ver com os seus argumentos.
Sua referência ao Soul City me intrigou demais. Tenho um primo-cunhado que está como embaixador em Botswana (Africa do Sul)e uma das demandas do país à embaixada do Brasil é justamente a ajuda na reformulação das campanhas de erradicação da Aids. Incrível coincidência. Vou passar pra ele o nome de Harriet Perlman.
Soube por uma mestranda que esteve na Conferência Internacional "Aliança das Civilizações, Interculturalismo e Direitos Humanos" que Canclini fez referências elogiosas ao Overmundo, citando-o como uma rede digital que tem a propriedade de expandir os atuais direitos conectivos do cidadão, frisando que, apesar da desigualdade estrutural de acesso existente no Brasil, como na América latina, o site tem potência para viabilizar a democratização do acesso ao patrimônio intercultural. O que ele disse, que ela gravou e repassou pro grupo, tem uma afinidade enorme com o que vc coloca no texto. Muito legal.
Teria ainda mtas outras coisas pra dizer, mas vou deixar pra outra ocasião, senão o comentário fica mto grande.
Abçs
que ótimo esse elogio do Canclini - se a mestranda puder colocar o trecho de áudio aqui no Banco de Cultura, nossos agradecimentos também serão potentes! abraços!
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 24/12/2007 03:46
Trecho da entrevista do presidente do Google Brasil para folha online:
Folha Online - Eu nem lembrava mais do vídeo naquela época...
Hohagen - Pois é, [as pessoas] nem lembravam! Eu tenho a seguinte teoria quando me perguntam qual o futuro da internet: o futuro da internet está muito ligado à perda da sua privacidade e... não, melhor falando: você disponibiliza tantos dados para tornar sua vida mais relevante que isso vai criar uma linha tênue entre o quanto você libera da sua informação e o quanto isso vai tirar sua privacidade.
Para você ter uma experiência relevante na internet, você tem que falar um pouco de você. O que você gosta? O que curte? Qual é seu time de coração? Esse é o preço que você paga para estar navegando de uma maneira muito mais relevante. O cuidado que as pessoas tem que ter é esse. Onde está o limite entre você informar dados a seu respeito e quando isso passa da privacidade.
Foi exatamente esse aspecto que abordei no comentário acima...
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