Do pio de ave ao piano de Nazareth

www.bn.br/ Direitos Reservados
Ernesto Nazareth: obra mais perto da internet graças a pessoas como Alexandre
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Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ
20/4/2007 · 210 · 12
 

A música norteia a vida do brasiliense Alexandre Dias. Aos 23 anos, sua rotina se divide em duas partes: uma ampla pesquisa, informal e pessoal, sobre a obra de Ernesto Nazareth (1863-1934), e o mestrado em Biologia Animal, onde estuda o canto das aves (“Uma maneira de juntar o ouvido à biologia, não?”, pergunta ele, divertido). O contato mais forte com o estudo da vida e da natureza começou aos 17 anos, quando entrou para a graduação desta área de conhecimento. O com Nazareth começou antes, aos 14, quando ganhou um CD dedicado ao pianista que criou uma forma brasileira de compor. Desde então, mergulhou fundo num hobby que virou trabalho sério: buscar toda e qualquer referência sobre o acervo do ídolo criador de Odeon, Brejeiro e outras pérolas.

Por muitos anos, grande parte do acervo de Nazareth esteve num sítio em Teresópolis, cidade serrana do Rio, sob os cuidados de um herdeiro honorário e apaixonado, Luiz Antonio de Almeida – que, como Alexandre, também se interessou pela obra do mestre na adolescência e demonstrou tanto interesse ao longo da vida que recebeu da família o acervo de presente. Há anos os fãs de Nazareth esperam que Luiz Antonio lance a biografia do pianista, que escreve há tempos. Em 2005, duas boas notícias mexeram com o universo “nazarethiano”. A chegada da data em que a obra passou a ser considerada domínio público e a venda de parte do material do sítio para o Instituto Moreira Salles.

Não seria exagero dizer que o despertar de Alexandre e sua determinação em pesquisar o autor é um outro turning point, ainda que mais discreto, na disseminação da música do compositor. Seja num trabalho de formiguinha para encontrar toda a obra – hoje ele tem boa parte das 1960 gravações que catalogou e também as 211 partituras existentes -, seja no desejo de escoar esse material e discutir sobre ele. Em ambas as atividades, a internet é fundamental. O rapaz é responsável pela lista de discussão O Malho – sobre choro – e pelo site www.chiquinhagonzaga.com/nazareth, onde disponibiliza publicações raras escaneadas. No site musical Sovaco de Cobra, está fazendo uma série sobre obras raras do compositor. E participa sempre que pode de palestras, concertos, programas de rádio, etc.

Descobri a série navegando pela internet e propus uma conversa por email, que resultou numa longa entrevista, onde Alexandre conta a história toda. Para completar, ele reflete sobre a relação do pesquisador de hoje com a web e ainda dá várias dicas bacanas de instituições de memória brasileiras que dispõem acervos importantes on line.

1) Como surgiu seu interesse pela obra do Nazareth?
Desde a primeira vez em que ouvi o Odeon (Tango Brasileiro) me senti imediatamente relacionado e atraído àquele tipo de música que ainda não conseguia tocar (eu devia ter cerca de 12 anos quando entrei em contato com a obra do Nazareth conscientemente). A mesma sensação aconteceu quando ouvi o Maple Leaf Rag de Scott Joplin pela primeira vez, foi amor instantâneo. A partir daí comecei aos poucos a ir atrás de partituras e gravações de ambos esses compositores para satisfazer minha própria curiosidade.

2) Qual foi o momento em que o Nazareth deixou de ser apenas um dos compositores que você tocava nas aulas de piano e passou a ser tema de pesquisa?
Em 1998, no meu aniversário de 14 anos, ganhei de presente um CD que se revelaria crucial: Sempre Nazareth (Kuarup Discos KCD-095, de 1997) tocado pela pianista Maria Teresa Madeira com o bandolinista Pedro Amorim e participação do percussionista Oscar Bolão em algumas faixas. O modo como a Maria Teresa interpreta Nazareth é único. Gradualmente esse passou a ser o disco que eu mais ouvia. Fiquei tão entusiasmado com a energia das interpretações deles que resolvi conhecer outras músicas do Nazareth, além das 14 no disco. Conheci então as gravações do Arthur Moreira Lima, que é atualmente a pessoa que mais gravou Nazareth na história (são mais de 100 faixas diferentes). Depois Eudóxia de Barros, que é a segunda pessoa que mais gravou Nazareth. Tenho um espírito de colecionador forte dentro de mim que de repente deu um estalo. Resolvi colocar no computador todas as gravações que já tinha conseguido até o momento de músicas dele. Vi que já tinha algumas dezenas, isso me motivou a tentar conseguir, quem sabe, eventualmente todas as gravações já feitas de suas peças. Comecei a pesquisar em sebos, contactar pesquisadores, vasculhar toda a internet, fazer compras de CDs e LPs, etc, sempre com o apoio de meus pais e avós. Quando viajei para o Rio de Janeiro em 2001, fui à Divisão de Música da Biblioteca Nacional, que é um paraíso de partituras e gravações. Não podendo xerocar o verbete "Ernesto Nazareth" da Enciclopédia da Música Brasileira da Publifolha (devido a regras internas deles), copiei à mão todos os títulos das obras dele, com as respectivas datas (depois meus pais me deram essa enciclopédia). Cada nova gravação que eu conseguia era acompanhada de uma sensação de grande satisfação. Cada uma era transformada em mp3 e catalogada no micro. Assim é até hoje, só que o catálogo hoje está no programa Access, em uma tabela gigante com 11 colunas e quase 2.000 linhas.

Eventualmente contactei grandes pesquisadores que muito me ajudaram, e fiquei amigo deles, como o Luiz Antonio de Almeida (biógrafo e herdeiro-honorário do Nazareth), o prof. Aloysio de Alencar Pinto (exímio pianista e musicólogo, talvez hoje a única pessoa viva que tenha conhecido o Nazareth - ele nasceu em 1911), o José Silas Xavier, grande colecionador e pesquisador, dentre muitos outros. Muitos amigos me ajudam também a procurar gravações "obscuras" de músicas do Nazareth, seja em CDs independentes lançados a todo momento, seja em LPs americanos ou mesmo 78-RPMs.

A partir de 2001 comecei a mandar e-mails para donos de gravadoras e para a Maria Teresa sugerindo que ela gravasse mais Nazareth. Considero ela a maior intérprete de Nazareth da história até hoje. Hoje somos amigos, e em 2003, para minha enorme felicidade ela lançou dois CDs pela Sonhos & Sons contendo exclusivamente peças do Nazareth: Ernesto Nazareth (1) (Mestres Brasileiros Vol.3) (Sonhos e Sons SSCD051) e Ernesto Nazareth (2) (Mestres Brasileiros Vol.4) (Sonhos e Sons SSCD052). O primeiro foi dedicado a mim, e o segundo foi indicado ao Grammy Latino.

3) O que faz além da pesquisa do Nazareth?
Depois de me formar nos cursos de bacharel e licenciatura em biologia, na UNB, entrei no mestrado em Biologia Animal para me especializar em cantos de aves (uma maneira de se juntar o ouvido à biologia, não?). Em paralelo, há 6 anos que trabalho profissionalmente transcrevendo gravações para partituras, algo que me dá muito prazer, não pelo dinheiro (que é pouco), mas pelo desafio. Cada gravação oferece uma ampla gama de obstáculos a serem transpostos, e quando alcanço um resultado final em que a partitura escrita é idêntica à gravação, a satisfação é grande.

4) Quais são as reações quando vêem um jovem pesquisando a fundo a obra de um compositor antigo?
Algumas pessoas achavam curioso o fato de um garoto de 16 anos pesquisar músicas do início do século XX e final do século XIX fanaticamente. Lembro-me que quando contactei o José Silas Xavier pela primeira vez (especialista em discos 78-RPM da fase mecânica, os mais difíceis de se conseguir), ele ficou surpreso quando falei a minha idade. Mas acho que, em geral, a maioria das pessoas não se importa muito com música instrumental, e menos ainda com as daquela época. Então às vezes é difícil falar sobre minha pesquisa, pois sei que a cultura musical das pessoas em geral, especialmente as mais jovens, não abrange músicas do passado. Isso eu acho que seja em grande parte por não existir mais educação musical nas escolas. Hoje alguém só aprende música se buscar por conta própria.

5) Quando você começou as buscas, como estava o estado do acervo do Nazareth?
Bom, o acervo se resume a meu ver, às seguintes partes:
1) todo os milhares de objetos e documentos que o Luiz Antonio de Almeida herdou na década de 80.
2) seus manuscritos originais
3) suas partituras editadas.
4) gravações

Quanto ao item 1, tudo estava no sítio dele em Teresópolis (isso é do conhecimento de todos, já foi publicado em jornal impresso). Eu nunca visitei o acervo dele pessoalmente, mas creio que o Luiz Antonio era muito cuidadoso com esse material, mesmo sem ter os recursos necessários. Explico por que estou escrevendo os verbos no passado. Por volta de 2004 ele vendeu uma grande quantidade de itens de seu acervo ao Instituto Moreira Salles. Dentre eles documentos, fotos, manuscritos. Infelizmente o IMS nunca divulgou a listagem de tudo que foi comprado, e nada ainda foi disponibilizado ao público, coisa que ainda está na promessa.

O que não foi vendido para o IMS continua no sítio do Luiz Antonio, e em sua residência no Rio (ele ainda manteve para si boa parte dos manuscritos originais). Portanto no que diz respeito ao item 1, ele ainda se encontra indisponível ao público, mas o futuro é promissor.

Quanto ao item 2, ele está distribuído em três locais: Biblioteca Nacional (que possui cerca de 115 manuscritos "autógrafos", ou seja, escritos pelo próprio Nazareth), Instituto Moreira Salles, que possui pelo menos 13 manuscritos, e Luiz Antonio de Almeida, que possui pelo menos cerca de 30 manuscritos. De todos esses, apenas os manuscritos da Biblioteca Nacional estão disponíveis para consulta pública, e mesmo assim você precisa ir lá pessoalmente. Apenas uma pequena parte do acervo está catalogada digitalmente. Os manuscritos estavam catalogados em fichinhas impressas de um sistema antigo. Foi um sufoco pra conseguir achar as tais fichinhas. Solicitei cópia de absolutamente tudo, cópias que valorizo como se fossem um tesouro (o sistema da biblioteca requer que, para cada cópia solicitada - 50 centavos cada página - você preencha uma fichinha com muitos dados. Tive que preencher isso para todos os 115 manuscritos (hahaha). Coisa de doido!

Quanto ao item 3, quase toda a obra do Nazareth já foi publicada comercialmente em partitura. Cerca de 27 músicas permanecem inéditas em publicação (não confundir com inéditas em disco). Mas ocorre que grande parte das partituras que foram editadas hoje não é mais vendida. Não sei dizer exatamente quantas músicas dele exatamente estão à venda atualmente, mas certamente são menos de 100. Sempre que alguém me pede uma partitura específica, mando com prazer.

O item quatro é bem mais difuso, e por acaso é a minha especialidade. Acho que o único lugar onde você encontrará um número bastante grande de gravações de músicas do Nazareth é aqui em casa.

6) O que sentia que podia melhorar em relação ao acesso à memória dele quando começou a pesquisa? O que mudou?
Oficialmente, pouca coisa mudou, pois nunca publiquei nenhuma parte da minha pesquisa, nem vendi meu acervo para nenhuma instituição. Porém informalmente tenho feito algumas coisas. Por exemplo, há mais de 5 anos que tenho uma lista de discussão na internet exclusivamente dedicada ao choro e à música da "belle époque" brasileira (O Malho). Sempre que possível, conversamos sobre o Nazareth por lá. Em 2003 fiz uma palestra na UnB fazendo um apanhado histórico sobre a discografia dele, e organizei um recital só com peças do Nazareth, intitulado "Ernesto Nazareth - Bis e Inéditos" que teve participação de vários professores e alunos. Nesse mesmo ano participei do programa "Música e Músicos do Brasil" da Rádio MEC no Rio de Janeiro. Em julho de 2007, irei pela quarta vez. Colaboro sempre com pesquisadores e músicos que precisam de algum material sobre ele. Fiz um recital com o Gustavo Trancho de Azevedo só com músicas raras e inéditas do Nazareth aqui em Brasília, organizado pela professora Neuza França, que lotou a platéia.

O que precisa melhorar, inicialmente, são três coisas:

1) que toda a obra dele esteja em partituras disponíveis comercialmente.
2) que toda a obra dele seja gravada, de preferência as 211 obras dele em seu original para piano solo, interpretadas pela Maria Teresa Madeira (é preciso lembrar que embora existam 61 músicas que nunca tenham sido gravadas absolutamente, uma outra boa parcela já foi gravada, mas nunca em seu original para piano solo)
3) que o Luiz Antonio de Almeida finalmente publique a biografia que ele vem escrevendo há 30 anos. É uma obra de importância inestimável, que ele já declarou estar pronta, (talvez só dependa de uma revisão) e agora só esta esperando uma editora que a publique.

7) Hoje a internet é um meio interessante para a divulgação de acervos. Você faz bom uso dela para divulgar suas pesquisas. Mas parece que parte das pessoas físicas ou jurídicas que detêm acervos não tem intimidade com a net, ou muitas vezes a vê como uma ameaça à questão dos direitos, pelo medo de "perder o controle" sobre a obra.
Isso em parte ocorre sim, mas há algumas instituições que realmente são de se tirar o chapéu. O Instituto Moreira Salles é comprador de acervos, e aos poucos vai disponibilizar tudo via internet. Assim já foi feito com os acervos do Humberto Franceschi e do José Ramos Tinhorão. Somados eles constituem mais de 20.000 gravações de discos 78-RPM que já foram inteiramente catalogados, digitalizados, remasterizados com qualidade excelente, e disponíveis para ouvir online em streaming gratuitamente a um clique. Que eu saiba, isso não existe em nenhum outro país do mundo. Nem mesmo a Biblioteca do Congresso americano, que é a maior do mundo, disponibiliza gravações em seu site dessa forma.

Outras instituições estão chegando a um alto nível também. Por exemplo, a Discoteca Oneyda Alvarenga, do Centro Cultural de São Paulo, possui dezenas de milhares de 78-RPMs e LPs. Pelo que sei, todos os 78-RPMs já foram catalogados e digitalizados, para consulta instantânea nos terminais do local. Não estão disponíveis via internet, infelizmente.

A Fundação Joaquim Nabuco possui um acervo gigantesco de 78-RPMs, disponíveis para consulta.
Esse link vem com um bônus: lá estão listados não só os 78-RPMs que eles possuem, mas sim toda a listagem presente no catálogo "Discografia Brasileira 1902-1964" lançado pela Funarte na década de 80, hoje esgotado, que constituiu a primeira tentativa de se listar todos os discos já gravados no Brasil em 78-RPM. É possível encomendar cópia dos discos pelo correio, que eles mandam em fita k7.

A Biblioteca Nacional também detém um acervo fabuloso de LPs e 78-RPM. Nada está digitalizado, e o serviço lá poderia ser mais eficaz. Mas pelo menos eles fornecem cópias em fita-k7. Há muitos outros pequenos acervos fonográficos públicos distribuídos pelo Brasil. Há colecionadores que possuem milhares de 78-RPMs e LPs e não divulgam isso publicamente. Esse não é o caso do Nirez, um dos maiores colecionadores da América Latina, que vende cópias em CD a partir de seu acervo. Ele conseguiu um patrocínio da Petrobras para digitalizar todo seu acervo.

8) Na sua opinião, como a internet pode ajudar a tornar pesquisadores menos "colecionadores" e mais "democratizadores" da informação? Ou ela diminui a importância da figura do pesquisador?
De forma alguma. Se agora há um jeito fácil de os pesquisadores trocarem informações é pela internet. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido, para que haja integração das pesquisas feitas.

Existem sites que democratizam o conhecimento de forma maravilhosa. O site mais impressionante, com maior número de registros fonográficos (listagens) disponíveis para consulta é o Jornal Musical, do Instituto Memória Muscial Brasileira.

Eles possuem um mecanismo de busca que abrange 78-RPMs, LPs e CDs em toda a história do Brasil. É a maior e mais completa discografia que já vi.
Outros sites com menos registros, mas igualmente impressionantes são:
Sombras; Cliquemusic e
Discos do Brasil (a Maria Luiza Kfouri, autora desta discografia, chegou a preciosismos fantásticos de listar cada um dos músicos para cada faixa, e seus respectivos instrumentos)
E há outros sites que não são especializados em discografias, mas constituem boa fonte de consulta:
Answers.com; Collector’s Studio Ltda; Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira e eBay.

9) Conhece outros jovens que vão a fundo em pesquisas assim?
Conheço, há jovens que com 14 anos já se interessam por pesquisa de compositores brasileiros antigos. Com alguns deles converso pelo MSN e trocamos idéias, muitas gravações, partituras.
Tenho um amigo, o Wandrei Braga, que é apaixonado pela Chiquinha Gonzaga. Ele que fez o excelente site www.chiquinhagonzaga.com e gentilmente cedeu o espaço para fazer o meu site www.chiquinhagonzaga.com/nazareth, ainda em construção. Nele disponibilizei textos e livros raros sobre o Nazareth, todos escaneados por mim e disponíveis em PDF.

10) Você já catalogou mais de 1900 gravações comerciais do Nazareth. O que significa exatamente?
Venho tentando listar todas as gravações já feitas na história de músicas do Nazareth. É uma pesquisa sem fim, pois a toda hora descubro novas gravações em todas as décadas do século XX. E o Nazareth vem sendo bastante gravado atualmente. No ano de 2005 por exemplo foram lançados 5 CDs inteiramente dedicados a peças dele! A listagem desses CDs pode ser encontrada na discografia de site www.chiquinhagonzaga.com/nazareth. Lá coloquei apenas os LPs e CDs que contêm exclusivamente Nazareth, e são aproximadamente 50, desde 1951!

11) Você tem todas as gravações e partituras?
Possuo todas as 211 partituras. Gravações, tenho boa parte. De todas as 1.960 gravações comerciais que tenho listadas até agora, possuo 1.680. Não conheço discografia de nenhum outro compositor brasileiro que chegue a 2.000 gravações, e o Nazareth está quase lá. Talvez Villa-Lobos, Ary Barroso, Tom Jobim sejam fortes concorrentes, mas não conheço discografias feitas exclusivamente para esses compositores, de modo a esgotar todas as gravações feitas no mundo.

12) Num mundo ideal, qual seria a melhor forma de disseminar esse material?
Vejo duas formas:
1) comercialmente, em álbuns de partitura à venda em lojas e CDs contendo gravações feitas em estúdio.
2) gratuitamente, via internet, em partituras disponibilizadas para download, e gravações amadoras como as que estou fazendo e colocando no Sovaco de Cobra.

Essas duas vias não são excludentes a meu ver. As partituras do Nazareth precisam ser extensamente revisadas, coisa que uma edição comercial pode fazer, gerando partituras de qualidade, incluindo pesquisas musicológicas comparando-as com o manuscrito, por exemplo. Existem projetos com este objetivo.

Desde 2005 a obra do Nazareth está em domínio público, isto quer dizer que qualquer um em qualquer parte do mundo pode gravá-la e publicá-la sem se preocupar mais com direitos autorais. Isso certamente abrirá muitas portas para que o Nazareth finalmente tenha a sua obra considerada em toda sua importância, como é feito com Chopin no mundo todo.

**
No final, uma mensagem inesperada de Alexandre com uma espécie de PS:

“Fiquei pensando nas motivações que me levaram a esta pesquisa. Tão difícil de responder... Mas achei um poema que se encaixa perfeitamente à questão do 'por que gosto disso?'. É a penúltima estrofe do poema que começa com o verso "O meu olhar é nítido como um girassol" assinado por Alberto Caeiro, um dos pseudônimos de Fernando Pessoa:

"Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar... "

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Egeu Laus
 

Bela matéria, Helena!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 17/4/2007 15:51
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Mariana Reis
 

A pesquisa dele é bem interessante e o seu texto - apesar de eu achá-lo meio looongo demais (mal de quem lêm no PC) - é bem rico. Agora, as dicas de edição:

1. O link para o www.chiquinhagonzaga.com.br/nazareth não abre. Na tua pergunta "10", falta uma letra no endereço (acho que foi erro de digitação) e mesmo assim ele não abre.

2. Quando tu colocas a Discoteca de Oneyda tá escrito "discota". Olha lá.

3. Parte da resposta do item "9" está negritada.

Pronto, é isso! No mais, parabéns pela idéia. Até a abertura colocando que estudar o canto das aves o aproxima mais da música ficou legal (aliás, foi o que chamou minha atenção para ler aqui).

Mariana Reis · Olinda, PE 17/4/2007 16:46
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Helena Aragão
 

Mariana, muito, muito grata por suas observações. E obrigada por ler o texto tão grande, se isso te incomodou (fiquei na maior dúvida se cortava mais, mas achei que valia a pena manter para quem quisesse ler com calma).
Já consertei o link (era sem o br, erro meu de não conferir) e as coisas de digitação. Sobre o item 9, a pergunta (que nem é pergunta) é que é grande mesmo... Valeu mesmo pela atenção e por ajudar a melhorar a matéria. Abraço

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 17/4/2007 16:58
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Helena Aragão
 

Ops, você tinha razão, tava lendo a pergunta 10, hehe. Incrível, eu tinha acabo de postar e já tive esse feedback todo. :)

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 17/4/2007 17:28
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Mariana Reis
 

:)

Mariana Reis · Olinda, PE 18/4/2007 11:42
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Cida Almeida
 

Helena, parabéns pela instigante e instrutiva matéria. Ainda bem que não cortou. Longa sim, mas uma fonte e guia de pesquisa para quem se interessa por música. Gostei muito de saber sobre o trabalho do Alexandre Dias. A referência à Eudóxia de Barros me fez recordar de um antigo programa de TV apresentado pela Sílvia Bandeira e o saudoso Paulo Gracindo (8 ou 800?), em que a pianista respondia perguntas sobre a vida e obra de Ernesto Nazareth. Agora vou passear pelos links.

Abraço.

Cida Almeida · Goiânia, GO 20/4/2007 10:02
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Helena Aragão
 

Oi Cida, muito obrigada! Foi exatamente esta a idéia ao não cortar. Depois de alguns anos trabalhando como jornalista, sei como é frustrante ter boas frases do entrevistado e ter que limá-las por falta de espaço. Já que aqui há espaço, que fique na integra e cada um leia como quiser, não é mesmo? Grande abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 20/4/2007 12:14
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Marcus Assunção
 

Muito boa a entrevista. Pesquisar acervos é uma oportunidade que também já tive (mas na literatura) e da qual gostei bastante. Estou curtindo esse som aqui na madrugada, valeu Helena.

Marcus Assunção · São João del Rei, MG 21/4/2007 01:31
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Felipe Obrer
 

Helena, fiquei ouvindo em streamming a música e só fui perceber que estava repetindo depois de ter tocado umas 15 vezes.

Vou ler com calma a entrevista inteira depois, mas já achei tudo bem interessante.

Abraço,

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 21/4/2007 14:45
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ePartitura
 

Olá Amigos,

o endereço do site de Chiquinha e Nazareth é:

http://www.chiquinhagonzaga.com/nazareth/ (não tem .br)

Jayme

http://www.epartitura.com

http://epartitura.com/blog.html

ePartitura · Salvador, BA 26/4/2007 09:09
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Helena Aragão
 

Oi Jayme, obrigada pelo comentário. Se você olhar na matéria vai conferir que isso já está corrigido (a Mariana avisou via comentário e deu tempo de mudar no texto, pois ainda estava na fila de edição. Mas muito obrigada pela atenção! Abraço

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 26/4/2007 11:55
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Leandróide
 

Parabéns pela matéria! Ficou do tamanho ideal para o assunto da pesquisa.
Abraço.

Leandróide · Florianópolis, SC 27/4/2007 20:00
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Ingresso para apresentação em 1927. Uma das raridades que Alexandre adquiriu. zoom
Ingresso para apresentação em 1927. Uma das raridades que Alexandre adquiriu.
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Verso do ingresso: nada menos que a assinatura de Nazareth
Alexandre em foto com Maria Teresa Madeira, que o fez se apaixonar por Nazareth zoom
Alexandre em foto com Maria Teresa Madeira, que o fez se apaixonar por Nazareth

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