Do Samba ao Funk do Jorjão
Ritmos, mitos e ledos enganos num enredo de um samba chamado Brasil
De Spírito Santo
Uma Resenha (mas antes tirando uma ondinha de leve)
Caso não saibam, este livro, praticamente concluído desde 2004 (só o atualizei e revisei repetidas vezes por causa de seu longo prelo) foi solenemente esnobado por algumas editoras que alegavam falta de espaço nas suas filas de edição.
Uma dessas, especializada em cultura negra, depois de uma simpática acolhida, acabou enfim por refugar até mesmo a entusiasmada e enfática indicação do livro por seu próprio prefaciador (o compositor-escritor Nei Lopes). Todas alegavam falta de espaço em sua linha editorial, talvez fazendo uma leitura comercial apressada da palavra 'Samba" contida no título, ou mesmo suspeitando dos atributos acadêmicos do desconhecido e suburbano autor, ou até mesmo, preconceituosamente estranhando o tom iconoclástico da palavra 'funk' contida no título, vai saber?
Foi então que o Duda Valle, um amigo da Rede-Sociedade teve a idéia de me apresentar à querida Nogla Sklar, espécie de pioneira na edição de livros on line no Brasil, editora da KBR Digital, responsável pela concretização desta primeira edição que sairá também em papel pela Editora e Livraria Cultura (com opção para infinitas edições 'on demand').
Logo, além de lançar o livro para o alto da rede o lançaremos também convencionalmente (com direito à assinaturas com caneta 'bic' e tudo). Aliás o primeiro lançamento convencional já está programado para o stand da KBR Digital/Editora Cultura na Bienal do Livro em Setembro, no Riocentro, Rio de Janeiro.
Segundo a editora este talvez venha a ser o primeiro livro de Samba (ou de cultura negra brasileira) disponível no mercado de livros on line. Que venham outros. Macaco véio, sabedor de que a rede não é nacionalista nem retrógrada, já estou planejando a tradução para o inglês e, quem sabe, até para o javanês.
Nesta longa espera podemos acompanhar uma crise quase agônica do mercado editorial convencional de livros e o início do 'bombamento' do livro On line e dos Ipads, seus 'leitores' eletrônicos. Quem esnobava os livros on line vai ter que correr atrás do prejuízo. Quem esnoba ensaios de cultura não acadêmica, cultura negra 'chapa-preta' ou cultura literária alternativa enfim, como a rede é democrática (pelo menos neste sentido) vai ter que rever seus conceitos.
Afinal não importa o suporte nem se as idéias são ou não são as hegemônicas e chanceladas por uma elite, um livro é um livro.
Quem ri por último...
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O que poderia haver de novo num tema tão recorrente quanto o samba?
(Agora sim uma resenha)
Este livro aborda reflexões multidisciplinares acerca das origens e dos significados do Samba, à luz de algumas de suas características mais peculiares (algumas talvez ainda pouco consideradas) ligadas à sua evolução.
A análise tenta abordar o tema através de vários dois básicos, a saber:
1- A história do gênero, do ponto de vista etnomusical, à luz da maioria dos documentos e indícios confiáveis possíveis de se levantar, a fim de sugerir algum tipo de linha evolutiva clara, esforço ao qual o autor se debruça durante a primeira parte do estudo.
2- O conceito de Samba enquanto mídia, entre as quais as bandas musicais e os conjuntos de percussão de rua, ou seja, o gênero enquanto veículo de transmissão de saberes, no âmbito de culturas de natureza essencialmente oral, no aspecto musical, como uma espécie de suporte melódico, fixado pela tradição, apropriado na época (início do século 20) para a condução de variados tipos de mensagens textos) gravados, colados a este suporte, segundo necessidades de comunicação social muito bem definidas.
E tudo acaba mesmo em Samba
O tema “Samba” - visto quase sempre como um assunto meramente pitoresco ou banal - pode envolver um número impressionante de questões subjacentes, por diversas razões, cuidadosamente omitidas e trancadas em velhos armários, varridas para debaixo de surrados tapetes, por serem questões, de algum modo, incômodas para os “unidos” e os “acadêmicos”, detentores da sabedoria nacional.
À luz um simples levantamento de prosaicos fatos da história da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, podemos encontrar claros resquícios de um xenofobismo rasteiro, um nacionalismo ingênuo e renitente que ignora, por exemplo, a evidente complexidade existente no processo de disseminação da cultura negra pelo mundo, no âmbito da ampla e longa diáspora causada pela escravidão, âmbito do qual o Samba não poderia, de forma alguma, estar isolado (até porque talvez seja, no caso do Brasil, a síntese artística mais bem acabada de tudo isto).
Ainda considerando o caso do Brasil como um todo, o texto sugere que os canais de intercâmbio musical, entre os negros de diversas etnias e origens, no contexto desta diáspora tão ampla no tempo e no espaço, obedecem a ciclos evolutivos bem marcados, que nos tem atingido como em ondas, década a década, desde que nosso principal elo com o resto do mundo deixou de ser a Europa.
Sendo muitas vezes tratado como uma espécie de religião, segundo o autor o estudo do Samba tem sido, portanto - e infelizmente - ao longo dos anos, um tema muito contaminado por mitos e mistificações lançadas por “fundamentalistas” mal fundamentados, muitas vezes algozes ingênuos da objetividade (atributo que, aliás, tem faltado nos estudos de vários outros aspectos da cultura brasileira, além do Samba).
Mito e Tabu: A necessária discussão (ou polemização) destes dois conceitos, seguramente é a proposta principal deste livro, uma espécie de despretensiosa - e possível - História do Samba revista e aumentada, acrescida de abusados questionamentos para apimentar o enredo destas bolorentas alegorias nacionais.
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Obs.: Desta edição da KBR Digital consta como parte indissociável do conteúdo, material gráfico ilustrativo consistindo de ilustrações e anotações etnomusicologicas (croquis, infográficos, partituras, etc.) além de fotos de arquivo e de época.
Spírito Santo
Junho 2011
AEditora do livro. Noga Sklar me corrigindo:
" A primeira edição que sairá também em POD (impresso sob demanda) e será distribuída nas Livrarias Cultura, Saraiva, Travessa, Fnac e outras "...
Sucesso e mais sucessos. A genuína cultura brasileira com certeza agradece!
Tenha uma boa Semana! jbconrado
Parabens! Tenho certeza de que esse livro preenche lacuna importante e necessária na historiografia da arte e da cultura negra do Brasil. Amanhã mesmo estou indo à saraiva.
Só para registrar mais uma semana e vou escrever alguns
artigos sobre O ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL, a que
eu vou chamar, porque considero a LEI DO NADA
abração.
andre
Pô, galera!
Bacana a força de vocês. Postei aqui a notícia exatamente porque desde o início os estímulos vieram daqui.
Vamos que vamos.
Alguns erros no texto daqui (pra corrigir aqui só repostando) indico a quem quiser ler esta resenha mais caprichada acessá-la, por favor, no blog deste vosso criado: http://spiritosanto.wordpress.com/2011/06/24/do-samba-ao-funk-do-jorjao-vem-ai-em-agosto/
Abs
Reabro meu espaço/bagunça aqui em Curitiba em agosto - esteje convidado p/falar sobre o livro - de repente combinamos algo p/o lançamento aqui e em Floripa ou então aproveitamos sua vinda na Fnac (que tem um poder financeiro maior - rsrsr). Parabens! Lembro que ja tinha postado algumas linhas suas no meu blog em 2009 e voce ja havia comentado as difiucldades.
cimples ocio · Curitiba, PR 16/7/2011 12:13
Cimples ocio,
Mandando passagem de jatinho, hotel 10 estrelas, mais U$ 10.000,00 de jeton, e eu tô aí, num átimo.
Brincadeira. Vê aí o que podes fazer que eu vou.
Ilha,
Parabéns me instigam. Depois de tantos 'paramaus' enfim a coisa saiu. Quem sabe não lanço em Vitória também?
Estou indo na Saravaiva ver se já está disponível.
Caso não o encontre te aviso.
abração
Só uma coisa: não se apresse em acreditar no sucesso do livro digital pelo simples motivo de seu livro ter sido rejeitado por algumas editoras. Isso ainda não é uma tendência no Brasil e pelo menos não vai ser durante 20 anos. Primeiro que não somos um pais de leitores, muito menos um país desenvolvido onde a massa tem acesso a novas tecnologias com facilidades. Um tablet custa em média mais que um salario mínimo e quem escreve de samba sabe disso. Sobre o livro: queria saber quando e onde vai ser lançado para que eu possa comprá-lo mais rapidamente! Obrigado.
Marcos Scoffer · Rio de Janeiro, RJ 17/11/2011 10:50A primeira demanda que será distribuída nas livrarias tem data?
Marcos Scoffer · Rio de Janeiro, RJ 17/11/2011 10:53Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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