"Além da série de fatos que contribuem para este fluxo migratório, como por exemplo as relações estabelecidas entre os dois países anteriormente, soma-se a demanda por mão de obra que realizasse as funções rejeitadas pelos japoneses". Lili Kawamura (1)
O que fazem, em que trabalham, os dekasseguis brasileiros no Japão?
a) Executam os trabalhos penosos, ou Kitsui;
b) Ocupam-se das atividades sofridas, ou kiken;
c)Trabalham as ocupações SUJAS, ou KITANAI;
Aos de melhor sorte são oferecidas mais duas opões:
d) As atividades sacrificantes, ou kibishi;
e) Ainda as funções desagradáveis, ou kirai;
Este o quinteto, KKK+KK, estes dois últimos Ks nominados pelos próprios brasileiros. Mas é bom lembrar, os imigrantes japoneses no Brasil tiveram também o seu KKKK, diferente do de lá, porém ambos nocivos ao Brasil..
No Brasil comparar a imigração japonesa com ela mesma, até o início dos anos 1990, foi o viés torpe para esconder uma realidade no mínimo indesejada. Até os anos 1980 a sociedade de matriz européia se mantém indiferente, festejando a Imigração Japonesa no embalo militarista, e só. Partindo daí, face às notícias dos horrores contra os dekasseguis, o próprio nikey brasileiro vem ajudando a abrir as cortinas do teatro do absurdo. Passamos a pensar nas correções de rumo. Tem sido os brasileiros japoneses, os mais dedicados, na investifação e divulgação do quanto nocivo foi aquele feito,no que pese ainda a Imigração Japonesa ser tratada como "negócio" de Estado, pelos Estados Brasileiro/Japonês.
Para se visualisar melhor estas colocações citamos as duas leis (em data inversa) de imigração/emigração japonesas para cada período. Em 1896, o Japão vencedor de duas guerras recentes (à época); enquanto o Brasil fragilizado como último berço da escravidão humana; como ex-colônia fiel de uma ex-potência que nunca se firmara como tal.
1990, "Neste ano o governo japonês edita a Lei de Controle da Imigração, cuja vigência institucionaliza a imigração permitindo que japoneses e seus cônjuges ou descendentes até a quarta geração possam exercer legalmente qualquer atividade (suja) por um período relativamente longo, (2 a 3 anos)". (2 Elisa Massae Sasaki)
1896, "A Câmara dos Deputados do Japão aprova a Lei de Proteção aos Emigrantes. A lei incentiva a emigração oficial passando os emigrantes a ter uma legislação que os ampara e os defende. Este ponto é central para a compreensão da evolução da trajetória dos imigrantes japoneses no Brasil". (3) Célia Sakurai.
a) Pela lei de 1896 o Japão gere, no Brasil, a vida de seus nacionais (imigrantes) em solo brasileiro. Fato que só se dera na Manchúria, depois de anexada. Este fato vai se somar aos motivos dentre os das chamadas Zonas de Influência causadores da II Grande Guerra.
b) Pela Lei de 1990 o nikey brasileiro, (dekassegui) está na mesma posição da pessoa negra durante a escravidão: A vida produtiva plena do negro, depois de adulto, se lá chegasse, era de 7 anos. A vida produtiva plena do dekassegui brasileiro que interessa ao governo japonês será de 2 a 3 anos. Por que?
- Será consumido pelas doenças pertinentes ao desempenho do trabalho sujo, incondicional. (4 doenças do trabalho OIT)
c) Com o negro, no decorrer daqueles 7 anos a dor moral e a desesperança davam lugar ao banzo.
d) Com grande número de dekasseguis brasileiros, vejamos:
- "Na volta, descortinada a ilusão de bem sucedido, o ex- dekassegui, relata o médico psquiatra Percy Galimbert, (Maringá/Londrina): Após o retorno dos dekasseguis ao Brasil, ocorreu o desencadeamento de sofrimento emocional muito intenso no momento da primeira consulta, traduzido como: manifestações somáticas, ansiedades, transtornos de humor, ansiedade, insônia, angûstias, depressões, isolamentos, irritação, agressividade, alcoolismo, uso de drogas e distúrbios de percepção (com falsas percepções e idéias delirantes, especialmente de caráter persecutório." (5 Percy Galimbert)
Contradição violenta no contexto das duas realidades:
(Lei de 1896): O imigrante japonês esteve AMPARADO pela legislação brasileira e esteve PROTEGIDO pela Lei de Proteção ao Emigrante do Japão, mais os tratados. Na prática o cidadão japonês imigrante só era alcançado pela Lei Brasileira para receber terra e crédito farto e assistência desmedida, a exemplo dos ingleses pelo Tratado de Amizade e Aliança com a Inglaterra, de 1810.
(Lei de 1990). No Japão o brasileiro (dekassegui) está SUJEITO às leis civis/penais do Japão e CONTROLADO pela Lei de Controle de Imigração. Este ponto é central para o térrivel drama (sócio-econômico-sanidade) a que muitos daqueles dekasseguis estão vivendo, quer seja (sem rosto) no Japão, quer sejam invisíveis no Brasil.
- Quem são os brasileiros que foram para o Japão? (levantamento da região Londrina/Maringá, entre 2000 a 2002, Universidade Estadual de Londrina).
- 38% dos dekasseguis interrogados possuem curso superior;
76% tinha o curso médio e ou universitário incompleto. O desajuste na convivência entre um passado recente e a realidade presente constitui uma das razões que os levam a contrair as enfermidades psquico-emocionais, capituladas como doenças do trabalho de grave alcance, no retorno ao Brasil.
- Como viviam estes brasileiros no Brasil?
- Segundo o médico psiquiatra Percy Galimberti, (Londrina, Maringá):
- "É fato que a maioria dos dekasseguis vivia bem no Brasil, com nível de conforto maior do que a grande maioria dos brasileiros não nikeys" E compara, para melhor entendimento. "50% da população brasileira ganha entre 1 e 5 salários mínimos, enquanto 20% da populão nikey se situava nesta faixa, sendo que o restante 80%, tinha renda muito superior (não declarada no consultório)" (6 Cibele Cristina Osawa. Enga. de Alimentos. Revista de Saúde Coletiva, Phisis, V 16, no 1 RJ jun/jul 2006.)
E ainda, segundo a socióloga Lili Kawamura, no seu livro "Para onde vão os Brasileiros" - "Os nikkeys que rumam em busca de melhores condições econômicas no Japão são, em geral, pessoas economicamente ativas DE CLASSE MÉDIA URBANA""
- A alegação dos altos ganhos, do dinheiro fácil, do retorno com futuro garantido, do empobrecido ou sonhador que emigra, também não procede. Absolutamente inverdade.
- "Ir para o Japão não significa, no entanto, garantia de sucesso financeiro. O salário, inicialmente atrativo, confronta-se com o alto custo de vida japonês. O dinheiro remetido ao Brasil é proveniente das horas extras, estafantes". (7) Lili Kawamura, idem.
A NACIONALIDADE.
Por três séculos e meio o negro brasileiro não teve pátria. Não tinha Lei que o reconhecesse ou ignorasse. A África não era considerada Pátria, para não gerar conflito futuro. Somente em 1835 uma Portaria do Chefe de Polícia da Bahia, "causa uma revolução", e determina:
"O negro passa a ser considerado brasileiro, porém sem Direito de cidadão, nem privilégio de estrangeiro". (8 Clóvis Moura)
O princípio foi logo adotado pelo Império, seguido pela República.
E o nikey - dekassegui brasileiro no Japão?
- "Os que chegaram trazendo a idéia de similaridade, os nikeys são considerados estrangeiros. Até mesmo uma criança, filha de estrangeiro, que nasça no Japão nestas circunstâncias (dekasseguis) é considerada estrangeira. (9) Lili Kawamura)
Assim como:
"O atraso não foi o escravo, o mal foi a escravidão" (10) Caio Prado Jr.)
Somos guiados a firmar posição em que:
O mal não foi o imigrante japonês, o nocivo foi como se deu, vem se dando, a imigração japonesa no Brasil.
.................................................................
E finalizando, "para não dizer que não falei de flores"....
.................................................................
"Minha consciência perde a paciência
Com tanta ciência douta no que é banal
D'outra forma, o que não se aprende sente-se,
Que isto depende de um mistério ancestral
Consciente, mente-se quando se prende
A consciência entre o bem e o mal
Peso da prósodia fatal, fado diferente
Em que pese a pedra filosofal.
Pedra Filosofal, Renato Torres. (poeta e cantador)
www.overmundo.com.br/banco/pedra-filosofal href="http://este">
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
Autor: Andre Pessego, Integrante do Grupo de Capoeira Berimbau Brasil, SP/SP, colaborador do
www.portalcapoeira.com
Notas do autor:
1 - Lili Kavamura, socióloga autora do livro "Para Onde vão os Brasileiros.
2 - Elisa Masae Sazaki, (Pesquisadora e autora da tese: O Jogo da Diferença, a experiência identitária no Movimento Dekassegui)
3 - Celiz Sakurai, Imigração Japonesa para o Brasil, um Exemplo de Imigração Tutelada. Celia Sakurai é pesquisadora do IDESP e da UNICAMP.
4 - especificidade das Doenças do Trabalho, OIT.
5 - Percy Galimbertti, médico psquiatra, Livro. O Caminho que O Decassegui Sonhou (Dekassegui no Yumê-ji.
6 - Cibele Cristina Osawa, artigo Revista Phisis.
7 - 9 - Lili Kawamura, idem
8 - Clovis Moura, Rebeliões na Senzala, II pag. 50
10 - Caio Prado jr. Formação Econômica do Brasil.
Um trabalho fascinante esse seu, fruto de exaustivas pesquisas, decerto !
Parabéns !
Um abraço !
Andre Pessego · São Paulo (SP) .
DEKASSEGUIS UM PROGRMA SUJO
Mestre Querido Uma Grande Saudação.
Seu Trabalho é Magnífico.
Grande embasamento Histórico Boas explicaçóes para compensação do entendimento da História do japáo e do japonés Imigrante.
Extraordinária Contribuição de Uma História primordial para nosso Povo Saber.
........A NACIONALIDADE.
Por tres séculos e meio o negro brasileiro não teve pátria. Não tinha Lei que o reconhecesse ou ignorasse. A África não era considerada Pátria, para não gerar conflito futuro. Somente em 1835 uma Portaria do Chefe de Polícia da Bahia, "causa uma revolução", e determina:
"O negro passa a ser considerado brasileiro, porém sem Direito de cidadão, nem privilégio de estrangeiro". (8 Clóvis Moura
"O atraso não foi o escravo, o mal foi a escravidão" (10) Caio Prado Jr.)
Seus Trabalhos tem sido admiráveis materiais para conhecimento destas páginas sofridas do nosso povo que nunca podemos ignorar ou querer ocultar e esquecer,
AVergonha na cara é igual a coragem que tem de se impor por arrójo.
Parabéns pelo Trabalho cheio de Merecimento.
Abração Amigo
Oie meu poeta lindo!!
Amei seu texto. E gostei da foto da Capoeira, meu irmão joga sabia, ele vai amar esse texto.
Beijussssssssssss
É muito bom este teu esclarecimento sobre fatos tão importantes para todos os brasileiros. Uma bela contribuição para sociedade. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.
É uma grande troca cármica! Kaijin aqui, Kaijin lá! Tudo debaixo dos KKKKK. Pais em desenvolvimento e pais de primeiro mundo combina com escravocratas!
raphaelreys · Montes Claros, MG 31/5/2008 10:50
A consciência entre o bem e o mal
Peso da prósodia fatal, fado diferente
Em que pese a pedra filosofal.
Andre, texto que elucida, que vem ao encontro de toda uma realidade. Um dos bons por aqui,
Um abraçoa
Informação com poesia, gostei muito do seu texto. Obrigado pelo seu comentário. Um abraço.
Luiz Carvalho · São Paulo, SP 2/6/2008 11:37
Oie!!1 Voltei para deixar minha marca nesse lindo texto.
Beijoks.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!