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Diginóis: Ano 1 do ruído digital de Lucas Santtana

Se você ler isto antes do fim do dia 17 de maio, ainda dá pra voar pra Botafogo!
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Delfin · São Paulo, SP
17/5/2007 · 229 · 15
 

Os anos 1960 e 70 ensinaram muita coisa sobre o modo como o mundo funciona e como você pode burlar os processos deste mundo para se inserir nele. O conceito do faça-você-mesmo se espalhou como um verdadeiro vírus, disponibilizando principalmente aos jovens as ferramentas existentes e permitindo que elas fossem usufruídas. De lá para cá, a cada novo meio surgido, uma nova leva de fazedores-mesmais apareceu, cada qual com sua consistência. E, a cada geração, tal fazer se tornava cada vez mais profissional e, ao mesmo tempo, particular. Nos dias de hoje, a polinização é tamanha, fazendo surgir quase como casas virtuais, contendo em cada uma delas um conceito que é, ao mesmo tempo, privado e público. Esta é uma visita a uma destas casas. Como na música, ela não tem porta, nem teto, nem chão. E nela mora Lucas Santtana, sua obra e o fruto do seu trabalho, materializado numa palavra: Diginóis.

Considerado recentemente pelo New York Times como um dos melhores novos músicos nacionais, Lucas fundou, a partir de seu segundo álbum (Parada de Lucas), o selo musical Diginóis, que fincou definitivamente os pés na rede com o lançamento do álbum subseqüente, 3 Sessions in a Greenhouse. O netlabel e a sintonia do artista com o profuso meio criativo que o mundo pós-Guerra-Fria libertou se fundem no seu website, por si uma obra ainda em progresso.

Apesar de produzido pelo m2br-grupo soluções, na casa virtual de Lucas é ele quem cuida de tudo. “Encomendei de um modo que, depois de feito [o site], eu mesmo produzisse e postasse todo o seu conteúdo com total independência”, explica o músico baiano hoje radicado no Rio. Completando um ano de existência neste 17 de maio, o seu portal é atualizado semanalmente. Baseado no Rio de Janeiro, ele o acompanha em qualquer lugar: “O Diginóis está sempre comigo na vida real ou virtual e, a cada dia que passa, essa diferença perde mais sentido”, analisa Santtana. No site também estão disponibilizadas tanto as faixas originais de seu último disco como as remixagens feitas a partir dela, uma liberdade permitida graças à adoção de uma licença Creative Commons para seu álbum.

A opção por este tipo de licenciamento é uma opção consciente para garantir seus direitos e, ao mesmo tempo, poder disseminar seu trabalho. É sabido que cada vez mais músicos migram para este tipo de formato de distribuição musical paralela, o que deixa a sempre tacanha indústria cultural estabelecida com seus pés vários passos atrás. Lucas é decidido ao falar de seu modelo de negócios, alinhado ao chamado open business: “Acho que a licença é um upgrade em relação aos direitos autorais, pois coloca na mão dos criadores a decisão do que desejam em relação a suas criações e determinam quem deve pagar por ela e quem não deve. Não entendo esse temor todo das editoras, acho tudo muito compatível. Isso é o que mais tenho certeza que irá mudar radicalmente, mais até do que a maneira como as pessoas consomem música”.

Além de distribuir e divulgar as músicas de seu selo, o portal Diginóis também busca disseminar informação e diversão, por meio de seu blog, inserido estrategicamente no centro visual de leitura do site. No final, se pretende concentrar toda a obra do músico no mesmo local, tornando o portal uma vitrine que, ao mesmo tempo que expõe, também reflete a evolução pessoal e artística de Lucas Santtana. Além, claro, de servir como canal para que ele seja conhecido e possa gerar sua sustentabilidade, por meio de shows, venda física de discos e, futuramente, de outros produtos, como camisetas. Como o próprio Lucas reconhece, é uma questão de tentativa e erro, indo aos poucos, mas firme em frente.

Além do próprio site, o Diginóis vive também em outros espaços da internet, como o MySpace e o Orkut, locais onde angaria apreciadores de sua música. Os usuários, por meio destes caminhos alternativos e também de eventuais matérias em veículos da imprensa em geral, chegam de mansinho, mas de forma crescente, ao seu portal principal.

A bola rola, por enquanto, quase sem patrocínio na camisa. A Petrobras é a exceção, por conta do último disco de Lucas ter sido viabilizado graças a um edital da multinacional – vale dizer que o Diginóis, enquanto site, também estava incluso na proposta encaminhada à empresa na mesma época. Quanto a parcerias sociais, Lucas destaca os sites que são indicados no próprio portal e, em contrapartida, também os sites que linkam o Diginóis.

“Parcerias são sempre bem vindas. Acho que poderia ser importante no sentido do open business. De gerar algum negócio remunerativo dentro do Diginóis”, destaca o músico, que teoriza: “Talvez outras empresas que queiram comprar aquele conteúdo e disponibilizar para seus clientes mantendo a independência dele”. Ainda assim, o projeto não possui existência jurídica formal, pois, como o próprio Santtana alfineta, “tive empresa e sei que esse país não foi feito para pequenos empreendimentos”.

Fazendo tudo na raça, qual é então o meio que o artista utiliza para divulgar o portal? Na raça também, espalhando aos quatro ventos sobre ele, tanto física como virtualmente. Um dos elementos-chave para esta divulgação é o Orkut, que se revelou uma grata surpresa para Lucas, que praticamente desistia de utilizar este recurso quando começou a sentir que havia retorno direto de um público ainda em formação. Sua comunidade, criada pela proprietária da Livraria Dantes, Anna Dantes, é modesta em termos de participantes, se comparada com arrasa-quarteirões da nova música, como a cantora Céu. Em compensação, é composta de fãs fiéis a seu trabalho, num movimento consistente de crescimento da base de seus apreciadores.

Lucas abre mesmo o coração quando fala sobre o seu envolvimento com o meio virtual que explora com interesse experimental: “O que diferencia [o Diginóis] de modelos usuais talvez seja o fato de tudo ter que ser muito verdadeiro para mim. Não coloco nada no Diginóis que não tenha minha sincera atenção ou interesse. Então não é um negócio que visa ludibriar as pessoas. Na verdade ainda nem é um modelo de negócio, é uma experiência assistida online. Minha mulher me lembrou que, antigamente, as experiências científicas eram públicas, não eram privadas, ainda não tinham sido incorporadas aos interesses das indústrias farmacêuticas, cosméticas, de armamento etc. Acho que isso é um diferencial de modelos abertos (open business), essa volta a experiências públicas”.

Lucas não acredita ter um público-alvo definido, pois, para ele, sua música é tanto para o filho quanto para a avó. Mas não dispensa o que é tradicional em termos de divulgação: assessoria de imprensa em época de lançamentos, divulgação (do trabalho e de shows) em mídia tradicional e a própria venda de seus discos em lojas. Entretanto, seus boletins regulares de divulgação do site para os usuários cadastrados em sua mala direta virtual, os Diginews, são a forma mais constante de comunicação entre público e artista.

Interessante destacar uma das possibilidades abertas em relação à obra de Lucas: no portal, existem músicas abertas disponibilizadas em sistema de rodízio. Tais faixas são abertas (ou seja, separadas em camadas com as quais a canção original foi gravada), de modo a permitir a colaboração de qualquer um que se disponha a fazer uma nova leitura de sua obra, sendo que há também espaço aberto para que estas recomposições sejam ouvidas pelo público, que pode, desta forma, atuar de modo interativo. O que é, claro, parte do espírito colaborativo pretendido.

Numa área em que não considera ter concorrentes e, sim, divulgadores em potencial, a internet se torna um grande campo de expansão para Lucas. “Há sem dúvida mais concorrência entre bandas do que entre blogs”, exemplifica.

A gestão de propriedade intelectual é toda definida por licenças Creative Commons, seja quanto à distribuição, ao uso da obra e à sua maleabilidade enquanto trabalho aberto, adotanto um sistema de livre manipulação sem fins lucrativos. Há uma razão para tanto: “A possibilidade da minha obra poder agregar outras visões e manifestações em relação a ela e a possibilidade de se criar uma pequena, mas infinita, cadeia criativa musical e de pensamento. E também o fato dela poder ser ouvida por mais pessoas”, como Lucas explica.

Parece claro que as novas tecnologias foram fundamentais para o surgimento do Diginóis e que, sem elas, não haveria as possibilidades hoje existentes de interação e colaboração do seu público. Mas estas mesmas tecnologias, é claro, podem se tornar um empecilho em outro sentido, graças à dificuldade ainda existente de acesso a elas no Brasil. “Tenho batido nessa tecla em todos os seminários e debates de que tenho participado”, afirma Santtana, que aponta: “Enquanto não tivermos um acesso em banda larga maciço da população, será mais difícil se criar nichos com poder de modelos de negócios. Qualquer banda gringa desconhecida no MySpace tem, no mínimo, o mesmo número de visitas que a banda ou artista de maior visibilidade no momento aqui no Brasil. Isso é uma prova de que ainda há um grave problema de acesso”.

Mesmo com todas as dificuldades, o saldo é positivo para o Diginóis, que consegue ser auto-sustentável, graças à venda de CDs (que garante a hospedagem do portal) e de shows (segundo Santtana, um show pode manter o site ativo por um ano inteiro). Isso não quer dizer que ele tenha um balanço definitivo de lucros ou prejuízos que já tenha tido com o site: por não ser uma empresa jurídicamente constituída, estes números são esparsos. O que há de concreto são os dados estatísticos do Diginóis, como, por exemplo, os mais de dez mil downloads de faixas (tanto abertas como do seu último álbum) no último ano. Mas Lucas sabe de seus dados financeiros é no lugar onde eles pesam: no próprio bolso. Ele afirma que sua renda é, no mínimo, majoritária em relação aos produtos divulgados pelo Diginóis – sendo que, por vezes, esta renda chega a ser mesmo integral. Nada mal para quem está comemorando apenas um ano de existência virtual.

E quanto aos anos que virão? O objetivo de Lucas Santtana é aumentar e consolidar o público do Diginóis, ampliando o alcance dos Diginews (sem se utilizar de mailings alheios, faz questão de frisar). Com isso, visa confirmar o site como seu netlabel, acrescentando cada vez mais trabalhos seus, tanto solo quanto com parcerias, e ampliando a gama informativa de seu blog (que é parte integrante da home do portal). Enfim, se preparando para o desafio da tão falada Web 2.0: “Quando for colocar o próximo CD, farei mudanças na estrutura do site. Colocarei também músicas em projetos de parceiros nos quais me envolvi, farei um teste na venda de camisetas e outros produtos que forem aparecendo. Já pensei também em começar a escrever para algum portal maior e, assim, fazer disto um link para o Diginóis; colocar RSS, outras novidades tecnológicas que possam facilitar a navegação. Fazer o Diginóis virar bilíngüe também acho fundamental. Como disse esse mundo da Web 2.0 muda rápido, então vou ficar atento e ir vendo o que vai interessando ao Diginóis”, detalha o autor, que não vê riscos nesta planejada expansão.

Apesar de não acreditar que exista pioneirismo no site, Lucas avalia que seu conteúdo atual é único. Por exemplo, o fato de tudo se concentrar na página inicial é um diferencial ao portal da maioria dos artistas. Além disso, a clareza do processo colaborativo, com a colocação de faixas, faixas abertas e remixes em seqüência direta, demonstra inclusive os princípios pelos quais o Diginóis é regido. Além de ser claramente diferente, em termos de conteúdo, do que existe em relação ao mercadão comercial estabelecido. Lucas cita, por exemplo, uma entrevista com a socióloga e professora da UFRJ Anna Jaguaribe, autora de um texto redigido para a Unesco sobre Indústrias Criativas, e também uma notícia sobre a criação, no Reino Unido, de um ministério para tais indústrias. “O mundo já começa a perceber no termo “indústria cultural” uma idéia ultrapassada. Se os negócios conseguirem caminhar com o mundo aberto, a indústria sofrerá grandes transformações. Aliás, vide o que a indústria fonográfica e cinematográfica já estão sofrendo”, aponta o músico.

Mas é, afinal, aniversário do Diginóis. O aprendizado virtual até aqui, como é este contexto? “De um novo mundo e novas maneiras de fazer circular a cultura e bens simbólicos. De poder estar fazendo parte de uma mudança significativa na história da humanidade, mesmo que de maneira bem tímida. De poder estar me comunicando cada vez mais com o mundo todo sem precisar sair de casa”, diz Lucas. “Mas repito que, para mim, tudo está bem no começo e não tenho idéia do quanto isso irá se modificar e crescer. Mas quero estar preparado quando isso ocorrer. Não tenho recomendações, cada historia é uma história”, faz questão de acrescentar, sem esquecer, no entanto, de um belo conselho para quem está desbravando, como ele, esta maravilhoso mundo novo na internet: “Divirtam-se”.

E diversão, claro, não poderia faltar para quem quer comemorar este ano de conquistas de Lucas Santtana. Quem está no Rio pode conferir, neste 17 de maio, a festança de Lucas e a Seleção Natural lá no Cinemateque, que fica na Voluntários da Pátria, 52, em Botafogo. Começa às onze da noite e não tem hora pra terminar. Afinal, é uma festa. E esperamos que se repita por muitos 17 de maios futuros.

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ronaldo lemos
 

Demorou para ter um artigo sobre o Lucas aqui no Overmundo. Recomendo a audição de tudo do Diginóis e recomendo também prestar atenção na experiência dele. Valeu Delfin!

ronaldo lemos · Rio de Janeiro, RJ 16/5/2007 08:36
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andre stangl
 

Ótimo texto Delfin, só faltou dizer q o Lucas tb já está por aqui no Overmundo. Vide o texto: Planalto, planilhas, plataformas e palafitas. abçs

andre stangl · São Paulo, SP 17/5/2007 20:01
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Hermano Vianna
 

tô chegando da festa: foi muito boa! parabéns pelo aniversário do diginois!

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 18/5/2007 02:25
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Erika Morais
 

Excelente texto!
Sou suspeita para falar, fã do Lucas. De sua música e de sua pessoa (depois desse texto, só confirmei).
Vida longa ao Diginóis.

Erika Morais · São Paulo, SP 18/5/2007 12:07
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Erika Morais
 

Ah! Que a festa venha para SP!

Erika Morais · São Paulo, SP 18/5/2007 12:07
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Lia Amancio
 

Contem mais sobre a festa, resenha do show, etc! Queria muito ter ido, mas meia noite eu já estava no sétimo sono!! Tá ficando difícil acompanhar o movimento noturno nessa cidade...

Lia Amancio · Rio de Janeiro, RJ 18/5/2007 12:40
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Delfin
 

Ah, sim, que venha pra Sampa! Afinal, tá difícil eu reaparecer no Rio neste momento -- Sampa me movimenta atualmente :)

Delfin · São Paulo, SP 18/5/2007 13:13
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diginois.com.br
 

Ola amigos, obrigado por toda essa gentileza em relacao ao diginois. realmente o que falei de ser uma "experiencia publica" eh o que mais tem me interessado. A festa ontem foi muito bacana, antes do show o Dj Chico Dub colocou uma sequencia incrivel de hibridos de afrobeat-dudstep-hip hop-ska-etc. Só pérolas!
Em Sao Paulo a comemoracao ja esta marcada. Sera dia 09/06 sabado no Studio Sp. Aparecam!

diginois.com.br · Rio de Janeiro, RJ 18/5/2007 18:48
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diginois.com.br
 

So um esclarecimento. quando falei do orkut queria dizer que a maioria dos acessos ao diginois vem de la, nao necessariamente da minha comunidade mas do site como um todo. No verao passei um mes no meu Candomble na Bahia e nesses 13 anos que frequento nunca havia se falado de internet por la. Esse ano o assunto jogos online e orkut via lan house era muito frequente...obrigado Delfin!

diginois.com.br · Rio de Janeiro, RJ 18/5/2007 18:52
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Alexandre Inagaki
 

Ótima matéria! E espero encontrá-los dia 9 de junho no Studio SP. :D

Alexandre Inagaki · São Paulo, SP 19/5/2007 14:54
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Alexandre
 

Realmente o Lucas é um artista a frente do nosso tempo e tem sido um dos sons que mais tenho ouvido ultimamente. Essa mistura que ele faz de elementos universais com regionais é coisa de quem pensa grande.
Parabéns Lucas

Ps.: quando é que vai ter festa em Salvador tb?!?!?!?!?!?!

Alexandre "Loro" · Salvador, BA 20/5/2007 11:32
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diginois.com.br
 

obrigado Alexandre! tem um papo rolando de show na concha agora no segundo semestre. to aguardando confirmacao.tomara que role!!!
abs!

diginois.com.br · Rio de Janeiro, RJ 21/5/2007 14:14
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Alexandre
 

Massa!!!

Alexandre "Loro" · Salvador, BA 21/5/2007 14:45
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Marcelo Birck
 

Grande Lucas Santana, sou leitor assíduo do Diginóis.

Marcelo Birck · Porto Alegre, RS 26/5/2007 19:55
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chicodub
 

esse cara é fera!

chicodub · Rio de Janeiro, RJ 7/6/2007 15:58
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