O cristianismo que é vivenciado hoje prega a ausência da dor,
como se ela fosse uma estranha, uma invasora, uma inimiga. Será que é realmente assim? Precisamos nos libertar da dor, ou do excesso de bagagem em nossas costas? Esse peso nos impede de correr em direção aos nossos objetivos mais definidos. “Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse” (1Pe 4.12).
A dor queima como fogo, mas não consome metais nobres. O que
queima é a palha. O ouro, ao passar pela fornalha, não é destruído,
mas purificado. Da próxima vez, não se preocupe, pois quando passar pelo fogo, o que for ouro permanecerá. Presenciaremos dias em que a palha será separada do ouro. Pedro diz para não estranharmos o fogo ardente que porventura venha a surgir em nosso meio. Em outras palavras: calma que o fogo é amigo.
É interessante como pequenas palavras utilizadas nas Escrituras
encerram conceitos tão profundos. Veja, por exemplo, o termo grego Δ;ε;ν;ι;ζ;ε;σ;τ;η; (denizeste), utilizado no texto acima. É uma palavra usada para descrever uma visita inesperada: O fogo que vem sobre nós.
Na realidade, o fogo é uma bênção de Deus. Ele deve ser aguardado como quem espera pelo nascimento do seu próprio filho.
O fogo da purificação faz parte da vida cristã, ele purifica. É um
instrumento divino para a nossa santificação e amadurecimento
espiritual.
Só vão escapar ilesas as disposições, os pensamentos e as tarefas
que foram construídos com material resistente. É Jesus quem o está queimando, meu irmão. Pare de amarrar Jesus. As ovelhas conhecem a voz do Pastor e sabem quando é Ele quem acende o fogo. Esse discernimento poderá mudar muita coisa em sua vida. Não O trate como um invasor.
Um número de pessoas declaradamente cristãs, bem maior do que
imaginamos, carrega fardos insuportáveis, elas se debatem em cárceres emocionais, sentem-se limitadas em suas possibilidades, realizações e horizontes. Apesar de inúmeras tentativas de se libertarem, permanecem congeladas. O próprio Paulo encontrou esse tipo de limite na comunidade cristã de Corinto: “Não tendes limites em nós; mas estais limitados em vossos próprios afetos” (2Co 6.12). Para esses, Paulo recomenda: “dilatai-vos”.
Aproveitando os significados conotativos dessa expressão bíblica, e dilatando o seu significado, dilatar é expandir nossos limites emocionais, intelectuais e físicos. É por isso que tudo é possível ao
que crê. A incredulidade nos mantém presos a uma camisa de força, acorrentados e acima de tudo, limitados. A fé verdadeira é capaz de despachar os montes, resistir às pressões e encarar projetos de amor autêntico.
O derramar abundante do Espírito Santo sobre toda a carne unifica
o mundo espiritual e o natural (Espírito sobre a carne), nos capacitando a cumprir tarefas que pessoas comuns não conseguiriam: “...recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo” (At 1.8). Não estamos enquadrados em limites humanos, nossos limites são bem maiores, são os limites do próprio Deus, e Ele, você sabe... É infinito!!! Nossos limites são determinados pela área de ocupação que o Espírito de Deus conquistou em nosso interior.
Sei que esse é o versículo preferido por nós, pentecostais, mas
questiono se esse poder tem a ver somente com as manifestações
sobrenaturais. Jesus nos capacita a fazer obras ainda maiores do que as que Ele fez, ou seja: responder ao mal com o bem, dar a outra face, andar outra milha e abençoar aos que nos perseguem.
Ubirajara Crespo
Editora Naós - www.editoranaos.com.br
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