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Cooperifa: o que a poesia une o homem não separa

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Nelson Maca · Salvador, BA
10/2/2007 · 35 · 3
 


Sarau da Coperifa, o primeiro CD da Cooperifa (2006), é mais um exemplo de beleza e dignidade do povo para o povo brasileiro

Sarau da Cooperifa, o primeiro cd de poemas da Cooperifa*, chegou em minha casa, em Salvador, numa quarta-feira à tarde, antes mesmo de seu lançamento público, logo mais à noite, lá no semanal do coletivo. Vocês não imaginam a moral que senti. Poder ouvir o cd, sabendo que, no mesmo momento, o pau tava quebrando lá no Zé Batidão, anti-quartel desses poetas subversivos, bar que tive a oportunidade de tomar umas cervejas no dia da entrega do II Prêmio cooperifa. Agora também o meu lar poético e parte da São Paulo que sempre procuro.
Já ouvi o cd muitas vezes, mas não arrisco... Aliás, não quero emitir opiniões críticas sobre os poemas: levantamentos de acertos, desvios de conduta, contravenções, quebras de regras, escorregões, tropicões, subversões, má conduta, comportamentos suspeitos ou formação de quadrilha. Julgar nunca é um ato neutro. Quando analisamos, somos, necessariamente, arbitrários. A efetividade do resultado (material, ideológico ou estético) quem pode medir, em primeiro lugar, são os executores e seus parceiros, cada qual na sua. Até onde acompanho, longe, mas tão perto, sei que vai contra os princípios básicos do sarau, do livro (Rastilho de pólvora) e do cd, o pré-estabelecimento de normas, condutas e traços. Como o Comandante da resistência Sérgio Vaz diz: “tudo sem massagem e sem vaselina”.
Tenho, apenas, sentido. Tenho apenas estado emocionado. Ouço vozes que parecem, não de atores, não de portadores de auréolas, não de entidades, mas de pessoas de carne e osso parecidas com as que sempre rodearam minha vida que nunca foi fácil; que não é fácil.
Emociona-me ao reforçar, também, com o cd da Cooperifa, uma verdade sempre rejeitada: a poesia é de todos, a poesia é para todos, embora as boas lições formais e institucionais de literatura, em todos os níveis de ensino, e também os livros oficiais ainda não sejam. Ouço o cd da Cooperifa, sabendo que isso tem a ver com Sérgio, que se tornou um meu amigo novo e humilde. O que nos ligou foi a poesia, então o cd também tem a ver comigo. Ele diz “é tudo nosso”; e eu o levo a sério. Eu já a disse a ele: “o que a poesia une o homem não separa”.
Desde que recebi o cd, ando por aí falando e mostrado para quem posso. Acho que virei o assessor de imprensa da Coperifa por onde vou ou chego de alguma forma – dentro e fora das margens. E, quando falo desse trampo, o que mais me move não é o desejo de criar modelos ou ídolos, mas lembrar o meu povo, para quem mostro o cd com mais convicção e emoção, que podemos ir à luta e botar nosso bloco na rua sem o crivo de academias, juizes, júris, bancas, etc. e tal. Ou, se assim for, que não percamos nossa identidade, alterando nosso texto com a vaselina da submissão.
Exatamente no dia do lançamento do cd, falei coisas como essas para aos 36 jovens alunos “afro-periféricos” da nossa Oficina de Produção Cultural. No dia seguinte, toquei o cd para outros vinte e tantos da oficina de leitura e produção de textos que estavau desenvolvendo no subúrbio ferroviário de Salvador. Juntando as duas iniciativas, eram jovens entre 13 e 24 anos. Tudo semente “que precisa ser regada, para ser uma árvore bonita”. E por aí foi. Tem sido. Essa é nossa vida, negros. Seja em São Paulo, no Rio, Brasília, Porto Alegre, onde for. “Periferia é periferia em qualquer lugar” diz o poeta. Os verdadeiros guerreiros estão onde são necessários, não apenas onde há luminosidade. Onde há prisão há desejo de liberdade. Onde há trevas que se declame a luz.
Por tudo isso, não ouso tecer críticas estéticas aos poemas do cd, pois este representa muito mais que simples conjunto de obras-de-arte. Para mim, é uma arma possível. Eu, por exemplo, agora, posso ser flagrado a qualquer momento, portando um cd da Cooperifa. Por exemplo, agora, ele está ali, ó, junto ao meu arsenal da estante, olhando dentro dos meu olhos, ao lado dos não menos explosivos Ithamar Assunpção, Jards Macalé, Tim Maia, Bezerra da Silva, Luiz Vagner, GOG, Thaíde e Racionais MCs.
Enfim, o que quero mesmo é dizer que, mesmo à distância de mais de 2000 quilômetros, me emociono diante da história da cooperifa, pois, como o Sérgio diz no seu blog: “se fosse fácil, todo mundo fazia”. Respeito a Cooperifa, e me sinto também vitorioso com sua trajetória. E tudo nosso.

*Cooperativa de Artistas da Perifreria

Mais detalhes: www.colecionadordepedras.blogspot.com ou poetavaz@ig.com.br


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Spírito Santo
 

E este CD? Como ter?

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 8/2/2007 21:18
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Nelson Maca
 

é mole,
faz contato com o pai da criança e ele te explica o processo.
Ele é Sérgio Vaz: poetavaz@ig.com.br

valeu?

Nelson Maca · Salvador, BA 8/2/2007 21:25
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Spírito Santo
 

Valeu, parceria! Falo com ele.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 8/2/2007 21:34
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