Direção de arte: a diferença que você vê

(fotograma do filme, material de divulgação)
Metropolis, de Fritz Lang, 1927: trabalho visual primoroso
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DaniCast · São Paulo, SP
9/7/2007 · 419 · 42
 

A melhor definição do que é a direção de arte em cinema eu escutei da cineasta Lina Chamie: “tudo que você vê na tela, enquadrado pela câmera, é direção de arte.”

O diretor de arte é uma espécie de “maestro visual”: ele coordena, afina e harmoniza os elementos visuais que compõe a cena, que será iluminada e fotografada para um filme ou para a TV. Sua orquestra é composta de cenógrafos, cenotécnicos, pintores, figurinistas, maquiadores, cabelereiros, produtores de objetos, técnicos de efeitos especiais e mais recentemente, especialistas em computação gráfica. A equipe sob sua responsabilidade é como uma orquestra: cada um dos membros precisa estar afinado, precisa conhecer a partitura, precisa executar corretamente e inspiradamente a sua parte para que o conjunto da obra seja belo e harmonioso.

Realizar a direção de arte de um filme é tarefa complexa que envolve pesquisa, cálculo de custos, gerenciamento de pessoas, além de um profundo conhecimento sobre história da arte, técnicas de construção de cenário, criação 3D em computador, iluminação, fotografia.

O diretor de arte precisa se relacionar com os outros departamentos do filme, especialmente com o diretor de fotografia e o coordenador da produção. Na TV o trabalho é um pouco diferente do cinema, porque geralmente as pessoas têm contrato fixo e um departamento onde se armazena o material de cena, chamado contra-regra, mas a lógica do trabalho permanece a mesma do cinema. É fácil identificar visualmente uma novela, por exemplo, que possui boa direção de arte de uma que não tem. A boa direção de arte faz com que novelas de época, por exemplo, tenham todos os elementos visuais harmoniosos e dentro da época retratada, sem misturas.

A direção de arte não foi sempre assim. No início do cinema, o que se via na tela era uma transposição das técnicas teatrais de cenotécnica, maquiagem e figurino. O cinema dos primórdios, da década de 1910 a 1920, era teatral, a composição visual ainda se apoiava na pintura e na fotografia. Quando assistimos Metrópolis de Fritz Lang ou o Encouraçado Potemkin de Eisenstein a impressão que temos é de uma grande ópera filmada ou de quadros numa exposição, com cenários grandiosos em longos planos abertos, cada um dos planos estudado como se fosse uma pintura. O cinema ainda engatinhava, descobria através do experimentalismo como criar uma linguagem própria.

A técnica influenciou muito nesse processo, as câmeras não possuíam mobilidade, o filme tinha limitações. As primeiras atrizes do cinema mudo usavam maquiagem amarela para aumentar o contraste com os olhos, o filme, de pouca sensibilidade à luz, deixava a pele humana cinza.

Com a evolução dos equipamentos e com o desenvolvimento de uma linguagem cinematográfica, surgiu a necessidade de mais profissionais especialistas em criar elementos visuais para o olhar da câmera. O aumento da equipe fez com que fosse criada a figura do diretor de arte.

Na década de 40, os estúdios americanos trabalhavam como grandes indústrias cinematográficas, com vários filmes sendo produzidos ao mesmo tempo. O fator técnico decisivo para a logística da filmagem era o technicolor, que exigia uma câmera grande que trabalhava com quatro chassis de filme ao mesmo tempo, fixada em gruas ou travellings para poder ser movimentada, operada por até 6 pessoas. A falta de mobilidade exigia o máximo controle de condições climáticas e de iluminação. Tudo se construía em estúdio, mesmo as ruas externas onde Gene Kelly dançou na chuva, tudo era iluminado artificialmente.

O technicolor, pela forma como produzia o filme colorido, exigia que se usassem cores fortes e contrastantes nos figurinos e cenários. O trabalho da direção de arte era limitado ao conjunto de regras do technicolor, não se usavam cores pastéis, não se usavam semitons.

A Nouvelle Vague veio resgatar o ar livre, produzindo filmes em preto e branco com câmeras leves em ambiente externo. O realismo italiano valorizou o homem, o ambiente humano retratado como ele é. O cinema começou a ter variedade de linguagens e estilos.

Hollywood seguiu com sua vocação industrial e continuou produzindo, os atores e atrizes se transformam em ídolos e mitos. Walt Disney começa a produzir animações na década de 50. A Cinecittá italiana começa a produzir também em escala industrial, com seus estúdios-cidade. E o diretor de arte ganha mais espaço para trabalhar.

A partir da década de 1970 direção de arte passou a ser um conceito muito mais sofisticado. Um dos grandes cineastas que transformou o trabalho do diretor de arte foi Stanley Kubrick, o outro foi Frederico Fellini.

Kubrick, fotógrafo e perfeccionista, transformava cada um de seus filmes em obras de arte visuais. Em 1974, realiza Barry Lyndon e dá condições a suas duas diretoras de arte para que realizem um filme de época de uma forma que não havia ainda sido feita. A direção de arte faz uma extensa pesquisa sobre as roupas da época, as perucas, a maquiagem. Kubrick autoriza sua equipe a comprar roupas em leilões, peças originais da época de Barry Lyndon. Cada plano é produzido como pintura, mas não qualquer pintura, como as pinturas da época em que o filme se passa. Kubrick manda fabricar uma câmera especial para filmar à luz de velas. O resultado é um filme lento, com ambientes irretocávies, iluminado apenas com luz natural e velas, onde cada personagem está perfeitamente caracterizado como se vestia na época, onde cada cenário e locação foi preparado para dar a impressão ao espectador que voltou no tempo, que o que está assistindo é uma reconstituição perfeita.

Fellini era um dos cineastas mais criativos de todos os tempos, surrealista e humanista. Fellini criou uma galeria de personagens bizarros e cenários de sonhos. A Cinecittá, em pleno auge, foi seu ambiente. Seus filmes tem uma linguagem visual muito particular, que mistura reconstruções de lugares reais em estúdio – como a réplica da Fontana di Trevi, que aparece em Oito e Meio – com cenários evidentemente artificiais, como o oceano de plástico e o fundo pintado de La Nave Va.

Outro cineasta que permitiu inovação foi George Lucas com seus filmes de ficção científica. Lucas faz o primeiro Star Wars com a técnica desenvolvida pelos estúdios Disney para criar cenários realistas: placas de vidro pintadas onde os personagens são depois “colados” na montagem do filme. As técnicas de montagem ainda eram as mesmas desde a década de 20. Descontente com o resultado, Lucas abriu a Industrial Light and Magic. A direção de arte ganhou um novo departamento: a computação gráfica.

Apesar de toda a tecnologia atual e das quase infinitivas possibilidades de produção, o princípio criativo do diretor de arte permanece o mesmo: transformar em realidade o que o diretor e os roteiristas do filme imaginaram. Construir mundos de sonhos, seja no mundo real em estúdio, seja
no computador. Um filme sem direção de arte pode ser um bom filme; um filme com boa direção de arte será sempre um filme melhor.

Daniela Castilho é diretora de arte, artista plástica e designer
Artigo originalmente publicado na Gazeta Mercantil em 30 de junho de 2006 no Caderno Fim de Semana, página 04

Nota: Esse texto pode ser republicado e distribuído livremente, para fins-não comerciais, desde que seja dado o crédito ao autor.

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Ilhandarilha
 

Daniela, Seu texto está bem claro e conciso. Posso usa-lo nas minhas oficinas? Um abraço!
Em tempo: como sugestão, já que vc entende do riscado, por que vc não faz alguma resenha crítica sobre a direção de arte de algum filme brasileiro? Adoraria ver uma análise da direção de arte de Cheiro do Ralo, por exemplo, que achei muito boa.
Abraços

Ilhandarilha · Vitória, ES 6/7/2007 13:33
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DaniCast
 

Adicionei essa edição do "modo de usar" só porque você perguntou :)

DaniCast · São Paulo, SP 7/7/2007 16:49
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Verdadeira aula!
Excelente texto. Aprendi muito. Obrigado

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 8/7/2007 19:46
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Aldo Votto
 

Cara Daniela,
Que legal. Gostamos da arte em primeiro lugar pela sensação que ela nos produz ou relembra, mas como se pode saborear mais quando se conhece um pouco dos conceitos de criação...
Valeu.
Abraço,
Aldo

Aldo Votto · Florianópolis, SC 9/7/2007 17:36
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querida Dani:
Se fosse um filme, o seu texto certamente teria uma excelente direção de arte. Mas há uma coisa que eu não entendi:
Você diz que “tudo que você vê na tela, enquadrado pela câmera, é direção de arte.” esta é a melhor definição que conhece de "Direção de Arte". Mas admite a existência de um bom filme "sem direção de arte". Não seria isto um contrasenso? Ou você quis dizer "sem uma específica direção de arte"?
Mais ainda, você fala em "Direção de Arte" e cita apenas Diretores de Cinema (Fellini, Kubrick, Lucas). A gente fica sem saber nem o nome nem a fama dos "bons diretores de arte"´(além de você, é claro!), que, afinal, como bem ressalta, não é pra qualquer idiota pois "Realizar a direção de arte de um filme é tarefa complexa que envolve pesquisa, cálculo de custos, gerenciamento de pessoas, além de um profundo conhecimento sobre história da arte, técnicas de construção de cenário, criação 3D em computador, iluminação, fotografia" enfim, muita coisa né não?
Outra observação que vou me permitir fazer, embora já tenha passado a fase de edição (espero que não a tome como pura implicância) é que, para mim "Fellini foi um dos cineastas mais criativos de todos os tempos" e não "Fellini era um dos cineastas mais criativos de todos os tempos".
Por fim, gostaria que nos contasse, num próximo artigo, como você se tornou "Diretora de Arte".
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 10/7/2007 15:18
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DaniCast
 

Oi querido Joca, vamos às suas perguntas:

1. A frase é da cineasta Lina Chamie, não minha. Achei lindo ela dizer isso, é um elogio inestimável de uma grande cineasta ao trabalho tão complexo do diretor de arte. Acredito que ela quis, com essa frase, ressaltar a importância do profissional de direção de arte e não estabelecer uma definição metodológica do trabalho do diretor de arte.

2. Sim, existem filmes sem diretores de arte. Assista um filme sem diretor de arte e um com diretor de arte e perceba a diferença ;-)

3. Cito os diretores dos filmes porque eles são os nomes conhecidos. Se quiser ver a ficha técnica completa com todos os diretores de arte de cada filme de cada cineasta, o melhor site para isso é o IMDB. Fellini, por exemplo, trabalhou com muitos diretores de arte, nem sempre os mesmos em cada filme. Acredito que o mais conhecido e que trabalhou com ele seja Nazzareno Piana, pois é o que aparece em mais filmes. As pessoas não conhecem Nazzareno Piana, mas conhecem Fellini, então achei metodológicamente mais adequado citar Fellini e não Nazzareno Piana, para que as pessoas saibam que diretores como Fellini e muitos outros têm diretores de arte. Mas nenhum bom diretor trabalha sem eles. Kubrick trabalhou muito com Roy Walker, Roy Walker até escreveu um livro sobre isso, que pode ser encontrado na Amazon.

4. Sim, diretores de arte precisam saber muitas coisas. Quanto mais, melhor. Entretanto, como a especialização vem aumentando, existem hoje equipes de diretores de arte nos filmes brasileiros e diretores de arte especializados, por exemplo, o diretor de arte de set é especializado em cenotécnica, figurino, maquiagem, etc; o diretor de arte de efeitos visuais é especializado em efeitos visuais e computação gráfica. Agora, quanto mais um profissional puder conhecer das diferentes facetas da profissão, melhor, porque isso fará com que ele tenha mais trabalho.

5. Quanto ao verbo, achei que estava correto, pois esse artigo já tem um ano e foi publicado na Gazeta (o revisor não viu? Meu domínio da língua tem lá suas limitações). Para mim Fellini não "foi", conceitualmente falando, porque ele não deixou de ser, infelizmente, o tempo dele no planeta acabou e ele nos deixou. Ele "era" brilhante (quando vivo) e seus filmes continuam sendo brilhantes. O erro, que só vi agora e vou consertar, ao menos no meu blog, é que a frase talvez deveria ser "Fellini era um dos cineastas mais criativos de seu tempo". Não tenho certeza se era isso que eu queria dizer, porque esse artigo é antigo mas como é o mais lido no meu site, quis partilhá-lo também aqui no Overmundo.

Ah, eu só conto como me tornei diretora de arte nas aulas. A história é curiosa e engraçada, mas não é bonita nem glamurosa, então guardo para meus alunos ;-)

DaniCast · São Paulo, SP 10/7/2007 16:20
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querida Dani:
Obrigado pela atenci(e substanci)osa resposta!
beijinhos
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
PS Sobre Fellini (foi ou era) acho que você matou a pau!
PPS Não posso concordar com a sua alegada falta de familiaridade com a nossa língua. Não seria excesso de modéstia?
PPPS Sobre o "Como me tornei diretora de arte" conta só pra mim, então, vá. Faz de conta que sou seu aluno(jocaoeiras@hotmail.com).
PPPS Mais beijos, e alguns abraços

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 10/7/2007 16:35
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Marcelo V.
 

Prefiro filmar em estúdio do que em locação; sou fascinado pelos cenários.

Marcelo V. · São Paulo, SP 11/7/2007 12:30
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Agora fiquei curioso!Ó Dani conta pra mim tb! Quero ser seu aluno.Risos.
Sei a importância de um diretor de arte, pois fiz dos trabalhos em audiovisual e pude perceber a riqueza que é o trabalho desse profissional. Ainda que, no meu caso, a dupla de diretores de arte tenha feito o trabalho no tateamento das estréias e na emoção de lidar com o novo.
Conta aí, vai? Meu msn é: cavalheiro2000@hotmail.com
Abraços

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 11/7/2007 18:53
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Inês Nin
 

Dani, adorei o texto. no decorrer dele lembrei de uma coisa que li no site do Céu de Suely, não lembro se foi o diretor de arte que escreveu ou se o Karim citando ele: que lá fora existe um cargo chamado designer de produção (e é mesmo só reparar nos créditos) que na verdade projeta toda a concepção visual do filme, inclusive os próprios créditos, cartaz, tudo. e é interessante notar como as cores no Céu de Suely são tão marcantes, e o título escrito naquelas cores berrantes.. certamente tem muito mais que ainda desconheço. tenho trabalhado como assistente de arte tem um tempinho, e cada vez me interesso mais pela coisa.

por fim, Marcelo, locação também tem direção de arte! hehe. inclusive, adoro reparar nas casas das pessoas e seus hábitos, é gostoso ir pensando na construção dos personagens também a partir de seus objetos, em que ambiente vive, etc.



Inês Nin · Rio de Janeiro, RJ 12/7/2007 01:09
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Daniella Hinch
 

Olá Dani (minha chará)

Adorei seu texto, muito bem explicado...bem instrutivo. Parabéns!!!!
Sou Produtora e trabalho com publicidade, na publicidade é a produção que acaba fazendo tudo isso. Tanto que no meu 1º trabalho c/ cinema estranhei muito, me achei limitada(hahaha) adoro participar de toda essa parte que envolve tudo que você vê na tela.
Mas fiquei curiosa também, tanta ênfase. Como se tornou Diretora de Arte ? hehehe

Abraço

Daniella Hinch · Aracaju, SE 12/7/2007 07:18
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DaniCast
 

Existe muita confusão no Brasil sobre o que é o designer de produção porque essa função não existe aqui. Aqui existe diretor de arte e coordenador de produção, com funções bem distintas.

O designer de produção é o nome anterior da função e ocupava duas funções:
- criar visuais para o filme
- montar a produção dessa parte visual

É trabalho demais para uma pessoa só, dependendo do tamanho do filme e o cargo se dividiu em dois e as tarefas foram divididas.

Dependendo do tamanho do filme, um filme pode ter 2, 3, 5 diretores de arte. O crédito em filme tornou-se maleável e também depende do tamanho da produção e da função desempenhada.

No Brasil o cargo ainda é confuso e pequenos filmes não contratam pessoas especializadas para fazer direção de arte. Mas aí, você vai ver o filme e fica óbvio que não existiu direção de arte.

DaniCast · São Paulo, SP 12/7/2007 18:51
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DaniCast
 

Ah, outra observação: o material de divulgação de um filme não é feito pela equipe que trabalhou no filme (poster, cartaz, etc) é feito pela equipe de marketing das distribuidoras.
Novamente, isso depende do tamanho e do orçamento do filme. Filmes muito pequenos tem equipes menores com acúmulo de função.

DaniCast · São Paulo, SP 12/7/2007 18:54
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

A curiosidade tá me matando. Mas a Dani nem deu muita bola pra quem quis saber da hitória de como ela se tornou diretora de arte...rsrsrsrrsrs
Vou continuar visitando o artigo para aprender sempre.

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 13/7/2007 10:02
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crispinga
 

Dani talentosa,
Mulher, que aula de "bastidores'" de uma produção cinematográfica!Já está arquivada a matéria!
Bjs
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 13/7/2007 13:40
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capileh charbel
 

muito bom mesmo, parabens.

capileh charbel · São Paulo, SP 13/7/2007 14:02
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André Gonçalves
 

excelente texto.

André Gonçalves · Teresina, PI 13/7/2007 14:40
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Clecinho
 

Belo texto!
Entretanto, me preocupo com algo: " ´tudo que você vê na tela, enquadrado pela câmera, é direção de arte' (...) O diretor de arte é uma espécie de “maestro visual”: ele coordena, afina e harmoniza os elementos visuais que compõe a cena, (...) Sua orquestra é composta de cenógrafos, cenotécnicos, pintores, figurinistas, maquiadores, cabelereiros, produtores de objetos, técnicos de efeitos especiais e mais recentemente, especialistas em computação gráfica".
E os atores? Onde entram nessa história? Não serão eles parte de tudo que se vê na tela?

Clecinho · Belo Horizonte, MG 13/7/2007 15:07
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DaniCast
 

Ô gente, eu deixo pra contar essa história para os meus alunos. É uma história banal, não tem glamour. Não tem aquelas coisas bonitas que depois eu vou mandar por na minha biogrqafia oficial (rs) tipo "Dani desde criancinha quis ser diretora de arte" (rsrs) ;-)

DaniCast · São Paulo, SP 13/7/2007 15:07
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stefano ferreira
 

Olha Dani,
Você deu uma aula de direção de arte com um texto super gostoso de ler.
Parabéns!

stefano ferreira · Oeiras, PI 13/7/2007 15:07
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DaniCast
 

Clecinho:
Atores, até onde eu sei, não são "objetos de cena", logo, não são da competência do diretor de arte ;-)
Atores são da competência do diretor de cena ou seja, do diretor do filme.
Você queria uma correção do tipo "tudo que você vê na tela - menos os atores - são direção de arte"? Acho que isso é meio óbvio e acho que a Lina Chamie sabe disso muito bem (a frase é dela).

DaniCast · São Paulo, SP 13/7/2007 15:10
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Clecinho
 

Muito precisa!
Se o que ator faz não é arte e não está intimamente ligado a "tudo que se vê na tela" de modo se se realize no todo da arte, então... não se precisa mais de ator. Talvez nem de cinema.
E, com respeito, a oração "objeto de cena" não aparece no texto.
Satisfeito por seu rápido retorno!

Clecinho · Belo Horizonte, MG 13/7/2007 15:17
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Roberta Tum
 

Daniela, vc arrasou! Adorei, texto simples e fácil,
super didático e cheio de referências.
parabéns!

Roberta Tum · Palmas, TO 13/7/2007 15:19
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Clecinho
 

... eu que dizer: de modo que se realize no ...

Clecinho · Belo Horizonte, MG 13/7/2007 15:19
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DaniCast
 

Clecinho: não vou discutir isso. Não tem nada a ver com o texto.
O texto é sobre direção de arte, não direção de atores.
Curioso, esse texto tem sido publicado há mais de um ano e a única pessoa que fez essa reclamação foi você. Ninguém mais achou que o fato dos atores não serem citados significava, automaticamente, que atores não são necessários. Curiosa interpretação de texto, a sua...

DaniCast · São Paulo, SP 13/7/2007 15:49
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Clecinho
 

Ah.. sim.
Mesmo assim muito obrigado e sucesso!

Clecinho · Belo Horizonte, MG 13/7/2007 16:00
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Adroaldo Bauer
 

Dani,
Gosto muito de cinema no cinema, vejo muito cinema na televisão, que reduz dramaticamente impactos planejados para a tela grande, aprecio sobremaneira Kubrick.

Achava, até há pouquinho, que só eu tinha visto e gostado de Barry Lindon tal o silêncio em torno daquela preciosa fita, agora maravilhosamente explicada por ti. Gosto dela mais ainda, porque a entendi melhor após a leitura desse teu postado.
Uso até hoje a expressão de Lyndon na mesa de chá:

- Senhora, toma-se uma carrugem, bebe-se chá!

E vens me dizer, amiguinha, que não te dás muito bem com as letras.
O texto flui, é veloz, informativo e diz de tudo que fala muito bem.
Tive gosto.
Agradecido.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 13/7/2007 22:46
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DaniCast
 

Fico lisonjeada e muito honrada, meu caro Adroaldo. Tenho lido suas colaborações e o seu elogio me deixa muito contente :)

DaniCast · São Paulo, SP 14/7/2007 00:04
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Spírito Santo
 

Arrasou, Dani!
Não sabia que você era deste ramo e fiquei contente porque adoro o assunto. Tive até uma experiência engraçada neste ramo que conto aqui pra você e todo mundo porque cabe no contexto. Trabalhei com cinema num curto espaço de tempo. Fazia trilhas sonoras (fiz, com o grupo musical que dirigia na época, a trilha do Chico Rey do W.Lima, junto com o W.Tiso) e, neste mesmo filme, o Walter me solicitou que produzisse uma cena com congadeiros do interior de Minas Gerais. O filme passou por problemas graves de produção e, na hora de filmar os congadeiros, não havia direção de arte disponível. Tive que eu mesmo vestir as pessoas usando critérios que me vieram na cabeça, muito semelhantes aos que você narra no seu artigo. Recorri às minhas pesquisas e me baseei em gravuras do Debret e do Rugendas, recuando um pouco, no tempo (a história era no século 18). recorri também aos métodos de 'customização' que os índios pele-vermelhas usavam (jaquetas e chapéus da sétima cavalaria com penas, etc.), misturando coisas. Me lembrei também do figurino do filme 'Queimada', do Gilo Petecorvo, lembra? Acabou dando super certo e o resultado está lá, na cena final (até eu estou lá, entre os congadeiros, dançando com uma marimba). Velhos tempos!

Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 14/7/2007 18:45
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DaniCast
 

Ah, adorei a história! Nossa, meu pai trabalhou com o W. Tiso, que coincidência bonita. E eu conheço o Walter Lima, claro, das andanças aqui em SP. Nunca assisti o Chico Rei (é um inferno de dificuldade achar filme brasileiro pra assistir, precisamos todos melhorar isso) mas eu quero ver, especialmente agora com essa história linda. A cena deve ter ficado muito bonita, ainda mais com a fotografia do Mário Carneiro, que é maravilhosa.

DaniCast · São Paulo, SP 15/7/2007 14:17
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Spírito Santo
 

É mesmo, Dani,

O making off não realizado do Chico Rei é uma saga digna de outro filme. Precisamos conversar com o Walter sobre isto. Não sei se ele escreveu sobre resta saga. Valia a pena. Tem detalhes que ele nem viu mas que foram emocionantes. Depois te conto.

Grande abraço

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 15/7/2007 16:46
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LAILTON ARAÚJO
 


DANI...

Viva o cinema! Viva a organização de cores e a estrela maior: a luz.

Prometi que nunca mais entraria neste tal de “Overmundo”. Não sou crítico! Pouco sei onde está o caminho de casa ou da roça. Porém - vi que um dos patrocinadores do citado “Overmundo” é a PETROBRAS - empresa que tenho pouca simpatia. Voltei com mais força... Tentando escrever...

Procurei vários textos (alguns acima da média; outros excelentes) para ler, e descobri este: “Direção de arte: a diferença que você vê”.

Lendo e relendo “Direção de arte: a diferença que você vê” - percebi que a arte cinematográfica (de poucos) pode ser executada pela sensibilidade de qualquer lunático. Frederico Fellini era um deles: monstro na arte de ousar... A autora “Dani Cast” dá uma verdadeira aula de cinema e mostra as nuances das escolas tradicionais e contemporâneas da sétima arte. A luz talvez não esteja no cinema: está na escrita e visão da autora do texto. É uma escritora iluminada...

Quando morava no Sertão de Pernambuco (Sertânia), a fonte de informação (e iluminação) do “mundo de fora” era o cinema: Cine Emoir (francês). Sua tela gigante e som monstruoso arrebentavam nossos tímpanos, escondendo as vozes (sem dublagem) de Sofia Loren, Brigitte Bardod e outras musas. A beleza dessas mulheres despertava sonhos eróticos nos meninos de 12 anos ou marmanjos cinéfilos. Os filmes: Vigilante Rodoviário (conheci por telefone o ator: Carlos), Zorro, os enlatados americanos e italianos eram “doces”, embalados pela ditadura do Presidente Medici. O ano: 1968... Talvez 1969! Ainda ouvia-se o som “The Beathes” nos autos falantes daquela pequena cidade.

DaniCast traz de volta a infância de um migrante e o mundo da época... Tempos bons! Carlitos: saudades!

Parabéns!

Luz, câmera, ação! Continue escrevendo!


OBS. Há 17 anos, participei (da trilha sonora) do filme “São Paulo, SP” - Holanda. É um filme interessante... Dê uma olhada... Não é spam... Segue abaixo o link:...

http://mostra.locaweb.com.br/30/exib_filme_arquivo.php?ano=14&filme=981

LAILTON ARAÚJO · São Paulo, SP 21/7/2007 19:18
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Remisson Aniceto
 

Oi, Dani.
Muito bom ler sobre um assunto tão interessante, escrito por quem entende. Adorei a matéria e estou voltando para reler. Um abraço, Dani
Que tal passar na fila de votação e ver meu poema "Para ver-te"?

Remisson Aniceto · São Paulo, SP 6/8/2007 13:38
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DaniCast
 

Que bom que gostou.

DaniCast · São Paulo, SP 6/8/2007 13:40
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Darlan
 

Prezada DANI,
esta diferenciação de atividades no Cinema faz com que, para a absoluta maioria dos cinéfilos, 'enquadrar' alguém numa área de atuação prática na feitura de um filme se torne algo difícil, inexato.
Essse texto seu acaba com isso.
***
Quanto a votos, saí há tempos daqui, entre outras coisas, pela excessiva espera para se ver postado. Acabo de receber um convite para votar num texto (eu nem sabia que essa moda existia no OVERMUNDO). Fui lá, não vi o texto solicitado, mas li a tua resposta, e vim visitar-te - do que não me arrependi.

Um abraço.
Darlan M Cunha
http://darlaniano.multiply.com

Darlan · Belo Horizonte, MG 7/8/2007 04:49
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Remisson Aniceto
 

Como vai, Daniela?
Tenho um amigo (Mangol) aficcionado pelo mundo do cinema, a quem mostrei este texto. Ele ficou encantado com as informações, especialmente acerca do grande Kubrick, de quem não perde um filme e chega a assisti-los várias vezes. Portanto, seus textos têm mais um fã. Aguardamos suas contribuições. Até mais.

Remisson Aniceto · São Paulo, SP 7/8/2007 08:14
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lurnelfilho
 

boa tarde dani, gostaria que vc falasse um pouco sobre a direção de arte dentro do cenário atual do cinema brasileiro. Evoluções e fragilidades que exitem no cinema nacional pós - retomada.
Parabéns, o texto é muito bom.

lurnelfilho · Rio de Janeiro, RJ 7/8/2007 15:37
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Jornalista81
 

Daniela, parabéns pelo texto ! Extremamente esclarecedor, gostei de saber sobre a câmera construída especialmente para o Kubrick.
Ontem eu assistí o Homem Elefante, de David Lynch, e reparava justamente na direção de arte, que é um dos pontos fortíssimos do filme.
Mas muitos dos bons filmes modernos as vezes tem um viés. No filme "Colateral" por exemplo, muitos dos cenários do filme já estavam prontos, nenhum diretor de arte colocou a mãe alí, pode se considerar direção de arte pois a visão do diretor foi direcionada, mas não houve intromissão no aspecto do ambiente, assim como em vários outros filmes, muitas vezes a "manipulação" da direção de arte, é substituída por um cenário real, que já estava pronto antes de ser filmado.

Veja meu post com o Torero, um cineasta:
http://www.overmundo.com.br/overblog/torero-e-o-cinema

E tenho um blog que fala sobre curta-metragens.
www.curtablog.blogspot.com

Jornalista81 · Brasília, DF 28/10/2007 11:14
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DaniCast
 

Existe direção de arte mesmo quando se usa locações que já existem. Direção de arte não significa apenas construir coisas, mas escolher coisas que já existem. A sabedoria e o expertise consistem em saber escolher. O que você disse sobre o Colateral não procede. O fato de usarem locação não significa que não exista direção de arte. Direção de arte não é manipulação, é conhecimento.

DaniCast · São Paulo, SP 28/10/2007 20:38
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Cristina Jacó
 

Achei seu texto excelente, e aproveito para acrescentar que o estudo da arte é fundamental para a formação de um bom Diretor. É triste perceber que no universo cinematográfico, nessa poderosa indústria, algumas produções parecem valorizar mais os aspectos do negócio (mercado, vender, atender demanda, exploração oportunista e lucrativa de um ou outro tema...) do que o cuidado artístico com a obra. Fica o alerta: a criação artistica e lucro deveriam ter o mesmo peso! Um filme precisa antes de tudo nos levar a um salto imaginativo.

Cristina Jacó · Goiânia, GO 2/5/2008 17:19
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Diogo Marra
 

Excelente o texto. Eu queria que voce indicasse sites que falam sobre direcao de arte e o endereco do seu blog! Desde ja, muito obrigado.

Diogo Marra · Araguari, MG 5/1/2009 11:21
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Kais Ismail
 

Ops! E nós, os produtores de locação, que servimos diretamente aos diretores de arte, popupando-os de ficarem se matando com cenários em estúdios sufocantes, iremos ser esquecidos?

Precisando de um produtor de locação aqui no sul do Brasil, é só chamar. Sou um dos melhores com garantia : )

Kais Ismail · Porto Alegre, RS 18/3/2009 13:22
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