[ do site Gafieiras, por Dafne Sampaio ] Quando lançou seu primeiro disco-solo (Achados e perdidos, 2005), o baterista, cantor e compositor Luciano Albuquerque Nakata, o Curumin, demonstrava que o violão/balanço de Jorge Ben era referência das mais importantes. De lá para cá, o músico emplacou boas turnês e festivais nos Estados Unidos e na Europa, tornou-se chapa dos camaradas do selo Quannum Projects (Blackalicious, DJ Shadow, Lifesavas, Lyrics Born e Tommy Guerrero, etc.) e sua música ganhou novas cores e preocupações. Japan Pop Show (YB Music, 2008), o segundo disco de Curumin, é prova viva de que o sambalanço pop do paulistano se globalizou.
Agora, não imaginem que esta “globalização” é para inglês ver! O caso de Curumin é daqueles no qual tudo o que vem de fora (dub, dancehall, soul, rap e pitadas orientais, etc.) entra naturalmente em seu DNA, que no caso é uma mistura de samba com as múltiplas possibilidades de sua São Paulo natal. Em 13 faixas, o filho de espanhóis com japoneses brinca com sua raízes orientais (“Japan Pop Show”, “Sambito (Totaru shock)” e “Fumanchú”), canta seu amor por bolachões (“Compacto”) e pela bicicleta (“Magrela fever”), além de afetos variados (“Esperança”, “Dançando no escuro” e “Mistério Stereo”). Músicas extremamente suingadas e com refrões ganchudos. Impossível ficar parado e mais impossível ainda não se surpreender com a regularidade e o alto nível do disco (até no belo encarte retrô e nas vinhetas “Salto no vácuo com joelhada” e “Saída Bangu”, esta com trechos de “Revendo amigos” de Jards Macalé e Waly Salomão).
Outro ponto alto de Japan Pop Show são suas músicas engajadas e, felizmente, nada panfletárias: “Kyoto”, parceria com Anelis Assumpção, fala sobre questões ambientais e aquecimento global em versos como “O G8 ameniza: porque o alvoroço? / O mundo só acaba em 2018 / Até lá já dei um tapa no meu / Abrigo antiatômico”; em “Mal Estar Card” o assunto é a má divisão de renda no Brasil; já na explosiva “Caixa preta”, parceria com BNegão, Lucas Santanna e Tejo Damasceno, é a corrupção quem manda e produz versos como “CPI da imprensa / Quem é que vai querer / Essa Caixa de Pandora / Se abrir só vai feder / Quem que pagou? / Quem, quem, quem se calou? / Quem é que financia? / Quem se beneficia?”. Coisa das mais raras nos dias de hoje ouvir músicas que unem visão crítica e bom humor.
Participações especiais de BNegão, Lucas Santanna e Tejo Damasceno em “Caixa preta”, Fernando Catatau (Cidadão Instigado) e Loco Sosa (Los Pirata) em “Magrela fever”, Tommy Guerrero e Flu em “Sambito (Totaru shock)”, RV Salters em “Mistério Stereo” e “Compacto”, Daniel Ganjaman em “Fumanchú”, Blackalicious e Lateef the Truthspeaker em “Kyoto” e o sempre excelente Marku Ribas em “Dançando no escuro”. No mais, os fixos Lucas Martins e Gustavo Lenza. Todos são culpados.
O primeiro album dele eu escutei algumas faixas e gostei, vou dar uma escutada neste novo, alguma data dele aqui no Rio ??
dudavalle · Rio de Janeiro, RJ 30/6/2008 19:44
Curumin é bom demais. Fui num show dele aqui em BH ano passado. Pena que tava bem vazio.
Não é surpresa que ele tenha assinado com a Quannum, que tem uma galera respeitável por trás.
Imagino que muito gringo tenha se interessado pelo som também pelo fato de terem utilizado uma música dele num comercial da Nike, que tem o Ronaldinho Gaúcho.
O vídeo é esse: http://www.youtube.com/watch?v=oxXMnbv1MZM. E o nome da música é "Guerreiro", um dos hits do primeiro disco.
Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 2/7/2008 13:11
é o cara que melhor usa as referencias, e samplers, de jorge ben.
muito bacana o disco e o show!
ricardo, essa dica é valiosa! muito bom ler o teu texto aqui.
Oi, Milu, tudo bem? Obrigado pelo comentário. Na verdade, o texto é do Dafne Sampaio, também integrante do site Gafieiras (www.gafieiras.com.br), que se dedica à divulgação das histórias da música brasileira por meio de longas entrevistas, notícias, colunas e projetos especiais.
Ricardo Tacioli · São Paulo, SP 2/7/2008 19:18
Não conhecia o Curumin. Fui lá no myspace dele e adorei Compacto e Magrela. Muito bom. Melhor ainda se desse pra baixar! tem como não?
abraço!
Não conhecia o Curumin. Fui lá no myspace dele e adorei Compacto e Magrela. Muito bom. Melhor ainda se desse pra baixar! tem como não?
Compacto tem tudo a ver com Jorge Benjor. Bebeu da fonte, mesmo. Mas sem ser copia.
abraço!
Eu já conhecia o CURUMIM.
Gostei imenso!
VOTO CERTO PARA SEU TEXTO
Sílvia
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