A história começa assim: um grupo de pessoas acostumadas a fazer teatro juntas percebe uma linha de trabalho em comum. A partir daí nasce a vontade de seguir um rumo coletivo, voltado pro resgate da dramaturgia brasileira. O primeiro passo é a encenação de três peças do Plínio Marcos. O grupo segue fazendo o seu trabalho até que surge a idéia de montar dois espetáculos do Nelson Rodrigues, Boca de ouro e O Beijo no asfalto. Pra isso, a busca por um espaço alternativo, um desejo antigo deles, cresce ainda mais. A solução vem com a descoberta de um depósito, ideal pros propósitos do grupo. Daí pra escolha do nome Depósito de Teatro foi um pulo.
Núcleo de Formação de Atores
De lá pra cá são quase dez anos de um teatro engajado, que entre outras coisas gerou uma escola dentro da sede do grupo. "Ela foi criada com o intuito de manter o Depósito; os alunos pagavam uma mensalidade e com aquela mensalidade se pagava o aluguel. Só que com o tempo isso foi se tornando muito mais vital do que simplesmente pagar o aluguel", conta a atriz Maria Falkembach, uma das fundadoras do grupo. "A escola de teatro fez com que a gente sistematizasse o nosso conhecimento e tivesse que determinar, em função disso, o perfil do ator do Depósito de Teatro". Chamada de Núcleo de Formação de Atores, a escola tem objetivos bem definidos sobre a formação dos alunos. "As pessoas que fazem teatro no Depósito saem com uma marca, um tipo de atuação que tem relação com essa idéia de identidade brasileira".
E à medida que mais turmas iam se formando, o grupo via que a escola era vital, pois aqueles alunos davam vida pro espaço, numa reciclagem de pessoas e idéias. Além do Núcleo de Formação de Atores, o Depósito conta também com núcleos de Pesquisa Cênica, Dança e Circo. Hoje eles funcionam basicamente por causa das montagens do grupo, mas a idéia é torná-los mais profissionais daqui pra frente.
Troca de experiências
Em 2005, o Depósito participou do II Encontro Nacional da Redemoinho - Rede Brasileira de Espaços de Criação, Compartilhamento e Pesquisa Teatral, realizado no Galpão Cine Horto, espaço do grupo Galpão, em Belo Horizonte. A experiência foi muito importante pros gaúchos. "Percebemos que tem muita gente na mesma situação que nós, um grupo teatral que faz pesquisa e não tem a visibilidade que o marketing esperaria, porque não temos ator global e coisas do tipo". E é em função de questões como essa que a Redemoinho vem se desenvolvendo, com a discussão de políticas públicas e do fazer teatral. "Uma forma esperada é através de leis de governo que criem fundos e pensem nesses pontos que fazem formação e pesquisa, que fazem a arte de uma outra maneira que não a do mercado".
Planos
E essa outra maneira passa necessariamente por um teatro social. Prova disso é a implantação de um Ponto de Cultura na Vila Santa Rosa, no bairro Rubem Berta, zona norte de Porto Alegre, financiado pelo MinC através do projeto Cultura Viva. O objetivo é retomar o trabalho desenvolvido pelo Resgatarte, iniciativa extinta por falta de verbas. "A idéia é construir um espaço e criar um centro cultural lá dentro, que seja administrado pelo Resgatarte. É um grupo só de negros, que tem um trabalho muito interessante de valorização da negritude". O projeto tem oficinas de teatro e outras atividades que possam mobilizar a comunidade a se envolver com figurino, cenário, produção e divulgação, pra dar autonomia pra que os próprios moradores da Vila Santa Rosa possam continuar o trabalho depois. "É um projeto de dois anos e meio que vai nos consumir bastante, mas é um verdadeiro sonho, porque achamos que é preciso estar junto da comunidade".
Pra aumentar a realização do Depósito, só mesmo atingir o reconhecimento em outros lugares do Brasil. "Este ano a nossa grande mobilização é para sair de Porto Alegre", revela a Maíra. Pra quem vive sempre em busca de um teatro realmente brasileiro, nada mais natural do que abrir caminhos pelo país afora.
Fantastíco! Viva o teatro brasileiro!
vertov · Cachoeira do Sul, RS 7/3/2006 20:46Li o texto "Em busca de um teatro brasileiro", e vejo uma semelhança com o nosso trabalho aqui em Sao Paulo, faço parte de um nucleo de formaçao de atores, e tenho estudado muito a situaçao. Primeiro as dificuldades financeiras, pois o ideal é que o ator, trabalhe integralmente pelo teatro e muitas vezes isto nao acontece; como é o nosso caso: todos trabalham, nos encontramos apenas no domingo em tres horas de aula, e isto me preocupa. Pois entendo que o ator tem que estudar e muito, tem que ter cultura, para entender o texto, dialogar com os companheiros, criar o personagem com toda a sua complexidade psicologica; e vivendo de modo precario isto se torna impossivel. Alem de tudo isto, tenho uma inquietaçao, que ainda nao sei bem o que é, mas nao concordo com as interpretaçoes vingentes hoje no nosso teatro, e tidas como exemplo. Outro dia li no Jornal Folha de S Paulo, um texto em que o Celso Antunes dizia: " da impossibilidade de interpretar a peça - Esperando Godot ", pois nossos atores tem pouca cultura. Junte-se a isto, está acontecendo muitas coisas no nosso mundo, os povos da America Latina procuram uma saida politica, existe uma revoluçao em curso, e o teatro continua vivendo a " democracia", a covardia, o conformismo, a adaptaçao se apropriou dos atores. A grande maioria destes atores famosos estao envolvidos com ONG´s. O teatro brasileiro certamente nao passa por estas matrizes. Passa pela rebeldia, pela audacia em busca da formosura, da beleza e da surpre
Charles · São Paulo, SP 17/4/2006 18:12
Eduardo, Das ou a manifestação mais antiga, mais levada a cabo, mais "encenada" em todo lugar, em toda biboca... .
Tenho em mente que quanto mais a sociedade se degrada, perde valores intrínsecos de gente: como prazer, alegria, satisfação, vontade, gozo, tristeza, mais o teatro perde - "desaparece". Porque na casa, na sala, no quarto dos degradados cada um se envergonha em ver o filho "abandonado", entregue à perua escolar, cedinho para a mãe ficar dormindo, ou não ver porque a mãe já saiu na cata da vida... Porque o pai nao voi ao velorio do vizinho assassinado com medo de ser tido com um aliado do finado, embora fossem grandes amigos...
Nao vou lhe falar de teatro, sua historia, sou um leigo, um escrevente de textos tolos. Mas surge a pergunta - O que fazer?
- Um dia Abdias, o patriarca, tendo entrado num teatro pela primeira vez.... resolveu ser autor, ator, diretor, empresário, como? - Voce sabe. Eu só nao queria votar no texto, na sua capacidade, sem lhe dizer nada, coisas de piauienses... faladores... um abraço andre.
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