Para quem está a par do underground paulistano dos anos 1990, o I.M.L. é um nome conhecido. Grupo hardcore que sempre contou com bons músicos, é daquelas bandas que nasceram gauche. O som praticado pelas diferentes formações e encarnações do grupo (atenderam pelas alcunhas de Intense Manner of Living, In-tense e Page 4) variou bastante, dialogando de maneira privilegiada com a cena nacional punk/hardcore. Inicialmente mesclando hardcore, metal e grind core, logo incorporaram instrumentação tipicamente brasileira, como berimbau e percussões variadas. Essa fase está registrada no vinil Fun, Milk & Destroy, compilação com curadoria de João Gordo. Com o estouro de bandas (boas e ruins, diga-se de passagem) que usavam essa fórmula de fusão rock com música regional - possível graças à ascenção internacional do tal funk’o’metal - o IML eliminou essa proposta e caiu de cabeça em uma vocação que já despontava: a evolução do som hardcore estadunidense proposta pelo Fugazi. Músicas baseadas em guitarras ultra-rítmicas e com melodias angulares, arquitetadas sobre uma cozinha enxuta, a exemplo do funk e do reggae.
Nesse tempo, o circuito de shows era restrito às casas noturnas ou espaços organizados por gente envolvida com suas respectivas cenas locais. Uma realidade mais politizada, e além do enfoque e interesse das grandes gravadoras e da mídia em geral.
O I.M.L tocou e foi muito reconhecido nesse underground, mas só isso – não conseguiram lançar o aguardado disco, que hoje seria no mínimo uma peça de resistência, preenchendo uma lacuna importante de uma história ainda não contada. Cláudio Duarte - baixista de formação que acumulara as funções vocais nas últimas formações do grupo - juntou novos músicos e formou o Diagonal em 1999. Ainda cantando em inglês, o grupo lançou dois discos independentes, Detouring Track (2001) e Model to Deceive (2002) e encerrou as atividades.
Metade do grupo, o guitarrista Sérgio e o baterista Richard (que toca também com M. Takara e Sp Underground) formou o trio Debate há um ano. Eles seguem essa linha de rock pesado e extremamente bem tocado, com variações rítmicas constantes, sem se render às firulas e cacoetes de músicos profissionais. O guitarrista Sérgio Ugeda é também o cantor/letrista, apresentando agora uma diferença fundamental: canções em bom português.
Esporadicamente Cláudio resolve voltar aos palcos, e os grupos têm se apresentado como um só, denominado Debate X Diagonal. Impossível saber se o Diagonal volta também aos estúdios. Já o Debate acabou de lançar seu EP de estréia pelo selo Amplitude Discos.
A audiência para o rock calcado no punk em São Paulo evidentemente mudou muito desde o I.M.L./In-tense, mas como cantava Itamar Assumpção, outro gauche radicado em SP:“Sorte não haver o que segure / Som”.
Acho queo IML merece mesmo ser reavaliado. Além de tudo, eles tocaram em muitos lugares do Brasil, durante a sua existência e ao meu ver tiveram influência crucial em várias bandasque apareceram depois como Space Invaders, Hurtmold etc.
Lauro Mesquita · Pouso Alegre, MG 2/8/2006 16:38Eu adoro o som e os meninos do Diagonal!!
duda lara resende · Belo Horizonte, MG 13/7/2007 14:41Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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