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Educação - os fantasmas da nossa adolescência

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Remisson Aniceto · São Paulo, SP
1/8/2007 · 50 · 1
 

Em Pedagogia, muito se discute sobre metodologias de ensino. E métodos, há muitos, com cada educador (diretor/coordenador/professor) defendendo as razões pelas quais tal método é mais adequado aos seus educandos. Educadores famosos como Rousseau e Pestalozzi plantaram elementos de aprendizagem que influenciaram outros educadores mais contemporâneos: Montessori, Piaget e Freinet, por exemplo. A verdade é que não há um método perfeito para a educação das crianças e jovens, mas formas de educar, de encaminhar. E também não existe escola perfeita, senhora de si. Como dizia Paulo Freire (notável alfabetizador): "um dos grandes pecados da escola é desconsiderar tudo com que a criança chega a ela. A escola decreta que antes dela não há nada." E aí reside o maior problema, pois ninguém é senhor absoluto da verdade; o corpo docente também aprende muito com o aluno. Podemos seguir no caminho para a educação dos jovens nos utilizando de vários métodos, desde que sejam respeitados os limites de cada aluno e que o objetivo seja o mesmo, ou seja, permitir-lhes a possibilidade de adquirir conhecimento geral de qualidade, podendo depois demonstrar o seu aprendizado no dia-a-dia, as suas descobertas e averiguar a veracidade de outras. Ao permitirmos que os jovens tenham essa base, eles poderão, através de suas observações e pesquisas, preparar-se para a vida. É sabido que a formação do aluno deve ser gradual, crescente e evolutiva. Nós, a partir do nascimento, estamos livres para viver em sociedade, ainda que não estejamos preparados para isso. Ao contrário de um automóvel, que sai da linha de montagem perfeito para ser colocado em circulação, o ser humano estará sempre em aperfeiçoamento, num crescente processo de adaptação e aprimoramento. A formação dos jovens, portanto, dar-se-á a partir da convivência social, que os fará crescer e desenvolver-se continuamente, adquirindo noções de ética e cidadania, direitos e obrigações. Mas como educar nossos filhos? Como guiá-los corretamente na direção do melhor caminho? O que fazer para "modernizar" nossas opiniões de forma que sejam melhor aceitas por eles? Qual deve ser nossa postura diante deles, como pais? Tais indagações permeiam diuturnamente nossas vidas e vagamos entre o certo e o errado, o possível e o talvez, o querer e o poder, o negar e o conceder e as crianças, "modernas" ao extremo, percebem nossas aflições e nos encostam no muro. Elas buscam, sim, respostas para os fantasmas que as amedrontam, estes mesmos fantasmas que nos perseguiam quando éramos adolescentes e para os quais não tivemos soluções. Hoje, o que em nós não morreu, mas apenas dormia, desperta em nossos jovens para colocá-los em discordância com o que julgamos politicamente ou socialmente correto.. E o que é certo, afinal? Um ato que ontem era considerado normal, hoje pode estar totalmente em desacordo com as antigas convicções. Afinal, a nossa vida ética é orientada pela nossa vontade, a vontade de aceitar ou negar o que nos é dito e o que nos é ofertado pela inteligência. Da boa ou da má vontade nossa razão será guiada, para a virtude ou para o vício. São concepções que devemos incutir em nossos jovens, orientando-os na educação da vontade, na moderação dos impulsos fortes e desmedidos, estabelecendo os limites entre o que queremos e o que podemos e até onde devemos avançar sem ferir o querer do outro. Os jovens devem ser orientados também para poder discernir entre o racionalismo e o emotivismo. O que não podemos é deixar tudo como está, ao sabor das ondas tempestuosas, com a juventude se deturpando, fugindo dos fantasmas _ tão comuns nesta fase da vida _ , fantasmas que já foram nossos e ainda são. Estes fantasmas talvez não adormeçam mais e, aí, a juventude estará cada vez mais perdida. E a culpa, a máxima culpa, será nossa.

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Andre Pessego
 

Ramisson, li e reli o seu texto. Não sendo pedagogo, mas pai de família; filho de família - de pai e mãe que cuidavam dos filhos me permito, sem nenhum contradizer do seu texto nem da sua experiencia, vivência.
- O tudo passa obrigatoriamente pelos pais. Entendo que ao estado cabe muito menos. Falta aos pais, guiarem, incentivarem, incutirem nos filhos, o bem; cabem a eles remover as falhosas impressões do "encanto do mal".
- Atuo em comunidades de poucos recursos financeiros. Entendo não ser por aí, é um dado importante, mas não o obstáculo. ]
- Os filhos não recebem companhia dos pais, não recebem orientação. Os pais não "botam" os filhos para estudar. Ler o Pavão Misterioso e ficar ouvindo depois elogiá-los...
Vao pros campos de pelada, não levam os filhos, as filhas.
Meu pai não fazia distinção entre filho e filha tudo era um ser, de cuja gurada lhe cabia. um abraço andre
um abraço,

Andre Pessego · São Paulo, SP 2/8/2007 09:01
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