O Encontro dos Países Lusófonos, que teve início na noite de quarta-feira, no Mendes Plaza Hotel, divulgou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Entretanto, o tema mais abordado entre os participantes, o autopreconceito, não estava na pauta do evento.
As palestras discutiram os 60 anos de Declaração dos Direitos Humanos e as preocupações em relação ao preconceito. Mas, de acordo com os portadores de deficiência, o preconceito entre eles próprios é o que mais prejudica.
Kelly Muniz, de 36 anos, diz que foi a primeira cadeirante a ser contratada como agente comunitária de saúde em Santos e conta que, assim como todos os deficientes que conhece, também era preconceituosa consigo mesma. Mas hoje, ela não se importa. "O pior preconceito para um deficiente é o que ele tem com ele mesmo. Eu trabalho há cinco anos como agente comunitária e, hoje, não me importo mais se alguém não fala comigo por estar em um mau dia, ou se me indicam para trabalhar em outro lugar. Antes, era como a maioria dos deficientes, que acham que tudo é por causa da deficiência".
Já o Engenheiro aposentado Marcos da Silva reclama sobre as paraolimpíadas e o pouco reconhecimento que os deficientes têm. "Sempre acompanho as paraolimpíadas e, como todos sabem, o Brasil sai na frente. O reconhecimento disso é totalmente momentâneo. Isso quando ele realmente existe. O mais comum é você ouvir alguém se surpreender com o desempenho do atleta com ar de pena. Sem contar que o investimento nela é muito menor do que nas Olimpíadas", diz ele.
Quando o assunto é sensibilidade para com o deficiente, a cidade de Santos se destaca entre as demais. É o que mostrou a palestrante Flavia Maria de Paiva Vital. "A cidade foi escolhida para ter o evento realizado por ser a que mais tem sensibilidade com os deficientes e o assunto em si. A Prefeitura tem se preocupado bastante com os problemas apresentados e um exemplo disso é o bondinho, que agora é acessível para os cadeirantes. Mas, claro, não é da noite para o dia que tudo vai ser feito e é por isso que estamos aqui".
Não tinha a mínima idéia que Santos é a cidade que tem mais "sensibilidade para com o deficiente". Eu imaginava que era alguma capital do Sul, como Curitiba, que é conhecida pela sua qualidade de vida alta.
Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 15/9/2008 16:20Olha Ágata, vontade política é condição sine qua non para o atendimento a deficientes. Só não concordo muito com o "autopreconceito" ser a principal causa dos problemas dessas pessoas, é o mesmo que dizer que o racismo no Brasil vem dos próprios negros e, creia, há quem o diga! Eu moro aqui em Ilhéus, na Bahia, os ônibus são altos, de difícil acesso até para quem não é deficiente, aliás eu sempre brinco, dizendo que quem não é tem grandes chances de passar a sê-lo tal a altura dos degraus, mas na cidade vizinha, há poucos 36 km de distância, que já foi distrito de Ilhéus há quase 100 anos, a cidade de Itabuna, os ônibus têm elevador para deficientes! É que um dos últimos prefeitos teve esse cuidado, suponho, na licitação ou trâmite afim, que dava concessão das linhas urbanas às empresas de ônibus que passaram a circular na cidade. Eu ensino em 03 escolas diferentes, em lugares e cidades diferentes, nenhuma delas tem rampa de acesso a deficientes... as secretarias de educação fazem propagandas de inclusão, mas quase não preparam os docentes para educar deficientes visuais ou auditivos...Parabéns pela sua iniciativa de abordar essa uestão tão esquecida pelos nossos governantes.
Diacui Pataxo · Ilhéus, BA 18/9/2008 17:37
Agatha, é a pura verdade o que diz. Boa parte de nós deficientes, somos assim mesmo. Acho que imaginamos demais, ousamos de menos. Somente reinvidica direitos aqueles que se apresentam para as circunstâncias. Acho também que dissolveríamos boa parcela dos preconceitos, se nos mostrássemos mais para a sociedade. Dizer com nossas limitações que fazemos parte da sociedade. Desde que me tornei tetraplégico ainda não consegui me livrar do autopreconceito. Os frutos que colho disso, não são amargos têm gosto de isopor.
abço.
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