Curta: uma longa viagem no festival de Big Field!

Eduardo Medeiros/Reprodução imagem filme
A mosca-de-fruta de Para Chegar Até a Lua! Santa inocência Batman!
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Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS
5/2/2007 · 250 · 14
 

Tem coisa na vida que √© melhor nem conhecer, porque vicia rapidamente. Curtas-metragens, por exemplo. Ap√≥s ver os 22 curtas da programa√ß√£o do Festival de Cinema de Campo Grande quero mais e mais e mais. O overmano Thiago Camelo sugeriu focar o texto na tend√™ncia dos curtas e embarquei na pauta. No domingo (04/02) come√ßou a terceira leva do festival. No dia 11 ser√° anunciado quem vai faturar os R$ 5 mil da premia√ß√£o. Tem j√ļri popular e j√ļri oficial (confira os ganhadores dos anos anteriores l√° no fim do texto). Dif√≠cil eleger o melhor porque s√£o os mais variados g√™neros, tempos de dura√ß√£o, temas e produ√ß√Ķes com o n√≠vel l√° em cima. Dos 22 curtas exibidos no festival, 6 s√£o do Rio de Janeiro, 4 de Sampa, 2 de Porto Alegre, 2 de Taquatinga, 2 de Olinda, 2 de Belo Horizonte, 1 de Bras√≠lia, 1 de Recife, 1 de Rio Claro e 1 de Juiz de Fora. Faltou apenas a regi√£o Norte ser representada. Ou seja, a produ√ß√£o de curtas (foram enviados 44 curtas ao festival) est√° espalhada pelo Brasil. Mesmo com tantas quest√Ķes pendentes, inspirando-se na m√°xima de Nelson Sargento, o curta 'agoniza mas n√£o morre'. Pulsa.

Muitas quest√Ķes surgem na minha cabe√ßa. O que o diretor de um curta faz depois de ter a 'crian√ßa' nas m√£os? Pelo que entendi, conversando com alguns diretores, n√£o tem outro caminho que n√£o seja a trajet√≥ria da produ√ß√£o em festivais e, depois de cumprida a agenda, rumar para a internet. O que n√£o chega a empolgar o cara que √© ligado ao cinema. Porque, convenhamos, no computador n√£o h√° produtora de arte que resista. A prova foi ver Transtorno (RJ), de Fernanda Teixeira, na tev√™ em casa e depois assistir no tel√£o. Baseado no cen√°rio principalmente, o filme da carioca perde muito na internet. E a√≠ acontece o contrasenso. Ao mesmo tempo que a rede se torna finalmente o ve√≠culo mais interessante para se divulgar os curtas, for√ßa uma adequa√ß√£o de linguagem e altera a S√©tima Arte (vale este termo ainda?). Entre os 22 curtas do festival s√£o poucos os que funcionariam na telinha min√ļscula do computador.

A pergunta do Thiago rebate h√° dias e comecei ent√£o a fazer listinhas! Dos curtas exibidos no festival temos 4 anima√ß√£o, 9 document√°rio, 9 fic√ß√£o. Empate? Embolou o meio de campo... Fui dar uma olhada no Porta Curtas, hehehe. Dos 477 curtas dispon√≠veis no dia em que pesquisei tinham 226 fic√ß√£o, 141 document√°rio, 78 anima√ß√£o, 43 experimental. Um belo term√īmetro certo? Insistindo nas listinhas e dados, vi que o site tem informa√ß√£o sobre 4.034 curtas e 16.775 profissionais do cinema estavam cadastrados. Para ajudar a chegar √† conclus√£o de qual estilo afinal segue a tend√™ncia atual da produ√ß√£o de curtas no Brasil fui olhar o mais visto do Porta Curtas e t√° l√°: Ilha das Flores, registrado como document√°rio experimental. A produ√ß√£o de Jorge Furtado feita em 1989 com surpreendentes 13 minutos e que abocanhou o Festival de Berlim. J√° o mais cotado √© Loop, creditado como fic√ß√£o. Entre os cinco mais cotados do site, aparece em quinto O Som da Luz do Trov√£o, presente no Festival de Cinema de Campo Grande. Document√°rio excelente, extremamente bem-humorado, de Petr√īnio Freire de Lorena e Tiago Scorza. O filme de 20 minutos revela ao p√ļblico a figura do cientista-maluco-do-sert√£o Evangelista Ign√°cio de Oliveira.

E a√≠ fico pensando como o curta √© fundamental para o cinema. Na verdade, o cinema nasceu curta! As primeiras filmagens n√£o chegaram a 1 minuto n√£o √© isso? O Cinema Novo foi cultivado primeiro em curtas certo? Glauber Rocha fez O P√°tio em 1959, Joaquim Pedro de Andrade em 1960 lan√ßou Couro de Gato... A voca√ß√£o do curta para a fic√ß√£o por natureza j√° vem de longa data e segue at√© os dias de hoje pelo jeito. Mas o document√°rio tamb√©m persegue o curta h√° tempos. O pioneiro Humberto Mauro fez mais de 300 curtas e m√©dias-metragens documentais nos anos 30, quando colaborava com a cria√ß√£o do INCE - Instituto Nacional de Cinema Educativo. Com certeza isso acabou influenciando toda uma gera√ß√£o. Foi nesta √©poca inclusive que surgiu a primeira lei que obrigava a exibi√ß√£o de curtas nos cinemas brasileiros. (Eu sempre me surpreendo com o Get√ļlio Vargas, √†s vezes pro bem! rs) Leis com esta obrigatoriedade voltaram na d√©cada de 60, 70, 80 e o processo foi interrompido desde a Era Collor. Hoje a discuss√£o est√° forte. Mas pelo que escutei nos corredores do festival, as opini√Ķes se dividem.

Eu particularmente acho que tinha que botar goela abaixo dos gringos (sim curtas brasileiros antes de longas norte-americanos). O problema √© a forma. E o modo de controle para ter certeza que as salas de cinemas cumprem o combinado. E, claro, uma pol√≠tica de incentivo espec√≠fico para o setor. Entraves que levaram √† lona todas as tentativas anteriores de emplacar curtas nos cinemas brasileiros. Como diz o Louren√ßo de O Cheiro do Ralo: 'a vida √© dura!' Relembrando a cena de Selton Mello deitado no ch√£o, de bunda para cima e nariz enfiado no ralo (esta cena n√£o me sai da cabe√ßa) tenho a certeza de que fazer fic√ß√£o em curta-metragem √© arriscado demais. √Č muito mais confort√°vel, ou menos trabalhoso, ou mais pr√°tico, registrar um g√™nio como Evangelista do que comandar atores em um set (preconceito?). Um ator ruim afunda a canoa. Foi o que aconteceu na minha opini√£o em Sketches e Faca Cega!

Se deixar levar pela tecnologia f√°cil tamb√©m √© um problema que senti nas anima√ß√Ķes. √Č tudo perfeito, supertransado, mas o argumento √© uma droga. A historinha das moscas-de-fruta, que morrem rapidamente, contada em Para Chegar At√© a Lua exemplifica bem esta situa√ß√£o. Olhou-se somente para a tecnologia e esqueceu-se do conte√ļdo. O acesso √† tecnologia √© perigoso demais. Particularmente gosto de curtas que seguem o document√°rio no sentido de revelar ilustres desconhecidos cheios de talento. √Č o caso de Descobrindo Waltel, que joga luz no violonista Waltel Branco, um g√™nio do instrumento e arranjador de Jo√£o Gilberto em grava√ß√Ķes hist√≥ricas. O cara participou de trabalhos liderados por Henry Mancini, como a trilha da Pantera Cor-de-rosa (o filme peca em n√£o explicar direito esta hist√≥ria!) e o disco The Latin Sound. O curta √© uma grande janela na verdade!

Os curtas exibidos na quarta edição do Festival de Cinema de Campo Grande são os seguintes:

Prog. 01

- LEONEL P√Č-DE-VENTO | Uma anima√ß√£o de Porto Alegre de 2006 com 15 min. Hist√≥ria de um menino que n√£o fica com os p√©s no ch√£o e vive isolado. Surge a Mariana para salvar a parada. O detalhe √© a narra√ß√£o com sotaque rio-grandense. Singelo.
- DESCOBRINDO WALTEL | Document√°rio paulistano de 15 min produzido em 2006. Para mim foi uma surpresa. Sou m√ļsico e nunca havia escutado o nome de Waltel. Esta √© uma das miss√Ķes mais nobres dos curtas: revelar. Acho que podia ter mergulhado um pouco mais na hist√≥ria do cara, ter colocado ele para tocar mais, contar os bastidores... Mas tudo √© tudo e nada √© nada, como dizia o S√≠ndico. A certeza √© que me fez despertar para a figura. O cara foi tocar mambo em Cuba, frequentou todas as boates cariocas, Roberto Menescal falou que ele era admirado por ser um dos poucos que lia partitura na √©poca. √Č legal saber que o cara fez um superdisco (Meu Balan√ßo, afro-soul-funk-Brasil total) com as sobras de horas de est√ļdio de Roberto Carlos! Na d√©cada de 50 foi para Nova Iorque e a√≠ falam da participa√ß√£o da trilha de A Pantera Cor de Rosa, mas n√£o mais que isso. Fiquei curioso. N√£o exploraram a trajet√≥ria do Waltel devidamente. O cara est√° na hist√≥ria mundial do Cinema, assim como Laurindo de Almeida, outro g√™nio desconhecido em seu pr√≥prio pa√≠s que gravou, entre outras, a trilha sonora de O Poderoso Chef√£o (aquele bandolim que pontua o filme √© do saudoso brasileiro Laurindo). Vale a pena ver a cena de Waltel regendo a orquestra em uma apresenta√ß√£o de Jo√£o Gilberto em Roma. Emociona!
- PARA CHEGAR AT√Č A LUA | Anima√ß√£o de Rio Claro produzida em 2006 com 10 min. Os efeitos de anima√ß√£o s√£o bem feitos. Digamos que seja padr√£o hollywood. Mas o filme se enrola no ritmo. √Č para ser uma piada, mas nem todo mundo entende. Poderia ser um pouquinho mais din√Ęmico, acelerado. Ing√™nuo.
- O MAIOR ESPET√ĀCULO DA TERRA | Document√°rio de Juiz de Fora de 15 min produzido em 2006. O problema aqui √© que retrata a realidade dos circos de maneira t√£o crua que a vontade √© de ficar bem longe da lona circense. Vai naquele batid√£o de document√°rio padr√£oz√£o e os personagens da vida real v√£o passando. N√£o tem como n√£o se comover com a tristeza de um palha√ßo. Melanc√≥lico!
- DOS RESTOS E DAS SOLID√ēES | Document√°rio de Taquatinga feito em 2005 com 15 min. Um curta po√©tico. As imagens dos cavaleiros na caatinga est√£o no imagin√°rio de todo brasileiro. As brigas entre as fam√≠lias da regi√£o e todo o clima de coronelismo e pen√ļria impressiona. O √™xodo para a cidade grande e a incapacidade das pessoas gerarem renda em suas pr√≥prias cidades s√£o fortemente sentidos. Sens√≠vel.
- SKETCHES | Ficção de Porto Alegre produzida em 2005 com 15 min. Típico caso de ator que não deixa a produção decolar. Tudo é bem razoável, cenário, texto, luz, trilha... mas um dos atores, o de cabelo mais curto, emperra o ritmo do duelo louco-mental entre dois presos que se encontram. Quem contar a história mais cabulosa vence a aposta. Um tarado. Outro assassino. Morno.
- BANHEIRO MASSA | Anima√ß√£o de Olinda com apenas 2min50seg. Desenho com massinha sempre √© bacana. Basta conseguir uma movimenta√ß√£o condizente que o espectador √© pego de jeito. √Č o caso de Banheiro Massa. Nada mais do que um homem lendo jornal no banheiro. Simp√°tico.
- VIT√ďRIA, RAINHA DO SAMBA | Document√°rio de Olinda de 20 min feito em 2005. Relata a hist√≥ria, de forma bem po√©tica, de Vit√≥ria Bonauitti.

Prog. 02

- RAP O CANTO DA CEIL√āNDIA | Document√°rio tradicional, estilo vida real, em que os moradores da Ceil√Ęndia reclamam a discrimina√ß√£o que sentem vinda dos habitantes de Bras√≠lia e a dura realidade que enfrentam no lugar. Celeiro do rap do Brasil Central, vale a pena escutar os argumentos da rapaziada. Produzido em 2005 com 15 min. √Ācido.
- TRANSTORNO | Ficção carioca feita em 2006 com 10 min. Trabalho universitário, a diretora Fernanda Teixeira ganhou o prêmio na faculdade Estácio de Sá e meteu as caras em sua primeira produção. O filme não tem diálogo, apenas 2 atores. Em compensação uns 15 gatos estão em cena. Com uma produção de arte poderosa, Transtorno tem seu charme. O argumento é bom e a história prende você na telona. Dois atores fazem o mesmo papel e é difícil perceber. Macabro!
- O SOM DA LUZ DO TROV√ÉO | Document√°rio carioca de 2005 com 20 min. Impressionante o talento de Evangelista Ign√°cio de Oliveira, natural de Serra Talhada, alto sert√£o de Pernambuco. O cara simplesmente criou uma c√Ęmara de filmagem com bugigangas e mil trambiques mais. Na conversa, deixa cientistas e acad√™micos, do alto de seu conhecimento, gaguejando com suas perguntas e teorias. Humorado, leve, curioso... O Som da Luz do Trov√£o √© baum demais. G√™nio!
- AMIGÃO ZÃO | Animação carioca de 1 min feita em 2006. Prega o companheirismo, é lírico e em vez do cachorro, coloca um elefante simpático como o melhor amigo do homem. O traço é refinado e a utilização das cores de altissimo gosto. Relax.
- ELETRODOM√ČSTICA | Fic√ß√£o recifense de 2006 com 9min30seg. Uma s√°tira ao uso dos eletrodom√©sticos e um bela piada envolvendo a fam√≠lia classe m√©dia durante o Plano Real. A patroa tem que se virar com as crian√ßas, com o rango de casa, dar um tapinha entre uma tirada de p√≥ e outra e ainda encontrar prazer, literalmente, nisto tudo. √Č a prova de que o ator √© mais do que fundamental em um curta. A atriz Magdale Alves simplesmente est√° perfeita. Eletrodom√©stica j√° ganhou v√°rios pr√™mios e participou do mais importante dos festivais para curtas-metragens, o Cannes do Curta: o Festival Internacional de Clermont Ferrand, na Fran√ßa. O roteiro foi escrito pelo diretor Kl√©ber Mendon√ßa Filho em 1994 e s√≥ nove insistentes anos depois foi selecionado pelo edital do MINC. Imperd√≠vel.
- ERA UMA VEZ | Fic√ß√£o de Belo Horizonte com 22 min feita em 2005. Segunda a diretora o filme √© realismo fant√°stico e estreou no festival de Campo Grande. Ambientado dentro de um √īnibus. Mais um assalto corriqueiro das grandes cidades. Mas a personagem √© uma fada e rola um assalto diferente. A diretota do filme, Gisele Werneck, √© a protagonista. Sens√≠vel!
- FACA CEGA | Fic√ß√£o brasiliense de 2006 com 25 min. √Č um curta de a√ß√£o. Bem feito, mas o ator que faz o pol√≠cia federal n√£o convence. Uma pena. Um furo no roteiro tamb√©m, descredita a l√≥gica do filme. A id√©ia de mostrar as transa√ß√Ķes na capital federal n√£o √© nova. O filme no entanto quer mostrar mais os dois amigos, jovens, que s√£o assaltantes em Bras√≠lia. O t√≠tulo do filme, no entanto, √© uma g√≠ria usada entre a bandidagem. Poderia ser bem melhor, mesmo assim vale. Adrenalina!

Prog. 03

- SUMIDOURO | Documentário de Belo Horizonte com 18 min feito em 2006. A migração de duas comunidades e o registro de uma região que vai desaparecer após a instalação de uma usina hidrelétrica. História que se repetiu no Brasil e que é bem captada em Sumidouro. Os depoimentos são emocionados e as imagens emocionam. Verdade!
- JOYCE | Ficção paulistana de 2006 com 14 min. Um menina de 12 anos que sonha em fazer sucesso na tevê, mas está claro que não vai chegar nem perto disso. As imagens noturnas em favelas de Sampa conduzidas por duas crianças soam alto no ouvido dos mais sensíveis. Triste.
- ALGUMA COISA ASSIM | Ficção paulistana de 2006 com 15 min. O diretor é o Esmir Filho, o mesmo de Tapa na Pantera. Neste filme ele mostra dois adolescentes que saem para se divertir em Sampa e acabam fazendo compras em um supermercado. As imagens são bacanas e tudo mais, mas o roteiro é confuso. Não se sabe bem qual é afinal o argumento. Morno!
- O BRILHO DOS MEUS OLHOS | Fic√ß√£o carioca de 2006 com 11 min. O drama e a d√ļvida de um pedreiro para tomar uma atitude para que sua vida fa√ßa algum sentido. O lance do cara √© cantar, mas a realidade √© outra. O ator n√£o convence e o arranjo para Sangrando, de Gonzaguinha, √© ruim. Cansado.
- SANGRANDO CHUVA | Fic√ß√£o carioca de 2005 com 8 min. A amizade entre duas crian√ßas em uma favela. O roteiro √© previs√≠vel e bem lugar-comum. As imagens s√£o corretas e a interpreta√ß√£o da menina √© legal. O cen√°rio da favela do Vidigal √© deslumbrante, muitos dizem que √© de onde se v√™ o Rio mais bonito. Acertaram na √ļltima cena, que √© po√©tica e bem feita. M√©dio!
- HELENA ZERO | Document√°rio sobra a atriz Helena Ignez feito por Joel Pizzini em 2006 com 27 min. Colagens de v√°rias produ√ß√Ķes com Helena Ignez e trilha sonora com direito a m√ļsica in√©dita feita para a produ√ß√£o por Lanny Gordin. Pizzini levanta a bola da atriz que foi fundamental para o cinema nacional nas d√©cadas de 60 e 70. Caiu √© p√™nalti. Gol!
- FA√áA A SUA ESCOLHA | Fic√ß√£o paulistana de 2006 com 7 min. A roda viva da vida em roteiro inspirado em cr√īnica de Fernando Bonasso. √Č aquela hist√≥ria: o que fazer na hora que cai o sabonete? No entanto, n√£o tem como n√£o pensar em Ilha das Flores, de Jorge Furtado. Clich√™.

Confira abaixo os ganhadores das edi√ß√Ķes passadas do Festival de Cinema de Campo Grande:

MELHOR CURTA | J√ļri Popular

2006 ‚ÄĘ √ćmpar Par, de Esmir Filho (SP)

2005 ‚ÄĘ Bala Perdida, de Victor Lopes (RJ)

2004 ‚ÄĘ Dona Cristina Perdeu a Mem√≥ria, de Ana Lu√≠za Azevedo (RS)

MELHOR CURTA | J√ļri Oficial

2006 ‚ÄĘ Santa Helena em Os Phantasmas da Botija, de Tiago Scorza e Petr√īnio Lorena (RJ)

2005 ‚ÄĘ O Astista contra o Caba do Mal, de Halder Gomes (CE)

2004 ‚ÄĘ Janela Aberta, de Philippe Barcinski (SP)

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Saulo Frauches
 

Show de bola o texto, Rodrigo! Fiquei muito pensativo sobre a idéia de que a democratização via rede tem acarretado em imagens em baixa resolução como forma de viabilizar a distribuição - quanto menor o tamanho, mais fácil circular.

Mas at√© que ponto vale a pena a pena ter um filme, com qualidade impec√°vel, de 15 giga para s√≥ meia d√ļzia de pessoas assistirem na TV de plasma da sala comprada em 400 presta√ß√Ķes? Tamb√©m n√£o sei se adianta distribuir um filme com qualidade de imagem t√£o baixa a ponto de comprometer o impacto e o entendimento da obra.

Aí, em vez de me questionar sozinho, resolvi comentar aqui e ver se alguém dá algum pitaco heheh

abração!

Saulo Frauches · Rio de Janeiro, RJ 3/2/2007 20:08
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Assum Preto
 

Desde a época em que só existia o Alta Vista, e depois surgiu o Cadê, e por fim o Google, ouço falar do seguinte ditado: se não existe na internet, não existe!!!
O futuro da internet é óbvio, e é natural que certos "meios" deixem de existir...
.....com os filmes e/ou curtas tendem nesse mesmo caminho - YouTube.

√Č claro que por enquanto temos que nos contentar com uma pequena 'divis√£o de tela', e um sonzinho cheio de flanger... as empresas de telefonia, em conjunto da Microsoft j√° anunciaram uma revolu√ß√£o nas linhas/transmiss√Ķes, sendo assim, quer dizer que, espero eu que, em breve teremos filmes em alta qualidade circulando pela internet.

Agora destaco dois pontos econ√īmicos e sociais...
1 - O cidadão normal hoje, (a)salariado, que quizer ir ao Cinemark vai ter que desenbolsar uma quantia no mínimo significativa que fará falta no decorrer do mês. E a internet existe pra isso - passar/difundir cultura...
2 - O DVD assim como o CD (que já tem seus dias contados...) é um produto de consumo que não aceita troca. Se você adquiriu (-$$$-) um CD/DVD estragado... problema seu... o código do consumidor dá liberdade total para as lojas não efetuarem troca para esse produto. A loja troca se quiser... então... "não tá na rede... não existe..."

Abraços Rodrigo e parabéns pela matéria...
sua empolgação sempre vira literatura...

Assum Preto · Campo Grande, MS 5/2/2007 02:50
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Thiago Camelo
 

Fala Rodrigo!!! Muito bacana sua cobertura!! √Č inevit√°vel que os curtas revelem uma tend√™ncia do que podemos esperar do futuro da produ√ß√£o cinematogr√°fica brasileira. A imensa maioria dos primeiros filmes de qualquer diretor √© curta-metragem.
Sua quest√£o sobre tecnologia, que o Saulo tamb√©m topou, √© muito boa. Minha opini√£o (sobre a qual muitos amigos j√° discordaram): antes de filmar o primeiro plano, o diretor j√° deve saber em que plataforma ele deseja exibir a sua obra. A solu√ß√£o para este tipo de quest√£o que vc levanta, na minha opini√£o, √© a premedita√ß√£o do ve√≠culo. Um filme feito para ser exibido no YouTube, por exemplo, pode ser √≥timo, com imagens lindas... mas a chance de isso acontecer √© bem maior caso o autor tenha pensando antes em como aquela imagem ir√° aparecer na tela do computador. O mesmo vale para TV, o mesmo vale para cinema. Perdi a conta das vezes em que os pr√≥prios realizadores me pediram para n√£o ver a obra no Porta Curtas, por exemplo, por entenderem que ali n√£o se tem a real dimens√£o do filme. O mesmo acontece em exibi√ß√Ķes de obras feitas no cinema ao serem veiculadas na TV. O mesmo acontece at√© com a m√ļsica em mono quando, na verdade, ela √© stereo... Enfim, apropriar-se da "est√©tica YouTube", na minha opini√£o, pode ser uma sa√≠da muito interessante para os novos realizadores. Atualmente, n√£o acho nenhuma imagem mais bonita do que as produzidas por c√Ęmeras fotogr√°ficas digitais. Aquela falta de luz, o granulado, o borr√£o quando voc√™ mexe a c√Ęmera muito r√°pido; tudo isso √© assumir uma est√©tica. Falei demais :) Parab√©ns pela colabora√ß√£o, Rodrig√£o! Grande abra√ßo!

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 5/2/2007 13:16
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eduardo ferreira
 

fizeste uma longa reportagem/cr√≠tica para curtas. mas curti muito. engra√ßado √© que j√° tinha visto v√°rios desses filmes na pr√©-sele√ß√£o para a qual fui convidado para o festival de cinema e v√≠deo de cuiab√° do ano passado. nossas impress√Ķes foram parecidas.
quanto a essa discussão sobre meios de difusão: acho válido qualquer meio, o que não dá é ficar mofando nas prateleiras do descaso ou do esquecimento. concordo com thiago: a solução é o digital. ágil, barato, acessível e esteticamente um meio de experimentar e criar linguagem.
recordo-me agora de que fiz anima√ß√£o de massinha na d√©cada de 90 em VHS (algu√©m se lembra de que existiu isso?) e circulamos com esse filme por alguns festivais, dentre eles, o de t√≥quio, JVC...celulares e c√Ęmeras digitais s√£o at√© mais acess√≠veis. tudo na m√£o. √© s√≥ botar pra rodar. e circular, √© claro.

eduardo ferreira · Cuiab√°, MT 5/2/2007 16:44
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Thiago Camelo
 

Fala Edu! S√≥ pra ratificar minha posi√ß√£o: eu adoro pel√≠cula tamb√©m, acho que ainda n√£o existe tecnologia digital que d√™, por exemplo, a profundidade que a pel√≠cula d√° a imagem. No entanto, n√£o vou me jogar contra aquilo que est√° √† minha frente e atualmente me √© t√£o acess√≠vel: √© realmente poss√≠vel fazer um filme, do tamanho que eu desejar, com uma c√Ęmera fotogr√°fica (!) digital. At√© com celular √© poss√≠vel. Mas ,daquilo que disse no coment√°rio acima, o que me parece mais importante √© a ci√™ncia de pra qual meio voc√™ est√° produzindo o filme. Porque, como o Rodrigo diz bem na mat√©ria dele, um filme produzido em pel√≠cula para o cinema corre o risco de ficar temer√°rio numa telinha de computador. Enfim, grande e intermin√°vel discuss√£o... que bom!

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 5/2/2007 16:54
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eduardo ferreira
 

naturalmente thiago, se alguém está produzindo em película com certeza estará visando a telona.
claro que a pel√≠cula tem l√° seu campo de profundidade especial√≠ssimo, mas um digital bem iluminado, separando planos, pode-se chegar a um bom efeito. mas gosto demais dos (d)efeitos que uma imagem distorcida pode te oferecer (surpreender-j√° tive exemplos de defeitos que se tornaram maravilhosos efeitos dentro de arte de montagem de ilus√Ķes. a pel√≠cula filma quadro a quadro: princ√≠pio da anima√ß√£o (salve mc laren!). ent√£o √© pura ilus√£o.
gosto muito das milionárias possibilidades que o digital oferece para se criar. na sua própria sala de estar. ou no quintal, você é quem sabe!
grande thiago. ótima contribuição para o debate. abração.

eduardo ferreira · Cuiab√°, MT 5/2/2007 18:41
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eduardo ferreira
 

taí acima um texto cheio de (d)efeitos - arre - aja parêntese aberto que nem porteira de curral...frases de (d)efeito.

eduardo ferreira · Cuiab√°, MT 5/2/2007 18:43
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Ilhandarilha
 

Rodrigo, o curta, al√©m de ser uma forma com linguagem pr√≥pria, √© o √ļnico meio de se formar (no bom sentido) bons contadores de hist√≥rias em movimento. √Č um exerc√≠cio fundamental para o cineasta. As novas tecnologias democratizaram ainda mais esse exerc√≠cio.
Concordo com vc quando fala da baixa qualidade da imagem na internet. N√£o tenho muito saco de ver aquelas janelinhas min√ļsculas do porta-curtas e adoro um tel√£o gigante e um som dolby. Mas tamb√©m concordo com o Eduardo quando ele diz que os "defeitos" da tecnologia podem ser legais. Que a gente possa filmar cada dia mais, em pel√≠cula, em DV, no celular, onde for. O importante √© a cria√ß√£o. Bacana o texto e o festival (ali√°s, mais do que festivais, precisamos de ve√≠culos para divulgar essa produ√ß√£o toda que a gente s√≥ v√™ nos festivais, uma vez por ano).

Ilhandarilha · Vit√≥ria, ES 5/2/2007 20:29
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Rodrigo Teixeira
 

Valeu Saulo, Assum, Thiag√£o e Ilhandarilha(!)... eu confesso que ando bem 'azucrinado' com a transforma√ß√£o acelerada que vivemos nos meios de tecnologia e nas pr√≥prias 'incubadoras de pensamento'. o cinema n√£o ia ficar de fora. por exemplo. to pensando seriamente em fazer um clipe todo registrado no celular. vou usar v√°rios. e ai encaixo com o que o thiago pensa. o clipe visa a internet. o resto √© lucro. tor√ßo tamb√©m pelas palavras de assum se tornarem realidade r√°pida e barata. com certeza vamos chegar a este ponto e a televis√£o vai virar algo como o LP. Isso me liga no pensamento de que depois das grandes gravadoras ruirem, vai chegar a vez das grandes emissoras de televis√£o, Globo, SBT, Record... ser√°? e chegar√° o tempo, sim o tempo que da ARTE e n√£o do ARTISTA! O importante √© cria√ß√£o como fala ilhandarilha (muito sonoro esse nome. e belo exerc√≠cio de dic√ß√£o e aquecimento vocal. tente falar corretamente e repetidamente esse nome: ilhanadarila ilhandarilha ilhandarilha ilhandarilha... ufa!) a forma de distribui√ß√£o que o Saulo fala no in√≠cio eu tenho um exemplo que est√° acontecendo comigo mesmo! Eu estou com a √ļltima caixa de 100 discos do meu segundo CD, o POLCK. Devo ter vendido 6 discos em mesessssss... o meu videoclipe MIX√ďRDIA que coloqui aqui no Overmundo e Youtube h√° menos de 1 m√™s j√° est√° (cada um) com mais de 100 downloads. E a√≠ eu pergunto: para que lan√ßar mais CDs? E acho que o curta passa por a√≠ tamb√©m. Por que n√£o se lan√ßar na internet de cabe√ßa e os festivais que se adequem aos novos tempos? E a obrigatoriedade dos curtas antes de longas?

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 6/2/2007 21:15
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Rodrigo Teixeira
 

Valeu tb Edu, o manubrowndopantanal! Deixo o link para o videoclipe MIX√ďRDIA!

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 6/2/2007 21:21
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Rodrigo Teixeira
 

kkkkkkkkk acabei de descobrir a vinhetinha do Festival de Cinema de Campo Grande no Youtube. Passa sempre antes dos filmes. Imagens de celular? Clique AQUI! A vinheta foi idealizada e produzida por um dos grandes talentos do design de arte de Campo Grande, o Lula Ricardi, criador dos cartazes e todo visual dos eventos de cultura de MS dos √ļltimos anos.

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 6/2/2007 21:32
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tarokid
 

FANZINE EPIS√ďDIO CULTURAL E REVISTA DO CINEMA MACHADENSE


OL√Ā, MEU NOME √Č CARLOS E SOU O EDITOR DO FANZINE EPIS√ďDIO CULTURAL E DA REVISTA DO CINEMA MACHADENSE (1911─;2005). ESTOU DIVULGANDO O FANZINE PELA INTERNET EM ARQUIVO PDF (DE GRA√áA )!
O MEU MAIOR INTERESSE √Č DIVULGAR O MEU TRABALHO. CASO QUEIRA VER OS FANZINES ( QUE S√ÉO IMPRESSOS AQUI EM MACHADO/MG) √Č S√ď MANDAR UM E─;MAIL ,OK?
APROVEITE E VEJA O V√ćDEO DA MINHA REVISTA NO YOUTUBE. O LINK √Č:



http://www.youtube.com/watch?v=WEpox-M6zyw





tarokid · Machado, MG 9/2/2007 23:31
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Georges Kirsteller
 

Muito informativo, caro Rodrigo! Parabéns!

Georges Kirsteller · S√£o Paulo, SP 2/3/2007 16:17
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Defletas
 

Haver√° Banca de Capacita√ß√£o Profissional (IN n¬ļ 004/99) em Cuiab√°/MT no dia 13 de julho de 2008.

Seja Profissional de fato e de direito tenha DRT!

Banca de Capacita√ß√£o Profissional para o Candidato em se Habilitar (DRT) ao Exerc√≠cio Profissional na Categoria Regulamentada pela Lei Federal n¬ļ 6.533/78 e Decreto n¬ļ 82.385/78, que abrangem os Trabalhadores nas seguintes √°reas:
I ‚Äď Artes C√™nicas (Circo, Teatro, Dan√ßa, Moda, Opera, Produ√ß√£o e Shows de Variedades...);
II ‚Äď Cinema;
III ‚Äď Fotonovela;
IV ‚Äď Radiodifus√£o.

Contato SATED/MT:
(65) 3321-8095 / 8415-3992 / 9212-7575
E/mail: satedmt@hotmail.com

Sede: Rua Sete de Setembro (pr√≥ximo ao MISC e ao IPHAN), n¬ļ 427, Centro (Hist√≥rico), Cuiab√°/MT

Sauda√ß√Ķes culturais;

Nestor Defletas
Pres. do SATED/MT

Defletas · Cuiab√°, MT 22/6/2008 15:01
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