Ella & Louis: o mestre pelos mestres

fonte: http://www.staleywise.com/collection/jazz_blues/pstern_ella_louis_b.jpg
Ella & Louis
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Julia Wiltgen · Rio de Janeiro, RJ
6/4/2007 · 40 · 2
 

O que acontece quando um dos fundadores do Jazz e a “Primeira-Dama da Canção†se reúnem para interpretar a obra-prima do compositor George Gershwin? Simplesmente uma peça rara: o álbum “Porgy and Bessâ€, de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, com seleções em versão jazzística da ópera norte-americana mais famosa de todos os tempos, e que alguns desinformados juram que é, originalmente, um musical. Ou seja, a música fenomenal de Gershwin, unida à perfeita interpretação de dois dos maiores cantores da história do Jazz.

Nessa obra de arte, Ella e Louis têm espaço para mostrarem sua maestria na arte do scat, improvisação no jazz que consiste em cantar sílabas sem sentido. A voz de Ella é o que se pode chamar de um fenômeno, com sua enorme extensão, absolutamente límpida e cristalina. Uma interpretação impecável, que nos leva mesmo a chorar com ela na lamuriosa “My man’s goneâ€.

Mas a interpretação de Louis merece um comentário à parte. Por incrível que possa parecer, aqui o trompetista não se destaca na arte do seu instrumento, embora ele, por vezes, o toque. As atenções se voltam para os vocais, quando não dá para não se convencer de que ele é o pobre aleijado Porgy, ou mesmo o traficante Sportin’ Life. Apesar de sua nem um pouco convencional voz (pelo menos não para um cantor), o mestre do trompete surpreende.

A música de Gershwin dispensa qualquer comentário. Divino talvez fosse o adjetivo mais adequado. Provavelmente o mais incrível dessa obra é o fato de que só pela música é possível imaginar o cenário no qual a história do libreto original se passa: a fictícia Catfish Row, na Carolina do Sul, nos anos 30. A música passa uma sensação preguiçosa, mas ao mesmo tempo alegre, de um dia ensolarado e quente de verão. Tem cheiro de verão. Isso fica mais explicitado, por mais inusitado que possa parecer, na clássica canção “Summertimeâ€, cujo nome é absolutamente apropriado, apesar de ela ser apenas uma canção de ninar.

A ópera “Porgy and Bess†foi escrita em 1934 com co-autoria de Ira Gershwin, baseada no conto “Porgyâ€, de DuBose Heyward, também seu libretista. Ela estreou em 1935 em Nova Iorque, e conta a história do aleijado Porgy que faz de tudo para conseguir ficar com sua amada Bess. Ela, apesar de também querer ficar ao seu lado, precisa se desvencilhar de seu amante opressor, Crown, e dos cortejos do traficante Sportin’ Life. Todos os personagens são negros, com exceção de quatro papéis interpretados por brancos que não são cantados, apenas falados.

Essa obra foi considerada racista por muitos artistas e lideranças afro-americanos, por ter firmado estereótipos, como o de que para os negros era normal usar drogas e resolver seus problemas através de brigas. Mas também é preciso levar em conta a época em que ela foi escrita – quando os negros nem podiam se sentar perto dos brancos nos ônibus norte-americanos – além do aparente fascínio que Gershwin tinha por aquela realidade “exótica†e romantizada – pelo menos para ele. De qualquer maneira, atualmente essa obra é mais bem aceita, e é inegável que ela alavancou a carreira de muitos cantores negros nos EUA.

Gravado em 1957, com arranjo e regência de Russell Garcia, o álbum “Porgy and Bessâ€, de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, traz versões de árias que se tornaram canções famosas: além de “My man’s gone†e “Summertimeâ€, “I got plenty o’ nuttin’â€, “I wants to stay here†e “Bess, you is my woman nowâ€.

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Felipe Obrer
 

Júlia, acho muito legal falar sobre jazz, mas para caber aqui no Overmundo, convém fazer pontes com a cena brasileira (por exemplo o cd "Canções, Versões"...

Abraço,
Felipe

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 6/4/2007 11:48
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Folha
 

Eu tenho este Vinil ( Porgy and Bess ), é simplesmente uma obra prima do Jazz, esse dueto nem tem o que falar é fantástico.

Folha · Campinas, SP 20/8/2007 20:50
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