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Cristãos e mouros em solo tocantinense

Auro Giuliano
Cavaleiro cristão de azul ao lado do cavaleiro mouro de vermelho.
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Auro Giuliano · Palmas, TO
13/9/2006 · 87 · 3
 

As Cavalhadas, uma das principais manifestações culturais do Estado, coloriram com muito azul e vermelho, nos dias 12 e 13 de agosto, o pequeno município de Taguatinga, a 488 Km de Palmas. O espetáculo de cores e sincronias tratava de uma simulação da luta na qual os participantes principais, em número de 24, representaram, através das evoluções eqüestres e movimentos de espada, lança e garrucha, uma batalha de fundo religioso entre mouros e cristãos, onde estes últimos acabam vencendo, acontecendo assim a “submissão” dos mouros ao Cristianismo, através do “batismo” destes.

Originária dos torneios medievais, as Cavalhadas nasceram nos anos do reinado de Carlos Magno, com a finalidade de reviver as vitórias do Cristianismo sobre o Islamismo em terras da Europa. O número de 12 cavaleiros, de cada grupo, representa o conflito que ficou conhecido como “A Batalha de Carlos Magno e os 12 Pares da França”, um dos símbolo da resistência e avanços da religião cristã na luta por terras e novos fiéis. Os diálogos entre embaixadores sarracenos e cristãos foram elaborados a partir de romances de cavalarias.

As Cavalhadas foram muito praticadas na Espanha e Portugal, visando revitalizar o patriotismo das duas nações, quase descaracterizadas pelo prolongado domínio dos mouros. Trazidas ao Brasil pelos portugueses, ainda no século da descoberta, sobrevivem até os dias de hoje, em vários estados, sendo realizadas geralmente no dia de Pentecostes.

No Tocantins, Taguatinga é o único município que realiza o ritual, e diferente de outras regiões, acontece sempre junto com as celebrações de Nossa Senhora D’Abadia, que aconteceram de 6 a 16 de agosto.

Origem

Em 1936, o deputado João Batista de Almeida, com ajuda de Francisco Correia, resolveu levar para a cidade de Taguatinga a velha tradição ibérica, que chegou ao Brasil pelas mãos dos portugueses. Levou-se um ano para que as Cavalhadas de Taguatinga ocorressem de fato, tendo como imperador o idealizador João Batista, com realização na Igreja Matriz ainda em construção, coberta com palhas.

Até 1946, quatro festas se realizaram, acontecendo em seguida um longo recesso, que chegou ao fim somente nos anos 90, quando a taguatinguense Denise Ribeiro criou, em Goiânia, uma comissão de conterrâneos dispostos a retomar a realização das Cavalhadas. Em 1997, cavaleiros mouros e cristãos voltaram a percorrer o campo de batalhas da cidade, e desde então não pararam mais.

Cortejo

A representação das Cavalhadas teve início no dia 12 de agosto, com o cortejo com o Imperador e a Madrinha, seguidos pelas rainhas moura e cristã e pelas princesas, pelos cavaleiros mirins, por anjos representados por crianças da comunidade que acompanhavam a imagem da padroeira de Taguatinga, os festeiros e o desfile dos cavaleiros com as bandeiras dos municípios da região Sudeste do Tocantins, dos estados e do Brasil. O cortejo seguia debaixo de um sol escaldante, um desfile de cores, onde o azul e o vermelho se misturavam, chamando a atenção de um público que acompanhava atento, que não se incomodava com o forte calor. Por fim o cortejo se encontrou com os cavaleiros mouros e cristãos na entrada do Campo de Futebol de Taguatinga, onde são realizadas as batalhas, o ponto alto da festa e mais esperado pelo grande público presente nas arquibancadas.

O momento mais esperado aconteceu logo em seguida, com grande entrada dos cavaleiros e suas rainhas, que em perfeito sincronismo, e mesmo sem muito domínio na arte de interpretar, reviviam de forma esplendorosa a batalha entre mouros e cristãos, tudo sendo narrado por um locutor, que contextualiza a todos os presentes sobre o que está sendo revevido. Em cada entrada, em cada evolução, sendo com lança, espada, ou garrucha envolvia o público, que se encantava com o grande espetáculo, uma verdadeira volta ao passado.

No dia 13 de agosto, último dia das Cavalhadas, aconteceram as corridas de confraternização entre mouros e cristãos e a disputa das argolinhas de pratas, que ficam penduradas e os cavaleiros tem que retirá-las com as lanças, os vencedores, o que conseguem retirá-las às oferecem em homenagem às pessoas que colaboraram com a realização da festa.

As cores e a riqueza dos trajes e adereços foram um outro espetáculo à parte, que encantou o público que prestigiou o evento, formado por moradores e visitantes que participam dos preparativos da festa. Após as Cavalhadas o cortejo com cavaleiros e comunidade seguiu até a Igreja Matriz, onde foi realizada a Missa de encerramento e a eleição dos participantes do próximo ano.

O Imperador das Cavalhadas 2006, Vicente de Paula Cândido, afirma que é uma grande honra ser o homenageado da festa, de um evento tão tradicional e que chama a atenção dos turistas para o município. Cândido foi cavaleiro por três anos e este ano tornou-se o homenageado.

Segundo o prefeito Jocy Deus de Almeida, a Cavalhada é uma luta, uma tradição centenária, onde toda a população sente-se orgulhosa por ser o único evento desta natureza realizado no Tocantins, é um acontecimento muito importante para o município. “Está festa é uma tradição, que muito nos honra, e que é preciso ser preservada”, frisa.

Participantes

Este ano, o imperador das Cavalhadas foi Vicente de Paula Cândido, a madrinha Wilna Maria Ferreira Lima. O Rei Crisão foi, Laércio Curcino e o Rei Mouro Lailton Carmo Almeida, e as rainhas cristã e moura foram, Vanessa Alves da Mata e Mariana Ribeiro de Almeida, respectivamente.

“Me sinto muito feliz de hoje ser o imperador dessa bonita festa, é uma tradição da cidade, onde já tive a emoção de ser cavaleiro, e agora é um sonho que realizo.“ é o que afirma o imperador Vicente de Paula.

Taguatinga

A cidade distante 488 km da Capital, na região Sudeste, está entre as mais antigas do Tocantins, tendo completado no último dia 10 de junho 134 anos de emancipação. Além das Cavalhadas, a cidade tem como destaque suas belezas naturais, com a existência de dezenas de grutas catalogadas, da Praia Bela, e o rio dos Azuis, considerado o menor rio do mundo.

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André Dib
 

Muito boa a matéria. Abraço deste mouro cristão.

André Dib · Recife, PE 13/9/2006 17:30
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Auro Giuliano
 

Valeu cara! Abraço

Auro Giuliano · Palmas, TO 14/9/2006 10:49
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Bento
 

Essa é uma das maiores manifestações populares do Tocantins. parabéns pelo registro.

Bento · Palmas, TO 22/9/2006 15:20
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Cavaleiros mouros e cristãos conduzindo as rosas em momento de confraternização zoom
Cavaleiros mouros e cristãos conduzindo as rosas em momento de confraternização
Rainhas moura e cristã conduzindo as argolas de prata zoom
Rainhas moura e cristã conduzindo as argolas de prata
Cavaleiros mouros e cristãos em encenação de confronto em batalha zoom
Cavaleiros mouros e cristãos em encenação de confronto em batalha

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