Congelamento literário

Site Minguante
Todas as capas da Minguante
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Edgar Borges · Boa Vista, RR
3/6/2009 · 46 · 6
 

A revista de micronarrativas Minguante consolidou-se nos últimos anos como uma das mais importantes publicaçoes on-line do gênero. Na web desde junho de 2006 e com audiência crescente, seus leitores e colaboradores foram surpreendidos no último mês com um aviso de encerramento das atividades. “Uma criogenização”, no dizer do corpo editorial da revista, formado por Luis Ene, Margarida Delgado e Fernando Gomes. Para tentar entender os motivos que levaram ao congelamento das atividades, fiz uma entrevista via e-mail com Luis Ene, que respondeu concisa e esclarecedoramente, bem ao estilo de seus contos.


1. Criogenizar a revista: o que levou a esta decisão?

Luis Ene - Não queríamos continuar e não queríamos terminar; só nos restava suspender.

2. Foi difícil chegar à conclusão de que o melhor é parar as atividades?

LN - Não foi difícil chegar a essa conclusão, mas foi difícil tomar essa decisão. De certa forma tomámos essa decisão por todos os colaboradores e leitores, e isso é que foi o mais difícil.

3. Quais as principais dificuldades superadas para implantar e manter a Minguante no ar?


LN - Tempo que poderia ser pago; ajuda; novos desafios. Quisemos sempre inovar, aumentar a qualidade e isso nem sempre se conseguiu apenas com inspiração e bom gosto.

4. Pensaram alguma vez em torná-la de papel?

LN - Pensámos, mas o projecto sempre foi pensado como um projecto digital, e de certa forma quisemos mantê-lo assim, ainda que não rejeitássemos a possibilidade papel.

5. Qual foi o retorno dos leitores e colaboradores da Minguante após a divulgação da notícia?

LN - Ainda passou pouco tempo para dizer, mas a sensação que nos chegou foi de tristeza e de alguma consternação.

6. Fazendo uma volta no tempo, como surgiu a idéia da revista e como contataram os primeiros colaboradores?

LN - A ideia, como quase todas as ideias, vinha de trás, e corporizou-se quando se juntou a equipa capaz de a fazer nascer. Uma equipa que se manteve coesa e que sempre teve, sem as procurar, muitas afinidades.

7. Quantos autores e quantos textos publicaram nestes três anos de atividade?

LN - 208 autores de várias nacionalidades, isso posso dizer ao certo. Textos só adivinhando, mas sem duvida milhares, alem das entrevistas, dos e-books, e do mais que lá está, uma verdadeira arca do tesouro.

8. No final, até espanhóis estavam mandando seus textos em duas línguas para a revista. A Minguante tornou-se uma revista de autores de quantos países?


LN - Desde os primeiros números que incluímos espanhóis e fomos por aí adiante com falantes de língua espanhola. E sempre nos agradou a igual divulgação em Portugal e no Brasil sem barreiras de ortografia ou sintaxe.

9. Como era esse processo interno de selecionar textos, fazer capas, criar e alimentar seções? Desgastante e divertido?

LN - É preciso lembrar que a maior parte do tempo fomos 3 elementos com funções diferenciadas, mas a máquina esteve sempre mais ou menos bem oleada e as coisas correram sem problemas.

10. Foram 12 e-books publicados. Ficou uma demanda reprimida ou todos os que pediram e tiveram os textos aprovados foram atendidos?

LN - Todos os que pediram (e foram seleccionados) foram publicados. Ficou apenas um e-book, de autores marroquinos, encalhado, mas pode ser que saia como bónus.

11. Vocês tem noção de quantos acessos tiveram desde a criação da revista?

LN - Eu não, mas o Fernando penso que sim. Vou passar-lhe estas questões, pode ser que ele acrescente.

12. Quais os projetos dos integrantes da Minguante a partir de agora?

LN - Projectos individuais cada um saberá, colectivos, veremos, por enquanto apenas esperar e imaginar.

13. Além da quebra da máquina criogênica, o que pode motivar a volta da Minguante?

LN - Tanta coisa, tanta coisa. Tentem-nos.

14. Bom, senhor Ene, como se diz no Brasil, foi bom enquanto durou?

LN - Sim, acredite que sim. E orgulho-me muito deste projecto, aberto e instigador.

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Hermano Vianna
 

muito bacana a revista, a micro-entrevista, o site - especialmente a mistura luso-brasileira nos autores

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 2/6/2009 19:01
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Viktor Chagas
 

Realmente a revista é muito interessante. E bem produzida!
Pena ela estar nessa fase minguante. Mas torçamos para que chegue à Lua Nova. :)
Já pensaram em usar o Twitter para difundi-la? É incrível como o Twitter e esse boom de microblogging ffizeram crescer o interesse por micronarrativas!

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 3/6/2009 19:55
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jessebarbosadeoliveira82
 

EMBORA NÃO A CONHECESSE, PENSO QUE SEJA UMA PENA
PARA SEUS PARTICIPANTES(LEITORES E AUTORES).

jessebarbosadeoliveira82 · Salvador, BA 4/6/2009 10:57
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Helena Aragão
 

Também gostei do estilo da entrevista, parece que foi feita via Twitter! :)
Que pena mesmo conhecer o projeto só agora que acabou. Abs

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 4/6/2009 13:54
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Edgar Borges
 

A revista de fato é muito boa,com uma boa diversidade de estilos. Achei interessante essa comparação com o Twitter.
Sobre o fim do projeto, é como o Luis fala: vamos tentá-lo a retomá-lo.

Edgar Borges · Boa Vista, RR 5/6/2009 11:04
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Mão Branca
 

sim, uma pena. eu gostava da revista!

Mão Branca · Brasília, DF 24/9/2009 11:22
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