Caro pensante (além do mundano)
Se você veio pelo apelativo título, deixa eu avisar antes que haja mal-entendidos: Esse texto não tem nada a ver com animais ou esportes, e sim sobre bichos que nos tornamos e esportes que fazemos sem muitas vezes nos darmos conta. ;) Vamos falar de competição e repressão, do tipo mais subliminar; rotinas que vão se repetindo e ganhando força por debaixo dos nossos tapetes e nos influenciando, até nos modificando, sem que tenhamos total consciência delas.
Pra começar temos que falar de preconceitos. Assunto difícil, pois o risco de se parecer moralista é grande. Então assumo de cara que, apesar de estar sempre, há anos, tentando localizar e me despir dos meus, sempre sobram vários, sempre alguns resistem, mesmo "domados".
Afinal, impossível não ter preconceitos, é que nem mentir... Sem nos dar conta, dizemos diversas mentirinhas por dia... afinal essas são coisas inerentes à trama social do ser humano.
O grande problema é quando nos acomodamos e paramos de observar, questionar, transformar nossos preconceitos. O exercício da observação é contínuo e sem fim, e é interessante notar que muitos deles nós fomos educados pra ter desde cedo. Por exemplo: desde que nos entendemos por gente, vivemos na competitiva cultura do "melhor" e do "mais bonito". Abrimos o jornal e vemos "os melhores" do ano, a publicidade diz que é "o filme do ano" ou no rádio se ouve do melhor bar pra se freqüentar ou de lugares que só tem "gente bonita".
Mas como assim "o melhor" ou "o mais bonito(a)"?? Como é que as pessoas podem determinar e generalizar uma coisa tão pessoal e relativa? Quem determina o que é bom? Você? Seu vizinho com o gosto oposto ao seu? A mídia?? Tudo bem, viva a liberdade de ter gosto pessoal e critério, de se escolher o que é ruim ou bom pra nós mesmos. Mas ao rotularmos publicamente algo de "bom" ou "ruim", estamos, sem sentir, desrespeitando a própria relatividade, que nos é primordial, que é uma das coisas mais interessantes e importantes da vida.
Freqüentemente converso sobre isso com pessoas que dizem, em público (fóruns na internet, papo em um bar, publicações em blogs etc.) coisas como "tal musica é horrivel", "tal disco é o melhor". É a mesma situação. Não percebemos o quanto isso vai de encontro ao respeito da nossa própria liberdade também. Vejam bem, não se trata de não ter liberdade de se expressar. Mas se expressar com respeito, seguir a regra elementar da liberdade: ela termina onde começa a alheia. Então há uma enorme diferença entre gosto pessoal e julgamento. Entre dizer "não curto" e afirmar "é horrível"! É aparentemente pequeno, mas diferencia totalmente uma mentalidade individual, respeitosa e consciente de uma generalizadora, preconceituosa e destrutiva. Afinal, não existe "bom" ou "ruim", existe o apropriado ao contexto ou não. Portanto, qual o sentido de alegar que tal música, filme, restaurante etc. é o "melhor" ou afirmar que tal pessoa é "feia" e outra "bonita"?? Alguém me diz, por favor.
Tudo isso são sinais da nossa cultura da mídia, do marketing acima de tudo. A depreciação parece ganhar cada vez mais espaço. Vocês lembram daquela propaganda da carteirinha da Jovem Pan, que dizia "só burro não tem"? É um bom exemplo do crescimento da falta de respeito à individualidade. Hoje em dia vale até depreciar quem náo consome como o anunciante quer... Vamos observar isso sempre, e lutar contra tudo que deprecie ou censure o próximo!'
O MICO
E já que tou falando de censurar o próximo : existem expressões, que correm livremente pela nossa cultura da competitividade, que são muitas vezes censuradoras de forma tácita, e censuramos sem nos dar conta. Ex: expressões como "menos, fulano, menos", "fala sério" e "vamos combinar" (dependendo de como são usadas, claro) e principalmente "mico" são todas de teor julgador, padronizador ou
repressivo. São expressões opressivas, reflexo de uma cultura ditadora de costumes e de exclusão (quem náo segue as regras é discriminado). "Pagar mico", então, é uma que aprisiona a todos, pois quem censura o outro acaba se auto-censurando automaticamente: Não pode dançar como quer, se expressar como quer, se vestir como quer, porque aí está passivo a "mico"... E todo mundo perde, porque só é um imenso incentivo à padronização, a atacar o diferente, à mais pura repressão. Infelizmente, hoje em dia você abre um respeitado jornal e tem lá: "O mico do ano"... Alguns consideram divertido, lúdico, mas não é incentivo a uma expressão que contém tudo de negativo descrito acima? O que podemos fazer? Depende de nós, se acharmos realmente inapropriado, não adotarmos ou sermos coniventes com essa mentalidade. Quem faz algo inapropriado provavelmente merece críticas, mas o que não pode é alguém ser criticado só por ter sua personalidade e comportamento únicos.
Pra terminar, deixo claro que sou um ser humano cheio de coisas a serem trabalhadas. Não sou ninguém pra dar qualquer "lição de moral", não gosto nem um pouco de "fiscais do politicamente-correto" e também não faço aqui protesto nem reclamação. São só pontos de vista que eu mesmo tento exercitar no meu dia-a-dia, e que tomei a liberdade de dividir com vocês. Acredito que temos que modificar, pouco a pouco, a "cultura do mico" a do "melhor" pra sermos mais livres e felizes. É um exercício, como tudo na vida, que nunca é tarde pra ser iniciado.
abraço despido (com todo respeito!)
Lucio, concordo. Sempre me incomodei demais com gente que tem prazer em fazer crítica depreciativa, só por fazer. Acho que a crítica é algo extremamente importante e deve existir sempre. Mas me chama atenção quando uma pessoa consegue ser elegante - sem deixar de ser dura - quando critica. Em geral são as mais fortes, pois tiram as "gorduras" do raciocínio e falam o que importa. Quando se critica um trabalho artístico então, nem se fala: parece que muita gente esquece que alguém trabalhou para aquilo existir. Isso me faz lembrar de comentários em blogs, talvez os espaços mais dados a esse tipo de achismo meio irresponsável e agressivo...
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 10/5/2007 14:55
Lúcio, concordo muito com você. Muitas pessoas criam/aceitam um padrão para julgar as outras ou tentar encaixá-las em um padrão para mais fácil fazer este julgamento. Abaixo o rótulo e viva a diferença do "melhor".
Gostei mesmo do tema e do texto.
Abaixo, alguns errinhos de digitação que encontrei. Não sei se é legal colocá-los, ou se é aqui o lugar certo. Se tiver outra sugestão me fale, e não os coloco mais (pelo menos não aqui).É isso:
Assunto dificil, pois o risco de se parecer moralista é grande.
Afinal, impossível nao ter preconceitos, é que nem mentir
Por exemplo: Desde que
bar pra se frequentar ou de lugares que só tem "gente bonita
(foruns na internet, papo em um bar, publicações em blogs
tal pessoa É "feia" e outra ..."?? Alguem me diz, por favor.
lutar contra tudo deprecie ou *censure* o próximo
próximo : Existem expressões
dependendo de como sáo usadas, claro
quem náo segue as regras é discriminado
automaticamente: Não pode
à atacar o diferente
, mas não é incentivo à uma expressão
provavelmente merece criticas, mas o que não
pode é alguem
Não sou ninguem pra dar qualquer
E todo dia é dia
Sendo bem 'clichezuda', gosto e c... cada um tem o seu. E se todos gostassem do azul... Tadinho do vermelho.
Mas é bem por aí. Vc tem toda a razão.
É um saco viver dessa maneira, onde os 'padrões formam opiniões'. rs
Ontem mesmo, fui elogiada por um colega de trabalho, por causa dos meus cabelos cacheados. Ele disse que não aguenta mais as mulheres que alisam os cabelos.
Mas tem gente que gosta, né? Fazer o quê?
Eu sei: BE YOURSELF!!!
Simples assim. ;o)
Um beijo, meu querido!
Pra voçe ser o INDICADOR do que é bom ou certo, voçe tem que ser considera pelos que o ouvem como O CARA, ou seja que tem os gostos similares ou parecidos, isso falando de um grupo de pessoas , ja os meios de comunicação quando escolhem seus locutores não sei qual criterio usam, só sei que quando cheguei neste Estado 1986 a propaganda oficial no radio e tv era:VOÇE NÃO È DAQUI! AI pra voçe virar um JULGADOR é um pulo!
DESCULPE EU PAGAR ESSE MICO!
Lúcio, muito boa sua reflexão. Altruísta e comprometida. Mas infelizmente nos deparamos com uma visão caolha do ser humano, este que carrega e, sempre carregará conceitos e "pré-conceitos". O homem é o lobo dele mesmo. Um abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 15/5/2007 08:36Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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