Curta: uma longa viagem no festival de Big Field!

Eduardo Medeiros/Reprodução imagem filme
A mosca-de-fruta de Para Chegar Até a Lua! Santa inocência Batman!
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Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS
5/2/2007 · 250 · 14
 

Tem coisa na vida que é melhor nem conhecer, porque vicia rapidamente. Curtas-metragens, por exemplo. Após ver os 22 curtas da programação do Festival de Cinema de Campo Grande quero mais e mais e mais. O overmano Thiago Camelo sugeriu focar o texto na tendência dos curtas e embarquei na pauta. No domingo (04/02) começou a terceira leva do festival. No dia 11 será anunciado quem vai faturar os R$ 5 mil da premiação. Tem júri popular e júri oficial (confira os ganhadores dos anos anteriores lá no fim do texto). Difícil eleger o melhor porque são os mais variados gêneros, tempos de duração, temas e produções com o nível lá em cima. Dos 22 curtas exibidos no festival, 6 são do Rio de Janeiro, 4 de Sampa, 2 de Porto Alegre, 2 de Taquatinga, 2 de Olinda, 2 de Belo Horizonte, 1 de Brasília, 1 de Recife, 1 de Rio Claro e 1 de Juiz de Fora. Faltou apenas a região Norte ser representada. Ou seja, a produção de curtas (foram enviados 44 curtas ao festival) está espalhada pelo Brasil. Mesmo com tantas questões pendentes, inspirando-se na máxima de Nelson Sargento, o curta 'agoniza mas não morre'. Pulsa.

Muitas questões surgem na minha cabeça. O que o diretor de um curta faz depois de ter a 'criança' nas mãos? Pelo que entendi, conversando com alguns diretores, não tem outro caminho que não seja a trajetória da produção em festivais e, depois de cumprida a agenda, rumar para a internet. O que não chega a empolgar o cara que é ligado ao cinema. Porque, convenhamos, no computador não há produtora de arte que resista. A prova foi ver Transtorno (RJ), de Fernanda Teixeira, na tevê em casa e depois assistir no telão. Baseado no cenário principalmente, o filme da carioca perde muito na internet. E aí acontece o contrasenso. Ao mesmo tempo que a rede se torna finalmente o veículo mais interessante para se divulgar os curtas, força uma adequação de linguagem e altera a Sétima Arte (vale este termo ainda?). Entre os 22 curtas do festival são poucos os que funcionariam na telinha minúscula do computador.

A pergunta do Thiago rebate há dias e comecei então a fazer listinhas! Dos curtas exibidos no festival temos 4 animação, 9 documentário, 9 ficção. Empate? Embolou o meio de campo... Fui dar uma olhada no Porta Curtas, hehehe. Dos 477 curtas disponíveis no dia em que pesquisei tinham 226 ficção, 141 documentário, 78 animação, 43 experimental. Um belo termômetro certo? Insistindo nas listinhas e dados, vi que o site tem informação sobre 4.034 curtas e 16.775 profissionais do cinema estavam cadastrados. Para ajudar a chegar à conclusão de qual estilo afinal segue a tendência atual da produção de curtas no Brasil fui olhar o mais visto do Porta Curtas e tá lá: Ilha das Flores, registrado como documentário experimental. A produção de Jorge Furtado feita em 1989 com surpreendentes 13 minutos e que abocanhou o Festival de Berlim. Já o mais cotado é Loop, creditado como ficção. Entre os cinco mais cotados do site, aparece em quinto O Som da Luz do Trovão, presente no Festival de Cinema de Campo Grande. Documentário excelente, extremamente bem-humorado, de Petrônio Freire de Lorena e Tiago Scorza. O filme de 20 minutos revela ao público a figura do cientista-maluco-do-sertão Evangelista Ignácio de Oliveira.

E aí fico pensando como o curta é fundamental para o cinema. Na verdade, o cinema nasceu curta! As primeiras filmagens não chegaram a 1 minuto não é isso? O Cinema Novo foi cultivado primeiro em curtas certo? Glauber Rocha fez O Pátio em 1959, Joaquim Pedro de Andrade em 1960 lançou Couro de Gato... A vocação do curta para a ficção por natureza já vem de longa data e segue até os dias de hoje pelo jeito. Mas o documentário também persegue o curta há tempos. O pioneiro Humberto Mauro fez mais de 300 curtas e médias-metragens documentais nos anos 30, quando colaborava com a criação do INCE - Instituto Nacional de Cinema Educativo. Com certeza isso acabou influenciando toda uma geração. Foi nesta época inclusive que surgiu a primeira lei que obrigava a exibição de curtas nos cinemas brasileiros. (Eu sempre me surpreendo com o Getúlio Vargas, às vezes pro bem! rs) Leis com esta obrigatoriedade voltaram na década de 60, 70, 80 e o processo foi interrompido desde a Era Collor. Hoje a discussão está forte. Mas pelo que escutei nos corredores do festival, as opiniões se dividem.

Eu particularmente acho que tinha que botar goela abaixo dos gringos (sim curtas brasileiros antes de longas norte-americanos). O problema é a forma. E o modo de controle para ter certeza que as salas de cinemas cumprem o combinado. E, claro, uma política de incentivo específico para o setor. Entraves que levaram à lona todas as tentativas anteriores de emplacar curtas nos cinemas brasileiros. Como diz o Lourenço de O Cheiro do Ralo: 'a vida é dura!' Relembrando a cena de Selton Mello deitado no chão, de bunda para cima e nariz enfiado no ralo (esta cena não me sai da cabeça) tenho a certeza de que fazer ficção em curta-metragem é arriscado demais. É muito mais confortável, ou menos trabalhoso, ou mais prático, registrar um gênio como Evangelista do que comandar atores em um set (preconceito?). Um ator ruim afunda a canoa. Foi o que aconteceu na minha opinião em Sketches e Faca Cega!

Se deixar levar pela tecnologia fácil também é um problema que senti nas animações. É tudo perfeito, supertransado, mas o argumento é uma droga. A historinha das moscas-de-fruta, que morrem rapidamente, contada em Para Chegar Até a Lua exemplifica bem esta situação. Olhou-se somente para a tecnologia e esqueceu-se do conteúdo. O acesso à tecnologia é perigoso demais. Particularmente gosto de curtas que seguem o documentário no sentido de revelar ilustres desconhecidos cheios de talento. É o caso de Descobrindo Waltel, que joga luz no violonista Waltel Branco, um gênio do instrumento e arranjador de João Gilberto em gravações históricas. O cara participou de trabalhos liderados por Henry Mancini, como a trilha da Pantera Cor-de-rosa (o filme peca em não explicar direito esta história!) e o disco The Latin Sound. O curta é uma grande janela na verdade!

Os curtas exibidos na quarta edição do Festival de Cinema de Campo Grande são os seguintes:

Prog. 01

- LEONEL PÉ-DE-VENTO | Uma animação de Porto Alegre de 2006 com 15 min. História de um menino que não fica com os pés no chão e vive isolado. Surge a Mariana para salvar a parada. O detalhe é a narração com sotaque rio-grandense. Singelo.
- DESCOBRINDO WALTEL | Documentário paulistano de 15 min produzido em 2006. Para mim foi uma surpresa. Sou músico e nunca havia escutado o nome de Waltel. Esta é uma das missões mais nobres dos curtas: revelar. Acho que podia ter mergulhado um pouco mais na história do cara, ter colocado ele para tocar mais, contar os bastidores... Mas tudo é tudo e nada é nada, como dizia o Síndico. A certeza é que me fez despertar para a figura. O cara foi tocar mambo em Cuba, frequentou todas as boates cariocas, Roberto Menescal falou que ele era admirado por ser um dos poucos que lia partitura na época. É legal saber que o cara fez um superdisco (Meu Balanço, afro-soul-funk-Brasil total) com as sobras de horas de estúdio de Roberto Carlos! Na década de 50 foi para Nova Iorque e aí falam da participação da trilha de A Pantera Cor de Rosa, mas não mais que isso. Fiquei curioso. Não exploraram a trajetória do Waltel devidamente. O cara está na história mundial do Cinema, assim como Laurindo de Almeida, outro gênio desconhecido em seu próprio país que gravou, entre outras, a trilha sonora de O Poderoso Chefão (aquele bandolim que pontua o filme é do saudoso brasileiro Laurindo). Vale a pena ver a cena de Waltel regendo a orquestra em uma apresentação de João Gilberto em Roma. Emociona!
- PARA CHEGAR ATÉ A LUA | Animação de Rio Claro produzida em 2006 com 10 min. Os efeitos de animação são bem feitos. Digamos que seja padrão hollywood. Mas o filme se enrola no ritmo. É para ser uma piada, mas nem todo mundo entende. Poderia ser um pouquinho mais dinâmico, acelerado. Ingênuo.
- O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA | Documentário de Juiz de Fora de 15 min produzido em 2006. O problema aqui é que retrata a realidade dos circos de maneira tão crua que a vontade é de ficar bem longe da lona circense. Vai naquele batidão de documentário padrãozão e os personagens da vida real vão passando. Não tem como não se comover com a tristeza de um palhaço. Melancólico!
- DOS RESTOS E DAS SOLIDÕES | Documentário de Taquatinga feito em 2005 com 15 min. Um curta poético. As imagens dos cavaleiros na caatinga estão no imaginário de todo brasileiro. As brigas entre as famílias da região e todo o clima de coronelismo e penúria impressiona. O êxodo para a cidade grande e a incapacidade das pessoas gerarem renda em suas próprias cidades são fortemente sentidos. Sensível.
- SKETCHES | Ficção de Porto Alegre produzida em 2005 com 15 min. Típico caso de ator que não deixa a produção decolar. Tudo é bem razoável, cenário, texto, luz, trilha... mas um dos atores, o de cabelo mais curto, emperra o ritmo do duelo louco-mental entre dois presos que se encontram. Quem contar a história mais cabulosa vence a aposta. Um tarado. Outro assassino. Morno.
- BANHEIRO MASSA | Animação de Olinda com apenas 2min50seg. Desenho com massinha sempre é bacana. Basta conseguir uma movimentação condizente que o espectador é pego de jeito. É o caso de Banheiro Massa. Nada mais do que um homem lendo jornal no banheiro. Simpático.
- VITÓRIA, RAINHA DO SAMBA | Documentário de Olinda de 20 min feito em 2005. Relata a história, de forma bem poética, de Vitória Bonauitti.

Prog. 02

- RAP O CANTO DA CEILÂNDIA | Documentário tradicional, estilo vida real, em que os moradores da Ceilândia reclamam a discriminação que sentem vinda dos habitantes de Brasília e a dura realidade que enfrentam no lugar. Celeiro do rap do Brasil Central, vale a pena escutar os argumentos da rapaziada. Produzido em 2005 com 15 min. Ácido.
- TRANSTORNO | Ficção carioca feita em 2006 com 10 min. Trabalho universitário, a diretora Fernanda Teixeira ganhou o prêmio na faculdade Estácio de Sá e meteu as caras em sua primeira produção. O filme não tem diálogo, apenas 2 atores. Em compensação uns 15 gatos estão em cena. Com uma produção de arte poderosa, Transtorno tem seu charme. O argumento é bom e a história prende você na telona. Dois atores fazem o mesmo papel e é difícil perceber. Macabro!
- O SOM DA LUZ DO TROVÃO | Documentário carioca de 2005 com 20 min. Impressionante o talento de Evangelista Ignácio de Oliveira, natural de Serra Talhada, alto sertão de Pernambuco. O cara simplesmente criou uma câmara de filmagem com bugigangas e mil trambiques mais. Na conversa, deixa cientistas e acadêmicos, do alto de seu conhecimento, gaguejando com suas perguntas e teorias. Humorado, leve, curioso... O Som da Luz do Trovão é baum demais. Gênio!
- AMIGÃO ZÃO | Animação carioca de 1 min feita em 2006. Prega o companheirismo, é lírico e em vez do cachorro, coloca um elefante simpático como o melhor amigo do homem. O traço é refinado e a utilização das cores de altissimo gosto. Relax.
- ELETRODOMÉSTICA | Ficção recifense de 2006 com 9min30seg. Uma sátira ao uso dos eletrodomésticos e um bela piada envolvendo a família classe média durante o Plano Real. A patroa tem que se virar com as crianças, com o rango de casa, dar um tapinha entre uma tirada de pó e outra e ainda encontrar prazer, literalmente, nisto tudo. É a prova de que o ator é mais do que fundamental em um curta. A atriz Magdale Alves simplesmente está perfeita. Eletrodoméstica já ganhou vários prêmios e participou do mais importante dos festivais para curtas-metragens, o Cannes do Curta: o Festival Internacional de Clermont Ferrand, na França. O roteiro foi escrito pelo diretor Kléber Mendonça Filho em 1994 e só nove insistentes anos depois foi selecionado pelo edital do MINC. Imperdível.
- ERA UMA VEZ | Ficção de Belo Horizonte com 22 min feita em 2005. Segunda a diretora o filme é realismo fantástico e estreou no festival de Campo Grande. Ambientado dentro de um ônibus. Mais um assalto corriqueiro das grandes cidades. Mas a personagem é uma fada e rola um assalto diferente. A diretota do filme, Gisele Werneck, é a protagonista. Sensível!
- FACA CEGA | Ficção brasiliense de 2006 com 25 min. É um curta de ação. Bem feito, mas o ator que faz o polícia federal não convence. Uma pena. Um furo no roteiro também, descredita a lógica do filme. A idéia de mostrar as transações na capital federal não é nova. O filme no entanto quer mostrar mais os dois amigos, jovens, que são assaltantes em Brasília. O título do filme, no entanto, é uma gíria usada entre a bandidagem. Poderia ser bem melhor, mesmo assim vale. Adrenalina!

Prog. 03

- SUMIDOURO | Documentário de Belo Horizonte com 18 min feito em 2006. A migração de duas comunidades e o registro de uma região que vai desaparecer após a instalação de uma usina hidrelétrica. História que se repetiu no Brasil e que é bem captada em Sumidouro. Os depoimentos são emocionados e as imagens emocionam. Verdade!
- JOYCE | Ficção paulistana de 2006 com 14 min. Um menina de 12 anos que sonha em fazer sucesso na tevê, mas está claro que não vai chegar nem perto disso. As imagens noturnas em favelas de Sampa conduzidas por duas crianças soam alto no ouvido dos mais sensíveis. Triste.
- ALGUMA COISA ASSIM | Ficção paulistana de 2006 com 15 min. O diretor é o Esmir Filho, o mesmo de Tapa na Pantera. Neste filme ele mostra dois adolescentes que saem para se divertir em Sampa e acabam fazendo compras em um supermercado. As imagens são bacanas e tudo mais, mas o roteiro é confuso. Não se sabe bem qual é afinal o argumento. Morno!
- O BRILHO DOS MEUS OLHOS | Ficção carioca de 2006 com 11 min. O drama e a dúvida de um pedreiro para tomar uma atitude para que sua vida faça algum sentido. O lance do cara é cantar, mas a realidade é outra. O ator não convence e o arranjo para Sangrando, de Gonzaguinha, é ruim. Cansado.
- SANGRANDO CHUVA | Ficção carioca de 2005 com 8 min. A amizade entre duas crianças em uma favela. O roteiro é previsível e bem lugar-comum. As imagens são corretas e a interpretação da menina é legal. O cenário da favela do Vidigal é deslumbrante, muitos dizem que é de onde se vê o Rio mais bonito. Acertaram na última cena, que é poética e bem feita. Médio!
- HELENA ZERO | Documentário sobra a atriz Helena Ignez feito por Joel Pizzini em 2006 com 27 min. Colagens de várias produções com Helena Ignez e trilha sonora com direito a música inédita feita para a produção por Lanny Gordin. Pizzini levanta a bola da atriz que foi fundamental para o cinema nacional nas décadas de 60 e 70. Caiu é pênalti. Gol!
- FAÇA A SUA ESCOLHA | Ficção paulistana de 2006 com 7 min. A roda viva da vida em roteiro inspirado em crônica de Fernando Bonasso. É aquela história: o que fazer na hora que cai o sabonete? No entanto, não tem como não pensar em Ilha das Flores, de Jorge Furtado. Clichê.

Confira abaixo os ganhadores das edições passadas do Festival de Cinema de Campo Grande:

MELHOR CURTA | Júri Popular

2006 • Ímpar Par, de Esmir Filho (SP)

2005 • Bala Perdida, de Victor Lopes (RJ)

2004 • Dona Cristina Perdeu a Memória, de Ana Luíza Azevedo (RS)

MELHOR CURTA | Júri Oficial

2006 • Santa Helena em Os Phantasmas da Botija, de Tiago Scorza e Petrônio Lorena (RJ)

2005 • O Astista contra o Caba do Mal, de Halder Gomes (CE)

2004 • Janela Aberta, de Philippe Barcinski (SP)

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Saulo Frauches
 

Show de bola o texto, Rodrigo! Fiquei muito pensativo sobre a idéia de que a democratização via rede tem acarretado em imagens em baixa resolução como forma de viabilizar a distribuição - quanto menor o tamanho, mais fácil circular.

Mas até que ponto vale a pena a pena ter um filme, com qualidade impecável, de 15 giga para só meia dúzia de pessoas assistirem na TV de plasma da sala comprada em 400 prestações? Também não sei se adianta distribuir um filme com qualidade de imagem tão baixa a ponto de comprometer o impacto e o entendimento da obra.

Aí, em vez de me questionar sozinho, resolvi comentar aqui e ver se alguém dá algum pitaco heheh

abração!

Saulo Frauches · Rio de Janeiro, RJ 3/2/2007 20:08
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Assum Preto
 

Desde a época em que só existia o Alta Vista, e depois surgiu o Cadê, e por fim o Google, ouço falar do seguinte ditado: se não existe na internet, não existe!!!
O futuro da internet é óbvio, e é natural que certos "meios" deixem de existir...
.....com os filmes e/ou curtas tendem nesse mesmo caminho - YouTube.

É claro que por enquanto temos que nos contentar com uma pequena 'divisão de tela', e um sonzinho cheio de flanger... as empresas de telefonia, em conjunto da Microsoft já anunciaram uma revolução nas linhas/transmissões, sendo assim, quer dizer que, espero eu que, em breve teremos filmes em alta qualidade circulando pela internet.

Agora destaco dois pontos econômicos e sociais...
1 - O cidadão normal hoje, (a)salariado, que quizer ir ao Cinemark vai ter que desenbolsar uma quantia no mínimo significativa que fará falta no decorrer do mês. E a internet existe pra isso - passar/difundir cultura...
2 - O DVD assim como o CD (que já tem seus dias contados...) é um produto de consumo que não aceita troca. Se você adquiriu (-$$$-) um CD/DVD estragado... problema seu... o código do consumidor dá liberdade total para as lojas não efetuarem troca para esse produto. A loja troca se quiser... então... "não tá na rede... não existe..."

Abraços Rodrigo e parabéns pela matéria...
sua empolgação sempre vira literatura...

Assum Preto · Campo Grande, MS 5/2/2007 02:50
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Thiago Camelo
 

Fala Rodrigo!!! Muito bacana sua cobertura!! É inevitável que os curtas revelem uma tendência do que podemos esperar do futuro da produção cinematográfica brasileira. A imensa maioria dos primeiros filmes de qualquer diretor é curta-metragem.
Sua questão sobre tecnologia, que o Saulo também topou, é muito boa. Minha opinião (sobre a qual muitos amigos já discordaram): antes de filmar o primeiro plano, o diretor já deve saber em que plataforma ele deseja exibir a sua obra. A solução para este tipo de questão que vc levanta, na minha opinião, é a premeditação do veículo. Um filme feito para ser exibido no YouTube, por exemplo, pode ser ótimo, com imagens lindas... mas a chance de isso acontecer é bem maior caso o autor tenha pensando antes em como aquela imagem irá aparecer na tela do computador. O mesmo vale para TV, o mesmo vale para cinema. Perdi a conta das vezes em que os próprios realizadores me pediram para não ver a obra no Porta Curtas, por exemplo, por entenderem que ali não se tem a real dimensão do filme. O mesmo acontece em exibições de obras feitas no cinema ao serem veiculadas na TV. O mesmo acontece até com a música em mono quando, na verdade, ela é stereo... Enfim, apropriar-se da "estética YouTube", na minha opinião, pode ser uma saída muito interessante para os novos realizadores. Atualmente, não acho nenhuma imagem mais bonita do que as produzidas por câmeras fotográficas digitais. Aquela falta de luz, o granulado, o borrão quando você mexe a câmera muito rápido; tudo isso é assumir uma estética. Falei demais :) Parabéns pela colaboração, Rodrigão! Grande abraço!

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 5/2/2007 13:16
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eduardo ferreira
 

fizeste uma longa reportagem/crítica para curtas. mas curti muito. engraçado é que já tinha visto vários desses filmes na pré-seleção para a qual fui convidado para o festival de cinema e vídeo de cuiabá do ano passado. nossas impressões foram parecidas.
quanto a essa discussão sobre meios de difusão: acho válido qualquer meio, o que não dá é ficar mofando nas prateleiras do descaso ou do esquecimento. concordo com thiago: a solução é o digital. ágil, barato, acessível e esteticamente um meio de experimentar e criar linguagem.
recordo-me agora de que fiz animação de massinha na década de 90 em VHS (alguém se lembra de que existiu isso?) e circulamos com esse filme por alguns festivais, dentre eles, o de tóquio, JVC...celulares e câmeras digitais são até mais acessíveis. tudo na mão. é só botar pra rodar. e circular, é claro.

eduardo ferreira · Cuiabá, MT 5/2/2007 16:44
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Thiago Camelo
 

Fala Edu! Só pra ratificar minha posição: eu adoro película também, acho que ainda não existe tecnologia digital que dê, por exemplo, a profundidade que a película dá a imagem. No entanto, não vou me jogar contra aquilo que está à minha frente e atualmente me é tão acessível: é realmente possível fazer um filme, do tamanho que eu desejar, com uma câmera fotográfica (!) digital. Até com celular é possível. Mas ,daquilo que disse no comentário acima, o que me parece mais importante é a ciência de pra qual meio você está produzindo o filme. Porque, como o Rodrigo diz bem na matéria dele, um filme produzido em película para o cinema corre o risco de ficar temerário numa telinha de computador. Enfim, grande e interminável discussão... que bom!

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 5/2/2007 16:54
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eduardo ferreira
 

naturalmente thiago, se alguém está produzindo em película com certeza estará visando a telona.
claro que a película tem lá seu campo de profundidade especialíssimo, mas um digital bem iluminado, separando planos, pode-se chegar a um bom efeito. mas gosto demais dos (d)efeitos que uma imagem distorcida pode te oferecer (surpreender-já tive exemplos de defeitos que se tornaram maravilhosos efeitos dentro de arte de montagem de ilusões. a película filma quadro a quadro: princípio da animação (salve mc laren!). então é pura ilusão.
gosto muito das milionárias possibilidades que o digital oferece para se criar. na sua própria sala de estar. ou no quintal, você é quem sabe!
grande thiago. ótima contribuição para o debate. abração.

eduardo ferreira · Cuiabá, MT 5/2/2007 18:41
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eduardo ferreira
 

taí acima um texto cheio de (d)efeitos - arre - aja parêntese aberto que nem porteira de curral...frases de (d)efeito.

eduardo ferreira · Cuiabá, MT 5/2/2007 18:43
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Ilhandarilha
 

Rodrigo, o curta, além de ser uma forma com linguagem própria, é o único meio de se formar (no bom sentido) bons contadores de histórias em movimento. É um exercício fundamental para o cineasta. As novas tecnologias democratizaram ainda mais esse exercício.
Concordo com vc quando fala da baixa qualidade da imagem na internet. Não tenho muito saco de ver aquelas janelinhas minúsculas do porta-curtas e adoro um telão gigante e um som dolby. Mas também concordo com o Eduardo quando ele diz que os "defeitos" da tecnologia podem ser legais. Que a gente possa filmar cada dia mais, em película, em DV, no celular, onde for. O importante é a criação. Bacana o texto e o festival (aliás, mais do que festivais, precisamos de veículos para divulgar essa produção toda que a gente só vê nos festivais, uma vez por ano).

Ilhandarilha · Vitória, ES 5/2/2007 20:29
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Rodrigo Teixeira
 

Valeu Saulo, Assum, Thiagão e Ilhandarilha(!)... eu confesso que ando bem 'azucrinado' com a transformação acelerada que vivemos nos meios de tecnologia e nas próprias 'incubadoras de pensamento'. o cinema não ia ficar de fora. por exemplo. to pensando seriamente em fazer um clipe todo registrado no celular. vou usar vários. e ai encaixo com o que o thiago pensa. o clipe visa a internet. o resto é lucro. torço também pelas palavras de assum se tornarem realidade rápida e barata. com certeza vamos chegar a este ponto e a televisão vai virar algo como o LP. Isso me liga no pensamento de que depois das grandes gravadoras ruirem, vai chegar a vez das grandes emissoras de televisão, Globo, SBT, Record... será? e chegará o tempo, sim o tempo que da ARTE e não do ARTISTA! O importante é criação como fala ilhandarilha (muito sonoro esse nome. e belo exercício de dicção e aquecimento vocal. tente falar corretamente e repetidamente esse nome: ilhanadarila ilhandarilha ilhandarilha ilhandarilha... ufa!) a forma de distribuição que o Saulo fala no início eu tenho um exemplo que está acontecendo comigo mesmo! Eu estou com a última caixa de 100 discos do meu segundo CD, o POLCK. Devo ter vendido 6 discos em mesessssss... o meu videoclipe MIXÓRDIA que coloqui aqui no Overmundo e Youtube há menos de 1 mês já está (cada um) com mais de 100 downloads. E aí eu pergunto: para que lançar mais CDs? E acho que o curta passa por aí também. Por que não se lançar na internet de cabeça e os festivais que se adequem aos novos tempos? E a obrigatoriedade dos curtas antes de longas?

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 6/2/2007 21:15
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Rodrigo Teixeira
 

Valeu tb Edu, o manubrowndopantanal! Deixo o link para o videoclipe MIXÓRDIA!

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 6/2/2007 21:21
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Rodrigo Teixeira
 

kkkkkkkkk acabei de descobrir a vinhetinha do Festival de Cinema de Campo Grande no Youtube. Passa sempre antes dos filmes. Imagens de celular? Clique AQUI! A vinheta foi idealizada e produzida por um dos grandes talentos do design de arte de Campo Grande, o Lula Ricardi, criador dos cartazes e todo visual dos eventos de cultura de MS dos últimos anos.

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 6/2/2007 21:32
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tarokid
 

FANZINE EPISÓDIO CULTURAL E REVISTA DO CINEMA MACHADENSE


OLÁ, MEU NOME É CARLOS E SOU O EDITOR DO FANZINE EPISÓDIO CULTURAL E DA REVISTA DO CINEMA MACHADENSE (1911─;2005). ESTOU DIVULGANDO O FANZINE PELA INTERNET EM ARQUIVO PDF (DE GRAÇA )!
O MEU MAIOR INTERESSE É DIVULGAR O MEU TRABALHO. CASO QUEIRA VER OS FANZINES ( QUE SÃO IMPRESSOS AQUI EM MACHADO/MG) É SÓ MANDAR UM E─;MAIL ,OK?
APROVEITE E VEJA O VÍDEO DA MINHA REVISTA NO YOUTUBE. O LINK É:



http://www.youtube.com/watch?v=WEpox-M6zyw





tarokid · Machado, MG 9/2/2007 23:31
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Georges Kirsteller
 

Muito informativo, caro Rodrigo! Parabéns!

Georges Kirsteller · São Paulo, SP 2/3/2007 16:17
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Defletas
 

Haverá Banca de Capacitação Profissional (IN nº 004/99) em Cuiabá/MT no dia 13 de julho de 2008.

Seja Profissional de fato e de direito tenha DRT!

Banca de Capacitação Profissional para o Candidato em se Habilitar (DRT) ao Exercício Profissional na Categoria Regulamentada pela Lei Federal nº 6.533/78 e Decreto nº 82.385/78, que abrangem os Trabalhadores nas seguintes áreas:
I – Artes Cênicas (Circo, Teatro, Dança, Moda, Opera, Produção e Shows de Variedades...);
II – Cinema;
III – Fotonovela;
IV – Radiodifusão.

Contato SATED/MT:
(65) 3321-8095 / 8415-3992 / 9212-7575
E/mail: satedmt@hotmail.com

Sede: Rua Sete de Setembro (próximo ao MISC e ao IPHAN), nº 427, Centro (Histórico), Cuiabá/MT

Saudações culturais;

Nestor Defletas
Pres. do SATED/MT

Defletas · Cuiabá, MT 22/6/2008 15:01
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