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Crítica Batismo de Sangue
Gildemir Lima · Belo Horizonte (MG) · 6/6/2007 09:33 · 123 votos · 3 ·
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Há muito tempo não víamos no cinema brasileiro um assunto tão delicado tratado com tamanha sensibilidade. “Batismo de Sangue” é daqueles filmes que, ao sairmos do cinema nos perguntamos: Onde está nossa juventude, onde estão nossos ideais já que vivemos uma democracia? Será que somente sob repressão acordamos e nos tornamos sujeitos da história?
O filme do mineiro Helvécio Ratton vem sacudir quem conheceu a ditadura apenas pelos livros e reavivar a indignação contra o arbítrio por parte daqueles que viveram a época, apesar de que, às vezes, temos a impressão que este último grupo ao mesmo tempo agradece a Deus por pertencer a uma geração que injetava utopia nas veias. A palavra alienação não fazia parte de suas vidas.
“Batismo de sangue” evoca a liberdade, ao mesmo tempo em que revela uma história recente, ignorada por muitos e velada por uma elite governista.
A ditadura traz consigo tristes recordações, mas ao mesmo tempo marca um período em que o conformismo cede lugar à luta, à convicção de que cada indivíduo é agente transformador da história. Aliás, os anos 60 são marcados pelas lutas em meio a repressão, dentro e fora do Brasil.
Ao escrever o livro que se transformou em filme, Frei Betto revive a saga do grupo de frades dominicanos na luta contra a ditadura militar. Ele teve a coragem e a ousadia de tocar em sua própria ferida e relatar um período de grande sofrimento, embora seja uma lição de fidelidade aos ideais de uma geração que apostava em um país melhor.
As imagens carregam tamanha força estética que, não por acaso, um dos prêmios recebidos no Festival de Brasília foi o de melhor fotografia. A equipe conseguiu uma transformação tão grandiosa e coerente dos cenários e personagens com a época e a temática que os diálogos acabaram ficando em segundo plano, em diversos momentos.
Dois pontos altos do filme são as cenas de tortura dos frades e o sofrimento de Frei Tito, personagem vivido por Caio Blat. Queriam forçá-lo a delatar pessoas e assinar confissões. Impossível para uma pessoa que “preferia morrer a perder a vida” conforme escreveu em sua Bíblia.
“Batismo de Sangue” ainda consegue uma unidade de interpretação rara e eleva a auto-estima dos atores mineiros. Sabemos que fazer filme no Brasil não é tarefa fácil. Em Minas, parece ainda mais complicado, apesar de termos em Belo Horizonte uma excelente equipe de atores e técnicos.
Este foi sem dúvida, um dos melhores filmes produzidos nos últimos anos e um divisor de águas para Minas e para os atores mineiros. Daniel de Oliveira, Odilon Esteves, Léo Quintão e Marku Ribas são parte do elenco. E vale ressaltar que Marku Ribas foi uma das grandes revelações do filme no papel do líder revolucionário Carlos Marighella.
Alcides Buba Jr.
Cláudio Vieira
Eduardo Soares
Francislane Priscilla
Gildemir Lima
tags: Belo Horizonte MG artes-eletronicas
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