Prezados amigos, colegas e leitores,
Já se encontra no ar a edição número 5 de "História, imagem e narrativas" (ISSN 1808-9895 - http://www.historiaimagem.com.br ). Comemoramos nossos dois anos de publicação com uma edição toda especial, com um número maior de artigos e com um encarte especial virtual sobre uma das mais importantes mídias conhecidas: as histórias em quadrinhos. O encarte especial vem com 11 artigos novos, links para artigos anteriores sobre HQ's e História e uma exclusividade: duas HQ's publicadas no site. Além do encarte, a edição tradicional traz mais 16 artigos e uma resenha, perfazendo um total de 28 matérias. Estamos também com novidades na seção de painéis, com duas colaborações que falam de charges e caricaturas.
A revista começou em 2005 com um projeto que procurava viabilizar e propagar de forma eficiente os estudos históricos dentro de uma visão inter e transdisciplinar. Com o tempo ela foi assumindo uma identidade mais flexível, mais condizente com a idéia de integrar a pesquisa em Ciências Humanas com estudos literários, artes e comunicação. Em meio às edições anteriores os leitores hão de notar uma influência significativa de Edgar Morin na proposta, além de, é claro outros pensadores não menos importantes desta virada de milênio. A primeira edição chegou com alguns trabalhos realizados por mestrandos, mormente do Rio de Janeiro (UFF e UFRJ) e trouxe várias opções de navegação, opções estas que se mantém até hoje. Elas consistem na divulgação de eventos Brasil afora e do exterior em nossa agenda, na divulgação de painéis apresentados em eventos nacionais, nas dicas de livros relacionados ao escopo da publicação e em links variados. Completando esse quadro, temos também um banco de imagens que recebe doações, visando favorecer os pesquisadores que têm dificuldade para acessar ou para arcar com os altos custos da pesquisa com imagens cujos direitos pertencem a grandes instituições e empresas.
A edição 2 seguiu de maneira relativamente próxima a edição 1, sendo que contava com um número maior de artigos e um conselho consultivo mais consistente. Nela também figuraram artigos de professores adjuntos de universidades federais e pós-doutorandos que avaliaram muito positivamente a proposta e contribuíram com um pouco de suas pesquisas. Já a edição 3 cresceu exponencialmente. Do número 1 ao número 3 tivemos artigos voltados aos quadrinhos juntamente com os demais ramos de pesquisa entre História, Literatura e Filosofia enfocando as artes. O número 4 veio com o dossiê “Medo”, que teve uma enorme visitação num momento como o atual em que se discute o problema do terrorismo, a violência, as desigualdades e tudo o mais que possa promover o temor nas sociedades através dos tempos. Enfim, chegamos à edição atual.Veja o sumário em http://historiaimagem.com.br/edicao5setembro2007/edicao5.php
Segue, abaixo, o editorial da presente edição:
A redescoberta dos quadrinhos em tempos de mídia planetária
por Carlos Hollanda
Entre as idéias mais criativas e inteligentes nas artes, na literatura e na comunicação contemporâneas podemos certamente destacar as histórias em quadrinhos. Esta mídia, que vem desde o século XIX agregando leitores e consumidores, desde os analfabetos até os eruditos, passou por muitas mudanças promovidas pelos avanços tecnológicos, especialmente os mais recentes, que permitem aos artistas e escritores uma agilidade sem precedentes em sua produção. Uma agilidade que atualmente já não é mais tão dependente do poder econômico das grandes editoras ou das grandes distribuidoras, muito embora a hegemonia destas se mantenha em termos de mercado. Contudo, com o advento da Internet e de iniciativas localizadas, regionais, de autores e editores independentes, além dos chamados "scans" (histórias em quadrinhos digitalizadas via scanner e disponibilizadas em sites de compartilhamento, com ou sem autorização), o público passou a ter um acesso nunca antes imaginado a esse divertimento e a essa expressão cultural que não pára de se desenvolver e estimular novos criadores ou pesquisadores na área. Em seus primórdios as HQ's eram um entretenimento barato, acessível mesmo para aqueles que viveram a Grande Depressão dos anos 30, nos EUA e suas repercussões em outros países. Hoje, as editoras redescobriram um mercado que só tende a crescer e investem em publicações para públicos diferenciados, sobretudo o adulto, que constitui uma significativa parcela do mercado e consome títulos de alto custo, em edições luxuosas, com capa dura e papel couché impresso em cores. Isso, é claro, no Brasil, pois em países como EUA, França e Japão, por exemplo, o consumo de quadrinhos sempre foi muito grande, possuindo as HQ's, em muitos casos, status igual ou próximo às artes tradicionalmente consideradas nas galerias e nos círculos eruditos.
Nossa edição especial comemora 2 anos de muito trabalho e satisfação entre pesquisas e práticas ligadas à mídia e às Ciências Humanas. Começamos, logo na primeira edição e no primeiro artigo, com os quadrinhos. No momento histórico do primeiro lançamento estávamos em meio ao boom de várias expressões quadrinísticas motivadas, entre outros fatores, pela chegada dos novos filmes de super-heróis, assim como as demais produções cinematográficas relacionadas aos comics norte-americanos. Com isso, a linguagem dos quadrinhos e seus personagem vinham ganhando novo fôlego, fazendo com que a indústria aproveitasse o interesse gerado pelo estímulo ao imaginário e derramasse diversos brinquedos, brindes, badulaques mil no mercado. Hoje, não muito tempo depois, tal fenômeno difere bem pouco. Os meios de comunicação vão-se tornando mais acessíveis, a informação deixa de ser privilégio de poucos, enquanto reiteram-se a cada momento os contornos de uma mídia planetária. Que conseqüências isso poderá ter nos anos vindouros? O que implica a absorção massiva de tantas informações? O que elas levam e trazem e quais seus efeitos a médio e longo prazo? Algumas das análises de nossos articulistas traçam um perfil do processo, enquanto outros preocupam-se em decodificar, por intermédio da semiótica e outras ferramentas conceituais, os elementos socioculturais transmitidos nos quadrinhos. Para tornar claro o que definimos como "mídia planetária", eis um excerto do artigo "Estratégias de mídia no cenário global", de Denis de Moraes, na revista Contracampo no. 2:
No contexto de economia globalizada e de cultura mundializada que caracteriza o capitalismo tardio, as tecnologias propiciam ao campo da comunicação um dinamismo sem precedentes. Elas tornam disponível, a camadas ponderáveis de audiência, um estoque inimaginável de dados e imagens, de opções de entretenimento e de simulacros. Os aparatos de divulgação disponibilizam signos sociais que assumem significação mundial. Não apenas marcas de produtos (Benetton, McDonald’s, Levi’s, Mitsubishi, Microsoft, Kodak, Panasonic, Visa, IBM, Nestlé, Phillips, Calvin Klein, Nike etc.), como também referências culturais (artistas, ídolos esportivos, estilistas, pensadores, programas de televisão, filmes, vídeos etc.) afirmam-se perante os consumidores, sem procedências nitidamente identificadas.
Tais signos prefiguram uma memória coletiva partilhada por pessoas dispersas nos rincões geográficos. Não mais uma memória enraizada em tradições nacionais, regionais ou locais, mas traçada e reconhecível em estilos de vida universais. Em torno de símbolos desterritorializados (o jeans, o tênis, o carro importado, a pizza express, a macarena, os drive-thrus, as excursões à Disneyworld) agregam-se grupos sociais de diferentes hemisférios, continentes, países, etnias, raças, crenças e idiomas (embora a supremacia do inglês o credencie como intercomunicante global). O cidadão comum ufana-se de consumir produtos idênticos aos das lojas de Londres ou de Frankfurt, e a publicidade faz questão de amplificar o encantamento cosmopolita: “It’s a planet Reebok”, “O mundo fala primeiro através da CNN”, “Descobrindo o mundo com o Discovery Channel”. Bastaria lembrar o culto transterritorial e multicultural aos astros da NBA norte-americana.
Aqui entendemos que os quadrinhos constituem uma parcela importante em todo esse processo, veiculando sistemas de crença, ideologias, modelos comportamentais, além, é claro, de produtos, marcas etc. Mas, vale dizer, os quadrinhos não se resumem a super-heróis, humor, ou, melhor ainda, aos comics e aos mangás ("mangá" é "história em quadrinhos", em japonês). Há um bem amplo espectro criativo na produção dos quadrinhos que, sim, veiculam ideologias, crenças e tudo o mais. Porém, as nuances variam muito de país para país, de região para região, de cultura para cultura. Nesta edição procuramos dar um dessa variedade ao leitor, suscitando, entre outras coisas, as análises de especialistas em quadrinhos estrangeiros e nacionais.
Além de nosso "Encarte Especial Virtual" sobre histórias em quadrinhos, trazemos outros 16 artigos da temática tradicional desta publicação e uma resenha. Os assuntos trazem à baila os problemas climáticos, as questões identitárias nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil, análises sobre obras literárias, cinema, entre a História Antiga e Contempoânea. Não poderiam faltar nesta nossa comemoração autores que lançam seus olhares para as fotografias, os mitos, bem como a memória de escravos, imigrantes e as heranças culturais e arquitetônicas.
Esperamos que o conteúdo aqui disponibilizado proporcione a você, leitor(a), uma ótima leitura e, quem sabe, algumas boas descobertas. Uma vez que como editores, autores e leitores, somos co-participantes da construção desta revista, parabéns a nós todos por esses dois anos completados.
Carlos Hollanda
Mestre em História Comparada (PPGHC-UFRJ)
Prof. Assistente do Departamento de Teoria e História da Arte (BAH) da EBA-UFRJ
26/09/2007
Obrigado pela dica!
Já marquei para voltar...
Oi Carlos. Parabéns pelos dois anos da revista. Posso dar uma sugestão? Acho que chamaria mais atenção se além de falar da edição comemorativa você contasse um pouquinho da trajetória da revista. Os outros números foram dedicados a que temas?
Entrei no site e li teu editorial. Achei bem interessante também, talvez pudesse ser o caso também de publicá-lo (ou parte dele) aqui neste espaço. Digo isso como leitora: acho que instiga mais do que só o convite. Enquanto está na fila de edição, você pode mudar o texto clicando no lapisinho. Mas, é claro, apenas se concordar com a sugestão! Abraço
Oi, Helena, adorei suas sugestões e já já vou fazer como disse. Obrigado!
Carlos Hollanda · Rio de Janeiro, RJ 16/10/2007 18:00Maravilha, Carlos! Poxa, agora ficou bem legal, muito legal saber a trajetória e as seções da revista. Vou ao site explorar mais... Abraço!
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 16/10/2007 18:55
Pouco sei dizer sobre o assunto. Mas sei que tem grande merecimento para receber um voto.
É só.
Abraços
Oi, Marcos, obrigado. Espero poder esclarecer-lhe o que achar necessário.
Carlos Hollanda · Rio de Janeiro, RJ 17/10/2007 12:54
Carlos,
Obrigado você pela gentileza da resposta.
Eu gosto muito de quadrinhos. Considero excelente os estudos sobre quadrinhos também, incluindo um livro chamado Heróis e Super-Heróis no Mundo dos quadrinhos, de Nildo Viana (Rio de Janeiro, Achiamé, 2005), que é meu autor preferido, tendo escrito textos sobres os mais variados assuntos. valeu!
José Braga · Brasília, DF 17/10/2007 15:17
Oi, José, que legal tê-lo entre os apreciadores do gênero. Aproveito para lhe recomendar alguns outros livros tão bons quanto o do Nildo: a trilogia de quadrinhos de Scott McCloud (Desvendando os Quadrinhos, Reinventando os Quadrinhos e Desenhando Quadrinhos), e a obra de Gonçalo Júnior, "A Guerra dos Gibis". Tem muitos outros, mas esses considero de leitura obrigatória.
Abração!
Carlos!!!,
vida longa a você e ao seu gosto pela nobre Arte dos Hq´s.
GRANDE abraço!!!
A.
p.s. - Lerei com mais atenção e calma para tecer maior comentário.
Grande André! Vida longa a apeciadores da nona arte como você. Que bom saber da existência de gente que gosta da parte de entretenimento tanto quanto a teórica. Espero que goste. Tem muita gente boa lá, como o Waldomiro Vergueiro e o Ivan Carlo (Gian Danton) escrevendo. E este seu humilde compadre também chegou a contribuir nas edições anteriores.
Abrs
Carlos, um prazer, achei a sua colaboração de primeira por aqui, muito bem vinda.
Tem meu voto. Estudei muito quadrinhos nos idos anos
como universitária de Comunicação Social, fazendo uma ligação, análise psicológica, contingências dos personagens monica&luluzinha, monica&mafalda, etc...
abçs.
Oi, Cintia, obrigado, espero que sua visita à História, imagem e narrativas seja muito prazerosa e útil. Sempre gostei de estabelecer estas pontes entre saberes aparentemente díspares, mas complementares. Abração!
Carlos Hollanda · Rio de Janeiro, RJ 17/10/2007 23:00Carlos, valeu, vou procurar estas obras, devem ser interessantes!
José Braga · Brasília, DF 18/10/2007 11:07Carlos, vou abrir e ver os link com mais tempo, andre.
Andre Pessego · São Paulo, SP 18/10/2007 18:25
Beleza, André, espero que lhe agrade. Se agradar, divulgue.
Abração!
talentoso artista!!
Salve Hollanda. Sempre no admirável mundo do HQ!
Gostei muito mesmo.Parabens e pode deixar que vou divulgar também.
Saudações pantaneiras
Grande Arlindo, sempre muito bem-vindo seu contato! Obrigado e saudações cariocas.
Carlos Hollanda · Rio de Janeiro, RJ 19/10/2007 19:14
Um "pouquinho" atrasado, adorei o texto com ricas informações...
Obrigado atrasado.
abço
Já tenho comigo a trilogia de Scott McCloud e, ainda indico mais 3 livros que possuo, a quem possa interessar: "Mangá ―; Como o Japão Reinventou os Quadrinhos" (Paul Gravett, realmente excelente), Almanaque dos Quadrinhos ―; 100 Anos de Mídia Popular" (Carlos Patati e Flávio Braga, análise muito bem-feita) e, Red Rocket 7 ―; A Saga do Rock" (Mike Allred, na verdade é uma história em quadrinhos falando sobre o Rock).
Se bobear, quando der, eu comprarei os outros 2 indicados (o indicado pelo José Braga e, o outro que você; Carlos Hollanda indicou por último); pode crer?
Abraços e nos vemos por aí; beleza?
A propósito: sou artista multimídia, desenho, escrevo e pinto; entre outros cargos similares, até mesmo faço letras musicais, há um Lista de Sites relacionados que mantenho bem aqui: http://Google.com/Profiles/Saviochristi (os principais são os que levam o nome da dupla Albert & Einstein no título); está certo?
Bem, é isto aí mesmo!
Outra coisa se; você ou mais alguém aqui souber me ajudar: na verdade, eu cadastrei com outro e-mail mas; deu um erro no servidor a que cadastrei e, o "Link" para ativação do Perfil não apareceu na Mensagem, será que teria como me reenviarem o pedido de ativação ou; eu trocar o e-mail que cadastrei e receber a ativação através de outro endereço?
Este Perfil está com o e-mail de Saviochristi@Gmail.com , o outro que tentei cadastrar antes e falei que falhou usa o e-mail de Saviochristi@Fan.net mas; ainda tenho outros e-mails...
Agradeço e muito a quem puder me ajudar pois; não pretendo nem irei bagunçar e badernar por aqui; combinado?
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