Jesus, ao lançar a execração sobre Jerusalém lançava-a simultaneamente sobre a Cidade de Todos os Santos. Nós ainda não sabíamos. Mas estamos aprendendo depressa.
Observe-se o crescente desmonte da estrutura de uma cidade ameaçada diante de nossa impotência, a impotência já crônica do cidadão brasileiro. Devastam nosso passado e se ergue um presente ambíguo, sob o pretexto ralo de um progresso tanto ou mais impreciso quanto é mentirosa a conhecida expressão “para o bem da cidade”.
Ninguém diz nada , como naquele poema atribuído a Maiacovsky cujo autor eu não conheço, mas sei que existe.
Às portas desse silêncio, embuçados no poder, bárbaros vão arrebentando a cidade toda, casa por casa, árvore por árvore, pedra por pedra.
Comento com minha mãe – interlocutora maravilhosa, a diferença brutal da Salvador de hoje para a do tempo em que eu era adolescente. Andávamos numa cidade serena, arborizada, deleitosa, de temperatura grata. Então nos deparávamos com monumentos arquitetônicos, um deslumbre. Nossos monumentos estão sendo abatidos dia após dia, em crimes contra o patrimônio histórico.
Claro. Tudo a serviço do capital, nesse triste sistema econômico-financeiro nos quais nos empurraram desde após a suplantação do mercantilismo em nossa pátria.
Minha mãe lembrou a destruição da Igreja da Sé, que não conheci. Para deixar passar o bonde. O bonde também se foi e levou consigo as ruínas de nossa história. O mais pungente é que nos subtraem do que há de melhor na cidade. Não se nos devolvem nada que nos restaure a saudade e a alma.
De modo geral, salvas as exceções, o novo é medíocre e antiecológico, são os carimbos dos que se nos apõem em lugar da beleza.
Fosse eu prefeita dessa cidade!
Meditaria sobre seu passado, consultaria cada um de seus recantos e mistérios. Retiraria o pó dos olhos afogados de tanta coisa feia para enxergar essa monumental cidade.
Medite-se sobre a arquitetura colonial. Beleza e praticidade, prédios com aeração ideal construídos em favor da luz, pois sabiamente orientados, a deixar fluir as dádivas que nossa natureza privilegiada nos oferece.
Não falo em nome de um passadismo piegas nem nostalgia vã. Nossos antepassados respeitavam a natureza. Compreendiam os trópicos melhor que o capital selvagem a quem não importa o que vai se perder em termos de cultura e bem-estar. É a garra do lucro. Sempre. O lucro fecunda todos argumentos do mundo. O lucro compra tudo e a tudo prostitui. A cidade que se dane e seus moradores que se lixem. Dinheiro é a única cultura. Ars is pecunia
A ação do poder público raia ao absurdo neste episódio das árvores e das pedras portuguesas no Porto da Barra, pedras que ameaçam substituir em toda a Bahia. Até parece que está havendo sabotagem de dentro da prefeitura para queimar João Henrique. Se essa ação se configura em uma tremenda estupidez, ela ainda foi mais estúpida à beira das eleições – quando convinha alisar o ego da população e não desafiar e contrariar a Vox populi – Vox populi, Vox Dei, caro prefeito temente a Deus.
Os magníficos arabescos de pedras portuguesas, em Portugal, na África portuguesa, Açores e Madeira, e aqui no Brasil, embelezando as calçadas onde são implantadas, por si só seriam uma justificativa para a sua manutenção. Ao contrário dos que aportam contra-argumentos , as pedras portuguesas são mais baratas, mais práticas, de mais fácil manutenção, menos escorregadias e mais seguras como piso.
Tem gente pisando na bola e ganhando dinheiro nesse lance.
Se sair uma CPI das pedras vai ter gente levando pedrada.
O lucro compra tudo e a tudo prostitui. A cidade que se dane e seus moradores que se lixem. Dinheiro é a única cultura. Ars is pecunia
Disse tudo.O oportunismo impera, dane-se tradição e patrimônio.
Parabens pelo postado. ab
Axe'
Pedra dura & agua mole... serah que eh por aih?
Interessante tua disertacao, poetica, inclusive, num tema que evoca muita coisa que temos no Br que precisamos valorizar, preservar, e conscientizzar o povo do valor que insere pra se ter uma idendidade. Ao que, mesmo que sejamo feitos, colonizados, com coisas que algumas veses parecem ser 'desumanas', eh o que somos, e fomos feitos. A preservacao vale inclusive, como nos moldes do nazismo, outras atrocidades que foram parte de nossa evolucao, para que se possa nao repetir a mesma situacao.
Nao se se aprendemos depressa, alguns, outros... muitos, nem aprendem. Mas, estamos todos vivendo neste universo, momento. Dirah um outro, vendo o comeco do teu texto: seja feita a vontade de... ?!
A 'cezar' o de...!
Ta anotada a composicao que fez, obrigado pelo jogo.
O que passa na cabeça do povo da cidade é o que quer que passe os que dominam a cidade (versão livre da máxima A ideologia de uma sociedade e a ideologia da classe dominante dessa sociedade) .
Vê Brida, tuas bem postas palavras, para não restarem soltas ao vento ou apenas aqui entoadas nesse nosso canto, cobram ação por elas para moverem moinhos.
Chegarão a ouvidos poucos e o que era doce se acabará em tão pouco e para poucos que lembrança não haverá, se assim não ocorrer.
E o que se viu é que, apesar de tantas pedradas, o senhor alcaide reconduziu-se aos tachos por votus populi.
Cintia, obrigada pelo acordo. Fraternal abraço.
Cláudia, muito grata pela visita.
Mestre, Axé, Odô Yá.
Stella, gratíssima, um abraço.
Adroaldo querido... Sem palavras. Emoção ao te ler, sempre, pela verdade, pela honestidade, pela generosidade.
Pois é. Está de novo o alcaide comendo nossos ganhos...vox populi de um povo néscio e sandeu, / que nãosabe que o perdeu/ Negócio. Ambição Usura. (nosso poeta barroco por excelência, Boca do Inferno). Vou vociferar e conclamar os meus pares a assim o fazerem. Pobre de mim, que prefiro o pássaro, a nuvem, o diamante fugaz de um instante de amor.
Beijos
Cintia, obrigada pelo acordo. Fraternal abraço.
Cláudia, muito grata pela visita.
Mestre, Axé, Odô Yá.
Stella, gratíssima, um abraço.
Adroaldo querido... Sem palavras. Emoção ao te ler, sempre, pela verdade, pela honestidade, pela generosidade.
Pois é. Está de novo o alcaide comendo nossos ganhos...vox populi de um povo néscio e sandeu, / que nãosabe que o perdeu/ Negócio. Ambição Usura. (nosso poeta barroco por excelência, Boca do Inferno). Este artigo foi publicado em periódico diário. Mas vou vociferar e conclamar os meus pares a assim o fazerem. Pobre de mim, que prefiro o pássaro, a nuvem, o diamante fugaz de um instante de amor.
Beijos
Obrigada, Djalma.
Estou com um poema em fila de edição:
http://www.overmundo.com.br/banco/moca-na-janela
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