A partir de uma sugestão do amigo Thiago Camelo, decidi dedicar a última coluna de cada mês a recordar histórias e curiosidades da teledramaturgia brasileira. A cada mês, teremos um momento intitulado "E a teledramaturgia contou..." (espero que o tÃtulo agrade, amigos), na qual revivemos virtualmente coisas que se passaram na nossa telinha.
E, nesta primeira coluna, não poderia haver outro assunto que não Anastácia, a mulher sem destino, e o célebre desfecho que consagraria Janete Clair como uma das mais talentosas escritoras de novelas, a "Nossa Senhora das oito", como bem definiu o pesquisador Mauro Alencar.
Caso tenham mais sugestões, coisas que queiram ler nesta série, por favor, digam nos comentários.
Bom, mas vamos logo à história. E foi assim que a teledramaturgia contou... Anastácia, a mulher sem destino
***
Em seus primeiros passos na teledramaturgia, a TV Globo já buscava se diferenciar das concorrentes (que apostavam em melodramas adaptados de textos mexicanos e cubanos) para conseguir audiência. Para isto, a emissora contratou uma escritora cubana chamada Glória Magadan, que, por ter vivido por muitos anos nos Estados Unidos, poderia trazer para o Brasil os truques e as artimanhas tÃpicos das soap operas americanas.
Ela escrevia e supervisionava as tramas que iam ao ar na "jovem" emissora do Jardim Botânico, e acabou criando um tipo de novela designado por pesquisadores no assunto como "folhetim de capa e espada". O "padrão" de novela global tinha sempre a mesma caracterÃstica: as histórias se passavam em séculos anteriores, ambientadas em paÃses do Leste Europeu e da Arábia, e as tramas envolviam duques, condessas, bastardos - não importava o nome do autor, todos (Dias Gomes, Walter George Durst e tantos outros) eram submetidos ao "estilo" de Glória Magadan.
Não seria diferente na novela que estrearia à s 21h da programação da TV Globo no dia 28 de junho de 1967. A partir daquela data, os espectadores globais passariam a acompanhar a saga de Anastácia, uma pobre moça que era cuidada por um lenhador desde que ele a encontrou abandonada numa floresta. Ao crescer, ela descobria ser filha de uma paixão proibida de Nicolau III, o último czar russo. Mas com a crise que acabava com a monarquia do paÃs, a moça se refugiava numa ilha vulcânica das Antilhas, escondendo sua identidade.
Assinada por Emiliano Queiroz, Anastácia, a mulher sem destino, aos poucos, foi se tornando uma dor-de-cabeça para a TV Globo. Solidário aos colegas de profissão, Emiliano arranjava emprego para atores e inchava o número de personagens na novela - deixando a trama a cada capÃtulo mais confusa e, principalmente, dando mais gastos à produção da emissora.
No capÃtulo 40, Glória Magadan recorreu a uma autora ainda de pouco destaque para tentar descascar o "abacaxi" que Anastácia, a mulher sem destino se tornou para a TV Globo. Contratada apenas para dar uma reviravolta numa trama, Janete Clair começaria a entrar para a história da TV brasileira por uma solução drástica e eficaz.
Acontecia um terremoto na ilha em que se passava a trama, e boa parte dos personagens morria com o tremor de terra - mas, por descuido de Janete, a personagem que sabia do segredo da trama acabava morta. Depois da catástrofe, passavam-se 20 anos, e surgia uma nova trama (tendo apenas quatro dos personagens criados originalmente por Emiliano Queiroz).
Apesar de não alterar os números da audiência, Janete foi responsável por traçar dois destinos. O da pobre Anastácia (que chegou a se tornar mãe com a passagem de 20 anos, e ambas as personagens foram vividas por Leila Diniz) e o da história da teledramaturgia brasileira - que, no mesmo ano, começaria a retratar a realidade do paÃs, deixando obsoletos os melodramas das Arábias criados de maneira mirabolante por Glória Magadan.
***
Fontes consultadas:
Site
Teledramaturgia www.teledramaturgia.com.br
Livros
A Hollywood brasileira, de Mauro Alencar
Nossa Senhora das oito, de Mauro Alencar
Memória da telenovela brasileira, de Ismael Fernandes
Muito legal, VinÃcius! Eu não entendo muito de novela (embora até tenha acompanhado algumas e esteja, atualmente, vendo com bastante freqüência ParaÃso Tropical). Aguardo com animação suas próximas histórias. Grande abraço!
Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 29/5/2007 12:52
Apesar de não gostar de novela, achei muito legal a idéia da série, é bem interessante e esperamos o próximo capÃtulo.
Abraço,
Leandro
Viva o final non sense nas novelas!
Como as bananas de Bye Bye Brasil (ou Selva de Pedra ou Saramandaia, sei lá).
Não sou fá de novelas, mas adoro o Dias Gomes e a Janete. E terremoto nos olhos dos outros...
Se bem que a reprise com o meteoro de 'O Fim do Mundo'...
zepereiranoticias.blogspot.com · Belo Horizonte, MG 31/5/2007 18:26
A gente tem que considerar a novela. Afinal, ela é parte do imaginário nacional.
VinÃcius, fala de Os Ossos do Barão... vc tem alguma informação sobre essa novela?
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!