Elas! Primeira parte: As doces vociferantes!

Capas de LPs e CDs
Elas! Essas mulheres maravilhosas da nossa Música!
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O de Andrade · Alemanha , WW
11/3/2009 · 150 · 8
 

Elis is beautiful!

Elis Regina é uma cantora extraordinária! E isso em praticamente todos as acepções deste adjetivo.

E eu uso o verbo assim no presente do indicativo mesmo, pois ela vive.

Às vezes servindo de exemplo para os conservadores, que como já disse anteriormente, vivem a idealizar o passado e insistem em ignorar o que há de belo no presente da MPB! Às vezes sendo utilizada como ponto de medida para as gerações de cantoras póstumas. Há uma máxima que li ou ouvi de alguém e que me impressionara tanto, que até hoje me recordo: „ A cada nova cantora que surge na Música Popular Brasileira, se redescobre a grandiosidade do talento de Elis Regina“. Não chegaria a afirmar que essa premissa seja verdadeira, mas sei que o talento de Elis é incontestável!

Desde o lendário programa O Fino da Bossa ao lado de Jair Rodrigues, ela encantava até os ouvidos mais resistentes. A sua postura, diria pró-Bossa Nova e Samba mesclados com jazz e anti-tropicalista, a consagrara como uma espécie de musa do „mais do mesmo, mas sempre um pouco melhor!“ A dona da Saudosa Maloca, de É com esse que eu vou, Vou deitar e rolar e sobretudo Formosa. Releituras jazzísticas de sambas populares, que entraram para a história da nossa música.

Minha Elis Regina favorita é a dos anos 70. A intérprete mais acurada de Gilberto Gil! A que ironiza os Anos Rebeldes com as músicas de Belchior. A fiel amiga e admiradora de Milton Nascimento e do Corsário de João Bosco. E por fim a que nos dera um hino para a penosa camapanha de redemocratização do pais.

Better better Bethânia.

Maria Bethânia é a intérprete de MPB com que mais me identifico. E isso se deve sobretudo a sua relação com a palavra. Além claro da encantadora voz possante, vibrante, bela e desesperadamente dramática.

Vinícius de Moraes se referiu a jovem cantora recém chegada da Bahia com as seguintes palavras:

"Maria Bethânia canta como uma jovem árvore que queima
numa crepitação de madeira que se extingue para o alto.
Tudo é combustão nessa extraordinária cantora cuja voz nos veio da Bahia,
para transmitir uma mensagem de amor e poesia como raramente acontece.

Seu canto é livre e puro, mas não de uma pureza casta e desumana:
é o encontro do céu com a terra, um casamento do mundo com o infinito.
Nela o timbre crestado, com uma realidade de juta, é um dos componentes mais humanos;
mas seu canto se eleva mais alto, lírico, embriagado de espaço, cravejado de estrelas.

Maria Bethânia canta com a liberdade dos pássaros para fora e para cima,
mas sem perda dessa intimidade fundamental à comunicação.
A bênção Maria Bethânia".
(Vinicius de Moraes, 3/12/65).

Assídua cantora das composições do irmão mais velho com sua voz vitoriosa; ela também conseguiu dar dimensão e força a muitas canções de Chico Buarque tornando-as inesquecíveis.

O Show Encantado da Rosa-dos-Ventos é para muitos, e eu me incluo nessa lista, um dos mais perfeitos espetáculos da Música Popular Brasileira. O repertório, os arranjos, a intuitiva, mas ao mesmo tempo sábia e inteligente associação das músicas incidentais (marca registrada de Maria Bethânia) tudo isso em harmonia com os textos – que vão de Fernando Pessoa a Clarice Lispector - declamados todos com mestria cria um conjunto indissolúvel. É impossível ouvir apenas uma música. E quando o disco termina se tem vontade de pedir bis, de reiniciá-lo e ouvir calma e atentamente cada uma das faixas de novo.

A Bethânia de hoje, após mais de 40 anos de carreira, é a de que mais gosto. Brasileiríssima, A Maricotinha, a musa libérrima, audaz e ao mesmo tempo pirata e Iaiá. Que soube e continua sabendo usar todas as vantagens que anos de „ofício“ – como ela gosta de dizer – podem proporcionar. Para nossa alegria! E ainda assim sempre aberta e atenta ao que há de novo na MPB.

A hipercontemporânea

Elza Soares
é só alegria de viver. É uma pérpertua cronista do tempo em que ela se encontra. De origem humilde e vida amorosa tuburlenta, ela sempre conseguiu se refugiar das „desavenças“ do destino na boa música, que nós todos tanto emociona.

Por isso a melhor Elza Soares é sempre a de agora. O melhor disco dela ainda está sempre por vir. Um supera o outro rigorosamente. Ela é sempre hipercontemporânea! É o presente da nossa música popular em sua melhor forma!

Um doce Veneno Antimonotonia

Cássia Eller foi uma dessas raras aparições na nossa música. Boa demais para ficar entre nós. Mesmo assim queríamos tê-la pra sempre. Pena que até mesmo o pra sempre acaba!

Uma cantora ímpar, que fora se tornando cada vez melhor até nos encostar contra a parede e ficarmos sem saber mais para onde ela poderia nos levar. Mas que só era boas e belas intenções.
Sua obra um relicário, qual o de Pandora, imprevisível e fascinante. A melhor intérprete de Cazuza e ao mesmo tempo da Legião Urbana (!) como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Ela não tem nada do que se arrepender e por cima ainda soube nos remir com sua música e seu talento maravilhosos!


Grávida de um beija-flor


Zélia Duncan é uma espécie de Coruja de Minerva no cenário da MPB. Coube a ela a honrosa função de substituir a titia Rita no secular retorno aos palcos d` Os Mutantes. Ela é outra cronista e companheira da contemporaneidade. Uma das mais belas intérpretes de Marina Lima e Arnaldo Antunes .

Uma voz que vibra e nos faz vibrar junto com ela. Por isso devemos ansiosos aguardar o seu novo disco. Com certeza será mais um presente para os nossos ouvidos.

A Mulher da Garganta

Ana Carolina e sua garganta admirável é outra voz que brada forte e bela na MPB. Ela ressoa através das notícias populares resumindo a realidade atual nas ruas do país. E deixa essa mesma rua a levar e canta tolerante dos nossos becos mais desconexos muito bem acompanhada por Seu Jorge. É do que temos de melhor para oferecer.

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graça grauna
 

Cassia, Elis, Betania, Elza....vozes que ficam para sempre. Parabens pela divulgação. Bjos.

graça grauna · Recife, PE 9/3/2009 10:29
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graça grauna
 

voltando e votando. bjos.

graça grauna · Recife, PE 10/3/2009 09:01
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Doroni Hilgenberg
 

Elis Regina
Inesquecível menina!
Bela lembrança dessas cant oras maravilhosas
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 12/3/2009 15:55
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Erick Dau
 

Permita-me discordar de parte de sua opinião. Elis Regina de fato está viva e estará. É a boa imortalidade. Ana Carolina é da imortalidade risível. Sua depenada versão de Beatriz, e a justificativa nada humilde de torná-la decifrável ao público só me causam o riso, talvez um pouco de pena. Ela está longe de ser o que de melhor temos para oferecer. Eu sou capaz de citar dezenas de cantoras melhores, em todos os sentidos (com excessão da vocação mercadológica), que não são conhecidas como a nova Musa da MPB. Não é preciso. Pra ilustrar o naipe destas cantoras, cito apenas um nome que deveria fazer Ana Carolina frequentar aulas de harmonia. Mônica Salmaso talvez tenha superado Milton em Beatriz. Beatriz é nome para poucas. É música para menos pessoas ainda. Deste seleto grupo, certamente Ana Carolina não faz parte.

Erick Dau · Rio de Janeiro, RJ 12/3/2009 17:28
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
joe_brazuca
 

tá certo o Erick Dau...
Até que Ana Carolina soa legal, coisa e tal...Ana Carolina enjoa.Voce ouve duas e chega, máximo três, tudo igual.
A Elis e "as outras" grandes do grupo que formou, não enjoam nunca. Voce ouve, re-ouve, outra vez ouve, e quer mais.
Sacou a diferênça ?...é por aí.
Tem que tirar a Ana Carolina deste grupo.
Tb tiraria, ou pra ser mais complacente, colocaria como reserva, sentada no banco, a Zélia Duncan. Tb acaba não me convencendo, as vezes...
Nesse grupo, elas não cabem assim, de sopetão...

Sua matéria é esplêndida, O...Parabens mesmo !
abraço

joe_brazuca · São Paulo, SP 12/3/2009 18:16
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joe_brazuca
 

opa...esqueci...é tudo uma questão de gosto pessoal, sem quaisquais...rs
abraço

joe_brazuca · São Paulo, SP 12/3/2009 18:18
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graça grauna
 

Erick Dau: não resisti ao seu bom comentário e aqui estou pra dizer que acabei de ouvir, nesta manhã, a imbatível interpretação de Olivia Byngton, em "Beatriz" de Chico e Edu. Uma interpretação que vence o tempo. Abraços, Grauninha

graça grauna · Recife, PE 13/3/2009 08:17
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O de Andrade
 

Erik Dau, acho pertinente e muito bom, que discorde! Minha intenção com essa série de textos é fazer uma lista pessoal, sem a menor pretensão de afirmar, que X ou Y seja de fato indiscutíveis unanimidades no cenário da MPB. Mônica Salmaso é minha mestra!É a cantora que mais tenho ouvido ultimamente e a que neste exato momento mais me encanta! Talvez exatamente por isso nem a cito na segunda parte deste texto. Pois sinto-me ainda muito envolvido emocionalmente para ter uma opinião ponderada. Sei que deixei muitas vozes que amo de fora também...tais textos sobre MPB são para mim uma espécie de desabafo. É isso!

O de Andrade · Alemanha , WW 14/3/2009 02:43
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