É do Careca que Nós Gostamos Mais

Fred Luna
Abraço Simbólico ao Morro do Careca
1
Esso A. · Natal, RN
2/3/2007 · 75 · 6
 


Yuno Sam é um guerreiro.
Yuno Sam partiu no último ano para um enfrentamento capaz de desencorajar muitos ... Lutou contra a construção de 5 feios edifícios que seriam instalados dentro do bairro de Ponta Negra, em Natal/RN, onde atua como jornalista e vez ou outra (quando dá conta) em produções culturais alternativas.
O próprio Yuno me contou que durante seu trabalho como assessor de imprensa descobriu o plano dos construtores, tudo tramado sem alarde, sem conhecimento da população, sem discussão com a comunidade, sem. Aí foi o jeito tomar o ônibus todas as vezes com um nariz de palhaço, e mais pro fim da linha, justo onde moravam os que seriam mais afetados pelos monstros de concreto, expor aos passageiros da região os conchavos que estavam rolando entre setores administrativos e empreendedores inescrupulosos.
A campanha, assim iniciada, foi se avolumando e depois ganhou seu contorno definitivo através do blogue “s.o.s. pontanegra” onde foi criada uma lista de adesão ao movimento de repúdio às edificações. Mais tarde, com o crescente interesse do público pela causa e a conseqüente difusão da questão até no noticiário nacional, foi possível articular um simbólico abraço gigantesco ao Morro do Careca (cartão postal da praia - foto), já com grande presença de público e até de autoridades engajadas na preservação ambiental. Até aí, quando inclusive artistas de renome manifestaram-se em apoio durante suas apresentações no Rio Grande do Norte, muita pedra já havia rolado dentro das instâncias jurídicas, em ações movidas pelo ministério público para barrar a ousadia disparatada da classe que constrói destruindo. E então, por fim, a prefeitura embargou a subida dos espigões.
Mesmo sem estar presente, acompanhei de longe a questão, torcendo para que o desenlace fosse favorável ao apelo da população local, que se envolveu engrossando o côro de descontentes com a atual situação urbanística da chamada Cidade do Sol, capital potiguar, situada num recanto do mar do Brasil.
De fato, qualquer olhar mais atento logo pode constatar a falta de beleza nas construções verticais que vêm sendo levantadas no cenário arquitetônico natalense. É fácil perceber que a grande maioria dos empreendimentos não estão preocupados com nada menos imediato que a simples exploração do ‘bum’ financeiro provocado pelo processo que vem colocando a cidade no rol das mais procuradas como destino turístico de patrícios cansados do sul e gringos mal intencionados em busca de sexo barato. Tá feia a coisa, caras.
Feio em cima.
Feio em baixo.
Alguns prédios são realmente de um mau gosto fora do comum, num horrível padrão sem igual, que mais lembram favelões eretos. E no chão, pela areia das praias, as nativas – cada vez mais lindas – estão sendo alisadas por italianos tarados, espanhóis truculentos, argentinos maleducados e mexicanos bêbados a confundir toda e qualquer mulher com prostitutas e vagabundas. Não tá dando certo, não. Prá ninguém, é claro. Natal vem sendo citada cada vez mais nos meios de comunicação internos e internacionais como um pólo de turismo sexual em franca expansão, dizendo-se em desenvolvimento impulsionada pela atividade. Mas, como sabemos, uma putaria de vez em quando ... vá lá!
Agora, todo dia não tem quem agüente.
Tô fora!!

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Egeu Laus
 

Assunto interessante, Esso. Movimentos populares que dão certo são sempre necessários pra incentivar a moçada.
Aproveita e coloca uma linha em branco entre alguns parágrafos pra arejar melhor o texto.
Abraço!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 1/3/2007 20:06
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Yuno Silva
 

fala Esso, valeu demais o toque sobre o SOS Ponta Negra, Movimento que abalou as estruturas do coronelismo provinciano que aflige a qualidade de vida daqueles que escolheram Natal como lar.

Para quem ainda não tinha ouvido falar no SAM, foi adotado extra-oficialmente depois de tanto perguntarem se eu era filho de japonês: então acabou Yuno Silva Sam, descendente direto de índios Guaranis do Sudeste e confundido (pelo nome) constantemente com povos orientais.

Bem, quanto às produções culturais alternativas: "Ai se o dia tivesse 48 horas!!" Que dá dá, falta é tempo.

Ah, uma correção: esqueça assessor de imprensa, o trabalho era de repórter investigativo. GRANDE ABRAÇO

Yuno Silva · Natal, RN 2/3/2007 11:26
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Yuno Silva
 

Opa, anotem também o BLOG Ruído Muderno que está em cartaz aqui no Overmundo: www.overmundo.com.br/blog/ruido-muderno-1. Está atualizado!! abraços

Yuno Silva · Natal, RN 2/3/2007 11:32
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Yuno Silva
 

o linK do BLOG aí de cima deu problema, estou tentando de novo (acho que esqueci de incluir o HTTP antes direto no código): www.overmundo.com.br/blog/ruido-muderno-1

Yuno Silva · Natal, RN 2/3/2007 11:37
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Guilherme Mattoso
 

fala esso, ótimo texto. mostra como essas iniciativas podem dar certo se as sociedade estiver mais integrada e ciente dos fatos. e paravéns para o yuno.

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 2/3/2007 17:15
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Elizete Vasconcelos Arantes Filha
 

Acompanhei de perto esta história. Não pude contribuir com a minha presença e o meu abraço no "carecão" pois estava numa programação inadiável. Mas, acompanhei de perto tudo e confesso... sou fâ do Yuno, um grande jornalista, o verdadeiro "O cara".
Elizete Arantes

Elizete Vasconcelos Arantes Filha · Natal, RN 4/8/2007 17:46
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