Vide Gal!
Gal Costa, que já foi uma das minhas cantoras favoritas; não que eu tenha deixado de gostar dela e da boa música que ela fez e ainda faz. É que meu gosto musical foi mudando com o tempo. Sua voz suave, meiga sempre me encantou. Mas ao ouví-la cantar Candeias fiquei estarrecido ao perceber tanta delicadeza numa voz, que logo depois se enveredara numa outra direção. Aliás, esta Gal do CD de estréia Domingo me lembrara muito as vozes de Roberta Sá e Nina Becker. Foi para mim deveras uma surpresa sonora.
Gal e seus agudos…há quem não goste. Já gostei, mas creio que atualmente, preferiria a de timbres um pouco mais graves tropicalista e a de a Força Estranha. Mas a melhor pra mim é a intérprete de Djavan. Que canta seu Azul e Açaí de maneira irretocável.
Claridade
Clara Nunes e sua voz de ouro. Uma das divas do samba ao lado de nomes como a franquíssima e contagiante Aracy de Almeida ou a emblemática Dalva de Oliveira.
Clara fora também porta-voz do samba em uma de suas mais genuinas e belas formas reverenciando o mar e os Orixás. Sobretudo Iemanjá , um dos ícones da nossa cultura afro-brasileira, na inesquecível Conto de Areia.
A mineira mais belamente nordestina que já vi! Uma das vozes mais marcantes da Música Popular Brasileira, que nos enche de saudosismo e orgulho.
Minha bênção Clara!
A poesia urbana cantada
Adriana Calcanhotto é para mim uma poetisa urbana e contemporânea rabiscando seus textos e notas à beira mar; deixando se inspirar pelo vai e vem das ondas, a brisa, o som do seu marulhar. E ao mesmo tempo pelos desencontros, pelo barulho, pelo tumulto, pelos tons e por todo o desequilíbrio das megalópoles de hoje em dia. Senhora das Marés. A Dona do Castelo e da Fábrica do poema.
Gosto do diálogo dela com Marisa Monte e vice-versa.
E quem não voltou ou quis ao menos voltar a infância com Adriana Partimpim?
Adriana Calcanhotto é uma das grandes e raras compositoras da Música Popular Brasileira. Até Maria Bethânia já se rendera a beleza poética dos textos dela.
Então só nos basta apreciar sem a menor moderação essa já quase extinta poética desse início de século.
A minha primeira cantora de MPB
Por último deixo para falar da culpada por eu estar aqui hoje escrevendo entusiasmado esta série de textos sobre a Música Popular Brasileira.
Eu só comecei a gostar de ouvir MPB no final da minha adolescência. Antes, eu que cresci ouvindo nas rádios o rock nacional do anos 80; Paralamas do Sucesso, Titãs, Engenheiros do Hawaii, Barão Vermelho, Legião urbana, Rádio Pirata e muitos outros; não tinha muita familiaridade com a genuina Música Popular Brasileira. Quem me introduziu neste vasto universo ao meu redor e me ensinou a gostar e a me interessar por ele fora Marisa Monte.
Através dos primeiros CDs de Marisa cheguei ao samba de Paulinho da Viola, descobri para mim mesmo a genialidade de Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, Caetano Veloso e a Tropicália. E daí em diante eu pude “caminhar“ com meus próprios pés e ir aos poucos (re)conhecendo e me encantando por uma constelação de talentos, que já tinha ouvido falar, mas que de certa forma ignorava até então.
Marisa Monte canta qual uma sereia e acaba por nos hipnotizar. Suas parcecerias com os „Titãs“ Nando Reis e Arnaldo Antunes tem gerado muitas, múltiplas e belas flores. Também o contínuo trabalho com Carlinhos Brown tem dado ótimos frutos. Exatamente por causa dessa sintonia entre os três, o projeto Tribalistas tenha dado tão certo.
Acho fascinante o tino para reconhecer e criar tendências de Marisa Monte! Ela me parece sempre um passo a frente da tal vanguarda da MPB. Ela é quem tem mostrado o caminho a ser seguido pela comissão de frente.
Por isso só tenho a agradecê-la! Muito obrigado Zé por tudo!
Honrosamente, inicio avotação dessa maravilhosa matéria !
Um beijo!
Parabens pelo texto, pela divulgação e sobretudo pela sensibilidade. Votado.
graça grauna · Recife, PE 13/3/2009 00:12
Gal Costa é Divina
Boa divullgação
bjs e votos
ótima crônica musicalo sobre as mulheres na mpb.. gal foi minha musa nos anos 60, eu tinha 18 anos e galera tudo... a voz, o jeito, as caras e bocas, a contracultura, o hippienotismo, as revoluções... gal era sintese de tudo zaquilo.... continuo gostando dela, hoje, mas prefiro aquels albuns antigos... hoje há vozes lindas demais na mpb, tanto as que vc citou qaunto outras tipo vaanessa da matta e outras nem tão conhecidas... sua matéria é o fino... merece uma continuação...
danlima · Brasília, DF 14/3/2009 14:46desculpe os erros de digitação...musical, gal era
danlima · Brasília, DF 14/3/2009 14:47
Gosto não se discute. Mas acho a Marisa apenas mediana. Na verdade ela é uma cantora ruim. Quando ela anuncia que vai cantar Candeia em seu primeiro disco, chega a ser patético! Como alguém pode cantar Candeia com tal desânimo? A Marisa deu muita sorte. Não só por ter topado em sua vida com um Nelson Motta que lhe deu "aquela chance", mas também por ter surgido numa época em que a Gal, Bethânia, Simone, RoRô e Elba já não estavam em sua melhor fase. Elis e Clara haviam morrido. Se ela tivesse surgido dez anos antes, não teria tido muita chance. Falta-lhe ousadia, espontaneidade e, principalmente, emoção. A Marisa é uma cantora quase que robótica, programada em nos laboratórios das gravadoras. Tudo nela é muito ensaiado. Quem assiste um show seu não precisa ir aos outros. Gostaria que ela me surpreendesse um dia, mas sei que isso não irá acontecer, pois ela não tem talento para isso. O que gosto nas suas músicas é o arranjo, pois, como eu disse, ela tem sorte de trabalhar com feras. No caso da Marisa, a cozinha é a melhr parte da casa. Infelizmente, o "fenômeno" Marisa Monte, fez surgir um exército de cantoras nos anos 90. Todas sofrendo do mesmo mal: falta de originalidade, nada espontâneas e emoção zero. Da Marisa à Maria Rita, pouco se salva. Mas, como eu disse, gosto é algo muito particular.
abração
A todos obrigado por votarem e elogiarem meu texto! Muito obrigado!
Danlima, errar é humano e acho sinceramente lindo errar!Erros de digitação são - na minha humilde opinião - irrelevantes o que vale é a intensão. E você tocou num assunto que minha geração ignora quase por completo. Fazer música era nos anos 60 e 70 um ato repleto de atitude, de contestação de um estado de coisas. Hoje quando há algo parecido é puro marketing para vender discos!
Caro Julio Cesar, realmente você tem toda razão, gosto não se discute! Agradeço pela sua opinião contrária. Discordo obviamente de sua interpretação quanto ao papel e o talento de Marisa Monte dentro da MPB. Mas gostaria de pegar carona no seu exemplo; Marisa cantando Candeias, sim admito que não é uma das melhores, mas Marisa está naquele instante apresentando Candeias para uma geração a qual pertenço, que o ignorava até então por completo! Assim ela contribuiu para que minha geração conhecesse e admirasse alguns nomes já esquecidos da nossa música, tal como ela fizera com a Velha Guarda da Portela. Independente do gosto musical, esse compromisso com o passado, que na verdade também é o presente da nossa música, devemos reconhecer.
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