Continuação: Primeiros passos da Flip pt.2

Sergio Fonseca
Leitura de
1
Caio Carmacho · Parati, RJ
21/7/2007 · 74 · 2
 

- Interlúdico cultural pt.2 – demais topadas e despedida da Flip



Na sexta à noite tava tudo conspirando a favor do coletivo. Meus mais que queridos comparsas paratienses (que moram atualmente fora de Paraty) iriam chegar aos cachos. E quando reunida toda a galera e toda alegria pungente nesse espaço tão curto de tempo; foi muita emoção pro meu coração. Transbordamos todos!

Esbarrei de novo o sensacional Marcelino Freire com uma patota falcatrua. Conversei com o Mário Bortolotto na sarjeta e descolei um esquema pra ele e mais dois entrarem na faixa no bar do Dinhos. Depois apartei o Chacal que tava à moda de Chaplin, se equilibrando já trôpego pelas ruas com a sua futura-ex Beatriz. Dei uma de guia pro Jorge Mautner que não conseguia mais se localizar pelas ruas da cidade e por fim, desmenti publicamente os boatos sobre meu relacionamento com Luana Piovani e meu parentesco com Gabriel, o Pensador (‘foi mal, mas você é você; e eu sou eu’).

Esse parágrafo acima parece que foi escrito pra tirar uma onda dos leitores, que provavelmente devem estar me xingando pra caralho agora. Mas não é nada disso. Nenhuma dessas situações foi forçada; aconteceram naturalmente.

Foi um lance bem de amizade e admiração velada e não. Sou fã de todos esses malucos, mas não babo o ovo gratuitamente de ninguém. Somos todos iguais, seja na fama ou na cama.

Tá bom, confesso. Escrevi pra tirar uma onda de leve mesmo (risos).

Voltando ao cronograma: no sábado, acordamos um pouco mais cedo e picamos a mula pra praia. Óbvio, bebendo sempre. Juntamos uma renca de conhecidos e novos agregados e fomos valorizar no sol. Afinal, era necessário tirar um dia pra desfilar minha atitude-sunga-azul-turquesa.

Ao regressar de Trindade, eis que encontramos a cidade toda apagada. A mesma história de toda época de pico: é Paraty, é Paraty...

Nem pensamos duas vezes e capotamos feito vira-latas desnutridos. Quando dou por mim, já eram quase duas da manhã e ninguém havia me acordado para continuar a saga flipistica.

Fui ligeiro; catei uma calça que tava esperta no alto da bolsa; meti uma camiseta/uma blusa/toca de frio/desodorante pra disfarçar e parti desse jeito, com sunga por baixo, indumentária e algum sal no bigode pra praça (parafraseando Oswald, com ‘toda a minha infância nos olhos’).

Desse dia, desse dia eu não lembro de nada com precisão. Nada mesmo. Só sei que ri muito. Rá, e vi uma banda na rua de casa fenomenal. Formação bem simples e diferente (batera, baixo, digeridu e dois megafones-vocais), mandando uma groovêra nervosa. Lei di Dai e sua paulistana tropa maldita. Além dos maloqueiristas com os quais não tenho saco pra conversar.

Amanheci na praia do Pontal bem acompanhado. Ainda tive consciência para comprar uma bolacha recheada antes de me recolher às nove e meia da manhã. Encerrei o itinerário adormecido sobre a mesa da cozinha.

No domingo houve calmaria. O fígado já tava me dando umas belas porradas. Vimos o desfecho e interagimos com mais uma galera. Demos azar só na passagem de volta = segunda-feira, dia 9, foi feriado em São Paulo e outras cidades.

Só conseguimos passagem para terça-feira. Caí da cama bem cedo na segundona para resolver uns pepinos antes de partir. De repente, vejo uma muvuca qualquer na cidade ainda, com direito à escolta policial e imprensa e tal. Era a tocha do Pan que estava para chegar naquele momento mais do que ressaca e insólito.

Nada da cidade funcionar até a tocha passar. Nisso vejo uma menina exótica destruindo um salgado. Aquilo foi um quase amor. Me aproximei e me apresentei. Ambos de olheiras, remelentos, resquícios noturnos/zumbis de dia. Ficamos conversando uma hora varada e a tocha? Naaaada.

Aproveitei para convidá-la para um passeio pelo cais. Após uns 50 metros caminhados, surge vindo em nossa direção um senhor portador do RG século 16 bigode rústico-romanesco carregando a tocha, seguido de uma multidão de crianças e adultos. Meu garoutu!

Foi uma das segundas mais surreais de minha vida. Só não chorei porque sou um pouco orgulhoso.

Fechamos o feriado na mesa do Todesco bebendo ao lado de duas beldades que quase se espancaram por seus ideais uspianos.

Embarcamos de volta pros interiores meio que na correria com a alma doendo forte no peito. Só conseguimos uma brecha rápida pra comprar umas gabrielas e envelhecidas, companheiras de viagem. Pra quem gosta de ir adiante, o retorno é sempre mais triste.

Bom, agora que quebrei o silêncio e vomitei tudo que tinha pra vomitar sobre a Flip, me respondam uma coisa: é ou não é muita cultura pra cabeça da pessoa?

Aoooooooooooooohhhhhh Darcy!

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Higor Assis
 

hahahaha...

Muito bom Carmacho. Adorei o texto, me prendeu e foi de uma leveza ímpar. Parabéns caro amigo.

Volto com prazer para votar no dois.

Higor Assis · São Paulo, SP 18/7/2007 14:06
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Higor Assis
 

Aliás o Jorge Mautner deve ser uma figuraça rs...

Higor Assis · São Paulo, SP 18/7/2007 14:07
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