Produzir coisas relacionadas à cultura contribui de que forma para a sociedade? Talvez no sentido de permitir algo diferenciado ao que se convenciona denominar projetos sociais, que podem por vezes não ultrapassar uma atividade mais próxima do bom-mocismo ou do politicamente correto.
Como então sair desse embaraço? O que deve ser prioridade? Soluções sociais relacionadas à questões mais à vista no que se refere a uma mais fácil identificação e constatação como por exemplo combate à violência, erradicação da fome e erradicação de doenças ou possibilidade de saída para um universo onde tais questões são colocadas e compreendidas por outra perspectiva?
A questão surgida disto relaciona-se em procurar descobrir qual o real papel da cultura em meio ao redor dela própria. Parece uma redundância devido aos termos utilizados parecerem possuir o mesmo sentido e significado. Deve mesmo a cultura retratar o universo mais próximo e mais imediato ou deve ela superar seus próprios horizontes buscando em outros meios fazer se valer enquanto perspectiva e possibilidade de inserção em qualquer ambiente por mais estranho que lhe possa ser? A pergunta que se segue disto nada mais é do que a seguinte: pra que Cultura? Qual seu propósito, qual sua finalidade? Cultura não é entendida aqui enquanto apenas consumo de cultura, mas sim como elaboração de uma cultura evitando a demasiada reprodução de cultura e uma maçante (no sentido de quantidade) e “massante” (no sentido de manipulação para se atingir o maior número de pessoas) produção de cultura.
A saída para tal talvez possa passar pelo vivenciamento da e na cultura. Como é isto possível? A partir de uma inauguração de um modo de se proceder perante a cultura fundamentado no relato oral e não apenas em documentações. Em outras palavras, a cultura livresca estaria dentro desta perspectiva em segundo plano, mas nem por isso desvalorizada.
Voltamos ao questionamento inicial. O que se segue disto que foi mencionado anteriormente parece uma contestação do modo como o mundo acadêmico lida com questões a princípio desligadas e destoadas dele devido ao seu fechamento em si mesmo, transparecendo o fosso existente entre o mundo acadêmico e o mundo real e dos “meros mortais”. Talvez isto possa ser considerado uma crítica, porém uma crítica fundamentada primeiramente em uma análise e não em uma noção de ataque.
Deve mesmo a cultura estar amarrada e presa a uma instituição com visibilidade maior do que ela mesma? Deve mesmo a cultura estar submissa a uma instituição detentora de uma possibilidade maior e mais rápida para divulgar os resultados do desmembramento de suas atividades. Em outras palavras, será mesmo correta uma espécie de “Fábrica de Cultura”?
Alecsander Tatagiba
Texto Publicado Na Revista "De Bem com a Vida", edição Julho 2009.
Alecsander Tatagiba · Itaperuna, RJ 7/8/2009 11:36muito bom o texto que me fez refletir sobre A Fantastica Fábrica de Cultura, com seus agentes, promotores, marketeiros, onde a estética se ocupa com cabelos, maquiagem e lipoaspiração... nesse abismo fashion entre intelectuais e meros mortais a sociedade adentra no século XXI
Giuliano Cézar · Juiz de Fora, MG 10/8/2009 12:31Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!