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CORDÃO DE OURO o FILME de LEITEIRO

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AZnº 666 · Rio de Janeiro, RJ
14/5/2007 · 32 · 4
 

Sob todos os aspectos apesar de quase nenhuma CAPOEIRA, o filme CORDÃO DE OURO é um marco divisor na filmografia brasileira. Antes dele os jovens em geral (mulheres á parte) só tinham para a sua diversão chanchadas-pornô ridiculas, sem graça nem enredo, sacanagem explicita a titulo de cinema nacional e como filme de CAPOEIRA citava-se apenas o PAGADOR de PROMESSAS (1961) que quase nimguém viu, enquanto obras antigas feitas com BIMBA e PASTINHA nos eram completamentes desconhecidas na epoca.
Comentario de Nato Azevedo, a seguir eu Renato Azevedo o LEITEIRO relato minha experiencia participando do HISTORICO registro no ano de 1976 no Rio!
ATOR POR UM DIA - AS FILMAGENS
Conheci NESTOR CAPOEIRA através do meu Professor LUA RASTA em uma manhâ ensolarada, num camping a beira-mar por volta de 1975, me foge a memoria como, só sei que das outras vezes que tornei a ve-lo nos tratamos como velhos amigos, então quando o falecido RUBINHO TABAJARA me convidou para participar de um filme com NESTOR & ZEZÉ MOTA (sou seu fã) eu vibrei, era a realização de um sonho!
PRIMEIRO DIA
Cheguei cedo (6h30) para a filmagem- o onibus só sairia as 7 horas- mas , pasmem o veiculo já estava lá. Saimos no horario outro bom sinal, tudo indicando que ia embalar a minha carreira de artista nacional ou global. Após 2 cansativas horas chegamos ao local da filmagem, lugar muito lindo, todo gramado, do tamanho de um campo de futebol e rodeado de montanhas na cidade de Campo Grande. Atrás das montanhas ficava a rua por onde viemos e uma BAIUCA (pequeno comercio) aonde compramos biscoitos e refrigerante enquanto esperavamos o jipe que faria parte da filmagem. Deu 10 horas, deu 11, deu meio-dia e nada do bendito (ou seria maldito) jipe. Estrebuchava- mos de calor e de raiva quando o infeliz apareceu, demorara porque se perdera. Haviam contratado um rapaz da Zona Sul e não lhe deram um guia que conhecesse a Zona Norte, por isso não houve filmagem nesse dia!
SEGUNDO DIA
Eu ja sabia que estava em um filme nacional mas estava determinado a não perder essa chance, assim que começasse a filmagem eu queria aparecer o maximo possivel. na primeira cena não deu para me promover, mas na segunda "tomada" caprichei. Tinhamos que correr uns 50 metros morro acima em direção ao NESTOR CAPOEIRA isso com a camera nos filmando pelas costas. Sai pelo meio e cheguei por ultimo. Depois a camera foi la para cima do morro e filmava por tras do Nestor enquanto corriamos em sua direção. Passei "sebo nas canelas", botei 10 no coelho e ao sinal de AÇÃO, disparei. Só não cheguei em primeiro porque era o meu amigo RUBINHO quem estava na minha frente. Rubinho "morreu" com um arrastão, eu levei uma rasteira e enquanto o NESTOR cuidava de outro guarda, me levanto e tento lhe dar uma chicotada apesar de todos os guardas portarem revolver, armas de verdade! No que ele me da um martelo (vide foto) caio em cima do pé dele que esta sobre um formigueiro. Tivemos que ficar uns 10 segundos imoveis, enquanto isso as formigas invadiam o meu macacão e "almoçavam " o pé do NESTOR. Um providencial OK nos salvou!
Apesar da presença de ZEZÉ MOTA no "SET" oque mais chamou atenção nos 3 dias de filmagem foram 2 negros da turma de escravos, um Ricardo de uns 15 anos quase 1,90m de altura e uns 80 kilos impressionava, e junto com o outro baixo e magro, uns 25 anos e expressão de calma maquiavelica formavam a "dupla dinamica" do "SET"(?) de filmagem que por sinal não tinha banheiro nem agua! Este segundo dia de filmagem foi um irritante teste de paciencia pois DEUS querendo "aparecer" mandou-nos interminavel sequencia de nuvens. Abre lente, fecha lente, bota filtro, tira filtro...chegou finalmente a bendita hora do almoço. E espera, espera, espera...lá vem a kombi!
Olhos cheios de esperança, boca aberta cheia de dentes.. abre-se a porta do veiculo; Uma revoltante montanha de sanduiches com refrigerante, a gritaria foi geral, olhei para a "dupla dinamica" e pensei: vai começar a pancadaria! Mas nada aconteceu e depois eu soube que enquanto torravamos o" miolo no sol", eles fantasiados de escravos- calça de pijama listrado- tinham ido a BAIUCA onde "aplicaram" de grandes artistas enchendo o bucho de graça!
A choradeira deu resultado pois o jipe fez uma "feira-relampago" voltando abarrotado de frutas mas estacionou para nosso azar bem ao lado das 2 "ovelhas negras". Assim que o motorista se afastou eles pegaram o jipe e se mandaram para dentro da mata voltando mais tarde sem o jipe é claro! Quem foi ver o "estrago" disse que metade das frutas só dava para fazer suco. Infelizmente não se podia mandar os 2 projetos de bandidos embora porque eram eles os chefes dos escravos, os que iriam salvar o NESTOR dos guardas!
TERCEIRO DIA
Enfim DEUS que é brasileiro descansou e pudemos terminar as filmagens, cuja ultima cena era bem simples. NESTOR CAPOEIRA saltava do jipe e um guarda corria uns 7 metros em sua direção sendo perseguido por um escravo com uma foice de madeira - que tinha numa das faces da lamina uma bolha de mercurio- com a qual atingiria a costa do guarda, "matando-o" a uns 2 metros do NESTOR. Para o papel do escravo foi escolhido o sinistro magro da dupla dinamica e para o do guarda adivinhem quem? APOLINÁRIO! meu amigo Apolinário era um jovem mineiro com uma voz esganiçada que se tivesse veia comica seria substituto do Costinha, mas tinha um grave defeito para o papel:
SIMPLESMENTE CORRIA DEMAIS!
Só por isso estava no Rio pois havia ganho de uma universidade local uma bolsa como atleta. E começa a pantomina: ao comando de ação Apolinario dispara, ambos passam pelo NESTOR e vão mais uns 30 metros além. O diretor orienta Apolinário a corrrer menos. La vão os 2 mas novamente ultrapassam NESTOR, na terceira vez o diretor grita "AÇ.." o escravo se adianta e mal Apolinario a 2 passos leva uma madeirada na costa mas ao invés de cair vira-se para o rapaz e protesta: "que qué issso negão?".
trocou-se o macacão sujo de tinta vermelha e o capeta repetiu a dose, desta vez quebrando a foice de madeira na costa do pobre Apolinário. Olhei para o rosto do "distinto" e não nem sombra de um sorriso, houve troca de macacão e novas repetições, agora com foice de ferro num total de 7 vezes. Após o almoço recomeçam a filmagens quando derepente invade o local um "coração de mãe" caminhão-poltrona da Policia Militar com uns 20 PMs. Pensei que tinhamos invadido propriedade particular mas me enganei, queriam levar a dupla dinamica pois haviam assaltado a BAIUCA do mesmo comerciante que les "enchera o rabo" de biscoito no dia anterior. A Direção do filme contornou o problema , derepente uma grande surpresa chega a PROXIMA VITIMA: ZEZÉ MOTA! Simpatia em pessoa, lindisssima numa bota de couro branco, ZEZÉ viera participar das filmagens e provavelmente trocou de roupa no nosso onibus. Finda as filmagens os diretores doidos para irem embora, se entupiram numa kombi com os equipamentos e nós entramos no onibus e ZEZÉ que foi a ultima a entrar perguntou: GENTE, ALGUEM VIU MINHAS BOTAS?
Nas nossas cabeças brilharam 2 palavras: FORAM ELES! Ela dá o ultimato: O ONIBUS NÃO SAI ATÉ QUE AS BOTAS APAREÇAM!
Passados uns 15 silenciosos minutos nós cheios de ódio e com a barriga cheia de fome, vimos surgir o "PASSAPORTE" para continuar a viagem:
As benditas botas brancas, agora zebradas de graça pois tinham sido escondidas no motor traseiro do onibus. Não sei como ZEZÉ se sentiu, mas eu quase tive um ataque cardiaco! O onibus se tornou um mausoléo mas no
meio da viagem ele para, abre-se a porta e entram 2 diretores, um deles com um "garnizé" (galo ao contrario) na testa ou afundamento de cranio que deve ter inspirado ao NESTOR o titulo do livro GALO JA CANTOU. Na pressa de irem embora a kombi batera mandando meia duzia para o hospital.
O FIM DA HISTÓRIA
Após uns 3 meses de telefonemas, idas e vindas, consegui receber por minha participação no filme. Gastei bem mais tentando receber do que ganhei pois a empresa Lanterna Magica Produções fez a magica de deixar na "lanterna" da
folha de pagamentoaos que ela devia, para ver se eles desistiam. Eu não quis ir a PRÉ-ESTRÉIA deixando ara saborear meus minutos de glória no lançamento do filme nos cinemas. Triste destino o meu! O CORDÃO que era de OURO após a pré-estréia VIROU LATA e eu pude ver só uns 10 anos depois que os meus MINUTOS DE GLÓRIA tinham virados MISEROS e IRRECONHECIVEIS 10 SEGUNDOS. por SORTE o fotografo que registrou a foto que esta na contra-capa do PEQUENO MANUAL do JOGADOR de
CAPOEIRA do NESTOR CAPOEIRA só foi impedido de fotografar as cenas do filme logo depois desta foto porque o "CLIC" da maquina estava entrando na trilha sonora.
O DIA DA PRÉ-ESTRÉIA por Nato Azevedo
A pré-estréia foi no ultimo cinema de Copacabana no Posto 6, não me lembro o nome no fim do ano, 400 ou mais lugares comletamente tomados pela galera capoeirista. Recebemos todos um questionario (que virou aviãozinho na sala escura) e um lapis para anotar as opiniões sobre o filme. Foi uma bagunça geral, muita conversa durante a projeção, um zum-zum-zum danado e até algumas vaias não sei bem porque. Adorei o filme de cenarios naturais belisssimos, um maculêle&bumba-meu-boi empolgantes e um enredo futurista bem plausivel. Infelizmente se CORDÃO DE OURO foi lançado no circuito comercial não ficou muito tempo, pois dizem que o produtor Antonio Carlos Fontoura, nome respeitado no mundo cinematografico, receando a rejeição do filme não o colocou em cartaz! FIM
O HOMEM é um ANIMAL que PENSA QUE É HOMEM!
Não ha duvidas que nós seres humanos jogamos pro alto as oportunidades que a vida nos apresenta, os comentarios que ouvi da atuação dos capoeiristas mais graduados que participaram do resto do filme foram lamentaveis, talvez sabendo da nossa dificuldade de receber "sacanearam ao maximo"! Sendo isto verdadeiro e juntando a atuação dos 2 ai em cima mais as atuações em outros filmes - teve um que tinha parceria com alemães- de pessoas do Rio que chegou ao meu conhecimento me levou ao uso desta frase cujo autor não me lembro!
No YOUTUBE voçe poderá "ver" as 3 partes do filme Cordão de ouro, eu estou na 3ª parte, e mais o CORDÃO DE OURO - THE MOVIE muito boa pois é colorida! 100 AIS LEITEIRO

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Andre Pessego
 

Letreiro, meu adimirável e admirado camaradinha,
a) Macumba: não é religião, nem ritual religioso. Macumba é um instrumento. Ele está acho que desaparecido porque e dificil de fazer. É tipo um atabaque que o som vai pelo chão. O cristinismo é que como depreciação fez esta ilação.
- Vou indo minha filha a macumba tá me chamando. Bota os ouvidos na parede que tá chegando aqui. (Camara Cascudo, dicionario do folclere, pag. 368).
b) do xerox, eu tenho nos perguntado é que está lendo os nossos textos? Os nosso Mestres deviam tirar xerox e levar para ler antes ou depois das rodas. Para quem nao sabe, quem não tem computador.
- Mas é assim. Capoeira foi feita de gente raçuda como voce.
Vamos em frente. A História não termina hoje e ele que vai dar elementos para formarem os que tomarem o nosso lugar na Roda,
Só posso lhe encorajar, se servir de alguma coisa meus recados,
um abração mesmo

Andre Pessego · São Paulo, SP 13/5/2007 08:47
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AZnº 666
 

Estou num CYBER cujo mouse esta com problemas , estava no fim da resposta quando ela sumiu, na anterior coloquei meu email e eles sequestraram, o destino esta conspirando, ou seria as forças ocultas, aguarde proxima oportunidades. Leiteiro

AZnº 666 · Rio de Janeiro, RJ 13/5/2007 15:55
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Marcelo V.
 

..."os jovens em geral (mulheres á parte) só tinham para a sua diversão chanchadas-pornô ridiculas, sem graça nem enredo, sacanagem explicita a titulo de cinema nacional"...

Bem, não era tão simples assim... Escrevi um texto que aborda este tipo de cinema, por um lado atacado por preconceitos, mas também bastante popular mesmo entre críticos e historiadores do cinema brasileiro. Abraços!

Marcelo V. · São Paulo, SP 15/5/2007 18:39
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Andre Pessego
 

Meu admiravel camaradinha, estou com uma materia posta na cultural. se chama ALCOVITICE, SUA hISTORIA NA HISTORIA,
Se puderes, dê uma passada lã, um abraço,
Sobre a macumba nao tome como ofensa, acho que nós capoeira, negros afins temos que ir desfazendo estes equivocos. um abraço, andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 15/5/2007 19:18
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