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Desafios para o escritor

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Thomas Hohl · Campinas, SP
4/11/2008 · 147 · 9
 



Há cerca de 77 milhões que dizem não gostar de ler, segundo a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” (dados divulgados em maio de 2008 pelo Instituto Pró-Livro). As razões apresentadas como determinantes para o afastamento dos livros são: as pessoas lêem devagar (17%); não tem paciência para ler (11%); não compreendem o que lêem (7%); não tem concentração para ler (7%).

Se compararmos o número de livros lidos por ano no Brasil com alguns outros paises, percebemos uma grande desvantagem neste hábito. Na França lêem, em média, 7 livros ao ano; nos EUA 5,1; na Itália 5; na Inglaterra 4,9; na Argentina 4 e no Brasil 1,8. No entanto, vale frisar que a desproporcionalidade tende a ser ainda maior, pois apenas 16% da população brasileira detêm 73% dos livros publicados, demonstrando que o numero de leitores está concentrado nas classes sociais mais altas .Da população alfabetizada do Brasil apenas um terço aprecia a leitura de livros, 61% tem muito pouco ou nenhum contato com livros e 47% possui no máximo dez livros em casa (dados fornecidos pela CBL, IBL, BNDES, MEC e Inaf ).

Os números acima revelam um enorme desinteresse pela literatura. Segundo Alcione Araújo (“Esquizofrenia na educação e cultura”, publicado em 04 de agosto de 2006, página A3, Folha de S. Paulo), o afastamento do hábito da leitura não se resume aos menos instruídos, o pragmatismo extremo atinge as universidades, concentram seus esforços para criar uma profissão e fazem a educação renunciar à função de desvelar universos. Sem minimizar a importância do emprego num país carente dele, com tal visão, a educação renuncia à função de desvelar universos e se limita a formar mão-de-obra mais ou menos qualificada. Compelida pelos vestibulares, a idéia reflui aos níveis médios, reduzidos a cursinhos preparatórios. O pragmatismo expulsa as disciplinas que incitam ao debate, dando lugar para a especialização prematura. Nessa moldura, a missão da universidade torna-se uma trajetória de adestramento para a produção.

Outro aspecto vale ser analisado: a relação entre literatura e o mercado.Desde que o livro foi transformado em produto de massa e as editoras em grandes corporações, a partir dos anos 80, a idéia de que a literatura é a forma de livre expressão do pensamento deixou de ser verdade. Não devemos nos iludir com a idéia de que a criatividade desperta a sensibilidade do leitor, fazendo-o se interessar pela literatura contemporânea.

Há no mercado editorial uma preocupação maior com o sistema literário como um todo do que com as obras em si, que não há ruptura em literatura; tudo funciona por oferta e demanda, conforme as leis de mercado. Os nichos de público mantém vivos temas como auto-ajuda e esotérico, independente do valor literário destes. Só sobrevive o que público quer ler. As novidades, as rupturas de paradigmas, o exercício da criatividade, sem demanda, não passariam de ilusões.

Seguindo o pensamento de Franco Moretti, professor de literatura comparada da Universidade Stanford, a literatura está sempre atrelada à demanda do público e do seu tempo. Para o escritor esta afirmação pode parecer uma provocação, mas se este já foi apresentado à realidade literária, saberá que o homem que insiste em ver na literatura uma ação individual e libertária ou é um hipócrita ou é um iludido.

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Compulsão Diária
 

Interessante matéria que termina com pragmatismo desafiador. Afinal, a literatura é como a religião, a política, o amor e o sexo. Ninguém vive sem ilusão sem ilusão, sonho, imaginação não há literatura. E vida é revolução.

Compulsão Diária · São Paulo, SP 2/11/2008 03:16
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Compulsão Diária
 

o eco é proposital

Compulsão Diária · São Paulo, SP 2/11/2008 03:17
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Saramar
 

Caríssimo Thomas, voc~e tem razão.
Já houve um tempo em que os escritores usavam sua pena para acordar mentes, despertar assombro e curiosidade.
Hoje, olivro se tornou acessório de consumo, escrito para agradar, de antemão um nicho do mercado, como você ressaltou.
Posso lhe dizer, por minha experiência pessoal (fui professora), que há professores que nunca leram um livro sequer, com exceção dos didáticos. Como irão nossas crianças e jovens adquirir este hábito?

beijos

Saramar · Goiânia, GO 2/11/2008 20:25
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carlos magno
 

Olá amigo Thomas,

seja vindo de novo ao nosso convívio. Belo texto e importantíssimo para insentivar a leitura nesse país. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 3/11/2008 23:03
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Maringá
 

"a educação renuncia à função de desvelar universos e se limita a formar mão-de-obra mais ou menos qualificada. Compelida pelos vestibulares, a idéia reflui aos níveis médios, reduzidos a cursinhos preparatórios. O pragmatismo expulsa as disciplinas que incitam ao debate, dando lugar para a especialização prematura. Nessa moldura, a missão da universidade torna-se uma trajetória de adestramento para a produção."

Devo dizer que vivo isso na prática, porque sou estudante e sinto falta de um aprendizado mais instigante. A maioria dos meus colegas não gostam de ler, não lêem e não conhecem nada da literatura nacional. Eu mesmo, se não fosse pelo gosto que tenho, não precisaria ler para conseguir levar meus estudos. As instituições de ensino em geral não cobram isso dos alunos, não o impelem a ler e desvelar a literatura como uma forma de aprendizado e desenvolvimento intelectual.

Maringá · Rio de Janeiro, RJ 4/11/2008 19:56
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Benny Franklin
 

Texto que serve de alerta a todos os gestores de cultura.
P

Benny Franklin · Belém, PA 4/11/2008 23:52
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Compulsão Diária
 

Compulsão Diária · São Paulo, SP 5/11/2008 02:04
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raphaelreys
 

O livro virou assunto de escola ou produto de luxo! Tenho um vizinhos que em 27 anos leu 16 páginas de um livro. A escola é a grande responsável assim como as autoridades da educação. No Brasil o cidadão tem que partir sosinhos na busca até encontar o seu grupo. Eu mesmo levei 60 anos só lendo e agora é que escrevo! Parabéns pelo postado! De grande valor!

raphaelreys · Montes Claros, MG 5/11/2008 06:16
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Cintia Thome
 

Thomas, texto muito importante, há muita leitura de conteúdo ruim e pouca leitura de livros de real valor. Vi no tempo de meus filhos no ensino fundamental. Parabens.

Cintia Thome · São Paulo, SP 5/11/2008 18:43
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