Cultura, por definição, é o conjunto de manifestações artísticas, sociais, lingüísticas e comportamentais de um povo ou civilização. Portanto, fazem parte da cultura de um povo as seguintes atividades e manifestações: música, teatro, rituais religiosos, língua falada e escrita, mitos, hábitos alimentares, dança, arquitetura, invenções, pensamentos, formas de organização social, etc.
Uma das capacidades que diferenciam o ser humano dos animais irracionais é a capacidade de produção de cultura.
A cultura, quando nos citamos, manifestação populares, ainda sobrevive, por existência e por insistência do próprio povo, quando existe o incentivo daqueles que não se acham enquadrados entre essas pessoas abnegadas, que fazem de tudo para deixar permanentemente vivas suas manifestações, suas raízes, que na maioria das vezes se intercalam neste universo como incentivadores, patrocinadores. E essa perpetuação desses ensinamentos e hábitos, quando assim se mostra, deve ser acolhida entre os manifestantes, como membro de mesma importância e valor.
A cultura não sobrevive sem o apoio de pessoas que a subvencionem; e aí o Estado é procurado como o maior e que mais pode chamar para si a responsabilidade de ser o principal responsável pela permanência dessas manifestações culturais.
No entanto, é restrito o papel do Estado, conquanto apenas mantém um órgão gestor dos recursos que, como nos outros setores, deve ser dimensionado nos orçamentos anuais.
Assim a cultura é desenvolvida por determinado artista que desenvolve o seu trabalho, independendo desses repasses, como é o caso da música, da pintura. Talvez sejam essas duas tendências que deixam o Estado eximido, no seu fazer, de arcar com o ônus da feitura da peça.
No entanto, não é eximido de criar mecanismos de promoção, de divulgação e de uma infra-estrutura que oriente esses segmentos a se manterem em plena ornamentação.
O artesanato, por exemplo, é um tipo de manifestação nata, mas que, para que o artista, artesão, desenvolva o seu trabalho, necessário se faz incluí-lo entre aqueles remediados pelo estado. Isso porque envolve matéria-prima, que varia de preço, numa paridade absurda, considerando-se a área que determinados artesãos estão inseridos.
Os entalhadores, dependem de madeira de qualidade para fazerem suas peças.
As danças e manifestações folclóricas, dependem da participação do Estado, de forma mais acentuada ainda, quando essas manifestações se desenvolvem por todo o Estado, Município. E eles, os brincantes, como são chamados, costumam cobrir toda a extensão de sua cidade, e, geralmente são convidados a se apresentarem em outros centros, o que eleva sobremaneira os custos com seus percursos, envolvendo aí, transportes, estadias, sem contar que esse tipo de manifestação está arraigada exatamente nos interiores, portanto, entre pessoas desprovidas de qualquer tipo de recurso que banque suas performances.
Eu falei da diferença entre o músico do pintor, porque geralmente esses dispõem de meios para bancar as matérias de seus produtos; e ainda existem aqueles que trabalham com materiais recicláveis, o que hoje representa uma produção volumosa. Propus a diferença porque existem alguns setores, como música, em que a atuação do Estado, em vez de ajudar, atrapalha. Ou seja, o gestor público confunde incentivo com patrocínio, e na maioria das vezes, são os maiores compradores desses produtos, que são entocados em gavetas, prejudicando a divulgação do artista e nada acrescentando ao nome do artista o seu talento, uma vez que coisa dada, como eles fazem com os discos que compram, distribuídos como cartão de apresentação.
Cultura é tudo isso, a manifestação artística de um povo de um lugar, e em todos os lugares existem suas manifestações, inclusive, cultura também é o reconhecimento de parte da população de que ela deve ser mantida, principalmente através do reconhecimento e participação, como incentivos aos que bravamente fazem, e, por que não?, como participantes ativos, aplaudindo, apoiando, prestigiando, acima de tudo.
Os governos, como é de costume no Brasil, cometem o pecado de falar em tudo, até nos absurdos, e não se referem à cultura como fonte de renda, em forma de divisas, o que poderíamos fazer, caso nos fosse entregue a missão, fazer, continuar, ao lado do povo, sem nunca visarmos o aproveitamento da popularidade, que é do artista, e não nossa, e tocar em frente.
Segundo Ariano Suassuma, o povo que não se serve de suas raízes, que não prestigia o seu natural manifestar cultural, é um biruta, vai para onde o vento sopra.
Naeno Rocha
A minha intenção era tão somente escrever um texto, não um tratado, como terminou saindo, falando de cultura. Cultura de um modo geral. De suas incidências, dificuldades, isto quando me referia às manifestações populares.
Saiu isto.
Naeno Rocha
Naemo,
pois ficou muito bom o teu ensaio.
A cultura quando promovida pelo estado, tenho a impressão que
muitas vezes tem um cunho mercantilista e geralmenmte beneficia determinados grupos em detrimentos a outros, ai a cultura em si fica em segundo plano e sobressai os interesses privados e não os coletivos.
bjs
Vou seguir o teu conselho, Zezito.
Doroni, muito obrigado por tua articipação.
Beijo nos dois
Naeno Rocha
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