Rosto pintado de branco, olhos delineados com lápis preto, nariz que segura na ponta uma bola vermelha de plástico duro, roupas e acessórios coloridos. A imagem de palhaço é o visual de estudantes da USP - Ribeirão Preto, que dedicam horas da semana para alegrar a vida de crianças doentes. Ao falar em universidade, logo imagina-se a correria do dia-a-dia, pilhas de livros nas mãos de cada estudante e conversas nas salas de aula. Sim, isso de fato ocorre com os alunos da USP. Mas não é só.
Estudantes de vários cursos vestidos de palhaços ou de bonecos espalham-se pelos corredores da Enfermaria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina. Por outro lado, um cenário sem cor que abriga crianças debilitadas devido aos fortes tratamentos a que são submetidas. Para tentar aliviar o sofrimento e a dor desses pequenos pacientes, foi fundada a “Companhia do Riso”. O nome já diz tudo.
A Companhia foi formada em 1995 com o objetivo de desenvolver um trabalho capaz de auxiliar no tratamento e na recuperação de crianças hospitalizadas. A idéia é amenizar o quadro desses pequenos pacientes que ficam deitados por horas e horas nas camas do hospital e só vêem médicos, enfermeiros, agulhas e remédios a serem tomados. Os estudantes voluntários entram no hospital munidos de violões e solidariedade. A alegria nos olhos das crianças é facilmente percebida: atentas à música e à dança daqueles palhaços e bonecos, o desconforto dá espaço a um sorriso, e as mãozinhas se agitam para acompanhar o ritmo contagiante do grupo.
O nariz colorido é a marca registrada desses voluntários. Música, teatro, dança e mágica são alguns dos recursos utilizados pelos alunos para estimular o riso e a alegria das crianças. “O brincar modifica o ambiente hospitalar porque aqui dentro a criança se desenvolve e cresce. Ela precisa ter um ambiente de brincadeira e alegria’’, diz a voluntária e aluna de enfermagem, Marcela Soares. “Nós aprendemos muito com as crianças e acredito que o grupo contribui bastante para a melhoria da vida desses pacientes. Trazemos um pouquinho de felicidade’’, diz a universitária Cristina Mendes, com um pompom colorido na cabeça.
“E se alguma coisa ainda está doendo, é só chamar a tia que ela vem correndo!”. Esse é um trecho de uma das várias músicas que os estudantes cantam para os hospitalizados. Uma roda é feita em torno da criança doente, e os jovens tocam, cantam e dançam.
Mesmo doente, o lado saudável da criança precisa ser estimulado e a brincadeira é uma importante alternativa. Com um brilho invejável de felicidade no olhar, a enfermeira Ana Carolina Galbiati diz que as crianças ficam ansiosas esperando pela chegada do grupo. Todas as terças e quintas-feiras, as crianças aguardam a Companhia do Riso e parecem esquecer por aquele momento da dor e da angústia que a doença traz.
Para quem observa, fica claro que estudantes e pacientes mergulham em uma infusão a qual proporcionará o melhor medicamento que existe: a alegria.
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