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EM BUSCA DE NOVOS TALENTOS

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Elefante Bu · Brasília, DF
4/4/2008 · 164 · 12
 

Por Rúbia Cunha

Concursos literários surgem aos montes, dando às pessoas prêmios em dinheiro, livros contendo a publicação, ou apenas o reconhecimento do autor novato. Crônicas, contos e poesias são estilos encontrados em tais concursos. Essa é a parte fácil. Complicado é quando se resolve publicar um livro, e as dificuldades tendem a aumentar dependendo do gênero que se escolhe. A temática medieval, por exemplo, encontra muitos entraves para conseguir chegar ao mercado. “Tanto novatos, quanto veteranos sofrem com o pouco espaço dado ao gênero pelas editoras, com a quase inexistente atenção dada pela grande mídia ao assunto e até com o descaso de livreiros que, em geral, jogam os livros nacionais do gênero na última estante lá no fundo da livraria”, disse a escritora Helena Gomes. “Apesar de tudo, vejo o momento atual com esperança. Há autores que estão conseguindo publicar livros de fantasia e até por uma ou outra editora grande”, complementou a escritora que possui obras publicadas na Rocco, Devir e Idea.

Foi pensando em facilitar um pouco a vida para novos escritores de gêneros que não costumam ter lugar nas grandes editoras que nasceu a Andross Editora, organizada por Helena Gomes, além de Edson Rossatto, Cláudio Brites, César Mancini e Carlos Francisco. Tudo começou no campus da Universidade Cruzeiro do Sul (SP), com o objetivo de abrir espaço no mercado aos alunos que não tinham condições de publicar seus primeiros textos. O projeto cresceu e conseguiu se manter graças a um modelo de negócio diferenciado, que é a publicação de antologias. Hoje a Andross comemora três anos com 25 títulos publicados e começa a planejar a expansão do seu catálogo, alcançando uma diversificação não só de escritores, mas também do próprio produto. O possível lançamento ainda neste ano da graphic novel, que já se encontra em produção pelo novo selo, Andross Comics. Nos próximos meses também deve chegar ao mercado mais seis antologias, nas áreas de contos, crônicas, poemas e micro-contos.

Anno Domini - Manuscritos Medievais é a mais nova antologia organizada por Helena e Cláudio. Ela reúne tanto contos ambientados na realidade histórica quanto aqueles passados em universos mágicos inventados pelos próprios autores, tendo a participação especial de Raphael Draccon
(Dragões de Éter, da editora Planeta), e a capa ilustrada por Octavio Cariello (The Queen of the Damned, de Anne Rice), conceituado desenhista de inúmeras HQs de editoras americanas, como a DC e Marvel. “É uma honra. Tenho sorte. No Livro Negro dos Vampiros estive ao lado de um grande entendedor do assunto, Kizzy Ysatis (Clube dos Imortais, editora Novo Século), e agora no Anno Domini a parceira é um dos grandes nomes da literatura fantástica. É uma honra e uma grande oportunidade de aprender muito! A Helena é um amor e está num gás contagiante. Todos só temos a ganhar com ela nesse projeto”, comentou Cláudio Brites.

Escrever é Reescrever

Vários autores ao escrever seus textos muitas vezes não conseguem encontrar seus próprios erros, achando-os perfeitos e mandam para os editores. Mas não pense que a Andross “engole” os de baixa qualidade apenas porque o escritor é novo e promissor. “Quando recebo os textos aqui na Andross, percebo que a maioria dos autores os envia sem fazer nenhum tipo de retrabalho estilístico ou revisões”, revelou Edson Rossatto. “Muitos acham que não precisam revisar suas obras. Ledo engano. Drummond dizia que um bom texto é 10% inspiração e 90% transpiração.” O alerta não deve ser visto como algo amedrontador, e sim como um conselho. “Espero tornar oportuna a primeira publicação literária desses talentos ocultos. É gratificante saber que por minha escolha - e pelo talento da pessoa, é claro - aquele autor terá a chance de se tornar conhecido”.

Cláudio Brites faz coro a Edson e defende que os autores precisam entender a necessidade da reescrita, e que existe também a necessidade de ajudá-los, pois muitos ainda não estão maduros. “A maioria acha que o texto bom sai pronto e esquecem que a arte da escrita envolve muita reescrita. Graciliano fala muito disso, de você lavar e enxugar e bater o texto até ele ficar limpo. Os escritores não tocam no texto e acabam deixando a obra como um diamante mal polido. Nós esperamos trabalhos criativos e autores dispostos. Ou seja, uma obra não precisa vir pronta. Contos redondos. Mas se a premissa dos contos for boa, mesmo que a obra ainda precise de ajustes, estamos dispostos a trocar emails com esse autor e dar dicas para que ela fique bem acabada para a publicação. Se o autor não estiver disposto a trabalhar, fica difícil”.

Mesmo sabendo que receberão apoio de editoras como a Andross, para ter alguma chance de publicar, os novatos ainda têm medo e velhas perguntas acabam surgindo durante o envio de um texto. As mais comuns dizem respeito aos direitos da obra, ganho financeiro, publicidade e integridade do texto. Algumas modificações se tornam necessárias, porém nem todos são aprovados. De acordo com as regras da Andross, depois de aceitos os manuscritos que serão publicados, a editora entra em contato, celebrando “contratos de edição”, que se destacam por manter o autor como legítimo titular dos direitos autorais sobre a obra, o que não acontece em “contratos de cessão de direitos autorais”, bastante conhecido em vários dos concursos literários. Quanto aos gastos financeiros de ambas as partes, o envio de obras é gratuito para o autor, contudo, a confecção dos livros gera custos. Para que estes sejam pagos, o programa desenvolvido pela editora dar-se da seguinte forma: cada autor se compromete a vender vinte exemplares do volume em um período de trinta dias, após a data de lançamento do livro. Os custos de cada um possuem um valor mínimo para que a cota seja alcançada. Para o autor ter algum retorno financeiro, basta seguir o conselho da própria editora: vender do livro por alguns reais a mais.

Sendo assim, o escritor tem a certeza de que a editora dará a ele no mínimo, uma quantidade determinada de livros para o pagamento da publicação de sua obra, sendo possível uma segunda edição e mais uma determinada cota é entregue aos autores devido aos seus direitos autorais. Portanto, oportunidades não faltam àqueles que desejam ter suas histórias publicadas. Na Andross os escritores podem iniciar suas carreiras. Mas o principal conselho continua sendo: tenha carinho por seus textos, revise-os, dê uma polida e mãos às obras. Você não vai querer desistir agora, vai?

Serviço:

Telefone: (11) 6943-7687
site: http://www.andross.com.br
e-mail: andross@andross.com.br

Esta matéria foi publicada originalmente no fanzine Elefante Bu.

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Vampy Lu
 

Núbia, vamos que vamos \o/

Vampy Lu · Brasília, DF 2/4/2008 11:21
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Addam
 

Excelente matéria, sobre um grupo realmente preocupado com os novos autores desse país.

Addam · Rio de Janeiro, RJ 2/4/2008 14:37
3 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Berioliveira
 

Boa materia, gostei votado
Parabéns pela iniciativa

Berioliveira · Vitória da Conquista, BA 3/4/2008 00:06
3 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Ademir Pascale
 

Excelente matéria. É de editoras como a Andross que o nosso país precisa. Parabéns Rúbia.

abração,
.

Ademir Pascale · São Paulo, SP 3/4/2008 11:12
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Fernando Cury
 

Se tivéssemos mais iníciativas como essa, na certa mais oportunidades profissionais e para novos talentos surgiriam... mas começa em algum lugar sempre... Parabéns!

Fernando Cury · São Paulo, SP 3/4/2008 12:28
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Plínio Zúnica
 

Democratização da publicação em um país que desvaloriza sua literatura e autores.

belíssima iniciativa!

Plínio Zúnica · São Paulo, SP 3/4/2008 12:43
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Danny Marks
 

Não basta ter talento e capacitação, é preciso ter oportunidades.
A Andross representa uma boa oportunidade para novos autores e iniciativas assim devem ser sempre incentivadas.

Excelente matéria, Rubia, como era de se esperar sendo sua.

Parabéns

Danny Marks · São Vicente, SP 3/4/2008 18:41
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Francinne Amarante
 


tudo bem.. bacana a iniciativa. que apareçam mais editoras interessadas em primar na qualidade das obras, isso é essencial..
é verdade, o descaso das grandes editoras existe, resiste... porque são comerciais.
autores novos e veteranos têm (todos nós temos) dificuldade em revisar a própria obra, claro! pra isso os revisores, editores, ué! é sempre bom, ouvir opiniões de quem está do outro lado e claro, tentando ajudar, sem “alisar” , mas fazendo sua parte.
eu penso que o problema não está só na “imaturidade literária” de quem sente necessidade de publicar um livro, todos estamos aprendendo, certo? mas a arrogância de quem se julga intelectual ou tarimbado, “maduro literariamente e literalmente”, isso sim me incomoda.
padronizar é retroceder.

abraços.
Francinne

Francinne Amarante · Brasília, DF 4/4/2008 16:33
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Adroaldo Bauer
 

Por estes dias, no ano passado, decidi finalmente que iria eu bancar a edição de minha novela O dia do descanso de Deus, que acabei lançando em 31 de maio de 2007.
Havia concluído a história em 13 de janeiro, um sábado, o que me sugeriu o título, embora nada tenha o enredo de religioso, sendo mesmo uma tragédia.
Na própria elaboração do argumento, que se foi ampliando conforme ia escrevendo, li e reli várias vezes muitos dos capítulos. Eles nunca estão prontos para quem cria e tem alguma preocupação com a correção de linguagem.
Quando considerei finda a escrita, pus as três letrinhas FIM e abadonei o chapéu de escritor novato (seria o meu primeiro livro).
Escrevo de algum modo mais certo que errado em português desde os 12 anos . Tenho certeza de que não acertei tudo, porque não há impresso sem erro, sempre me dizia o dono da Editora EMMA, em que fui redator, revisor e chefiei a produção gráfica da empresa por três anos nos anos 1970.
De '74 a '90, fui redator, copidesque e repórter de rádio e jornal.
Ainda hoje sou técnico em comunicação da prefeitura de Porto Alegre.
Escrevo diariamente, pensando sempre em acertar mais que errar. A idéia de que não há escrito sem erro me acompanha ainda. Tanto que, terminada a história pelo autor, na minha opinião de escritor novato, a tarefa passa a ser de revisão editorial, ortográfica e gráfica.
O editor tem seus critérios, e oferece, penso, ao autor, que aceita ou não, e o editor decide se quer aquela história.
Não penso que o editor deva reescrever um livro que tenha uma boa história a ponto de modificar a idéia e a vontade do autor.
Nem digo que isso, um ultraje à criação, a meu ver, deve ocorrer ou ter ocorrido alguma vez por iniciativa de qualquer editor que assim se entenda.
No jornalismo era impensável. Se o editor não aceitasse a matéria, ela ia para a gaveta, não se refazia a história.
Se a informação era mesmo necessária, o editor que encontrasse redator ou mesmo ele escrevesse e assinasse uma matéria que escrevese.
Em literatura não cabe isso, que o livro não vai fechar às 22horas para circular na madrugada seguinte.
Similar a Andross, há outros, felizmente, com os mesmo critérios, parte deles, ou meramente comerciais.
A minha revisão editorial pedi a Maria Amélia Vargas, colega jornalista, que já fazia isso para outros autores.
Viu da coerência da história, dos nexos, dos conteúdos e da verossimilhança, e também da ortografia e da gramática. Sempre serei devedor dela, que o fez como profissional, sim, mas também como dedicada filha, ainda que não seja eu o pai natural dela.
Quando levei os originais à gráfica, após criteriosa apresentação de Luiz Paulo de Pilla Vares, um veterano colega editor de cadernos de cultura, profissional jornalista de larga história, ex-secretário da cultura de porto Alegre e do estado do Rio Grande do Sul, que o fez sem reparos à técnica e ainda recomendando a leitura da história, da qual gostou, senti-me então de retorno aos bancos da gráfica em que trabalhara.
Fiz duas revisões de texto, lendo então, de tempo corrido, o texto do livro todo, palavra por palavra, frase por frase, parágrafo por parágrafo, capítulo por capítulo, duas vezes inteiras.
Por isso costumo recomendar aos que me compram o livro (e já estão distribuídos ou vendidos 930 exemplares da edição de 1.000) que dediquem de dez a 12 horas para leitura das 104 páginas, para que haja vagar na fruição do texto.
A revisão gráfica que fiz levou-me sempre de seis a sete horas com brevíssimas paradas, em razão de que, por menos autor que fosse naquela condição, eu já sabia da história.
E ainda após a segunda revisão encontrei erros de grafia. E um, pelo menos, de montagem, quando um parágrafo abre com letra minúscula.
Há também uma informação errada no tempo da história, que eu não vou contar, que já me disse quem o leu, que em nda prejudica a quem a lê nos dias de hoje.
Nada grave, mas um erro editorial, pode-se dizer, porque sou o editor dele também.
Que se pode dizer das inciativas de escrever e editar e de apoiar a quem é novo no ramo ou mesmo antigo sem as relações facilitadoras do tope?
Que haja acordo e cumplicidade, mais que formal, entre as partes que se vão dar a tarefa de pôr a criança no mundo. Sendo para o bem, a ninguém fará mal.
Sempre é tempo de aprender.
Seja quem seja, por mais que pensemos que saibamos, de tudo não sabemos ou mesmo as lentes do óculos podem estar vencidas sem que a pessoa já disso se tenha dado conta.
Assim ainda penso, por enquanto.
Escrevi motivado pelo que li, que envolve preocupação minha: dar ao leitor um escrito em português que procure honrar a nossa língua.
Bom tema.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 4/4/2008 18:54
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Armando Akio
 

Excelente iniciativa da Andross, que valoriza novos autores, em trabalho que divulga escritos que precisam sair das mãos de quem escreve, para que o público possa apreciá-los.

Armando Akio · Santos, SP 5/4/2008 09:35
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Pedro Monteiro
 

Todas as formas de difusão cultural são muito importantes.
Parabéns

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 20/4/2008 15:46
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Juliana Pádua
 

AMEI!

Juliana Pádua · Iturama, MG 20/5/2008 22:30
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