Dá para se viver de produção cultural

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Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ
18/9/2007 · 323 · 44
 

Desde que comecei a escrever o livro "Produtor Cultural Independente: aprenda a organizar um show", utilizando um blog como minha prancheta virtual de criação, tenho recebido e-mails muito interessantes. Mesmo o livro estando ainda em estado bruto e eu intencionalmente não ter empreendido nenhum esforço contínuo para divulgar sua existência, as pessoas acabam aparecendo, lendo os meus esboços ainda não revisados e enviam e-mails comentando o conteúdo ou fazendo perguntas.

Uma das perguntas que seguidamente as pessoas me fazem é a seguinte: “dá para viver de produção cultural”?

Vamos analisar a pergunta, porque ela é realmente muito interessante.


Dá para viver de produção cultural

Quando alguém pergunta se dá para viver de produção cultural, deduzo que acredita no paradigma de que não é possível viver desta atividade.

Eu sou uma pessoa que resolveu discordar deste paradigma há cinco anos. E tenho vivido disso. Logo, sou uma evidência de que é possível viver de produção cultural. E porque entrei nisso? Por vários motivos. Um deles é de que sabia que muitas pessoas trabalhavam com isso em nosso país. Não sou único, sou um de muitos. E isso tenho certeza que a maioria das pessoas também sabe. Alguém tem dúvida que por trás de tudo que visualizamos de cultura através dos meios de comunicação e eventos que participamos, tais como shows, peças de teatro, filmes, espetáculos de danças, performances, mostras de artes visuais, etc, há gente trabalhando e vivendo disso?

Se todos sabemos que há muita gente trabalhando nisso e muita gente vivendo disso, porque insistimos em perguntar “se dá para viver de produção cultural”?

Eu arrisco alguns palpites. Provavelmente parciais, pois vivo desta atividade, mas que podem instigar muita gente que está começando a perceber o quanto é importante acreditarem no que fazem.


Onde está o trabalho da produção cultural

Como qualquer outra profissão, a produção cultural possui características específicas. Uma delas é a sua localização geográfica. Dentro desta perspectiva, podemos afirmar que a cadeia produtiva da economia da música no país, por exemplo, está bastante concentrada na região sudeste. Isso leva ao entendimento de que há um maior número de postos de trabalho nesta região do que em minha terra natal, Cachoeira do Sul, interior do RS. Mas o fato de eu não ver muita gente trabalhando e vivendo de música em Cachoeira do Sul, não quer dizer que isso não aconteça lá ou que não ocorra em todo o país.


Educação

Outra característica importante é a questão da educação. Em outro artigo que escrevi para o Overmundo, intitulado "Vamos educar as pessoas para produção cultural?" defendi a necessidade de ampliarmos iniciativas para que mais municípios ofereçam formação para o desempenho desta atividade. Esta falta de opções de ensino deixa as pessoas receosas. Se você vê todos os dias proliferarem cursos de administração e direito, tenderá a achar que a atividade de produção cultural não está se desenvolvendo, mas ela está, só que em outro ritmo.

Retorno financeiro

Aqui é um ponto super delicado. Muita gente diz que “não dá para viver de produção cultural” baseada no seguinte raciocínio: nunca trabalhou com produção cultural, tem informações baseadas em relatos pessoais de pessoas próximas que não obtiveram realização financeira nesta atividade e passam a tecer e divulgar teorias do porque não é possível viver de produção cultural. Esquecem, porém, de que na verdade esta teoria se aplica para explicar porque elas decidiram não trabalhar com isso, ao invés de ser uma explicação universal que irá se aplicar a todos aqueles interessados em desempenhar esta profissão.


Sonho da riqueza

Quando alguém resolve ser professor primário em uma rede de escolas públicas, as pessoas pensam que ela está buscando prioritariamente o sonho do brasileiro de ficar rico? E quando alguém resolve fazer um concurso para ser funcionário público do seu município, pensamos imediatamente que está pessoa irá acumular muita riqueza nos próximos anos? Então porque quando alguém decide ser um produtor cultural, a maioria das pessoas vem e aconselha para escolher outra profissão, porque nessa não se vai ganhar muito dinheiro?


Tomando a decisão

Para mim, uma das decisões mais sérias que uma pessoa toma na vida é a escolha profissional. E esta escolha, na minha opinião, deve ser pautada em critérios sistêmicos, que incluam valores pessoais, prazer, troca, aprendizado, habilidades, competências e sustentabilidade.

Então, antes de se perguntar “se dá para viver de produção cultural”, penso que as pessoas podem utilizar os critérios sugeridos acima para decidirem se realmente querem trabalhar um terço do tempo de todos os dias de sua vida na atividade de produção cultural, pois sim, dá para viver disso. Aprender onde se irá obter o melhor trabalho e retorno financeiro para viver do que escolhemos é a tarefa de construção da carreira de vida de cada um de nós.

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Moysés Lopes
 

Matou a pau, velho! Gostei do texto, soa quase como um manifesto de apreço à profissão, que sorte tens de fazeres o que gosta! Abração!

Moysés Lopes · Porto Alegre, RS 18/9/2007 07:07
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Zezito de Oliveira
 

Alê,
Excelente texto. Gostei e sugeri para quem já se deparou com essa questão.
Abraço,

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 18/9/2007 11:54
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Alê Barreto
 

Moysés, Zezito, obrigado pelo feedback. Tenho certeza que este mesmo questionamento rola com os músicos, atores, produtores de cinema, etc. Com certeza muita gente no Overmundo já duvidou da sua escolha na arte ou já se decidiu por ela.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 18/9/2007 17:36
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Luciana Maia
 

muito legal o texto, seria interessante outros com a mesma temática, sobre curiosidades e dúvidas de diversas profissões

Luciana Maia · Rio de Janeiro, RJ 18/9/2007 21:52
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Alê Barreto
 

Oi Luciana, sua observação é muito construtiva. Os profissionais da área cultural, na minha visão, podem ampliar suas atividades se começarem a compartilhar, como acontece no Software Livre. Se considerarmos que a atividade profissional de produção cultural, estruturada, que trabalha através de gestão de projetos, iniciou com o advento das leis de incentivo nos anos 90 e com os primeiros cursos livres e os poucos cursos que temos de graduação, não temos ainda nem 20 anos de maturidade disso. É um mercado muito novo. Acrescente isso os grandes avanços das tecnologias de comunicação e os bons ventos que sopram desde que o Gil assumiu o Ministério da Cultura, dá para fazer muita coisa, mas é preciso colaborar. Aliás, aqui em Porto Alegre estamos promovendo esta atividade http://www.overmundo.com.br/agenda/1-encontro-de-cultura-colaborativa-porto-alegre-rs

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 18/9/2007 22:39
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Benny Franklin
 

Boa, Alê!
Show de bola demonstrando: como se viver do que se gosta.
Benny.

Benny Franklin · Belém, PA 19/9/2007 00:08
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Alê Barreto
 

Oi Benny! Obrigado pelas suas palavras, mas o que realmente me moveu a escrever é que tá na hora de começar a quebrar alguns paradigmas. Do jeito que as pessoas falam, parece que produção cultural é sinônimo de miséria e sabemos que não é.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 19/9/2007 00:14
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Kaika Luiz
 

Oi Alê!
Sou produtor cultural aqui no Ceará. Trabalho em Fortaleza e na região do Cariri, sul do Ceará. Adoro muito o que faço e tenho orgulho disso. É sabido que a nossa profissão realmente é muito árdua, mas é também muito prazerosa e de grande valor para a sociedade. Sabemos também que a questão de ficar rico ou não é perfeitamente questionável, pois envolve uma série de fatores que daria um capítulo do seu livro, rssss. Espero estar sempre em contato para trocarmos as nossas experiências e quem sabe fazer algum trabalho juntos.
Sucesso sempre.

Kaika Luiz · Crato, CE 19/9/2007 06:16
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Rodrigo S.Levino
 

Viver da Cultura éo ponto principal de todos que trabalham nela !

Rodrigo S.Levino · Rio de Janeiro, RJ 19/9/2007 08:58
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Marcos Paulo
 

Quando comecei a ler o texto pensei que faltava um ponto de interrogação no título, mas logo vi que é uma afirmativa. E muito bem explicada.

Só senti falta de saber, no teu caso, Alê, como vc começou a construir essa escolha e quais são os frutos que vc colheu ou está colhendo.

Um abraço.

Marcos Paulo · Rio de Janeiro, RJ 19/9/2007 09:21
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Clecinho
 

Olá Alê Barreto,
Bastante prático o seu texto. Isto demonstra o quanto a atividade de "produção cultural' está ainda desconhecida ou mal entendida. Mas, quanto a esta perspectiva mais prática, você já nos esclareceu bem. O que enfatizo, portanto, é a questão do desejo que menciona. Qualquer atividade profissional, se bem executada, é passível de sucesso e, mais do que isso, permite um viver.
O que acontece é que há produtores culturais que não ganham dinheiro mesmo para sobreviver devido à qualidade de suas produções. Ora, ninguém vai ter sucesso finaceiro se não oferecer algo interessante e inteligente para seu público. E isto vale para qualquer profissão; advogado, músico, ator, médico, prostituta, vendedor de cachorro quente e por aí vai. O sucesso finaceiro, ou o que seja, só acontece para aquele profissional que está atento, que se qualifica, que busca novos processos de produção, novas linguagens e que está, inevitavelmente, atento ao dinamismo do mercado que cria, intermitentemente, novos desejos, novas necessidades e novas criticas e valores.

Grande abraço e parabéns pelo trabalho! Dialogar a própria profissão é a maneira mais corretas de perceber seua acertos e não-acertos!

Clecinho · Belo Horizonte, MG 19/9/2007 10:15
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Alê Barreto
 

Oi Kaika e Rodrigo, beleza? Obrigado pela suas palavras, vamos manter o contato! Marcos, obrigado também. Sobre falar como construi e os meus resultados, posso até vir a escrever, mas o ponto é justamente ampliar. Se eu faço um artigo mencionando somente os resultados que eu consegui, quem estiver começando poderá achar que é pouco, ou pensar que para 5 anos é muita coisa. O melhor mesmo, é o toque de que dá para se viver. O sucesso vem do foco em manter esta escolha e aprender.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 19/9/2007 10:41
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Alê Barreto
 

Oi Clecinho, mataste a charada. O texto foi concebido para ser prático mesmo.


Também concordo contigo que o sucesso só acontece para quem está atento, se qualifica, busca novos processos de produção, novas linguagens e que está, inevitavelmente, atento ao dinamismo do mercado que cria. Vamos continuar mantendo contato! Para aprender os erros e os não-acertos!

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 19/9/2007 10:44
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marina rodriguez
 

Excelente texto, Ale. Também sou produtora cultural, e mesmo tendo estudado para tanto (Produção Cultural - UFF/RJ), tenho percebido que tantas vezes é preciso refazer esta escolha.
Abç,
Marina Rodriguez

marina rodriguez · São Paulo, SP 19/9/2007 13:07
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Jorge Eduardo Dantas
 

Alê, seu texto está ótimo. Parabéns pela clareza, discernimento e didatismo das frases... há muito o que comentar e discutir disso tudo que você falou...

Jorge Eduardo Dantas · Manaus, AM 19/9/2007 17:57
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DaniCast
 

Adorei o seru texto! Fiquei com vontade de escrever um intitulado "Dá para viver de arte e cinema", porque passo exatamente pela mesma situação que você, só que na minha área.

DaniCast · São Paulo, SP 19/9/2007 19:38
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Alê Barreto
 

Marina, você tem razão, nossa vida tem que ir sendo gestionada em cada etapa, para confirmarmos ou mudarmos as escolhas.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 19/9/2007 20:42
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Alê Barreto
 

Jorge, há realmente muito o que discutir. Você poderia produzir um conteúdo falando da realidade aí em Manaus, não acha?

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 19/9/2007 20:42
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Alê Barreto
 

Dani, que baita iniciativa! Isso! Escreva mesmo um sobre arte e cinema! É um assunto que ficamos comentando no "cafezinho" do dia-a-dia, mas que tem que ser tratado com atenção, pois falar disso é falar de nossa própria vida.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 19/9/2007 20:44
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André Gonçalves
 

excelente texto. faz pensar não apenas na escolha de ser "produtor cultural", mas repensar todo o processo decisório para uma profissão.

André Gonçalves · Teresina, PI 20/9/2007 08:08
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Jessyca. .maasfe.
 

Maginifico Alê...
Infelizmente quem decidi pelas areas da arte e da cultura na maioria das vezes é mtu mal compreendida.

Parabens pelo texto!
Muito bom mesmo!

Jessyca. .maasfe. · São Paulo, SP 20/9/2007 08:52
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Alê Barreto
 

Oi André, tua colocação é muito bem vinda. Comentei num tópico anterior que a DaniCast poderia escrever um artigo similar, abrindo as questões da arte e do cinema. Você também, certamente reflete sobre isso, compartilhe este conteúdo com a gente.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 20/9/2007 09:32
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André Teixeira
 

Saudações Alê Barreto!!!

Sempre fiz parte da 'massa' cultural como espectador. Do ano passado pra cá, uma das várias idéias e saiu do campo onírico para o papel, do papel para as ações. Resultado: no final de outubro próximo, haverá uma Mostra de Musica, com shows, exibição de documentários e exposição temática de capas de LP´s. Essa 'produção cultural' é parceria com Ceiça Lima e Ernesto Seidl (vosso conterrâneo que mal chegou já apresenta um programa de rádio sobre Jazz), de forma totalmente independente de lei de incentivo.

Abraçaram a causa o Espaço Cultural Yázigi, casa que abrigará o evento e os músicos das cenas de Jazz, Blues e Choro que irão apresentrar repertório próprio e tocar clássicos de cada gênero. Breve postarei colaboração com todos os detalhes do evento.

Verificamos, porém, que para melhorar seu alcance como criador de oportunidades para músicos e público, teremos que aprender de onde e como captar capital alavanca para promover a Arte e potencializar, maximizando seus efeitos na população.

Muito claro e objetivo seu texto! Gostei, recomendarei para as pessoas de um mailing list cultural que faço parte, e incluirei na minha bibliografia profissionalizante. Como ensina Paulo Freire: “ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”.

Nesse casso, o que apresentas nas entrelinhas do texto são chaves e senhas para essa liberdade!

GRANDE abraço!!!

André Teixeira · Aracaju, SE 20/9/2007 10:42
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dMart
 

beleza de texto, Alê!

bons questionamentos que ponderam com clareza pontos importantes de quem quer trampar ou trampa na área.

fico contente em comunicar ao overnautas que o livro "Aprenda a Organizar a Show" , no qual colaboro como editor e revisor, está indo para a fase final. é o resultado de várias anos de conversas que já travamos e que o Alê, brilhantemente (sou suspeito na observação, ok?) está sintetizando em um livro hiperdidático: quase um check-list sobre a produção de um show.

o projeto vem atender a um problema sobre o qual nós constantemente nos debatemos: a falta de informação.

baita abraço a todos, dMart.

dMart · Porto Alegre, RS 20/9/2007 12:09
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Alê Barreto
 

Querida Jessyca, obrigado pelas palavras, está convidada a também produzir conteúdo para que as pessoas bem compreendam a produção cultural.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 20/9/2007 12:59
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Alê Barreto
 

André de Aracajú, obrigdo pelas palavras, sinta-se à vontade para dar continuidade ao nosso contato. DMart, obrigado pela tua generosidade, sabe que conversar contigo desde 2004 tem sido uma das melhores conquistas que a decisão de ser produtor cultural me proporcionou! Grande amigo, obrigado!

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 20/9/2007 13:04
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Cecilia de Paiva
 

realmente há contradições em viver de, sobreviver com, etc e tal, é terminologia e akela maxima de julgar o outro, 'azedar o leite', e o seu oposto em que 'plantando tudo dá'. realmente depende do que se busca na vida - se o prazer do trabalho acresce a obtenção de capital - parabens. O Brasil é um misto de tudo um muito e me faz lembrar a obra "Culturas Híbridas", Nestor G Canclini em que ele cita Renato Ortiz: em 1890 havia 84% de analfabetos no Brasil, 75% em 1920, 57% em 1940 – a tiragem média de um romance era de 1.000 exemplares até 1930 - os escritores tinham que “trabalhar como docentes, funcionários públicos ou jornalistas, o que criava relações de dependência do desenvolvimento literário com relação à burocracia estatal e ao mercado de informação de massa. na historia se ve muitos vivendo de suas produções, as proprias editoras vivem de produções literarias - shows imensos ou de casas noturnos recebem talentos todos os dias brasis afora... nossa... tem muita gente vivendo da arte, da produção... etcetal

Cecilia de Paiva · Campo Grande, MS 20/9/2007 14:01
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Alê Barreto
 

É isso aí Cecília, imagino que aí em Campo Grande muita gente vive disso. Seria até bacana criarmos um ambiente colaborativo, tipo um overmundo específico para divulgar informações voltadas ao desenvolvimento da atividade, em todos os planos, inclusive o econômico.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 20/9/2007 18:44
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francisco ribeiro
 

Por ser uma profissão nova e por estar atrelada a um mercado onde a mudança é uma cosntante, a produção cultural ainda não tem regras claras, nem grandes especializações. Quem trabalha com isso, por exemplo, sabe bem que não dá pra viver sem um bom contador, mas sabe também que contador que conheça de leis de incentivo é raridade no mercado. Quem quer entrar nessa, especialize-se! Precisamos de profissionais qualificados!
Parabéns, Alê!

francisco ribeiro · Porto Alegre, RS 20/9/2007 22:03
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Alê Barreto
 

Francisco, com certeza a profissão é nova. Para você ter uma idéia, em 2006 estive em Salvador e falei com alunos do curso de graduação em produção cultural da UFBA. Muito disseram que não tinham a menor idéia de como iriam trabalhar após concluir o curso! E aqui em Porto Alegre, estudantes de antropologia me perguntaram o que era e o que fazia um produtor cultural!

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 21/9/2007 08:24
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Cecilia de Paiva
 

com certeza, temos muitos casos, historias maravilhosas de pessoas que ralaram muito e agora 'vive disso', tenho lidado com varios tipos de artistas plasticos principalmente, pq alem de trabalhar vou desenvolver uma pesquisa monografica mais referente a divulgação. para mim, é super interessante a troca de ideias..

Cecilia de Paiva · Campo Grande, MS 21/9/2007 11:31
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Renan Corrêa
 

Caro Alê,

Primeiramente quero lhe dar os parabéns por seu artigo, e dizer que vc foi mto feliz em suas declarações e quero deixar aqui minhas considerações;

Por coincidência, hoje eu estava efetuando uma busca através de sites de pesquisa sobre cursos de Produção Cultural / Marketing e Elaboração de Projetos Culturais enquadrados em leis de Incentivo a Cultura e benefícios fiscais...quando que para minha sorte me deparei com o site “OverMundo” e propriamente com seu texto.

Tenho um caso curioso de um amigo formado em Ciência da Computação, com emprego estável em um dos maiores grupos empresarias do pais BMS (Belgo Mineira Sistemas) e que resolveu abandonar tudo para trabalhar com arte e cultura (o que gosta), hoje ele estuda musica e toca em barzinhos, e trabalha com crianças em oficinas de arte...se ta ganhando grana eu não sei...mas que esta mto mais realizado com certeza. A questão de ganhar dinheiro nada mais é do que o retorno, a conseqüência de um serviço bem feito, da mesma forma que se tem advogados bem sucedidos há também os fracassados, de porta de cadeia, há médicos e médicos.

Recentemente fui organizar uma festa em uma residência aqui em Belo Horizonte em um dos bairros mais nobres da cidade chegando la me deparei com uma puta casa e em meio a conversa acabei descobrindo que o dono da residência é produtor cultural, estando ligado aos maiores eventos (shows) realizados aqui em BH...por isso eu te digo : Da pra se viver e muito bem com produção cultural...o negocio é cada um fazer a diferença , o seu melhor.

E a área de produção cultural é um mercado em ascensão com poucos profissionais capacitados no mercado .

O negocio é arregaçar as mangas e botar pra quebrar...felicidades e sucesso!

* estarei vendo seus outros artigos...abraços

http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=10065186384483599836

Renan Corrêa · Belo Horizonte, MG 3/8/2008 01:36
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Ju Knopp
 

Olá Alê!
Tenho me interessado bastante pelo universo da produção cultural e tenho buscado informações e locais onde eu possa cursar ensino superior na área. No momento estou cursando história da arte, que também gosto bastante, e queria dar continuidade com a produção cultural para trabalhar de fato no meio. Realmente a região sudeste tem começado a investir no setor e isso tem me motivado mais ainda a entrar pra ele. Encontrei esse site numa de minhas pesquisas a respeito e gostei bastante, achei que me esclareceu algumas coisas...já fiz meu cadastro e pretendo ficar ligada sempre nas novidades do site.

Ótimo o seu texto!

Abraço

Ju Knopp · Rio de Janeiro, RJ 18/11/2008 20:55
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Diego Sandino
 

Olá Alê Barreto!

Gostei muito dos seus textos e concordo plenamente com tudo que foi dito. Sou protudor a 12 anos, mas só agora estou fazendo a faculdade de Produção Cultural na UCAM - Universidade Candino Mendes/ RJ e já cursando o 4º período, observei que realmente se faz necessário o curso, pois aprendemos muitas coisa que são extremamente importantes na atuação de nossa profissão no dia a dia. Estou muito satisfeito e orgulhoso de estar depois de tantos anos, tendo a oportunidade de estar fazendo um curso de graduação a nível de bacharelado em minha área. A única coisa que me deixa triste nos dias de hoje é que não temos muito acesso ao mercado de trabalho, pois hoje se um produtor for correr atrás do seu primeiro emprego, realmente ele vai encontrar muitas dificuldades. Em primeiro lugar não temos nenhum site informativo sobre vagas na área, as universidades também não dão nenhuma assistência nesse ponto e por fim percebo que o nosso mercado de trabalho está um tanto fechado, fechado no sentido de "máfia" mesmo. Hoje só encontramos com facilidades, as vagas para estágios, onde ninguém poderá viver disso e nem mesmo sustentar seus estudo pois são ajudas de custo de valores muito baixos e quando encontramos trabalho, são de pequenos projetos ou ong's que a remuneração também é muito baixa. Acho que deveríamos ter um sindicato que levasse a nossa profissão a sério, que estipula-se um mínimo de salário base , tanto para o contratado, como para o estagiário. E que esse sindicato realmente lutasse pelos nosso direitos.
Bom, hoje vc pode tirar um exemplo do concurso público que foi aberto pela FAN- Fundação de Artes de Niterói e SMC- Secretaria Municipal de Cultura, onde o salário oferecido ao produtor cultural é de R$ 1.200,00 bruto e R$ 980,00 líquido, de 6 a 8 h de trabalho de 2ª a 6ª, sendo que sempre trabalhamos um dia do final de semana. Em resumo acho uma vergonha esse salário.
Enfim, a nossa profissão está em risco com a nova lei, caso a mesma seja aprovada.
Espero que um dia nós produtores culturais, tenhamos realmente orgulho de nossa profissão, mas eu digo orgulho num todo, pois ainda encontramos muitos erros e indignações que espero serem normais em relação a uma profissão relativamente nova.
Bom, que 2009 seja um ano melhor para todos nós produtores culturais e que lutemos mais pelos nossos direitos e pelas leis de incentivo a cultura que de maneira alguma podemos deixar que prejudiquem a nossa profissão.

Saudações Culturais!!!

Diego Sandino

Diego Sandino · Niterói, RJ 17/1/2009 14:36
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Alê Barreto
 

Oi Cecília! Escrevi este texto em 2007, em meio a várias reflexões de alguém que escolheu trabalhar em algo que gosta, mas que está começando em nosso país. Não é fácil. Mas a boa notícia é que não é impossível. E hoje, janeiro de 2009, é mais fácil do que quando iniciei em 2003. A perspectiva é que o aprendizado vá me permitir ampliar a minha sustentabilidade.
Muito obrigado pelo seu comentário!

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 24/1/2009 21:43
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Alê Barreto
 

Oi Renan! Sem dúvida, um serviço bem feito, faz a diferença. Mas num mercado ainda não estruturado e com o fluxo econômico muito concentrado, somente o serviço bem feito não basta. A competição é muito grande. Acredito que para o sucesso muitas coisas contribuem. O importante é acreditarmos e nos colocarmos disponíveis e acessíveis para realizar isso.
Obrigado pelo seu comentário!

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 24/1/2009 21:48
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Alê Barreto
 

Oi Ju! Se você acessar o blog www.produtorindependente.com, na barra lateral direita existem endereços de locais onde você pode estudar. O fato de você morar no RJ é muito positivo, pois aqui e em SP atualmente se concentram as melhores oportunidades.
Muito obrigado pelo seu comentário!

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 24/1/2009 21:52
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Alê Barreto
 

Oi Diego!
Bom ouvir seu relato, uma vez que você tem 12 anos de experiência nesta área.
Realmente, você faz parte de um grupo muito pequeno de profissionais de produção cultural que tiveram acesso a uma formação privilegiada, que são os primeiros cursos de graduação que surgiram no Brasil. Mas acho importante perceber que a questão do emprego, nos moldes tradicionais, com carteira de trabalho, é complexa. Isso porque a oferta de gente para trabalhar em produção é muito grande e isso faz com que os empregadores não se preocupem em dar boas condições de trabalho, direitos sociais, remuneração justa e benefícios.

Acho que existe máfia, mas não acho que todo o mercado de produção cultural é máfia. Há muitas possibilidades. Acho importante pesquisar informações, entrevistar pessoas, ir descobrindo mecanismos para ir melhorando sua sustentabilidade.

Dá uma espiada no blog www.produtorindependente.com.
Muito obrigado pelo seu comentário!

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 24/1/2009 21:58
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Gabrielle Carvalho
 

Oi Alê!
Gostei muito do seu texto!!!
Moro em Goiânia, passei no vestibular para design gráfico, mais desisti porque não gostava! Tenho me interessado muito pela produção cultural, mais na minha cidade não tem nenhum curso que me dê segurança de começar, com 19 anos eu ainda não encontrei nada fora desse mundo que me interessasse tanto! Estou acompanhado o seu blog, comprei os livros indicados por você e baixei os fascículos de 'como organizar um show', com todas essas informações sinto que falta formação, e muito chão pela frente, gostaria muito de contar com cursos em minha cidade!

Abraços!

Gabrielle Carvalho · Goiânia, GO 11/5/2009 13:48
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Alê Barreto
 

Oi Gabrielle!
Fico contente que este texto e os conteúdos do blog estão contribuindo com a tua descoberta. Siga em frente!
Muito obrigado, um abraço,

Alê Barreto

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 17/5/2009 18:56
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Jana Spinelis
 

Oi Alê!!!
Acabei de chegar no seu blog :) Bom, para mim foi super útil ler este post, tão direto e inteligente. Estou me formando em dezembro de 2009 em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade. Paralelamente a isso, sempre fui bailarina, trabalho com dança do ventre profissionalmente há 5 anos, e danço há 10. A dança sempre teve maior participação em minha vida, e com isso quis direcionar minha carreira para algo q me fizesse ficar mais próxima das artes. Achei a Pós Graduação em Produção Cultural na Cândido Mendes - RJ, e achei super interessante a grade curricular. Engloba tudo que eu sempre quis trabalhar, e eu estou super empolgada pra começar ano que vem. Acredito q morando numa cidade tão cultural como o RJ, não seja difícil ter campo pra trabalhar, não é? E tudo depende também da nossa iniciativa, de positivismo, e de vontade. Beijão, estarei sempre por aqui daqui por diante!

Jana Spinelis · Rio de Janeiro, RJ 1/6/2009 12:40
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Flavissimopop
 

Cara ..vi um video seu numa oficina q estou fazendo aki na cidade onde moro..Sete Lagoas....rapidamente quis entrar em contato pra poder obter o maximo de informações q eu possiveis..inclusive to interessadissimo no seu livro..onde encontro aki em Minas?e o preço?
Se puder me passar agradeço!
Abraço

Flavissimopop · Belo Horizonte, MG 5/8/2009 01:21
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Ale Leka
 

Olá Alê e leitores deste site tão VERDADEIRO!
Meu nome é Alessandra, mas sou conhecida aqui na terra da garoa (Sampa) como Leka.
Trabalho com produção de shows de música a praticamente 7 anos. Neste tempo senti uma necessidade absurda em cursar algo que tivesse relação com produção cultural, já que mesmo trabalhando, sentia falta de um preparo melhor!
Comecei a trabalhar na FAAP e no primeiro ano aqui (trabalho na PÓS, nada com eventos!), eles abriram inscrição para o curso de Produção Cultural!
Faço parte da primeira turma de PC aqui e este ano formou a segunda. A primeira se formou com 8 mulheres e a segunda sete pessoas. É engraçado os "bichos" me pararem sempre no corredor pra saber mais sobre o curso.
Estou muito feliz por estar finalizando e deixo aqui meu e-mail para quem quiser trocar figurinha!
Parabéns pelo texto, esta muito bem escrito...deixa clara a nossa realidade!
Um beijo a todos!!!!

Leka (msn: lekaprapoucos@hotmail.com)

Ale Leka · São Paulo, SP 3/2/2010 17:50
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Alex Takaki
 

Ótimo texto!
Como estudante buscando opções de carreira, me deparei com Produção Cultural e simplesmente me cativou.
Não sei ao certo ainda se devo cursar o Superior em PC, mas esse texto me incentivou muito a me informar mais sobre essa área.
Abraços,
Alex.

Alex Takaki · São Paulo, SP 30/7/2011 13:37
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