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DEU LEÃO NA CABEÇA

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Jogatina...
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FILIPE MAMEDE · Natal, RN
28/6/2007 · 120 · 15
 


No Brasil, a prática de jogos classificados de maneira pejorativa como jogos de azar e, em especial o jogo do bicho, tiveram sua origem ainda no período da monarquia. Foi um desses ‘Dom Pedros’ da vida, - talvez o I ou II deles, que deram vida ao jogo.

Data daquela época a adoção de mais esse costume europeu que, assim como o tabagismo e o 'inocente' hábito de beber, virou rotina e se impregnou como uma prática social qualquer. Alguns dizem que os jogos viciam, que pessoas perdem seus bens, sua liberdade, sua vida. Em suma, transformam-se em verdadeiros zumbis sedentos por jogatina.

Outros dizem que os jogos corroboram com o crime organizado, causam problemas sociais e, que geram uma conseqüente perda para os cofres públicos. De fato, essas são premissas que devem ser consideradas, mas não tidas como concretas e decisivas. Não se pode proibir um hábito da sociedade, sem que se faça antes um diagnóstico que relacione todas as vertentes dessa problemática.

Primeiro, ‘jogar’, passa, antes de tudo, pelo livre arbítrio das pessoas. Todo cidadão tem o direito de ir e vir (senso-comum) e se expressar da maneira que quiser. Jogar ou não, deve ser uma escolha de cada um. A individualidade não deve ser algo passível de qualquer alienação estatal. Depois, se jogos ficaram à mercê da criminalidade, foi justamente porque não houve uma presença do Estado como fiscalizador.

Para tanto, seria necessária a criação de uma tributação sobre os jogos. Uma organização séria e uma pesada vistoria. Tributando a atividade, seguramente, a histórica ligação entre jogos, ‘cassinos clandestinos’, problemas sociais e criminalidade, se não acabasse por completo, pelo menos seria minimizada.

Ives Gandra, um dos mais renomados tributaristas do país, dá a receita. “Controle rigoroso e muito imposto são melhores para o país do que a clandestinidade”. Portanto, é melhor apostar na legalização assistida de perto pelo Estado, do que perder as fichas com criminalidade e a evasão de divisas.

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Higor Assis
 

Filipe.

...apostar na legalização assistida de perto pelo Estado...


Perdemos os amigos, mas não a píada.

Higor Assis · São Paulo, SP 26/6/2007 12:00
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Tetê Oliveira
 

Oi Filipe, postei esses dias uma foto em Cultura, questionando exatamente a (i)legalidade do jogo do bicho no pais. Caso tenha interesse: "Ilegal ou não?"
No fundo, acho que existem muitos interesses por trás desse discurso de não legalização para se proteger a sociedade - raspadinhas e loterias da vida não viciam? E o que acontece com os bingos, ora legais, ora ilegais?
Quanto à edição, acho que seria "livre arbítrio", "senso comum" e faltaria uma vírgula no último parágrafo, em "tributaristas do país, dá a receita".
Abs.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 26/6/2007 17:55
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FILIPE MAMEDE
 

Tetê, sugestões atendidas e bem observadas. Realmente essa questão dos jogos, sejam eles bingos, raspadinhas, jogo do bicho e sabe-se lá mais o quê, deveriam ser legalizados... Não sei como é aí em Nova Iguaçu, mas aqui o jogo do bicho, por exemplo, acontece às claras, nada é velado. Praticamente toda esquina tem um 'quiosque" com um 'apontador'. E todo mundo faz uma 'fézinha' não é mesmo?

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 27/6/2007 08:02
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Tetê Oliveira
 

Aqu em Nova Iguaçu, a galera fica em pequenos pontos comerciais (não exatamente quiosques, mas umas portinhas/micro lojas improvisadas nas frentes das casas etc.) ou em cadeiras nas calçadas - todo mundo sabe onde encontrar um anotador. Mas não chega a ser tanto como vi pelo Nordeste (lojas A Preferida ou A Favorita, verdadeiras redes, que acreditam não serem simples casas lotéricas - aqui no Rio, são lotéricas só pros jogos oficiais (raspadinhas, mega sena, lotos do governo...). Agora nunca havia visto nada tão escancarado como em Belém. Vc chegou a ver a foto, no link que indiquei? Aquilo foi realmente hors concours... :-)

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 27/6/2007 13:25
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FILIPE MAMEDE
 

Pois é Tetê, quando eu disse quiosque, porque foi a primeira coisa que me veio a cabeça. Por aqui também são verdadeiros pontos comerciais. Existe até uma 'rede' chamada PARATODOS que têm lojas espalhadas pela cidade toda. Vi sim a foto no link, é desse jeito mesmo... e é por isso que é preciso repensar direito.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 27/6/2007 14:30
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Higor Assis
 

Voltei! Votando rs..

Higor Assis · São Paulo, SP 28/6/2007 09:47
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jjLeandro
 

Na realidade, acho que a liberação com rígido controle seria melhor. Além disso, o governo taxaria aí uns 50% ou 60% de imposto sobre a arrecadação, pois é supérfluo. E criaria uma agência reguladora para fiscalização sobre as possibilidades de vitória do apostador, pagamento de prêmios, lisura dos concursos, etc.

Se isso não funcionasse com rigor, de nada também adiantaria tb.

abcs

jjLeandro · Araguaína, TO 28/6/2007 10:32
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Benny Franklin
 

Li e goste. Tá votado, amigo Felipe. Parabéns!

Benny Franklin · Belém, PA 28/6/2007 10:52
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Juliaura
 

Aqui se atribui ao vulgo, mas creio que deva ser de algum poeta sátiro: Echa la ley, echa la trampa.

Bueno, jogo é cultural, porque não é natural.
Agora, Casino e trantos outros filmes a respeito explicam muito bem quem ganha com o jogo: a máfia do jogo e a corupção dos agentes da lei e da ordem.
Quem não tem pra comer vai jogar pra ter pra comer (na sorte).
Tira da boca do filho e põe na mesa da banca.
Uma máxima que ainda não foi contrariada: A banca nunca perde!
Se tu ganhares muito, ainda arrisca ser morto ou ficar sem o prêmio porque quebrou a banca (O Homem da Capa Preta).

Barão de Drummond criou o jogo do bicho, que nem se chamava assim, não é fato?

Vida expedienteira, quem fala muito bem dela é João antônio, em Malagueta, Peru e Bacanaço.
Em Os Ratos, Dyonélio machado dá a pista do que é ter azar no jogo da sorte.
Jogo contra o azar, em busca da sorte, nem é de onze perna de pau, com regra igual pra todos, como foi aquelea lindeza de seleção ontem.
Ariba México!
Viva Zapata!
Que esses endinheirados dos canarinhos tavam com uma preguiça de dar dó e tudo cuidando das canelinhas milionárias.
E o dunga feito uma anão de contos de fadas, mexendo sem saber mexer no vespeiro do ranking da bola (esse o grande jogo da náique versus adidas e confrarias outras da grande produção industrial esportiva).
Façam o jogo!
Façam o jogo!
Se não deu pra notar, não é minha religião, é minha razão que não tolera ver rasgar dinheiro.
Eu é que sou louca, sô!

Beijin, pequinin.

Juliaura · Porto Alegre, RS 28/6/2007 11:36
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Nivaldo Lemos
 

Esquentando o jogo.

Filipe,
tendo a concordar com a tese da legalização, pelos motivos expostos. Todavia, o tema é polêmico e merece um debate mais amplo da sociedade, até por implicar questões culturais, econômicas, sociais, jurídicas, éticas e religiosas, entre outras, que não podem ser ignoradas. É bom salientar ainda que o país tem outros inúmeros problemas a solucionar - inclusive a violência social e a corrupção política em nível do próprio Estado - que, me parecem, são mais relevantes e merecem ser pautados com mais urgência. Sob o risco de se perder um jogo muito mais importante: o direito à vida e à liberdade. Mas isto é apenas uma opinião, por favor não entenda como uma crítica ao seu texto. Aliás, bom texto, válido e importante, embora - como disse - apenas o considere um tanto extemporâneo. Opinião pessoal, repito. Um abraço e parabéns. Com a palavra, os cidadãos do Overmundo.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 28/6/2007 11:53
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FILIPE MAMEDE
 

Obrigado pela leitura e pelos comentários de todos. Mas (Nivaldo), não creio que seja esse um tema inoportuno ou extemporâneo. Os bingos abrem e fecham quase que diariamente. O jogo do bicho está em toda esquina. As lotéricas 'federais' exploram o vício alheio diariamente também. O que dizer das lotomanias e megasenas 'acumuladas'. Enfim...
Mais uma vez obrigado pela presença de todos.
Abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 28/6/2007 14:39
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Guilherme Mattoso
 

é realmente um assunto bem interessante, mas confesso que ainda não tenho uma opinião formada sobre a legalidade ou não do jogo... fato é que as maquininhas que ficam em buteco, o pioneiro bicho e os bingos tão aí...

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 29/6/2007 08:28
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FILIPE MAMEDE
 

Quanto ao jogo do bicho 'Juliaura', o Jardim Zoológico do Rio de Janeiro no fim do século 19, perdeu a ajuda financeira que tinha do Imperador (Proclamação da República), e elaborou uma loteria para financiá-lo, onde cada número representava um animal, e cada ingresso do Zoológico dava direito a um bilhete numerado, para concorrer no sorteio do "bicho" do dia no encerramento das atividades do parque. A partir daí o jogo se popularizou e ganhou as ruas do Brasil.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 29/6/2007 09:44
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Fê Pavanello
 

Oi, Filipe!
Excelente texto e excelente defesa da sua posição. Sou também pela descriminalização do jogo e de várias outras coisas.
Importantíssimas também as outras colocações, pois muitos fatores devem ser considerados antes que se descriminalize alguma conduta.
São muitos os fatores envolvidos e todos devem ser considerados para que, antes que haja a liberação, sejam criados os instrumentos de controle necessários para evitar-se o abuso.
O que não se pode é ser hipócrita de achar que apenas o fato de ser ilegal faz com que a prática deixe de acontecer. A lei não é, nem de longe, o melhor instrumento de controle social. O jogo é um exemplo clássico, mas isso vale para qualquer coisa na sociedade.
Abraços a todos.

Fê Pavanello · Brasília, DF 29/6/2007 12:42
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André Gonçalves
 

a principio, concordo com a legalização. até porque o jogo existe, e há todo uma aura de proibido e charmoso. mas, é mesmo preciso uma discussão mais ampla. bom texto.

André Gonçalves · Teresina, PI 29/6/2007 17:33
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