Direto de Passo Fundo

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Mauro Paz · São Paulo, SP
5/9/2007 · 164 · 3
 

Na última semana, não postei nada, pois estava na 12ª Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo/RS. Fui com a idéia de relatar diariamente os fatos da Jornada, mas infelizmente não consegui ponto de internet para trabalhar. Bem, para pagar a minha “dívida” sobre os fatos da Jornada que não postei, vou fazer um apanhado geral do evento e da minha estada na Capital Nacional da Literatura.
Nunca havia ido à Jornada de Passo Fundo, inclusive, nem sequer conhecia a cidade. Ir ao evento foi uma experiência realmente válida, porque, além de assistir às inúmeras discussões da Jornada, tive a oportunidade de conhecer a verdadeira cara da cidade encoberta pela estrutura do grande evento. Hospedado no apartamento do meu amigo Tiago Tissot, morador da cidade, pude conhecer detalhes da cultura local. Destaco entre os diversos elementos de Passo fundo que tive acesso, a música de Ricardo Pachecol.
Logo na minha chegada, Tissot me falou sobre a gravação do DVD de um músico local que aconteceria na noite de quarta-feira (29/08). Como curioso de carteirinha, eu não poderia deixar de conferir. Tive uma ótima surpresa como o show de Ricardo Pacheco. O músico e sua banda buscam referências na música espano - latina compondo uma linguagem que representa muito bem a ligação do interior do Rio Grande do Sul com o Uruguai, Argentina e Paraguai. (Algumas das músicas do artista podem ser conferidas em http://www.garagemmp3.com.br/ricardo-pacheco ).
Sendo a Jornada composta por diversas ações simultâneas não consegui acompanhar todas. Detive-me mais às atividades da lona central, das quais destaco a participação do escritor Ferréz (Capão Pecado, 2000). Destoando dos palestrantes dos demais dias, o autor do Capão Redondo relatou sobre sua trajetória, que parte de uma das mais miseráveis favelas do Brasil para constituição de uma literatura marginal autêntica, que utiliza a língua da periferia brasileira.
Durante todos os dias da Jornada, em meio a pensadores brasileiros e gringos, permaneci sempre com uma pulga atrás da orelha perante as suas exposições sobre a leitura e literatura. Mesmo sendo um apaixonado pelos livros, reconheço que a literatura distanciou-se muito da cultura popular no decorrer do século XX. Assim, uma pergunta constante em minha cabeça é “De que vale escrever num país de não-leitores?”. A experiência de Ferréz, que vendeu quarenta mil exemplares apresentando uma linguagem condizente com a realidade da maioria dos brasileiros, me fez perceber que é possível atingir públicos de não-leitores com boa literatura.
Cada vez mais creio que a literatura, assim como a utilização da língua portuguesa em geral, deve ser desmistificada. A língua e a arte devem servir aos homens, circularem livremente entre eles, e não manterem-se distantes em pedestais criados por elitizados acadêmicos que fazem da sua imaginária posse instrumento de dominação.
De exemplos como o da arte de Ricardo Pacheco e de Ferréz trago de Passo Fundo a certeza de que, mesmo em meio a um mundo globalizado, a fundamental peça para se fazer boa arte é o respeito pelo regional. Já diria Guimarães Rosa: “o sertão é o mundo”.

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Helena Aragão
 

Legal, Mauro. Bárbaro você vir contar por aqui o que achou. É interessante ter várias visões do mesmo evento, já pensou se vários participantes da jornada passarem aqui para deixar suas impressões? Se não houve vários, houve essa cobertura bem legal do Guilherme, que é de Passo Fundo mesmo. Parabéns para vocês do RS, o evento parece mesmo deslumbrante!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 4/9/2007 14:34
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Egeu Laus
 

Prezado Mauro,
Fale mais dessa jornada e tb do ambiente literário aí pelo Sul.

Realmente, a questão da ampliação do universo de leitores vai precisar ser encarada em algum momento. Tem coisas que eu não consigo entender: como é que pode, num país com quase 200 milhões de habitantes, e num universo de mais ou menos 70 milhões de alunos e professores, os livros terem uma tiragem de 2, 3 mil exemplares. Algo está errado.
Quem tem debatido muito o assunto é o escritor Alcione Araujo que por sinal, esteve em Passo Fundo na Jornada.

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 5/9/2007 12:31
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Egeu Laus
 

Aliás, Mauro, uma das ações efetivas pra mudar isso é a Campanha Tarifa Livro que popõe uma tarifa especial reduzida pra o envio de livros pelo Correio. Já é um começo...

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 5/9/2007 13:04
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