Quando ouvi a canção Nanananana pela primeira vez num dos episódios da série para a internet Mina & Lisa, fiquei impressionado com a melodia e a voz da cantora. Não tinha sido eu o único, me contaria o diretor Hélio Ishii que, distraÃdo, não me disse o nome da artista. Porém, um belo dia, numa dessas malas-diretas para jornalistas, me chegou a tão desejada resposta. Seu nome é Haikaa. A moça nasceu no Brasil e passou a vida cruzando fronteiras. Hoje, como cantora e compositora, junta essa bagagem cultural num projeto que ela chama de Cross Culture Music. Se o tÃtulo soa um pouco ingênuo num momento em que a arte vive um processo mais intenso de miscigenação, revela, porém, a intenção de fazer mais que um mix de influências e estilos mas, sim, algo que represente essa geração cada vez mais globalizada. Pela internet, conversei com Haikaa e divido com vocês um pedaço desse papo.
Roberto Maxwell: Queria que você falasse um pouco do seu background pessoal. Você nasceu no Brasil e é nikkei (descendente de japoneses), viveu no Japão e nos Estados Unidos. Como isso formou a pessoa e a cantora Haikaa?
Haikaa: Eu fico muito feliz por ter tido a oportunidade de crescer em um ambiente multicultural. O mais importante dessa experiência é poder enxergar a vida de uma maneira mais aberta. Afinal, o que é certo em um lugar pode ser errado em outro e vice e versa. Eu percebi que o importante é olhar para dentro e sentir, antes de aceitar ou julgar. Isso determina a maneira como eu vivo e com certeza a maneira como eu faço música.
RM: A sua música tem influências desses paÃses por onde você passou. Fala um pouco dessa mistura, das influências, do que você ouvia quando era pequena, adolescente e de como isso entrou no seu trabalho atual:
H: Eu adoro música desde que sou pequena. Quando eu era criança, ouvia músicas da jovem guarda, enka, música clássica e principalmente musicais como A Noviça Rebelde. A música sempre teve o poder de me levar para “um outro lugarâ€. Eu não sei se as influências na minha música podem ser definidas culturalmente, a não ser pela escolha do idioma. O mais importante para mim é poder me expressar de uma maneira livre e verdadeira.
RM: Você canta em japonês, português, inglês... Isso não é exatamente um tipo de projeto que costuma interessar às grandes gravadoras. Por outro lado, a maioria dos artistas está fora desse esquema e, diferente do passado, prefere estar assim. Você jå teve oportunidade de estar dentro da indústria quando gravou aqui no Japão com o Girls Club. Como você se posiciona hoje dentro desse mercado?
H: Por um lado, estar em uma gravadora poderia limitar um pouco a minha criatividade já que é preciso se encaixar em algum rótulo para facilitar o trabalho de comercialização. Por outro lado, ter recursos para divulgar o trabalho e ser ouvida por milhões de pessoas é algo que eu tenho como objetivo e que pode ser alcançado através de uma gravadora. Estou aberta para diversas possibilidades de viabilização do meu trabalho.
RM: Fala um pouco do processo de composição das músicas e da gravação delas. Como você compõe?
H: Compor é uma benção, acho que é a maior benção de um artista. É poder ser um alquimista da vida e transformar tudo em ouro. Ou seja, você pega a tristeza, a dúvida, o medo e transforma em uma bela canção. Você pega a alegria, o amor, a felicidade e transforma essas emoções em uma música que é eterna.
O meu processo de composição é muito flexÃvel. Eu estou em uma fase de compor em parcerias. Eu tenho dois parceiros com quem eu compus muitas músicas recentemente, o Mercuri e o Braga. Quando eles me trazem as melodias, eu faço as letras. Outras vezes, eu componho a música e eles tem a idéia da letra.
RM: A música Nananananana acabou virando um dos destaques da série Mina e Lisa criadas pelo Núcleo Virgulino e dirigida pelo Hélio Ishii. Como ela foi parar no episódio? Como está sendo a repercussão dela depois de aparecer por lá?
O Hélio me falou sobre o projeto e me perguntou se eu teria interesse em participar. Eu achei que uma maneira legal para contribuir seria, claro, através da trilha. Eu mostrei algumas músicas para ele que eu achava que tinham a ver com a temática e Nanananana acabou sendo a escolhida. Fiquei muito feliz.
Ouças as canções de Haikaa em http://www.nj.com.br/5.haikaa/index.php
Publicada originalmente em Alternativa.
Roberto,
Sou suspeito em falar, pq sou casado com uma nissei e amo a cultura japonesa. Mas que DELÃCIA!!
DelÃcia de descoberta através de uma delÃciosa informação.
V A L E U ! !
Roberto,
Bacana a entrevista. Mais bacana ainda é que a votação foi recorde de prazo (pouco mais de 1 hora de votação!)
O chato é os votantes não terem dado aquela força habitual, com mais comentários.
Parabéns!
Abs,
Roberto gosto de tudo que é ligado ao Japão, costumo dizer que sou um pouco oriental. As musicas sao belas, guardei tudo. Parabens por mostrar essa multi riqueza!
Votado
sinvaline
Bacana hein Maxwell.
Já tinha lido e só aguardei a votação. Abração.
Meu amigo querido,
Preciso te parabenizar por teus belos textos aqui no Overmundo!
Tenho me apaixonado pela cultura oriental através de ti!
Ler você também é uma forma de matar um pouco a saudade!
Amei essa entrevista com a Haikaa! Que coisa linda ela diz quando você pergunta sobre o processo de composição.
Grande abraço, meu amigo!
Parabéns pra você e pra Haikaa.
Roberto, fiquei super contente com a entrevista e em ouvir a Haikaa. Aliás, achei muito madura a declaração dela
"(...) estar em uma gravadora poderia limitar um pouco a minha criatividade já que é preciso se encaixar em algum rótulo para facilitar o trabalho de comercialização. Por outro lado, ter recursos para divulgar o trabalho e ser ouvida por milhões de pessoas é algo que eu tenho como objetivo e que pode ser alcançado através de uma gravadora. Estou aberta para diversas possibilidades de viabilização do meu trabalho".
Parabéns para você e ela.
Nossa, gente, recorde de votação... Nem sabia? Recorde de mensagens também. Valeu, mesmo. Acho bacana que, nesse ano que está chegando e vamos falar bastante das relações entre Brasil e Japão por causa das comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil, as pessoas voltem um pouco os olhos pro lado de cá.
Roberto Maxwell · Japão , WW 8/12/2007 04:06
Muito legal, ter garimpado esta entrevista. Parabéns Roberto. Sempre bom saber dessas coisas plurais que acontecem por aÃ.
E vou caçando Haikaa aqui no soulseek. Abraço!
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