Jovens do projeto Nós na Tela superam limites e produzem vídeos em duas semanas de curso de audiovisual
* Juliana Cordeiro
Durante a semana de 21/01 a 31/01, adolescentes com idades entre 12 e 17 anos participaram de oficinas de audiovisual realizadas na Casa da Videira, localizada na Vila Fanny, em Curitiba. O objetivo da atividade era a produção de dois mini-documentários, em que os temas foram definidos pelos participantes. Os jovens tiveram a oportunidade de trabalhar em equipe, fotografar, fazer roteiros, gravar e editar vídeo, além de aprenderem a lidar com o público durante a realização de entrevistas.
Divididos em dois grupos de cinco jovens, os participantes foram às ruas do centro de Curitiba para perguntar quem é a pessoa mais importante na vida dos entrevistados e o que poderiam fazer para aproveitar melhor sua vida. Os dois documentários têm duração de um minuto e quarenta e cinco segundos cada e foram baseados nessas perguntas. A terceira produção dos adolescentes foi um Making-off, que mostra a dificuldade em se entrevistar as pessoas.
Relato de uma jovem documentarista
Thais Cristina da Silva Crescêncio, 15 anos.
As oficinas eram interativas e mexiam com a nossa imaginação. No início dos nossos encontros líamos o diário de bordo, onde contávamos o que fizemos e o que gostamos na oficina do dia anterior. Trabalhamos durante quatro dias sem divisão de grupos. Já no quinto dia de atividades fomos separados em dois grupos de cinco pessoas e começamos a preparar os nossos roteiros.
O meu grupo fez um roteiro baseando na pergunta: Como você poderia aproveitar melhor sua vida?. O nosso objetivo era retratar a vida de milhares de pessoas que se ocupam tanto com trabalho e acabam esquecendo da família e do lazer - que são tão importantes quanto o dinheiro e o trabalho. As respostas nos surpreenderam e fizeram com que o nosso documentário pudesse ser interativo e ao mesmo tempo causar uma reflexão nas pessoas que o assistem. Já o segundo grupo trabalhou o tema Quem era a pessoa mais importante na sua vida?
Foi muito difícil se adaptar a um vídeo de um minuto e quarenta e cinco segundos, pois fizemos uma filmagem de quarenta e cinco minutos e tivemos de reduzir a menos de 2 minutos. A proposta do vídeo tinha que ser clara e objetiva. Depois de editados, os documentários superaram as expectativas de todo o grupo. Todos ficaram satisfeitos e felizes por participar do projeto.
Diário de bordo de produção do documentário: na voz de um jovem
Jonas Henrique Saddock de Sá, 15 anos.
Meu nome é Jonas. Participei do projeto Nós na Tela por meio da Ciranda, que me indicou para participar do curso. Vou falar um pouco sobre o que aprendi no curso e o que fiz nos dias em que eu estava lá.
No 1º dia: Na terça-feira o professor Dago apresentou todo o pessoal do curso, professores e alunos. O tema de foi FOTOGRAFIA: como tirar uma boa foto? Aprendi que precisa ter uma quantidade certa de luz, um tempo certo para tirar a foto. A palavra fotografia significa escrever com luz, que é você interpretar o que vê. Foto = luz, grafia = escrever.
2º dia: O professor Dago apresentou um vídeo para os alunos sobre o que é o Nós na Tela, achei muito legal. Depois, o professor Willian falou um pouco sobre figuras simétricas e não simétricas e explicou que tudo tem uma forma, um cheiro, um pouco de tudo.
3 º dia: Tivemos uma noção básica do que é roteiro, vimos um roteiro do filme Esta não é sua vida e logo começamos a planejar nossos roteiros. Começamos a ter idéias loucas, que depois de um tempo começaram a ser produtivas, foi então que decidimos o que fazer.
4º dia: Na sexta apresentamos o nosso roteiro, em que estava previsto entrevistarmos várias pessoas a partir da pergunta: “você acha que já ouviu de tudo nessa vida?”. No sábado nós iríamos começar a filmar. O local seria a Rua XV, na Boca Maldita.
5º dia: Arrumamos os equipamentos e saímos para entrevistar as pessoas. Isso foi uma guerra, uma experiência nova. Muitas pessoas se recusaram, a desculpa era que estavam atrasadas para o trabalho, outras com vergonha, mas o pior de tudo é que umas pessoas nos tratavam mal. Chegávamos com educação e o pessoal esculachava, mas até o final foi muito engraçado. Todos ficamos muito felizes com o resultado e com o que tínhamos gravado, daria para fazer um vídeo bem legal.
6º dia: Segunda-feira. Começamos a editar o vídeo. Como um dos integrantes da equipe não estava conosco, começamos editando um “erros de gravação”. Ficou bem legal. Todos nós demos muita risada e aprendemos a editar um pouco.
7º dia: Começamos a editar o nosso vídeo. Fizemos algumas modificações no que estava previsto e ficou bem legal.
Eu quero agradecer a equipe da Ciranda e da Casa da Videira por terem me dado essa oportunidade, pois aprendi não só de como se faz um filme, mas também como analisar, ter um olhar mais crítico das coisas que vejo e vivo no dia-a-dia.
O projeto Nós na Tela
O coordenador do projeto Nós na Tela, Dagoberto Ludwig Schelin, nos contou um pouco mais do projeto: “A idéia de fazer esse projeto surgiu quando eu e o Cláudio Olivier, diretor da Casa da Videira, observamos que adolescentes brincavam de fazer vídeo, com equipamentos velhos que acharam no depósito da Casa da Videira. O projeto iniciou no segundo semestre de 2006, com adolescentes do bairro Vila Fanny e tinha como parceiros a PUCPR e TV Lúmen. Em 2007, o Canal Futura entrou como parceiro também e hoje o projeto acontece pela terceira vez. Fazer projetos com jovens é uma mão dupla, pois o jovem ganha por estar aprendendo uma arte e os facilitadores que com eles atuam aprendem a viver e a continuar a sonhar. Foram superadas as expectativas porque eu não esperava ter um grupo tão fácil de trabalhar, tinham me falado que teria participantes com 12 anos de idade e isso me fez achar que teria mais dificuldade, mas acabou se tornando mais fácil”.
Lançamento dos vídeos
Na noite do dia 30/01, jovens, pais e parceiros da Casa da Videira participaram do lançamento dos vídeos produzidos pelos adolescentes. Como uma cerimônia de graduação, os participantes do curso ganharam copias dos vídeos e relataram a experiência de pensar, planejar e realizar um documentário.
Continuidade das atividades com os jovens
As atividades deste ano do Nós na Tela reiniciam em março deste ano e serão realizadas duas vezes por semana, com duração de três meses. Serão 15 jovens, indicados por parceiros, selecionados em escolas e que participaram da última edição do projeto. Mais informações sobre o projeto ou sobre a Casa Videira pelo telefone (41) 3016-9609.
* Eu sou Juliana Cristina Cordeiro tenho 16 anos, participei do projeto Nós na Tela e vou participar provavelmente da próxima edição. Participei também do projeto Luz, Câmera...Paz! na Escola, em 2006.
Juliana, muito interessantes o relato e a experiência. Para completar, seria maravilhoso se vocês postassem os vídeos no Banco de Cultura - porque dá uma curiosidade danada para ver os resultados! Abraço
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 12/2/2008 17:40
Helena sempre atenta, salve!
Pena que a tevê não seja em cores.
Quer dizer, pena não ter pelo menos um retratinho, uma logo, um desenho, um risco, até, no próprio texto, um claro escuro, entretítulos em negrito, citações em itálico.
Sei que a pressa dos dias de hoje não nos permite essa firulas, Juliana.
E as informações já dão beleza ao teu tijolinho.
Não-meta-linguagem também pode ser um estilo.
Parabéns, és bem vinda e acolhida.
Beijin.
Olá pessoal
Todos os vídeos comentados acima, bem como os do ano de 2006 e 2007 estão dispóníveis para assistir no linkl abaixo
http://blog.docaminho.com.br/videos/nos-na-tela/
Helena: Caso queira postar no banco de cultura, entre em cvontato com o Dago (responsável pelo nós na tela) dago@docaminho.com.br e com o Thiago tsjornal@hotmail.com (instrutor e jornalista).
Abraço
Claudio
(coordenador do Programa)
Bem, bem.
Então eu vou lá, vejo, volto aqui, comento com as pessoas daqui, depois elas vão lá, vêem e voltam aqui e comentam o que acharam e depois a gente continua discutindo aqui o que viu lá e mais tarde quem vier aqui sem ter ido lá vai lá e volta aqui e diz o que achou ou... não vamos e ficamos todos de bem e tchau.
linques à mancheia numa estrada de areia, de rodopio de curupira.
ô trem doido, tchê. Vixe!
Uau, fuqei super orgulhoso de ler este artigo! Parabéns, Ju! Demais! Galera, tem outro vídeo que tem dedo da Ju... vejam aí:
Abraços!!!!!
Uau, fiquei super orgulhoso de ler este artigo! Parabéns, Ju! Demais! Galera, tem outro vídeo que tem dedo da Ju... vejam aí:
Abraços!!!!!
Muito legal este relato. Eu curto cinema pra caramba, e saber que tem gente nova fazendo é pra ficar encantada. Achei super legal a linguagem que foi utilizada, apesar de vc só ter 16 anos.
Carolus · Salvador, BA 21/2/2008 19:42Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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