Manifestações. São notáveis as repercussões desta simplória palavra. Mediante ela alguns sorriem e outros choram, mas comum mesmo é provocar uma cara de espanto em seus espectadores; inclusive em minha mãe, uma boa senhora com pouco mais de meio século, de bom coração e que vem carregando alguma neopobreza nos ombros. Atentei há algum tempo atrás a cara de espanto que ela fez ao notar que o MST havia dominado mais uma propriedade. “Isso é um absurdo!”, bravejou dona Rosana, enquanto assistia o jornal nacional em sua televisão de "vinte e nova" polegadas e jantava fillet mignom com batatas smiles.
Dois pequenos fatos: Me considero uma pessoa de direita, no máximo centro-direita e sou defensor da “violência”. (Notem, inclusive, que disse “violência” ao invés de violência e desconsiderem qualquer alusão ao vandalismo.)
O que quero dizer é o seguinte: a opinião das pessoas e do governo em relação às manifestações é quase sempre semelhante, muito semelhante, e eu me pergunto o por quê desta semelhança: “Todo cidadão tem o direito de reivindicar, mas devem fazer isso de forma pacifica. Não cederemos à violência de maneira alguma!“ – E as pessoas aplaudem. Heil Hitler!
Eu acho que o governo – realmente – menospreza a inteligência de seu povo (nome que atribuem às pessoas quando lhes é conveniente...) ou de sua massa (...quando passam a ser inconvenientes, período estimado de 3 anos e meio). E o pior é que me parece realmente efeito esse menosprezo ao intelecto.
Duas pequenas dúvidas: Quantas reivindicações você pode observar sendo atendidas sem uma manifestação crucial (de “violência”, greve, ou semelhante.)? E com qual freqüência?
Alias, vou explicar as aspas detentoras de violência. Quando utilizo essa possibilidade da língua portuguesa, quero dizer violência contra objetos de propriedade do Estado e não a outrem. Digo, quebrar janelas não é violência. Quando uma criança quer mamadeira, ela envia um sinal para a mãe que precisa da tetê. Mas existem alguns pais displicentes, que não dão a mamadeira para seus filhos – alguns, inclusive, que não estão nem aí com eles. Então os bebês começam a chorar. De alguma maneira eles precisam chamar a atenção para suas necessidades. Eles precisam apelar para que sejam ouvidos, para que recebam a atenção que lhes é de direito. E que seria, portanto, a violência: o choro ou a fome?
Uma conclusão: Da próxima vez que existir alguma manifestação digna, pegue seu mini system, leve para lá e faça uma festa!
Gostei de sua argumentação, apesar de pensar um pouco diferente (claro, né?).
O exemplo do bebê com fome é perfeito para ilustrar a relação
existente entre governo e povo ou entre governo e massa, como você diferenciou.
O povo é tratado pelos governos populistas como incapaz e adora isso, querendo sempre ser protegido como criança. É cômodos para ambas as partes, porém extremamente irreal porque nada se consegue de graça, inclusive a mamadeira, não?
beijos
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