E a teledramaturgia contou...

Site Teledramaturgia
Leila Diniz como Anastácia: o folhetim de capa-e-espada com os dias contados.
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Vinícius Faustini · Rio de Janeiro, RJ
31/5/2007 · 83 · 5
 

A partir de uma sugestão do amigo Thiago Camelo, decidi dedicar a última coluna de cada mês a recordar histórias e curiosidades da teledramaturgia brasileira. A cada mês, teremos um momento intitulado "E a teledramaturgia contou..." (espero que o título agrade, amigos), na qual revivemos virtualmente coisas que se passaram na nossa telinha.

E, nesta primeira coluna, não poderia haver outro assunto que não Anastácia, a mulher sem destino, e o célebre desfecho que consagraria Janete Clair como uma das mais talentosas escritoras de novelas, a "Nossa Senhora das oito", como bem definiu o pesquisador Mauro Alencar.

Caso tenham mais sugestões, coisas que queiram ler nesta série, por favor, digam nos comentários.

Bom, mas vamos logo à história. E foi assim que a teledramaturgia contou... Anastácia, a mulher sem destino

***
Em seus primeiros passos na teledramaturgia, a TV Globo já buscava se diferenciar das concorrentes (que apostavam em melodramas adaptados de textos mexicanos e cubanos) para conseguir audiência. Para isto, a emissora contratou uma escritora cubana chamada Glória Magadan, que, por ter vivido por muitos anos nos Estados Unidos, poderia trazer para o Brasil os truques e as artimanhas típicos das soap operas americanas.

Ela escrevia e supervisionava as tramas que iam ao ar na "jovem" emissora do Jardim Botânico, e acabou criando um tipo de novela designado por pesquisadores no assunto como "folhetim de capa e espada". O "padrão" de novela global tinha sempre a mesma característica: as histórias se passavam em séculos anteriores, ambientadas em países do Leste Europeu e da Arábia, e as tramas envolviam duques, condessas, bastardos - não importava o nome do autor, todos (Dias Gomes, Walter George Durst e tantos outros) eram submetidos ao "estilo" de Glória Magadan.

Não seria diferente na novela que estrearia às 21h da programação da TV Globo no dia 28 de junho de 1967. A partir daquela data, os espectadores globais passariam a acompanhar a saga de Anastácia, uma pobre moça que era cuidada por um lenhador desde que ele a encontrou abandonada numa floresta. Ao crescer, ela descobria ser filha de uma paixão proibida de Nicolau III, o último czar russo. Mas com a crise que acabava com a monarquia do país, a moça se refugiava numa ilha vulcânica das Antilhas, escondendo sua identidade.

Assinada por Emiliano Queiroz, Anastácia, a mulher sem destino, aos poucos, foi se tornando uma dor-de-cabeça para a TV Globo. Solidário aos colegas de profissão, Emiliano arranjava emprego para atores e inchava o número de personagens na novela - deixando a trama a cada capítulo mais confusa e, principalmente, dando mais gastos à produção da emissora.

No capítulo 40, Glória Magadan recorreu a uma autora ainda de pouco destaque para tentar descascar o "abacaxi" que Anastácia, a mulher sem destino se tornou para a TV Globo. Contratada apenas para dar uma reviravolta numa trama, Janete Clair começaria a entrar para a história da TV brasileira por uma solução drástica e eficaz.

Acontecia um terremoto na ilha em que se passava a trama, e boa parte dos personagens morria com o tremor de terra - mas, por descuido de Janete, a personagem que sabia do segredo da trama acabava morta. Depois da catástrofe, passavam-se 20 anos, e surgia uma nova trama (tendo apenas quatro dos personagens criados originalmente por Emiliano Queiroz).

Apesar de não alterar os números da audiência, Janete foi responsável por traçar dois destinos. O da pobre Anastácia (que chegou a se tornar mãe com a passagem de 20 anos, e ambas as personagens foram vividas por Leila Diniz) e o da história da teledramaturgia brasileira - que, no mesmo ano, começaria a retratar a realidade do país, deixando obsoletos os melodramas das Arábias criados de maneira mirabolante por Glória Magadan.

***
Fontes consultadas:

Site
Teledramaturgia www.teledramaturgia.com.br

Livros
A Hollywood brasileira, de Mauro Alencar
Nossa Senhora das oito, de Mauro Alencar
Memória da telenovela brasileira, de Ismael Fernandes

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Thiago Camelo
 

Muito legal, Vinícius! Eu não entendo muito de novela (embora até tenha acompanhado algumas e esteja, atualmente, vendo com bastante freqüência Paraíso Tropical). Aguardo com animação suas próximas histórias. Grande abraço!

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 29/5/2007 12:52
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Leandróide
 

Apesar de não gostar de novela, achei muito legal a idéia da série, é bem interessante e esperamos o próximo capítulo.
Abraço,
Leandro

Leandróide · Florianópolis, SC 30/5/2007 17:17
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zepereiranoticias.blogspot.com
 

Viva o final non sense nas novelas!
Como as bananas de Bye Bye Brasil (ou Selva de Pedra ou Saramandaia, sei lá).
Não sou fá de novelas, mas adoro o Dias Gomes e a Janete. E terremoto nos olhos dos outros...

zepereiranoticias.blogspot.com · Belo Horizonte, MG 31/5/2007 18:25
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zepereiranoticias.blogspot.com
 

Se bem que a reprise com o meteoro de 'O Fim do Mundo'...

zepereiranoticias.blogspot.com · Belo Horizonte, MG 31/5/2007 18:26
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Ilhandarilha
 

A gente tem que considerar a novela. Afinal, ela é parte do imaginário nacional.
Vinícius, fala de Os Ossos do Barão... vc tem alguma informação sobre essa novela?

Ilhandarilha · Vitória, ES 31/5/2007 18:34
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