Cortejo das Tradições: o fio da navalha

Egeu Laus
O Cortejo das Tradições reunido no Memorial Manuel Congo, na Pedreira
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Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ
16/8/2007 · 109 · 26
 

Vassouras com seus cerca de 35 mil habitantes tem, nos últimos anos, procurado aplicar investimentos no Agroturismo e no Turismo Histórico-Cultural como forma de buscar um desenvolvimento sustentável para a região, já que se localizam no seu município a maioria das antigas fazendas imperiais remanescentes do riquíssimo Ciclo do Café acontecido no Vale do Médio Paraíba no século 19. A própria cidade de Vassouras, a mais importante da província fluminense no período, teve seu centro histórico tombado pelo IPHAN em 1958, propiciando um programa de visitas turísticas centradas no seu patrimônio arquitetônico.

A principal iniciativa nessa direção tem sido o Festival Vale do Café que aconteceu agora em julho de 2007, em sua quinta edição consecutiva, e que durante dez dias trouxe música, principalmente instrumental, para Vassouras e as cidades vizinhas de Piraí, Valença, Barra do Piraí, Mendes, Paulo de Frontin, Paty do Alferes e Rio das Flores.

O Festival, uma idéia da harpista carioca Cristina Braga e do violonista maranhense radicado no Rio Turíbio Santos, os dois com renome e carreiras internacionais, tem sido um sucesso de público desde a sua primeira edição em 2003. A favor disso conta o extremo cuidado com a programação escolhida trazendo sempre nomes de qualidade da música instrumental brasileira (bem como também alguns cantores) como Leo Gandelman, Duo Fel, Carlos Malta, Arthur Moreira Lima, Daniela Spielmann, Guinga, Paula Santoro, Victor Biglione, Quadro Cervantes e muitos outros.

Cristina Braga, desde o início, embora com pouco conhecimento, fez questão de abrir algum espaço para os grupos ligados as manifestações das tradições populares, que eram pouco conhecidos fora de suas comunidades. Excetuando-se a Folia de Reis, extremamente popular em Vassouras (e de grande alcance por todo o interior fluminense) e a Capoeira (organizada nacionalmente), o Jongo e Caxambu (que na verdade são a mesma coisa), o Maculelê, a Caninha Verde e o Calango não tinham, fora de seus redutos, qualquer visibilidade e mesmo no seu interior sofriam um processo de esvaziamento, por conta, entre outros motivos, da cerrada oposição das igrejas evangélicas que se espalham pelas comunidades em todo o estado.

Em 2005, durante a terceira edição do Festival, o evento tentou incluir algumas dessas manifestações populares utilizando o amplo espaço da praça e até mesmo a torre da igreja com canhões de luz num roteiro teatralizado que buscava um grande impacto visual. O que se observava era a tentativa de trazer esses grupos para uma proposta de show musical, consoante todos os outros artistas contratados, mas completamente afastada do que os grupos consideravam sua linguagem e seu espaço de atuação.

Procurando-se um contato mais de perto, até mesmo para identificar as manifestações dessas comunidades para sua inserção no Festival, chegou-se a André Jacques Monteiro, estudante de História e professor de terapias corporais em Vassouras, que atuava muito próximo a elas por conta do projeto Movendo Saúde, da Secretaria de Saúde que lhe permitia manter um contato estreito e constante (desde 2002) com mais de uma dezena de Unidades de Saúde da Família por todo o interior do município. André tornou-se o interlocutor inicial para o contato com essas comunidades.

Para dar visibilidade ao conjunto dessas manifestações, a direção do Festival foi buscar no carnaval carioca um formato que pretendia atender a essas necessidades: o desfile. O que se percebeu é que, ao contrário do samba-de-enredo, estávamos falando de elementos musicais totalmente diversos e diferentes entre si, e com suas danças e instrumentos completamente inadequados a um desfile nos moldes carnavalescos.

Um formato híbrido acabou surgindo, experimentado na edição anterior e aprimorado este ano com a participação das produtoras culturais Vânia Mattos e Marina França, do jornalista local José Luiz Medeiros Jr., de André Jacques Monteiro e da cantora, compositora e percussionista Girlei Miranda que ajudou a coordenar o trabalho musical: Um Cortejo único, o Cortejo das Tradições (idéia de André, inspirado nos trabalhos de sua mãe, Lena Martins da Cooperativa Abayomi) onde todos os grupos desfilam em “alas” tendo a frente as Rezadeiras (também conhecidas em outras regiões como benzedeiras), saindo do Memorial de Manuel Congo em direção a praça principal da cidade, cantando em conjunto uma mesma “música-enredo” (composta por Ricardo Medeiros e Cristina Braga) com o suporte de uma banda de percussão (ao estilo bloco carnavalesco) organizada pelos alunos do Programa Integração pela Música – PIM, ong de Vassouras.

Ao final desse cortejo os grupos ocupam, todos ao mesmo tempo, espaços pré-determinados na praça onde realizam apresentações simultâneas. Ao cair da tarde e já entrando pela noite, com a ajuda de spots de iluminação, as rodas causam um grande efeito fazendo do encerramento do Festival Vale do Café um belo espetáculo visual.

Turistas e visitantes, bem como a população geral de Vassouras, se deparam ali com danças, cantos e músicas com as quais pouco contato têm durante o ano. Mestres da tradição popular tem ali um espaço de visibilidade que é raro em outras ocasiões.

Mesmo assim, esses Mestres percebem que o caminho para o seu reconhecimento efetivo ainda não se confirma totalmente. A própria forma do Cortejo encontra alguma resistência. As roupas são o elemento mais visível dessa inquietude. Os figurinos produzidos por uma experiente dupla de figurinistas e carnavalescos, Samuel Abrantes e Suely Gerhard, embora de grande apelo visual, carecem de traduzir totalmente as necessidades simbólicas desses grupos, até por não terem sido por eles discutidas e questionadas em profundidade. A Caninha Verde de Ferreiros (um dos distritos de Vassouras) inclusive nem chegou a utilizá-los. O Cortejo, enquanto desfile pelas ruas, parece deixar pouco à vontade alguns dos grupos, embora de modo geral todos tenham gostado do evento, pela oportunidade do congraçamento.

A solução para a “apresentação” inicial desses grupos, caso seja mantida, talvez tenha que buscar algum outro formato. Na cidade de Cordeiro, assisti a um encontro de vários grupos de Folia de Reis que assomavam a praça principal vindo de diferentes direções, todos cantando e dançando seu próprio repertório. Mas conciliar grupos tão diversos como Calango, Jongo, Maculelê e Capoeira será sempre problemático.

No entanto, o que parece estar em jogo, de um lado é o modo como o Festival enxerga e determina a participação desses grupos na sua programação, e de outro as reais necessidades e aspirações desses grupos.

A primeira e visível determinação é a de constranger todos os grupos, num só dia, no espaço inclinado da praça, numa espécie de “reserva indígena” que nada tem a ver com a organização territorial que originalmente os grupos utilizam. Se para a Capoeira isso não é problema, acostumados historicamente a improvisar espaços onde fosse possível, a Caninha Verde, por exemplo, se ressentiu de um “chão” firme onde sua dança possa ressoar e se expressar com mais autoridade, conforme comentou Telma Barbosa Sant’Anna, uma das líderes do grupo de Caninha Verde de São Sebastião dos Ferreiros. Para Nilton Dias da Rosa, o “Seu Filhinho Santana”, um dos mais antigos cantadores da Caninha Verde de Vassouras o saldo foi positivo.

João Henrique Barbosa, jornalista local, em comentário aqui mesmo no Overmundo, é quem melhor expressa essas dúvidas:

“(…) Ficamos no fio da navalha. O Cortejo dá visibilidade a manifestações que muitos vassourenses mesmo não conheciam. (…) Cabe aos atores envolvidos garantir que este risco seja sempre um risco calculado. E que o Festival se esforce para não perder a ligação com a comunidade. Se este elo não for intensificado, todos sairemos perdendo.”






Eis a lista dos Grupos participantes do Cortejo das Tradições
no encerramento do Festival em 2007:

Rezadeiras (de Vassouras)
Caninha Verde de Ferreiros (Vassouras)
Capoeira e Maculelê Abadá (Vassouras)
Arte Rasteira Capoeira (Vassouras)
Caxambu Renascer de Vassouras
Grupo de Calangueiros (Vassouras)
Folia de Reis de Vassouras
Jongo de Pinheiral
Jongo de Arrozal (distrito de Piraí)
Jongo de Barra do Piraí
Folia de Reis de Valença
Folia de Reis de Paulo de Frontin
Folia de Reis de Vassouras
PIM – Programa Integração pela Música
(Vassouras – comunidade participante)

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Carlos Henrique Machado
 

Querido Egeu
Acho que este tema é fundamental e dará pano pra manga. Mais à frente, participarei do debate sobre isso. Parabéns pela coragem da abordagem. Gosto desta postura de colocar as questões polêmicas para serem discutidas à exaustão.
Abraços.

Carlos Henrique Machado · Volta Redonda, RJ 13/8/2007 18:13
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Tetê Oliveira
 

Egeu, bem interessante o festival e a proposta de integração com a cultura e a arte tradicionais que até então ficavam confinadas às comunidades. O desafio é grande e, pelo visto, ainda há um longo caminho ainda a percorrer para que se respeite e não se descaracterize esses grupos.
Em relação a essa busca por um aperfeiçoamento, uma forma melhor de permitir a participação dos grupos no festival de uma forma mais próxima de suas realidades, uma informação no seu texto me chamou a atenção: são 10 dias de festival e a apresentação dos grupos ficou restrita a apenas um. Por quê? Pensei em algo como distribuí-los ao longo da programação: um dia dedicado à folia, outro à capoeira e assim por diante. Outra idéia que me ocorreu é que a programação se estendesse a outros espaços da cidade, às próprias comunidades, não só na praça. Assim, os turistas e a população local também seria convidada a conhecer a realidade desses grupos, suas "casas".
Talvez isso seja algo a se considerar, não?
Um abraço.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 14/8/2007 00:38
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Tetê Oliveira
 

Ops, os turistas e a população seriam convidados... Acho que tá na hora de dormir! :-)

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 14/8/2007 00:40
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Egeu Laus
 

Sem dúvida, Tetê. Seria uma bela sugestão. Mas a palavra final deve ser dada pelos próprios grupos em conversa com o Festival. Estou curioso para acompanhar os desdobramentos...
Abraço!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 14/8/2007 12:19
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Carlos Henrique Machado
 

Egeu
Desculpe-me por ser extenso, mas, como tenho dedicado todo meu tempo na discussão dessas questões, vou escrevendo os motivos que me levaram a esta luta.
Na realidade, busco compreender toda essa questão através do choro que você conhece bem a luta que é para se ter uma política que trate o choro com o seu devido tamanho.
O que observo Egeu, é que a cultura do povo brasileiro foi fragmentada, no entanto, ela exerce uma exuberância impávida. Um dos projetos do Minc, Pontos de Cultura, que privilegia as manifestações culturais de caráter espontâneo no Brasil, sintetiza bastante o nosso quadro. Pontos de Cultura, por que não, Centro de Cultura? Porque, na verdade, no nosso vício colonialista, os centros de cultura no Brasil dão início a centros de excelência, na visão colonialesca, ou seja, olharmos para o Brasil com olhos de europeus, missão naufragada historicamente. O Brasil não teve coragem ainda de discutir isso, mas não digo discutir conceitualmente não, digo, colocar as cartas na mesa para que a subjetividade não tome conta mais uma vez e, com isso, caiamos no tatbitat academicista da grande arte universal do grande homem e, logicamente, sentido Europa. Este problema que desfoca o centro das nossas matrizes para empurrá-lo para pontos, ou seja, periferias, é obra de uma comunhão de pensamentos, é uma herança do nosso estado, uma maldita herança que pode ser vista em vários focos, aí sim, são vários focos, pontos que tentam de todas as formas se agarrarem nas escadarias palacianas de arte para fugirem da imagem cabocla, negra, caiçara. É normal que alguns carreguem esse complexo, que se encham de perfume francês, que vistam casacas, cartolas e comam canapés. Vão a caríssimas óperas e correm no dia seguinte para ver como sairam na revista Caras. É normal que a tal elite branca, palavra tão gasta ultimamente, mas que eu falo com gosto, tenha esse complexo e queira transformar o Brasil num bistrô de Miami, meio francês, meio consumista ao estilo americano. Essa caricatura brasileira está um pouco em todos nós. Não podemos ficar de dedo em riste apontando e nos divertindo com os gaiatos do "Cansei". Fazemos parte dessa opressão a nós mesmos. Por quê? Talvez pela sobrevivência, bastante de covardia e, acima de tudo, uma imensa e retumbante ignorância. Gastamos muito tempo penteando cabelos, tentando parecer mais civilizados. Mas o problema é que no Brasil venta muito e despenteia a nossa pose civilizada. Vez por outra, nos encontramos, nós conosco. E, de frente, um para o outro, o mentiroso e o verdadeiro, entram em conflito. Só que de uns tempos pra cá, a máxima, "a mentira tem pernas curtas", tem dado robustez às nossas realidades. O que dá tônus muscular ao nosso lado menos contaminado pelo medo. E, aos poucos, essa discussão que, na verdade, é uma discussão sobre nós mesmos, vem ganhando formas mais autônomas, até porque não tem jeito, isso teria que acontecer, não porque quiséssemos, mas porque é a nossa verdade. Fazer o quê? Não somos franceses, descobri isso há pouco. Nem me endividando em parcelas caras para comprar um conjunto completo de jogin e camisa polo da tradicional Lacost. Fui barrado no grande baile da cinderela. Tentei dar aquele jeitinho brasileiro, dando uma carteirada onde eu, com o meu polegar, cobrí a parte Silva do meu nome e mostrava a parte européia, mas nada, nem pela cozinha eu entrei. Vez por outra, assim como no chá das quatro, promovido pelas sociedades secretas, consegui, por obra de caridade dessas benditas almas, entrar num grande teatro e sair dizendo que cheguei lá. Lá aonde? Perguntei pra mim, e respondi... ora, lá, lá aonde vai gente chique, doutores, gente viajada que chega de limusine à brasileira e recebe flashs combinados. Pois bem Egeu, me certifiquei, de tanto fuçar aqui e ali, que o choro era perseguido e não só barrado pelo preconceito acadêmico dentro do Brasil. Na última edição da revista "Violão Pró", numa bela entrevista dos Irmãos Assad, indiscultivelmente, a melhor dupla de violão do mundo, eles narram que, ainda estudantes na UFRJ, Escola Nacional de Música, quando chegavam perto de alguns acadêmicos xiitas, ouviam, lá vem os irmãos com aquela mania de tocar Radamés. E eles concluem, hoje, rigogizando, agora, aquele pessoal que só admitia a escola européia de música, vive à caça de Radamés.
Vou continuar depois este assunto, como já disse, não quero me excluir da culpa de participar de um processo em que o esmagado sou eu mesmo. Quero alertar com isso que não há, individualmente, culpados de nada. A histeria eurocentrista implantada no Brasil habita bastante em todos nós. Por isso, gostei muito da sua abordagem sobre as questões sem apontar culpados. Mas discutir destorções históricas. Não é exclusividade do Festival Vale do café. Isso é uma pauta que necessita, acima de tudo, de serenidade e reflexão para que possamos galgar com responsabilidade, degraus que nos tragam uma identidade sem xenofobia de Brasil.

Carlos Henrique Machado · Volta Redonda, RJ 14/8/2007 14:53
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Carlos Henrique Machado
 

O que quero dizer, é que nossa arte depende da nossa cultura, sem ela nos transformamos em passivos repetidores de gestos na esfera da legitimidade do conceito de arte, humana, critica. A técnica adotada através das academias não fez arranhão na nossas matrizes. Quanto ao choro, foi ele que me fez ver isso. O que se percebe no Brasil é que as nossas instituições acadêmicas têm pavor de povo, principalmente se for o povo brasileiro o seu próprio mecenas. Eu sei que teve muita gente que quis associar a imagem do choro aos salões da côrte. Se isso fosse verdade, estaríamos estabelecendo o ineditismo em arte no mundo. O artista, no mundo todo, se nutriu da cultura do seu povo, mas jamais o inverso, por mais gênio que ele tenha sido. Foi gênio porque leu o sentimento do seu próprio povo, com tanta riqueza de detalhes que o povo lhe reconheceu como um atento observador de suas comunidades. Temos muitos desses no Brasil que sentiram o perfume que emanava dessas manifestações como as do cortejo das tradições. Villa Lobos tinha faro apurado e soube, como ninguém, construir a sua grande música a partir desses elementos que a erudição dos terreiros lhe ofereceu. Mário de Andrade, na Semana de 22, puxou as orelhas dos brasileiros como quem puxa de um filho para fazer o dever de casa. Sentenciou de idiota os amantes das escadarias que vivem aos sonhos com a belle epoque no seu xingamento em "Ode ao Burguês", chamando a nossa atenção para que nos valorizássemos mais como povo e assim pudéssemos entrar em pé de igualdade no mundo industrializado. O cerne da nossa arte está ali, não podemos tratar como filhos ingratos dotados de prestígio e anéis de doutores virando as costas para seus pais. Ainda enchemos a boca para falar em Berkeley, mesmo sabendo que isso pouco interfere em nossa criação musical. O choro flerta com todos, tem uma certeza de sua alma que lhe dá autonomia pra vôos bem longos sem lhe aleijar a alma. Eu, que enxergo o choro, não como um estilo, mas como a própria encarnação da música brasileira, do ogan a Villa Lobos, tenho comigo um grande aliado, Pixinguinha. O homem que habitava todos esses mundos sem cerimônia, com uma leveza que unia, tambores, cordas, sopros, um balaio de uma vasta imensidão de sons. Pixinguinha tinha como certo os contornos da nossa alma, leu magistralmente, passou gentilmente o bastão para grandes sambistas, desde os mais melódicos como Silas de Oliveira, Cartola, Paulinho da Viola, passando por Candeia que habitava as melodias como mais redondilhas até o batuque brabo do chão empoeirado dos genuinos terreiros onde habitava Clementina, filha direta, com registro em cartório e tudo, dessa gente maravilhosa do cortejo das tradições. Mas Pixinguinha nutriu também, com seu requinte de observador e ativo participante direto dessas manifestações, com material rico ao próprio Mário de Andrade no seu livro "Música de Feitiçaria no Brasil", pois Pixinguinha era o próprio ogan. Isso somado a outros fatores da nossa própria música, encheu de possibilidades a criação de grandes compositores da música sinfônica, como Francisco Mignone, Camargo Guarnieri, Lourenzo Fernadez e etc. Portanto, assim como foi feito com Clementina, filha de Valença, o cortejo das tradições merece lugar de absoluto destaque, por força de sua representatividade. Tudo aquilo que ouvimos das mãos de Turibio Santos, Guinga, Cristina Braga, Moacyr Luz, Carlos Malta, enfim, todos os grande músicos que se apresentaram no Festival Vale do Café, são excelências que se nutriram, em suas núsicas, de manifestações como aquele cortejo, direta ou indiretamente.
O Festival, que é um enorme sucesso, irá ainda caminhar com estratégias que permitam estimular a vinda de muitos turistas do mundo para ouvir os músicos, compositores, criadores da música do próprio Vale do Paraíba. Não tenho a menor dúvida disso. Até porque, quando viajamos para qualquer lugar, queremos obervar as paisagens, a culinária e, acima de tudo, como somos um povo muito musical, a música que emana de todas as correntes daqueles municípios que têm uma tradição de revelar para o mundo, ícones da grande música brasileira.

Carlos Henrique Machado · Volta Redonda, RJ 14/8/2007 18:40
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Spírito Santo
 

Mesmo já tendo dado os meus pitacos e tendo até publicado um post instigado pelo tema, permitam-me voltar à conversa que, acho delicada pra caramba. Serei delicado pois.

Em primeiro lugar conheço, de algum modo, a maioria das pessoas envolvidas aqui nesta conversa e acredito na honestidade de suas intenções. Tenho também uma relação profissional – e emocional - profunda com este assunto porque tenho me dedicado, quase que exclusivamente a ele, por toda a via. Todos nós, os envolvidos, estamos imbuídos apenas de boas intenções, certo? Então, qual é o problema? O que ocorre em Vassouras de tão discutível assim. Por que tanta celeuma?

Para que o papo avance e tenha alguma razão de ser, precisamos, pois, retirar a conversa, um pouquinho que seja, deste do escorregadio terreno dos ‘nada-dissos’ e dos ‘muito-pelo-contrários’.

Pingos nos ii, portanto. Estamos aqui tratando do pouco espaço destinado ou ocupado pelas tradições culturais, digamos assim, mais tradicionais e originais do Vale do Paraíba do Sul no contexto dos grandes eventos promovidos na região, entre os quais o Festival do Café. É isto?

É óbvio, portanto, que existe uma contradição instalada aí. Ela é recorrente e tem fortes componentes, indelevelmente, ligados à exclusão social (cultura popular e exclusão social, talvez fosse o tema aqui corrente) e é daí que vem a ‘delicadeza’ obrigatória.

Sei que o tema é tabu por aqui, no Overmundo. Já toquei nele e tomei algumas bordadas. É politicamente incorreto porque, formamos uma comunidade culturalmente articulada, mergulhada até os ossos na política cultural brasileira. Seres ‘bem pensantes’ que temem ofender um membro do clã. Não é de bom tom. Perdoem-me, pois, esta leve transgressão.

O Brasil é uma sociedade cruel. Fazemos parte dela. Não existem só boas intenções nesta história. Não somos muito bons neste negócio de ética, convenhamos, usamos muito do hábito de deixar pra lá, fingir que não vimos, omitirmo-nos, em suma.

Não digo também que o ‘povo’, estas pessoas ‘originais’, tradicionais’ são santinhas enganadas por uma elite de espertalhões de classe média, que surrupiam sua cultura em benefício próprio (o mestre de Folia de Reis também faz parte desta mesma sociedade).

O problema é que, pessoas de cultura que somos (talvez sem nem nos darmos conta disso), estamos permitindo que algum tipo de corrupção de valores contamine o que de mais precioso temos que é a nossa cultura ancestral, original ( nossa personalidade, em suma), com esta conversa esperta de assimilação e transformação, da cultura popular (um conceito estranho porque, nesta hora, nos isolamos numa posição de classe na qual popular são os outros)

Eu mesmo conheço vários exemplos desta ‘apropriação’ espalhados pelo país. Conheço o processo ocorrido com o Maracatu ‘tradicional’ urbano, com o Jongo ‘tradicional’ urbano e, muita gente vai se lembrar de um fenômeno semelhante ocorrido em seu estado, com alguma manifestação cultural tradicional que foi sendo, por conta, principalmente do apelo pecuniário dos recursos provenientes dos incentivos fiscais, ‘transformada’, ‘inserida’, em suma, ‘apropriada’ em seus aspectos, digamos assim, mais artisticamente proveitosos.

O processo descrito pelo Egeu de tentativa, por parte dos agentes culturais envolvidos com o festival, de inserir as tradições culturais da região no contexto, é por demais emblemático. Como perguntar não ofende, eu diria que, para mim, não estão suficientemente claros, na descrição do Egeu, aspectos cruciais à discussão quais sejam:

Considerando-se que, no contexto geral da produção do evento, pensou-se desde o início na inserção dos grupos tradicionais, com que status – inclusive no que diz respeito às rubricas do orçamento do projeto - estes grupos foram convidados a participar?

Verificando-se, pelo descrito, que havia pouco ou nenhum conhecimento sobre a Cultura tradicional da região – isto sem considerar a existência óbvia de especialistas locais - porque diversos formatos de exibição artística, reconhecidamente exóticos, foram tentados sem uma mínima pesquisa ou uma consulta preliminar aos mestres destas manifestações?

O ‘fio da navalha’, imagem cunhada pelo João Henrique Barbosa diz quase tudo:

De um lado pessoas que, em sendo bem intencionadas, são no mínimo arrogantes (se julgam capazes de reformatar a cultura tradicional de uma região, mesmo sem ter conhecimento de causa) e ingênuas porque o fazem, sem enxergar o estrago que este processo de ‘reformatação’ produzirá na dinâmica original daquelas manifestações.

Do outro lado, um ‘povo’, também carente de ética (como nosotros, óbvio) passível de ser corrompido também, por programas de renda mínima, cultura mínima, cachê mínimo, salário mínimo, enfim. O Brasil inculto e deseducado de sempre.

Sobrará para os praticantes de cultura popular de antes, um salão de igreja evangélica qualquer. Aleluia! Para nosotros, talvez, uma... Fashion week animada por garotos favel

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 15/8/2007 20:09
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Spírito Santo
 

...garotos favelados, batucando um funk fuleiro, em latas velhas.

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 15/8/2007 20:10
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Egeu Laus
 

Pessoal,
Ia colocar e acabei esquecendo. A letra da música-enredo, composta por Cristina Braga e Ricardo Medeiros:

Cortejo das Tradições

Meu sinhô, minha senhora
Dá licença d'eu passar
Meu tambor vem lá da roça
Pra poder nos alegrar

Folia, Jongo, Calango
Maculelê, Rezadeira
Caninha verde, Capoeira
Nós vamos apresentar

Ô iêiê, ô iáiá
Dá licença d'eu passar
Pra poder nos alegrar.

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 16/8/2007 10:07
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jjLeandro
 

O bom de tudo isso Egeu é que o Over...está se tornando um espaço aberto e alternativo onde a cultura transita sem freios, a verdadeira cultura, aquela que as pompas oficiais esquece e que é a que merece menção.
abcs

jjLeandro · Araguaína, TO 16/8/2007 11:03
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NAEC de São Benedito - Ce
 

Olá!!! nós aqui do NAEC gostamos de trabalhar essa questão.
buscamos nfazer aqui em nosso município um trabalho visando a divulgação dos cortejos brincantes, e o resultado foi excelente! estamos trabalhando para uma apresentação em novembro, no aniversário de nosso município, onde faremos primeiramente uma pesquisa sobre as tradiçoes locais. Já estamos bem avançados.
acesse: http://naec.gigafoto.com.br e conheça um pouco de nosso trabalho
abraços de toda equipe do NAEC de São Benedito - Ce

NAEC de São Benedito - Ce · São Benedito, CE 16/8/2007 12:54
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Egeu Laus
 

Sejam benvindos pessoal de São Benedito no Ceará!
Tragam seus textos e noticias para publicar aqui no Overmundo.
Queremos saber mais!
Abraços!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 16/8/2007 12:59
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Marluce Freire Nascasbez
 

Egeu Laus,



"Meu sinhô, minha senhora
Dá licença d'eu passar
Meu tambor vem lá da roça
Pra poder nos alegrar"
...


Olha que coisa mais: esses estandartes tão lindos de cores e detalhas surgidos do suor das rezadeiras, da capoeira, da caxanga, da folia, do jongo, dos calangueiros,etc.

Como gosto, como senti a alma impregnada de uma magia indescrítivel quando vejo, quando participo de coisas assim; semelhantes a essas que publicaste em teu postado! Muito bonito teu trabalho na matéria! Fazes quem está lendo viver o momento, olhando as fotos!

Parabéns!

. Não é complicado a cuminância do que foi vivido em dez dias em apenas um dia para a apresentação?

Um aBRAÇO, Marluce

Marluce Freire Nascasbez · Carnaíba, PE 16/8/2007 19:33
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baduh
 

Egeu Laus... o Homem-Mar...

Fizeste um belíssimo relato, super rico, impressionante, que, graças aos céus, ficará aqui, nos anais do Overmundo, para as gerações vindouras.

Espero também que escolas e grupos culturais o utilizem, para educar, ilustrar crianças, tirá-las da frente da TV!

Vai aqui o meu mais profundo respeito, os meus efusivos cumprimentos e o meu humilíssimo voto!

Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 16/8/2007 19:51
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Jane Soares
 

Belo relato Egeu, o Cortejo foi lindo e com suas alavras melhor ainda.

Jane Soares · Vassouras, RJ 18/8/2007 18:23
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Egeu Laus
 

Obrigado, Jane. Seja benvinda ao Overmundo!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 18/8/2007 22:04
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Carlos Henrique Machado
 

Egeu
Acho que o que tem que ser questionado, não é propriamente o cortejo das tradições que, a meu ver, é uma aparente visão de tolerância dos organizadores do Festival e não um processo a partir dessa cultura. Enfim, acho que o cortejo é fruto de uma visão equivocada e perigosa.

Precisamos compreender que, no conjunto das políticas que estimulam o processo criativo das localidades onde se desenvolvem festivais como este, detectamos eficácia onde toda a comunidade tem benefícios diretos ou indiretos. Acho que não é o caso do Festival que acaba por privilegiar um grupo estritamente econômico. Existem duas correntes hoje que divergem nessas ações dos grandes eventos em cidades pequenas, seja no litoral ou no interior.

Quando a classificação da cultura local é indicada pelo aspecto simplesmente de catalogação, o efeito é praticamente nulo. Quando não soa o amargo do periférico, da concessão, do aspecto pontual.

Isso está sendo muito comum na visão burocratizada da cultura no Brasil. As decisões sobre os destinos de eventos estão conseguindo se impor pela ótica e lógica dos burocratas somados aos políticos via decisões do marketing cultural.

Temos dois caminhos a tomar: alguns bons exemplos, como no próprio Vale, a cidade de São Luiz do Paraitinga onde se desenvolve uma gigantesca festa a partir da cultura e do pensamento da própria comunidade, ou inversamente, Campos do Jordão que habita ambiente parecido ao redor do Vale do Paraíba, onde privilegia-se a cultura de classe com a lógica e pensamento voltados à planilha social que devolva lucros capitaneados numa esfera social que atende aos hotéis, shopings e restaurantes, abandonando e muitas vezes, massacrando os resquícios de uma cultura local.

Carlos Henrique Machado · Volta Redonda, RJ 23/8/2007 11:06
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Carlos Henrique Machado
 

A propósito, Egeu
Mendes, vizinha de Vassouras, que mentém em sua agenda cultural o Choro na Praça todos os domingos e tem como liderança, o grupo local Passagem de Nível, comemora no próximo domingo, dia 26 de agosto, O Dia Municipal do Choro. Será uma grande integração com os chorões da região e do Rio e contará com a presença, entre outros grandes nomes, do grande Monarco. Será uma grande festa de confraternização que terá início às 10horas da manhã na praça central de Mendes. Imperdível!!

Carlos Henrique Machado · Volta Redonda, RJ 23/8/2007 11:14
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Egeu Laus
 

Amigo Carlos,

Meu propósito com a matéria sobre o Cortejo das Tradicoes foi levantar para o público interessado em Cultura aqui no Overmundo, algumas das questões existentes no interior do trabalho voltado para as Tradições Populares na região de Vassouras.

Esse trabalho vem sendo pensado e desenvolvido por estudantes, gestores, produtores, pesquisadores e algumas iniciativas como o Ponto de Cultura do PIM, o projeto Raízes do Vale, a Ação Griô do MinC, etc.

Pelo que pude perceber em conversa com algumas pessoas da cidade é que "o processo é o início de um caminho possível de fortalecimento de uma rede". Trata-se, pois, segundo declaração de Vânia Matos, uma das envolvidas no processo, "de experimentar e não seguir modelos prontos", "ajustando a melhor forma de se fazer coletivamente naquela região, respeitando os aspectos locais."

Portanto, me parece que há um longo caminho a percorrer, e eu, como observador, só posso fazer votos de que cheguem aos melhores resultados para todos os envolvidos.

Grande abraço!

Todo sucesso ao Choro na Praça em Mendes!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 23/8/2007 11:59
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Isbel Rocha
 

Caro Egeu,
Pedindo licença para dizer que ao longo de trinta anos na área e me dedicando a investigar uma pequena parcela da enorme diversidade cultural do Vale... que é muito difícil mesmo conseguir construir qualquer processo que respeite as dinâmicas locais, próprias, que sobreviveram as mais diversas e adversas situações ao longo de mais de dois séculos. Tenho meus próprios receios e dúvidas, mas uma certeza, de que a comunidade tem sua própria lógica e saberá lidar com tantas questões que não são dela e sim daqueles que precisam dela.
Já há algum tempo, de forma não pouco dolorosa, tenho reconhecido meu condicionamento 'colonialista', reproduzindo meus ancestrais tentando re-descobrir um mundo a civilizar.
Se eu não entender quem sou não posso me arvorar em ver e ser no outro. Assim todas as colaborações são válidas. Todas as experiências merecem o meu maior respeito e só dentro desse princípio poderei me nortear.
É no enfrentamento crítico que eu cresço, caso contrário definho no alto dos meus saberes e certezas.
Parabéns pelos seus artigos que primam por elevar as discussões à patamares mais altos, isso é muito bom e sei que todo Vale vai ser mais divulgado e em especial Vassouras.
Abraços e bom Choro em Mendes!

Isbel Rocha · Barra do Piraí, RJ 23/8/2007 23:45
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Carlos Henrique Machado
 

Legal mesmo essa comemoração em Mendes. Falando nisso, fiquei muito feliz em ouvir agora há pouco, o treiler do filme "Brasileirinho". Quando a gente fecha os olhos, ouve as bandas do Vale do Paraíba, tão vivas até hoje. A música que abre o filme é "O Bom Filho a Casa Torna" de Bonfíglio de Oliveira, nascido em Guaratinguetá, Vale do Paraíba, uma das maiores lendas da história do choro. Seu choro tem as características marcantes dos dobrados que ouvimos pelos coretos do Vale do Paraíba. Foi um grande presente para o Vale essa abertura do filme de um gênero tão brasileiro como é o choro, com essa paisagem sonora tão característica das nossas bravas e resistentes bandas de coreto. É difícil ficar em pé, sem chorar, quando se ouve uma banda aqui do Vale. Isto me fez atinar para uma idéia de incluir na programação do próximo ano do Festival vale do Café, com um dia reservado só para as bandas de coreto do Vale do Paraíba, tocando os compositores de toda a bacia do Vale. Altamiro, Bonfíglio, Pedro Salgado, Patápio e etc. Seria muito emocionante. Tem uma pessoa que acho que poderia tratar de um evento desses com toda competência, que é o Maestro e flautista, Antonio Rocha, ele comanda a banda de Valença. Fica aqui essa sugestão.

Carlos Henrique Machado · Volta Redonda, RJ 24/8/2007 22:07
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Carlos Henrique Machado
 

Amigos, gostaria de sugerir-lhes a leitura do artigo "A Cultura e o Planejamento da Cidade", de Almandrade, publicado no Cultura e Mercado no link abaixo. Vale a reflexão.

http://www.culturaemercado.com.br/setor.php?setor=3

Carlos Henrique Machado · Volta Redonda, RJ 25/8/2007 18:44
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Robson Araujo
 

Caro Egeu, você conhece já soube sobre o Censo da Capoeira? www.soucapoeira.org. Por favor, divulgue. Grande abraço

Robson Araujo · Campina Grande, PB 31/1/2008 10:13
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Spírito Santo
 

Egeu,

Só para constar, informo que tudo isto que está exposto aqui nesta matéria, está sendo discutido de forma candente agora mesmo em 2009. Eu que declarei lá em cima estar envolvido, indiretamente com a questão, me vejo agora - por força de um contato com a Universidade Severino Sombra- chamado a dar pitacos concretos e presenciais.

Foi com este olhar que reli a matéria e confirmei o quanto ela tem de relevante, ao mesmo tempo em que me espantei mais ainda, com a extensão do problema - apesar das eventuais boas intenções- gerado pela intervenção de agentes estranhos e exóticos no contexto da cultura popular da região.

Confesso que me preocupa também a existência latente de conflitos ideológicos agudos e subjacentes no seio destes 'agentes externos' fator que, tomara, não interfira demais no bom andamento do que parece ser uma boa tentativa de corrigir os problemas que você, tão poderadamente coloca em sua matéria.

A este respeito aliás, este tipo de investida de 'agentes estranhos', esta espécie de 'infiltração' (sem juízo de valor, é claro) de pessoas estranhas às manifestação populares tradicionais, está se tornando uma problema nacional que, brevemente pode exigir um debate mais profundo acerca do impacto negativo que - as vezes involuntariamente - se produzirá sobre nosso patrimônio cultural imaterial, tão pouco conhecido ainda em sua natureza, sutileza fragilidade. Talvez o IPHAN tenha que se ater daqui a alguns anos em ações de 'restauração' deste patrimônio que se julgava intangível.

Abs

Volto depois com mais

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 20/3/2009 09:31
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Spírito Santo
 

Egeu e todos os ainda atentos,

Meninos eu vi! Foi um desafio sem tamanho, aceito de bom grado (e, acredito, cumprido honrosamente), mas como acabou de acontecer não tenho ainda meios de avaliar.
De pedra à vidraça agora o meu santo nome também consta entre todos os citados diretores artísticos do 'Cortejo das Tradições', as pessoas que toparam mexer nesta 'casa de abelhas', no dizer de um dos organizadores. Depois de tanto criticar não podia deixar de aceitar o convite.
Estou esperando a poeira assentar para escrever algo mais consistente sobre a experiência, mas creiam, a caixa de pandora da espetacularização da cultura do Vale do Paraíba, aberta pelo 'Cortejo das Tradições' e uma questão mais cabeluda do que já supunhamos.
Impossível saber no que isto tudo vai dar.
Volto em outro canal.

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 3/8/2009 08:40
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Spírito Santo
 

Começando ('no sapatinho') a contar o que vi e vivi:
http://www.overmundo.com.br/overblog/vale-negro-festa-folia-e-festim-01

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/9/2009 10:06
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Folia de Reis de Valença zoom
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