Mafuá é um bairro de Teresina onde se localiza um mercado público. Na parte exterior do mercado, que dá para a Rua Lucídio Freitas começou a funcionar, 35 anos atrás, uma minúscula loja (2X2?) denominada “Armarinho São Francisco” onde se vendiam, como em outras lojas do ramo, botões, zipers, agulhas, linhas e outras miudezas. A Dona Zefinha, que criou o negócio, faleceu há oito anos, deixando-o, de herança, para Cícero Manoel, seu filho .
Este Cícero Manoel – figura mansa, porém inquieta, formado em letras (UFPI) mas artista plástico, por profissão e vocação – desde que assumiu o posto da mãe começou a comprar, trocar e receber e aceitar doações de livros e revistas de arte, gravuras, desenhos e pinturas, CDs e vinis diversos, cartões, fotos, etc., objetos que passaram a conviver com as mercadorias à venda no armarinho.
Em quatro anos aquele acervo cultural cresceu tanto que foi necessário modificar a disposição dos móveis (e, mesmo, adaptá-los para outras funções). Cícero reservou, por exemplo, uma parede só para pendurar as pinturas, desenhos, fotos e gravuras. Uma estante-expositora de mercadorias da loja, construída e desenhada por seu pai, virou expositor de livros e revistas de arte e apenas uma das três paredes do cubículo foi reservada para as mercadorias do armarinho. Estava criado, no Mercado do Mafuá, o “Espaço Cultural São Francisco”.
Se, nos primeiros anos, o acervo era mostrado sem maior cuidado expositivo, a partir de 2005, no dia 4 de junho, Cícero resolve inaugurar uma nova fase: com uma vernissage matutina, que se constituiu num generoso café da manhã servido, a partir das sete e meia aos convidados, abre a exposição do artista plástico teresinense "Gabriel Archanjo – pinturas e desenhos". Foi neste dia que eu conheci o lugar. E tão impressionado fiquei que publiquei, dias depois, em um portal teresinense, a seguinte crônica:
Arte & Hospitalidade no Mercado do Mafuá
por Joca Oeiras
Café, leite, beiju, cuscus, bolo frito, queijo de coalho, suco de laranja, melão e melancia. Foi este o cardápio servido nesta manhã de sábado durante a inauguração da exposição "Gabriel Archanjo pinturas e desenhos" no ESPAÇO CULTURAL SÃO FRANCISCO”. E eu fui o primeirão a chegar, às 7,30h da manhã, no local onde se desenrolou este desejum artístico.
O Gabriel Archanjo é um grande artista cuja obra me encantou desde o dia em que tive o primeiro contato com ela, e com ele, na Oficina da Palavra, apresentados que fomos pelo professor Cineas Santos. E é claro que os trabalhos do Gabriel valorizam qualquer Galeria do mundo. Mas, que me perdoe o meu amigo , as estrelas do dia foram, sem sombra de dúvida, o Espaço Cultural São Francisco e o seu dono, o também artista plástico Cícero Manoel. Imaginem uma pequena loja de armarinhos (3m X 4m) em que dois dos três cantos e quase todas as prateleiras são ocupadas com livros e objetos de arte. Agora localizem esta loja na rua da frente do mercado do Mafuá (Lucídio Freitas, 1633). É este o "Espaço Cultural São Francisco". No acervo, obras do próprio Archanjo, esculturas de Carlos Martins, pinturas e desenhos de autoria do dono, livros de arte , gravuras variadas, fotos antigas, objetos de adorno, revistas e até alguns exemplares do "mais charmoso". O Cícero é o meu candidato ao Troféu Resistência que, ouvi dizer, foi instituído pelo João Cláudio Moreno. Muito mais que isto, no entanto, fiquei encantado com a hospitalidade do nosso anfitrião.
Como fui o primeiro a chegar, secundado pelo poeta Fred Maia e o dramaturgo Tarciso Prado, pudemos ver sua dedicação à montagem da farta "mesa" (o balcão da loja) composta por todas as delícias acima relatadas, o cuscus ainda quentinho respirando embaixo do papel filme.
Um monte de gente bacana chegando, gente como o Machado Junior e a sua nova namorada, a Débora, que veio dar um abraço no Gabriel (que chegou lá só no final, o tímido) e a gente ficou comendo e conversando e se espremendo no espaço exíguo mas de uma dignidade incomparável. Eu gosto de tratar meus hóspedes muito bem e também sei reconhecer esta qualidade nas pessoas: o Cícero foi um grande anfitrião, sempre preocupado que não faltasse nada.
De repente, imaginem só quem resolveu aparecer vestido de padre? O próprio João Cláudio Moreno, provando, mais uma vez, que "o hábito não faz o monge, mas fá-lo parecer de longe" (como dizia o Millor quando ainda era Vão Gogo). E o João é um camarada cujo carisma galvaniza a platéia mesmo quando faz parte dela. Rimos muito com ele e eu, em particular, fiquei muito feliz por tê-lo encontrado. Então, acho que todo mundo que lá esteve há de concordar, foi demais prazerosa e divertida esta nossa manhã de sábado no Espaço Cultural São Francisco, no Mercado do Mafuá, zona norte, Teresina.
PS Os trabalhos expostos não estão à venda pois, ou pertencem ao acervo do Espaço ou, seis deles, são da coleção particular do João Cláudio Moreno que os emprestou para a mostra. Há, no entanto, alguns desenhos do Gabriel que se encontram à venda, mas não expostos. Eu, por exemplo, já sou o feliz proprietário de um deles.
Creio que o trabalho do Cícero é, por todos os títulos, elogiavel. Mas já se evidenciam, ele mesmo começa a tomar consciência disto, alguns problemas. A sua incansável atividade e o prestígio que o local adquiriu entre os formadores de opinião em Teresina -- todos os jornais diários divulgam os eventos do espaço – tem trazido muita gente ao local, evidenciando um projeto que é maior que o espaço físico que ele ocupa, embora um de seus principais encantos, senão o principal, é onde ele se localiza.
Fiquei comovido quando me disse que sua amiga Ana Marcia, uma das melhores arquitetas piauienses, "elaborou um projeto visando a ampliação do espaço fisico da loja"! Sei bem que a marca referencial da arquitetura é a utilização racional dos espaços mas, mesmo que, por uma mágica arquitetônica, o projeto da Ana Marcia conseguisse triplicar o espaço, ainda assim, e muito rapidamente, ele voltaria a se mostrar modesto nas proporções.
Talvez o Cícero, apoiado, inclusive, pela Prefeitura de Teresina, proprietária do Mercado do Mafuá, e por outras instituições de amparo à cultura, pudesse, de alguma forma, estender a todas as dependencias daquele espaço público a Arte que ele, tão valentemente, busca preservar. Seria uma bela saída! A resistência cultural ocupando novos espaços.
PS. O dono do Armarinho São Francisco nunca me perdoaria se eu não deixasse bem claro que os novos e antigos clientes da loja recebem o mesmo tratamento personalizado que receberiam caso a Dona Zefinha ainda estivesse no comando.
Joca, meu Anjo, não sei o que é melhor, se as novas, se o arauto.
Sempre me encanto com a inventividade do povo, mas esses piauienses maravilhosos surpreendem mais.
Que idéia! Botões e flores nas telas, fitas de bordar e linhas e traços desenhados em quadros. Tintas de colorir e palavras de encantar.
Adorável interseção de tantas artes que você descreve de maneira deliciosa.
Por falar em delícias, esse café da manhã, esse cuscuz "respirando" (ai, ai) justamente quando como o meu pãozinho francês com requeijão (tadinha de mim) me deu uma inveja danada.
beijos
Sim, Joca!!!
Um Troféu Resistência a voce também pelo incentivo e divulgação de tão belo exemplo!
Salve, Cícero Manoel!!
Parabéns!!!!
Conheço sim, Joca!!
Já tinha até pensado em escrever sobre o Espaço do Cícero aqui, que bom que você também teve essa idéia...
tá perfeito!
beijo pra vc!
Ah...e eu aaaaaaamo o trabalho do Archanjo...
Natacha Maranhão · Teresina, PI 8/7/2007 10:25
Você já imaginou Juca se houvesse um Cícero Manoel em cada cidade brasileira tendo a sua disposição um "Armarinho São Francisco"? Que revolução cultural não seria feita neste país?
Creio que por maior que se torne o espaço físico ele será sempre pequeno diante da grandiosidade da iniciativa, dedicação e amor às artes por parte do Cícero.
Leve, gostosa e atrativa a sua narrativa.
Que tantos outros Cíceros surjam por este imenso Brasil transformando "Armarinhos" em espaços culturais!...
Parabéns e um grande abraço...
Voltarei para votar
Esse trabalho de promoção da arte sem espaço em um espaço pouco é de receber monumento em praça pública com presença das autoridades maiores do planeta: o povo.
Valioso resgate, Joca.
Belo artigo da época também, coisa de bicho solto e despregado a favor dos bons costumes e maneiras gentis.
Esse é o Piauí que vó Marinalva, maranhense , mas criada e casada na Parnaíba antes de cair pras bandas do Sul fala com saudade pra mim, com lágrima quase rolando do olhinho um brilho só.
É da gente do Piauí que ela tem saudade, eu sinto.
Agradecida pelo gentil convite a essa visita.
Voltarei para apertar o botão de gostar.
Gostei de botão, Joca.
esse é o Piauí que me dá alegrias, Joca.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 8/7/2007 12:58
Joca,
Adorei o seu artigo, muito bom estar no Overmundo e poder "visitar" lugares como esse, principalmente pelo seu olhar de extrema sensibilidade. Voltarei para votar!
Beijinho pra ti,
Amandinha.
- Ô Joca, depois que parei de fumar faz mais de 10 anos, pra durmir leio alguma coisa dessas bem úteis... e pego no sono... tô imprimindo para ler hoje domingo e amanhã feriado, se amassar faço outro. um abraço, andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 8/7/2007 18:22
Oi Joca...seu texto me fez quase poder sentir os cheiros e sensações do lugar. Adorei. E pretendo visitar um dia!
Ah, tem um texto meu na fila de votação. Chama-se "papel". veja lá se gosta, ok. O link: www.overmundo.com.br/banco/papel-1
parece que estou lá
volto para votar
Fiquei encantada! Vontade de conhecer! Abraços e parabéns Joca!
Tati MOTTA · Belo Horizonte, MG 9/7/2007 06:38
ok, Joca! Material lido, aprovado e votado.
Abraço,
Pablo
Grande iniciativa esta do Cícero Manuel. Precisamos de mais 'Cíceros' no mundo. Um abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 9/7/2007 08:09
Expressamente autorizado pelo Rogério Newton, transcrevo aqui, na sua integridade, a crônica que ele escreveu, e publicou, meses atrás, no jornal "O Dia", de Teresina. Como se trata de um grande escritor, por favor, evitem comparações.
FLOR NO ASFALTO
Rogério Newton
Quando tinha dez anos, O. G. Rego de Carvalho escreveu na escola uma redação, publicada n’O Fanal, jornal editado por seu avô: era sobre a feira. O grupo escolar foi o mesmo em que estudei, três décadas depois, não mais no sobrado. Mandaram construir um prédio, na Praça do Perdão, e o pintaram de amarelo. Ainda hoje é amarelo. Outro dia, voltei a Oeiras, passei na calçada, encontrei a porta aberta. Segurando a respiração, entrei. Não havia ninguém. No meio do silêncio, na sala de paredes altas, fiquei quieto, ouvindo o quê, meu Deus? O vigia me tirou do devaneio e me viu sair, sem nada entender.
A feira ficava perto. Foi meu pai quem me levou pela primeira vez. Uma multidão de animais e de gente e de coisas que eu nunca tinha visto. Uma algazarra, um colorido, um sol quente... Aprendi a gostar da feira como aprendi a gostar de meu pai: sem entender por quê. Ele comprava e deixava as coisas no comércio do professor Possidônio Queiroz, único negociante do mercado - e da cidade - que vendia livros.
Inda hoje vou à feira. Toda semana. É a minha missa. No Mafuá, palavra negra como o carvão vendido perto da ponte de ferro, o melhor da cidade, e o mais barato. Não me pergunte por que escolhi aquele mercado. Só lá, e não em outro, encontro araticum, no tempo; o gengibre e o açafrão; a goma fresca da casa de farinha de Antônio Divino; folhas de couve para o suco verde; macaxeira não falta, sempre boa; milho, de irrigação ou não; frutas do mato como pitomba e umbu; no tempo da safra, mangas e cajus, que nem levo, pois tenho dois pés em casa botando, fora os presentes que recebo. E não é só isso, pois ninguém vai à feira só pra comprar. Tem os tipos humanos, como o vendedor de cibazol, os bêbados, os mendigos, uma pá de gente. Os amigos que a gente encontra pro dedo de prosa. O carro de som anunciando pomada de copaíba. Às vezes aparece um cego tocando pandeiro e cantando versos endiabrados. E mais...muito mais coisas tem a feira...
Tem até arte! Não só a natural, que se faz inconscientemente, só pelo movimento da vida, da marca suja da vida. Tô falando da arte feita com intencionalidade. É que tem ali, espremido entre dois pontos mais ou menos grandes, um quartinho que, se muito tiver, mede três por quatro metros, onde Dona Zefinha instalou o Armarinho São Francisco, há trinta e cinco anos. Antes mesmo da morte dela, seu filho, o artista plástico Cícero Manoel, deu continuidade ao comércio de miudezas usadas pelas costureiras, mas com uma feliz inovação: sem desmontar o armarinho, transformou-o no Espaço Cultural São Francisco, o único, que eu saiba, a funcionar num mercado popular.
Pequenos objetos, que Cícero foi recolhendo aqui e ali, misturam-se aos avisos escritos nas caixinhas de papelão - “cobrem-se botões”, “prega-se ilhós” - e aos artigos expostos à venda, que variam de rolos de cordão de rede, armadilhas para ratos a brinquedos para crianças. Expostos despretensiosamente no exíguo espaço, na estante única ou em cima do armário, metamorfoseiam-se naquilo que são: singelos exemplares de decoração ou arte, que o olhar desatento nem sempre apreende como tal.
Há uma exposição permanente de desenhos, pinturas e fotografias, espalhados na única parede livre. Quase todo mês acontece de Cícero organizar mostra de artes plásticas. Até ontem, por exemplo, quem expôs foi José Maria, que começou a pintar depois dos oitenta anos. Vez em quando, há lançamento de livro ou outra arruaça, em que se serve garapa de cana e pastel, feitos ali perto. O armário de madeira, abarrotado de livros, é o único móvel da Biblioteca Dona Zefinha, que tem entre suas obras a primeira edição de O Homem e Sua Hora, de Mário Faustino.
Em quatro anos de existência, o espaço Cultural São Francisco amealhou, pelo esforço de Cícero, considerável número de obras de artistas plásticos de vários lugares do Brasil. Ele agora divide parte desse acervo com o público, através da exposição As Cores de Dezembro, cuja visitação começa hoje e vai até janeiro: desenhos e gravuras em metal, xilo e litografia de mais de trinta criadores, entre os quais os piauienses Nonato Oliveira, Albert Piauí, Liz Medeiros, Dora Parentes, Davi Cury e o inesquecível Fernando Costa. E outros como Carlos Scliar, Glauco Rodrigues, Antonio Maia, segundo ele, “fundamentais para a arte brasileira”.
Do asfalto, do nojo, da memória, ia dizendo da miséria, no coração do Mafuá, brota, insólita, uma flor para Teresina, que nem sempre ama a arte como devia. O Espaço Cultural São Francisco – perdoem a comparação pífia – é um oásis no deserto hostil da cidade, no âmago da poética, prosaica, efêmera, eterna feira.
Joca, por que você não sugere ao Rogério Newton que se cadastre no Overmundo para postar os textos dele no Banco de Cultura?
beijos e bom dia
Joca.
Que maravilha hein meu amigo, paabéns pelo texto e pela leveza que nos trouxe mais este exemplo.
Cícero, entre linhas e agulhas, tecendo seu sonho de arte.
Ótima estória de iniciativa cultural.
Bjs
Saravá, anjo andarilho!
E vamos falar é de Cultura, aqui todos são unânimes, não há troca de "farpas"...
Não é que Teresina tem um espaço Cultural deste calibre e ainda serve café da manhã? Espetáculo!!!!!
Postei um recadão para você...Tem que abrir todos os recados...
Beijos da sua admiradora!
Cris
Muito legal, Joca. Seu texto acompanha a simplicidade grandiosa do projeto do Cícero. Que esses espaços espontâneos de cultura se reproduzam que nem cupim pelo comércio do país!
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 9/7/2007 12:11
Joca, anjo guerrilheiro das artes e das letras,
desde 1978, portanto há exatos 29 anos, não vou a Teresina, cidade onde passei a infância entre a Escola Modelo, a Praça do Liceu e a feira do Mercado Municipal (que creio ser o mesmo Mercado do Mafuá), ali próximo ao rio Paranaíba e ao antigo zoológico (estarei misturando as lembranças?) e onde certa vez me perdi há duzentos metros de casa... Ler seu texto me transportou ao universo de uma cidade que me marcou profundamente a alma. Ali ganhei horas de minha vida ouvindo repentistas e cordelistas em rodas na feira, muitas vezes levando "pisas homéricas" por demorar nestes saraus populares quando, a mando de minha mãe, deveria apenas comprar a farinha ou feijão pro almoço e voltar rapidamente (só quem já ouviu um desafio de repentistas ou um cordelista sabe que sair dessas rodas antes do fim é humanamente impossível, mesmo que sob a ameaça de uma "pisa"; ainda mais se houver um "homem da cobra vendendo remédio pra todos os males do corpo e da alma"). Bons tempos, mas que hoje são apenas lembranças particulares que não vêm ao caso. Fato é que Teresina, capital mais verde do Brasil (pelo menos era nesse tempo), deve ter orgulho de pessoas como você, que, com beleza e maestria, contam (e encantam) tão bem a cultura mais autêntica da terra. Maravilhoso texto. Um abraço mais uma vez caloroso deste conterrâneo perdido no Rio. E me desculpe se me alonguei no comentário.
Muito legal o seu texto Joca, que riqueza de detalhes....impressionante..o Brasil precisa de muitos muitos "Cíceros" .Beijão
carol de trancinhas · Brasília, DF 9/7/2007 12:33
Agradeço as informações,para nós aqui do Sul é importante que
saibamos o que acontece em outros lugares,principalmente se o assunto é arte.
Hiiii, Joca,
desculpe-me o imperdoável (pelo menos para mim) "...há duzentos metros de casa". Evidentemente, eu quis dizer "a duzentos metros de casa".
Querido Nivaldo:
Sabe que até soa metafórico "há duzentos metros de casa", principalmente quando associado à ídéia dos "29 anos atrás"?
No entanto, os residentes em Teresina podem esclarecer melhor, parece-me que o mercado das suas lembranças não é o do Mafuá. O do Mafuá fica na Zona Norte, em uma rua quase paralela à Av Miguel Rosa, e aos trilhos do trem, já no caminho para o aeroporto.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca,
Muito legal a iniciativa do Cícero Manoel. E você nem precisou andar muito para encontrá-la. As vezes as coisas boas estão bem perto, né?
Joca, com certeza não mentiste. Parabéns pelo belo trabalho de divulgação desse espaço mais do que especial do Cícero Manoel.
Abr.,
Leandroide.
A cultura é o grande transformador da nossa sociedade. Tem que, holisticamente 'invadir' os espaçoes que lhe caibam
para promover o que melhor tiver que promover!!!
Sucesso a todos dessa empreitada!!!
GRANDE abraço!!!
texto bacana, joca!
Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 9/7/2007 19:57Preciso conhecer o lugar... Beijos, Joca!
Rosa Magalhães · Teresina, PI 9/7/2007 19:58o cícero é um talento, e um dos poucos "heróis culturais" que se doam pelo amor à arte. o armarinho é uma delícia. boa lembrança, Joca. quem sabe surgem outros cíceros pelo Piauí e pelo Brasil afora.
André Gonçalves · Teresina, PI 9/7/2007 20:39
Meus parabéns amigo Joca por esta matéria tão interessante que você publicou a respeito deste espaço cultural. Infelismente a arte no Brasil anda tão desprestigiada... O artista brasileiro enfrenta os maiores obstáculos para conseguir mostrar a sua arte por falta de espaço e também pela dificuldade de acesso a mídia. Meus sinceros aplausos e um grande abraço.
Carlos Magno.
Voltei para votar.
Carlos Magno.
De certa forma, a história do Cícero e do Espaço Cultural no Mafuá me lembra a de um outro brasileiro muito interessante que conheci em Xapuri, o sr. Antonio Zaine. Nas prateleiras da Casa Kalume, que viveu o auge comercial em meados do século passado, sendo um dos principais pontos de negócios naquela cidade, e só não fechou suas portas graças ao senhor Zaine, há uma mistura bastante eclética de produtos. São peças antigas, muitas sem grande valor comercial - e que por vezes parecem ter como único destino o lixo -, que o senhor Zaine trata como verdadeiras relíquias: compra, busca restaurar, vende (esporadicamente). E também produtos de armazém, como latas de óleo, quilos de mantimentos, convivendo com as peças resgatadas/colecionadas por esse descendente de libaneses, que migrou de São Paulo para o Acre. Tudo entremeado por casas de aranha, aqui e acolá.
Sem café da manhã, ele oferece balas e pirulitos a quem visita sua loja, seu ponto de resistência, seu museu particular - mesmo a quem não compra nada. Como ele diz, é para adoçar a boca! Sem dúvida, nosso país fica mais doce com pessoas como o senhor Zaine e o Cícero.
Obrigada por contar-nos esta história e me fazer resgatar um encontro tão especial como o que tive em Xapuri.
Abraço.
Boa.. Joca!
Arte no mercado.. é mais mais do que bem-vinda é revolucionária! Parece que estive lá comi um pedaço de cuscus e fiquei meio no aperto do espaço para ver algumas obras de Arcanjo e adornos interesantes.
Abraço.
Parabéns!
Parabéns Joca!
As redes são livres!
Paz
biAh weRTHer
Joca: é o meu primeiro comments. Gostei...
Ah! Se exustisse um Cícero Manoel em Belém tendo em seu poder um "Armarinho São Francisco"!!!!!!!
Parabéns e um grande abraço...Está votado!
Abçs. Benny.
Hoje entra SOB BETUME DO CAIS. Aguardo o voto.
Que maravilha este 2x2...As preciosidades podem estar em qualquer lugar, desde que o homem tenha consciência da tua estória.Precisamos de "n" espaços de cultura como este...do que esses predios high-tech...Prabéns, vou anotar.
Cintia Thome · São Paulo, SP 10/7/2007 06:53
Grande Joca,
Como "boi lerdo bebe água suja", metáfora meio bruta mas "bene trovatta", retrata que quem deixou para comentar agora tem pouco a dizer sobre teu texto e o objeto dele.
Sobra-me saudar como em outro "post" destes dias, o nome de São Fancisco, como um paraninfo da beleza e simplicidade do "Espaço Cultural...".
Um abração,
Aldo
Oi, Joquinha!
Voltei e votei!
Beijo,
Amandinha.
Joca
DEpois eu comento seu belo texto. Ms já votei no seu talento.
ABraços
Noélio Mello
Morando em Teresina tive a oportunidade de conhecer esse espaço cultural, e esse grande resistente artísta Cícero Manoel. Ainda fizemos um trabalho de arte visual pra uma capa de CD. E também tomei café da manhã com direito a tudo que vc já citou Joca.
Saudações a Cícero Manoel
Valeu Joca
Abraços!!
Queridos amigos;
Acabo de falar, via telefone celular, com o nosso herói Cícero Manoel. Mesmo muito emocionado, ele me pediu para dizer algumas coisas:
1 Que está muito feliz e agradecido com a minha contribuição ao overmundo tendo o “Espaço Cultural São Francisco” como tema.
2 Pede que eu agradeça, falando em seu nome, a todos os que se manifestaram em apoio e louvor à sua iniciativa.
3 Manda avisar que, durante este mês de julho, o Espaço estará funcionando da forma a mais precária, pois “Estaremos em Reforma para melhor atender os nossos clientes e amigos ” (quando falamos, ele estava, com a arquiteta, em uma casa de material de construção, escolhendo os 4m²(?) do piso)
4 Lembra que o nome completo da arquiteta que elaborou o projeto é Ana Márcia Moura.
5 Convida a todos para que visitem, a partir do dia 11 de agosto de 2007, a nova exposição “TODAS AS CORES DE TERESINA”, a ocorrer no renovado Espaço Cultural São Francisco . Se tudo der certo, estarei lá!
Beijos e abraços
Do Joca Oeiras, o anjo andarilho
A fome era tanta que "comeram" até um J do desjejum... no início da crônica. Mas artista vai onde tem comida, parecem todos estarem sempre morrendo de fome. (Maldade minha!)
Dê meus sinceros parabéns ao filho de dona Zefinha (com esse nome só podia ser literato ou afim!), mas a lamentar somente o nome do bairro... MAFUÁ! É de brasileiros assim que o pais precisa. Vou mandar uns livros locais para ele, assim que minha siutação melhorar por aqui. Parabéns, JOCA !
maravilha joca, viva o Piauí!!!
vira e mexe, aparece alguem disposto a salvar a cultura.
abraços ,amigo.
E ainda tem gente insistindo em afirmar que nosso povo não tem cultura. E o que é melhor, cultura inclusiva. Belíssima narrativa, Joca e Parabéns ao Cícero Manoel pela resistência e disposição.
Abraços!
Que mafuá bacana, esse!
Ilhandarilha · Vitória, ES 10/7/2007 22:36
Já tinha visitado e votado, Joca. Só faltava dizer.
Gostei muito. O Piauí (houve um tempo que diziam que não) , realmente existe!
Abs,
Queridoa amigos:
Acabo de publicar, no portal www.180graus.com a seguinte matéri
"Carta Aberta ao Prefeito de Teresina
Por Joca Oeiras
Ao dirigir, publicamente, esta carta ao amigo prefeito, tenho plena consciência de estar assumindo alguns riscos, que, tenho certeza, não correria se a estivesse enviando apenas a você, em particular. Digo isto porque conheço, por experiência própria, a sensibilidade de que é dotado o prefeito de Teresina.
São, pelo menos, de duas ordens os riscos que corro: a primeira é que, muitas pessoas, ao lerem o inteiro teor desta carta, irão me acusar de estar tentando ocupar o precioso tempo do alcaide com coisas de somenos importância.
A segunda, que deve partir, certamente, de pessoas xenofóbicas, diz respeito ao fato de que eu sequer resido na capital e que, portanto, não tenho legitimidade para propor coisa alguma atinente à Cidade Verde.
Não vou dizer que "tou nem aí" inclusive porque, se isto fosse verdade, eu não estaria gastando tempo e latim com esses possíveis detratores. Mas sim dizer por que, apesar disso tudo, me animei a escrever a presente carta.
Tudo começou dois anos atrás,em junho de 2005 quando, insistentemente convidado, no bar do Clube dos Diários, resolvi aceitar o convite do Cícero Manoel e participar da vernissage matinal da exposição "Gabriel Archanjo, desenhos e pinturas". Foi assim que conheci o glorioso "Espaço Cultural São Francisco", prova material de que é possível, mesmo no lugar mais improvável, cavar trincheiras de resistência cultural a essa desumanizadora globalização que nos querem impingir como inevitável.
Outro dia fiz uma nova incursão ao Mafuá (e, inclusive, vi uma foto sua visitando o Espaço) e conversei com o Cícero que está muito preocupado com a notoriedade obtida pelo "Espaço Cultural São Francisco" pois o número de visitantes é crescente e o espaço, como o amigo sabe, é muito exíguo.
Desnecessário dizer que o proprietário do Armarinho São Francisco tem em mim um fã incondicional. E foi nesta condição que publiquei um texto sobre toda esta história no blog do "Overmundo", site colaborativo em nível nacional que conta com o apoio da Petrobrás e do Minc e onde interagem pessoas de norte a sul do Brasil.
A história do filho da Dona Zefinha e de sua dedicação à Arte fez muito sucesso no overmundo, como testemunham os 320 votos e os 49 comentários (vindos dos mais diversos locais do país) que a colaboração
(http://www.overmundo.com.br/overblog/dois-x-dois-armarinho-e-arte-no-mercado-do-mafua) obteve até agora.
Por isto não pude deixar de pensar: Totalmente reformado, não seria esse o momento de franquear outros espaços do Mercado do Mafuá para que o Cícero pudesse expor os frutos do seu paciente trabalho de garimpeiro da arte? Não seria interessante para a PMT, apoiando o trabalho do Cícero, ver o Mercado referenciado como "mais um espaço de arte" de que Teresina ainda é tão carente?
Fica, portanto, aqui, a sugestão. Sei perfeitamente que estas coisas não são tão fáceis assim. Mas a idéia, alem de não envolver custos elevados, tem tudo para ser viabilizada, dependendo apenas de vontade política de quem não brinca de ser prefeito."
muito bacana, Joca!! só faço uma observação: não é resistência cultural o meu foco de interesse, e nem creio que uma iniciativa tão interessante tenha que ser encarada dessa forma. esse é um rótulo que pressupõe algumas idéias meio controversas.. a Marilena Chauí no texto "conformismo e resistência" fala sobre isso, e também o Umberto Eco em "apocalípticos e integrados" (obra que aliás fala sobre muitas outras coisas). beijo!
Inês Nin · Rio de Janeiro, RJ 12/7/2007 01:16
Caríssimo Joca,
Parabéns para o mercado mafuá, parabéns para o povo de Teresina, parabéns para você meu amigo pelo incentivo e a força que você está dando à cultura deste lugar, já que para a dona Mídia apenas a zona sul do Rio de Janeiro e São Paulo fazem parte do Brasil, iniciativas como a sua é de extema importância. Miltom Nascimento e Caetano Veloso que me dêem licença, mas o artista tem que ir aonde está os milagres do povo.
Grande abraço!!!
Parabéns, Joca. Sempre trazendo aos overmanos as peculiaridades do Piauí, que no seduzem.
abcs
Querida Inês:
Não entendi nada o que você quis dizer, a não ser que sugere que eu leia a Marilena Chaui e Humberto Eco antes de fazer um juízo sobre o significado da existêcia do "Espaço Cultural São Francisco". Exigências demais para um pobre andarilho, não acha?
Não daria pra você pelo menos adiantar onde está pegando, hein, meu bem? E vc acabou não me contando qual é mesmo o seu foco de interesses. Não é segredo, espero.
Beijos e abraços
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca de Oeiras, que ainda não tive o prazer de conhecer e leitores de Overmundo,
Apenas um depoimento: em janeiro de 2006, estando de férias em Teresina, fui levado, por meu irmão Moisés, para ver algo inusitado. Num dos boxes do Mercado do Mafuá, dizia meu irmão, tinha um armarinho que exibia uns livros e uns quadros curiosos.
Como o Mercado do Mafuá é um dos meus lugares prediletos em Teresina, desde os tempos da famosa panelada da “De Sola”, foi conhecer o Espaço Cultural São Francisco. E fiquei muito fascinado. Cícero, mantinha no armarinho, entre linhas, botões e fitas, um arquivo precioso de seu árduo trabalho de garimpeiro cultural em Teresina. Tive nas mãos e nos olhos documentos raros da história cultural da cidade. Este espaço é de importância enorme para Teresina e concordo com uma campanha para uma ampliação, desde que não saia do Mafuá, continue se chamando São Francisco e permaneça entre os artigos de miudeza do armarinho. Este espírito deve ser preservado mais que tudo. Voltando no fim do ano tive o prazer de tomar uma cerveja e conversar fiado com o Cícero na Praça Pedro II, tendo como testemunha a lenda viva desta cidade, o sempre jovem, de lindos cabelos longos e grisalhos, Assai Campelo, que tenho na alta estima de amigo. Espero que um dia coincida de poder ir a uma vernissage às oito da manhã com café preto, bolo frito e cariri, produtos da alta culinária piauiense. Que São Francisco guarde o Cícero, que além de falar com seus botões, teceu com linhas e fitas uma conexão com o mundo, a partir do Mafuá...
Edmar Oliveira, Rio de Janeiro
Querido Edmar:
Fico muito agradecido pelo eloqüente testemunho que acabou de prestar, e tenho certeza que o Cícero também vai ficar muito feliz com suas lembranças.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Olá Joca!
Cheguei atrasado, mas por hipótese alguma iria deixar de dar o meu voto e reler a tua narrativa
Um grande abraço
Um abraço para o Cicero e para você, Joca!
Tem sido com agradável surpresa que tenho aprendido sobre o Norte e Nordeste do Brasil, através de pequenas pérolas como as dos overmanos.
Não lemos dicas grandiosas como essa em guias de turismo. Esse é o verdadeiro Brasil de que devemos manter o peito estufado de orgulho.
Parabéns e muito obrigada ao Joca e ao Cícero.
Estou amando fazer parte do Overmundo ao lado de todos vocês.
Beijinhos carinhosos.
Belo trabalho Joca.
Parabéns!
Fabio Campos
Queridos amigos:
Vejam o recado que recebi no MSN (o nome dela é Márcia)
"mrc_rd@hotmail.com diz:
li recentemente um email seu no orkut falando de um texto no overblog, sobre o "centro cultural são francisco" no mafuá!
mrc_rd@hotmail.com diz:
adorei!!
mrc_rd@hotmail.com diz:
estou maluca pra conhecer!
mrc_rd@hotmail.com diz:
será que o ministério público não poderia entrar com uma ação pra expandir a lojinha da Dona Zefinha?
um abraço!
mrc_rd@hotmail.com diz:
ah...votei no overblog
mrc_rd@hotmail.com diz:
claro
mrc_rd@hotmail.com diz:
beijão"
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
PS A Dra Márcia é médica, teresinense radicada em Fortaleza.
Joca do Céu,
Que mafuá é esse, menino??? Adoorei!
Tô um pouco afastado do Overmundo e somente hoje vi seu recado.
Parabéns mais uma vez pela matéria.
Um abraço grande
Queridos amigos:
Relendo os comentários apostos a esta minha colaboração fiquei, de novo, muito emocionado e contente por ter decidido escrever sobre o Cícero e seu mágico e encantador Espaço Cultural. Não vim aqui para isso, no entanto; vim para dizer que o Espaço Cultural São Francisco está com um site novo e que ele até já virou internauta com endereço de e-mail e tudo.
Na última conversa que tive com ele revelou-me que está muito contente com o respaldo que vem recebendo de toda a midia piauiense o que faz com que o espaço esteja sendo muito visitado. Na parede reservada para o armarinho o Cícero resolveu expor as mercadorias à venda, o qu acabou fazendo também dela uma instalação artística. Pretendo, em breve, postar muitas fotos, que já se encontram em meu poder, do Espaço após a reforma.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
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