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Excelente a iniciativa do Egeu Laus ao trazer ao Overmundo um tema que aborda a tragédia diária a que estamos presenciando ou mesmo sofrendo diretamente, sob o título, nada poético, CONTAGEM DE CORPOS. Talvez record de comentários, provocou o nosso protegido Overmundo e tocou sensibilidades.
A partir da informação obtida no artigo acima mencionado (comentários), EU FUI à manifestação pública neste 26/03.
Na expressão de cada um era possível ler a interrogação maior, cujo ponto sedia no coração diretamente ferido, rasgado, transpassado pela navalha da perda daquele a quem ama e tantos outros que, solidários, empaticamente comungavam da mesma dor.
Era uma busca de forças para suportar o evento passado, revivido no instante , reascendendo a chama da expectativa da mudança – presente em cada vela acesa. Os cartazes representavam o grito máximo; os longos minutos de silêncio diziam tudo o que não se pode traduzir por palavras; o choro contido (ou não), o nó na garganta, os discursos profundos, a leitura emocionada de “CONTAGEM DE CORPOS”, sob a direção do Tico Santa Cruz (de Os Detonautas) e repetição do estribilho pela população "E nós contamos os corpos", o dar as mãos - eram o combustível, o apoio mútuo, o pacto de união, de renovação de esperanças para que a vida seja possível.
A arte não pode eximir-se também deste papel social. Refugiar-se na cultura, no sonho, na poesia, no plano da realização do possível e do impossível, enquanto que lá fora a guerra urbana com suas trágicas conseqüências se instala, pode ser uma forma de alienação. O problema é grave, o esforço da real participação não deve ser apenas dos vitimados ou pessoas próximas, mas de todos nós, de qualquer região, sob o risco de o Brasil se tornar impossível de se viver. Além da cruel estatística, perdemos empregos, investimentos e nem conseguimos dimensionar os efeitos negativos nos nossos parceiros internacionais. Se toda a discussão sobre origem, causas e efeitos da violência não produzirem resultados práticos ou então não sinalizarem para uma possível ação no mundo lá fora, haverá um sério risco de termos como objeto de inspiração a dor, a lágrima, a ausência, a fatalidade decorrentes da vítima que estará cada vez mais próxima. Não haverá leitores para o último escritor. Desculpe-me o tom trágico, mas é muito comum a banda do bem desabafar, apregoar que a sociedade não tem jeito, que o governo é omisso, que P.A.Cabral foi o culpado..., como que isto fosse prova de conscientização e desse um certo alívio diante da falta de ação mais efetiva. A sociedade, os brasileiros somos nós. Acho que vale até um manifesto poético, quem sabe tocará mais ao coração do descrente, do que se sente só dependendo apenas de um estímulo para se integrar ao grupo que está aí protestando, denunciando, indo às ruas.
Que o dom e a arte sejam também usados como veículos de mudança para o bem, colocando-se à serviço da conscientização, de comprometimento com a nossa realidade.
Valeu, Egeu.
tags: Rio de Janeiro RJ cultura-e-sociedade violencia protesto cinelandia rio-de-paz tico-santa-cruz vitima cultura une
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Edna,
Seu post talvez fique melhor na rubrica "Cultura e Sociedade". O que você acha?
Egeu Laus · Rio de Janeiro (RJ) · 28/3/2007 00:52
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Obrigado pelas palavras carinhosas. Edna, mas não fiz mais do que a minha obrigação.
Abraço!
Egeu Laus · Rio de Janeiro (RJ) · 28/3/2007 00:53
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Egeu, nada a agradecer. Gostei muitíssimo da sua colaboração.
Concordo com você, vou mudar de rubrica.
Obrigada.
Abraço
Edna Queiroz · Rio de Janeiro (RJ) · 28/3/2007 01:14
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Que imagem bem sacada, Edna. Pena que o conteudo seja tragico... mas resta esperanca de um dia ver a curva "cair", nao eh mesmo?
Julz Reb · Canadá · 31/3/2007 22:36
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Julz, agradeço o comentário.
Concordo com você. A nossa maior esperança é ver a curva cair e mudar de cor. A trágica estatística do terror está aí. No momento em que eu criava a imagem, senti profunda tristeza. Ela ainda mexe comigo e me incomoda. Longe de ser uma atitude masoquista, optei por deixar esta representação gráfica da tragédia urbana - a triste contagem. Acredito que as pessoas de bem, unidas, podem buscar mecanismos para mudar este quadro.
Edna Queiroz · Rio de Janeiro (RJ) · 1/4/2007 09:18
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Muito Obrigado Edna!!! Vi que você também n perdeu essa sensibilidade de indignar-se.
Brunno SV · Brasília (DF) · 8/4/2007 00:11
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Brunno,
Obrigada.
Realmente, não dá pra ficar indiferente, mesmo parecendo ser trabalho de formiguinhas.
Abraços
Edna Queiroz · Rio de Janeiro (RJ) · 8/4/2007 23:04
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