Elas semeiam a vida

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Jailson de Macêdo · Rio Branco, AC
25/9/2007 · 23 · 5
 

Um dia cheio e cansativo. É assim o cotidiano de quem tem uma enorme responsabilidade. Lutar pelo bem-estar da comunidade é a tarefa dessas mulheres. Elas atravessam rios e entram floresta adentro. Tudo em busca de algo que parece ser a maior dádiva humana: a vida.

É dessa maneira que a presidente da Associação de Parteiras de Marechal Thaumaturgo, Maria Zenaide de Souza, encara seu trabalho. Ela diz ter orgulho do que faz.

“É pra colocar uma vida no mundo. Pra gente um nascimento é tudo. Saber que está nascendo uma vida... Fico muito feliz por isso, sinceramente”.

Comadres, madrinhas ou simplesmente mãezinhas. Esse é o jeito carinhoso que as parteiras são chamadas no interior da floresta, onde semeiam a vida. Além do parto, elas aconselham, receitam medicamentos naturais e cuidam da parturiente. E não há dia, não há hora, não há chuva nem sol, que impeça essas guerreiras de executarem sua missão.

“Já enfrentei onça e cobra. Atravessei rio nadando. Sem contar as vezes que andei no escuro, em tempo de ser picada por uma cobra. Era uma coisa medonha”, comenta Souza.

Apesar dos inúmeros esforços pelas comunidades da floresta, as parteiras passam por dificuldades. Elas necessitam de condições adequadas para desenvolver o importante trabalho junto às mães seringueiras, quilombolas e da zona rural.

A elaboradora de projetos da Associação das Parteiras de Marechal Thaumaturgo, Suzana Souza, disse que a maioria das parteiras vive em condições lamentáveis, muitas vezes, abaixo da linha de pobreza.

“Elas passam por muitas dificuldades e por muitas privações, até mesmo de alimentos. O governo não repassa nenhuma remuneração a essas mulheres que desenvolvem um trabalho essencial na área da saúde, sobretudo, junto às comunidades da floresta”.

Articulação - As parteiras de Marechal Thaumaturgo sentiram a necessidade de se organizar e se mobilizar em defesa do direito fundamental da saúde da mulher, garantido pela Constituição Federal. Elas se reúnem em assembléia para discutir sobre as dificuldades que encontram no seu trabalho, e também definir metas que possibilitem uma melhor qualidade de vida para as mulheres amazônidas.

“O objetivo da associação é ajudar as parturientes levando saúde. Ajudar também as crianças, fazendo desde o pré-natal até os cuidados pós parto. Hoje nossa associação está dividida em oito núcleos espalhados ao longo de quatro rios do Juruá. Cada núcleo possui uma chefe que fica trabalhando como multiplicadora dos cursos oferecidos por Ongs e pelo governo”, diz Souza.

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Maria Macêdo
 

Meu filho:

O texto não tem muito a ver com a linha editorial do site. Parece muito com release de assessoria. Mas, de qualquer forma, achei muito bonitinho a maneira que você conduziu a matéria. Você foi claro e ao mesmo tempo didático.

Beijos da mamãe!

Maria Macêdo · Rio Branco, AC 25/9/2007 10:52
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Jailson de Macêdo
 

Muito obrigado pela dica mãe! Realmente, fui muito tendencioso. Mas isso não foi por acaso. As parteiras de Mrechal Thaumaturgo são mulheres que ajudam comunidades carentes. Atualmente, não há nenhum projeto aprovado, em virtude das mutretas de uma ONG feminista que sujou o nome da Associação.
As parteiras levam saúde aos lares que existem ao longo dos rios do Vale do Juruá. Em outras palavras, elas promovem a cidadnia naquele lugar. Sim, pois cidadania não se resume apenas em direitos, mas em grantias também, como saúde, lazer, educação e por aí vai.
Mesmo que esse site não tenha a ver com a temática, acho que precisamos ajudar essas pessoas que se arriscam em prol das comunidades carentes.

Te amo mãe!

Jailson de Macêdo · Rio Branco, AC 25/9/2007 17:16
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Elizete Vasconcelos Arantes Filha
 

Jailson, concordo com sua mãe. Mas se vc tivesse colocado algumas fotos das parteirase do que elas fazem salvaria o texto. Como amigo é amigo de qualqyuer eu votei. Talvez não consiga os votos suficientes , mas já sabe.
Um grande beijo.
Elizete

Elizete Vasconcelos Arantes Filha · Natal, RN 26/9/2007 18:49
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Jailson de Macêdo
 

Como sígno com o mais alto grau de iconicidade, uma fotografia é um ótimo veículo de informação. Mas, ainda assim, creio que elas dão apenas um suporte ao conteúdo da matéria. Aliás, acho que elas são usadas no jornalismo muito mais para chamar a atenção do leitor, do que para transmitir informações. É por esse motivo que existe toda uma técnica e um estudo de percepção que subsidiam o clicar de um fotógrafo de jornal.

As pessoas se esquecem que o que as parteiras fazem é algo possível graças a um conhecimento tradicional, em outras palavras por meio de um saber cultural, que adiquiriram em alguma fase de suas vidas.

Resumindo: defendo a pertinência da publicação desta matéria neste site.

Beijos a tod@s!

Jailson de Macêdo · Rio Branco, AC 26/9/2007 23:43
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Dr. Artur Leimann
 

Jaílson, trabalhei por dois anos (2001 a 2003) em Marechal Thaumaturgo como enfermeiro pelo Programa de Interiorização dos Trabalhadores da Saúde do Ministério da Saúde. Participei de várias capacitações destas parteiras. Viajei inúmeras vezes com a Zenaide pela Reserva Extrativista do Alto Juruá, pelos rios Tejo e Bagé. Eu e minha esposa conversávamos muito com muitas delas. Enfim, me acho qualificado para assinar solidário a tua matéria. Sabias que a Zenaide carregou o marido nas costas por cerca de vários quilômetros pela floresta quando ele foi picado por uma cobra e quase morreu (e há testemunhas que confirmaram o ocorrido)? E que ela já não deve mais ter a conta dos afilhados que tem pelos rios da região (a maior parte ela ajudou a nascer)?
Só discordo de você com relação ao papel da fotografia. Não sei se pode, mas no meu orkut eu coloquei as fotos que fiz durante o tempo que trabalhei na cidade, e em muitas delas dá prá se ter uma idéia bem melhor do que elas passam, de modo muito mais claro e objetivo do que eu poderia descrever em inúmeras páginas escritas. Se for permitido divulgar o endereço, respondam-me que eu posto.
Participei de várias capacitações da Associação de Parteiras, mas posso afirmar que é graças à sua cultura que elas permanecem em sua lida. De outro modo, muitas crianças não teriam vindo ao mundo.
Gostaria que falasses um pouco mais sobre os núcleos da Associação. Já reparasses nos nomes deles?
Gostaria que me mandastes também esclarecimentos sobre as mutretas desta ONG, que eu ouvi falar quando estava lá, mas não cheguei a ter tempo de ter mais notícias.
Também estou atrás de notícias da Zenaide, que saiu de Thaumaturgo com a família e parece-me que foi para Rio Branco. Perdi o contato, infelizmente. Foi ela quem me presenteou com um exemplar da Enciclopédia da Floresta, que eu acho que vale a pena divulgar.
Faço coro em sua defesa da pertinência da publicação da tua matéria neste (e em outros) site.
Um forte abraço
Dr. Artur Henrique Leimann - Florianópolis, SC

Dr. Artur Leimann · Florianópolis, SC 3/10/2007 00:00
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