No interior do Mato Grosso do Sul está o município de Anastácio, com seus 25 mil habitantes.
No interior do município está a Colônia Paulista, com algumas dezenas de famílias rurícolas.
No interior da colônia, está uma humilde casa, em cujo interior mora um caboclo roceiro que tem no seu interior alguma coisa de fenomenal que ele, de forma primitiva e sutil, exterioriza para mexer com o interior da gente.
Esse artista do interior é Juvenal dos Santos, trabalhador, quarentão, humilde, autodidata, criativo e observador. É um artista do mato que pinta a mata pra quase ninguém ver. Tímido e tão calado quanto o seu pincel de rabo de cavalo, pinta quadros telúricos como este Carro de boi (foto), retratando a vida e a paisagem do lugar onde mora. Seu mundo se resume no morro, no mato, no rancho, na cerca, no cavalo, na vaca leiteira, na carroça, no cachorro e na velha estrada vicinal onde ele próprio dirige sua trabalhadeira e preguiçosa carroça.
É feliz, porque tem a natureza aos seus pés, às suas mãos e aos olhos de sua imaginação, longe das roças de pedras que endurecem e prendem as pessoas nas cidades. Mas não sabe que é um gênio imortal pelo dom que possui e pela arte que usa só pra passar tempo.
Aqui no Portal do Pantanal a arte não tem o reconhecimento que merece. São muitos anônimos fazendo artes de todos os matizes, na pintura, na música, no artesanato, na prosa e no verso. Porque no interior de Mato Grosso do Sul a arte se faz em silêncio e fica escondida, borbulhando no interior de artistas naturais como o Sr. Juvenal.
É isso que gosto de apreciar. O artista "casca grossa". Parabéns por valorizar trabalhos assim. Que pérola voce descobriu! Um abração.
anamineira · Alvinópolis, MG 3/9/2007 16:42
Que linda a pintura de Juvenal dos Santos e que lindo vc ter descoberto ambos - criador e criação - trazendo-os para aqui para que seu silêncio seja ouvido por todos nós.
Parabéns Frazão!!!
Um grande abraço
Ana e Ize, obrigado - por mim e por Juvenal.
Conheci-o há pouco tempo. Ele veio me pedir para revisar um pequeno livro de cordel. Estava um caipirês perfeito (como se deve) e disse-lhe que era bom assim, original. Pediu-me, então, pra eu ver umas "pinturinhas" na casa dele na colônia. Fui ver e já comprei o "carro de boi". Agora vou mostrar a ele o texto que fiz e os comentários que o pintor-do-mato tá recebendo. Ele é um artista na concepção mais pura da palavra, pois possui as duas forças que formam o verdadeiro artista: genialidade e humildade.
abrs e bj
Legal vc trazer o Juvenal aqui, Frazão. Mas senti falta de mais algumas coisas: pra começar, mais fotos dos trabalhos. Tem não? Também senti falta da palavra dele. Não precisa ser entrevista, mas alguma coisa que vc tenha percebido dele. Por que ele pinta? Essa pergunta eu sempre me faço quando encontro um artista popular autodidata que resiste ao mundo bruto à sua volta com sua arte. Um abraço!
Ilhandarilha · Vitória, ES 4/9/2007 12:17
Justa homenagem a um artista tão genuíno como o Juvenal, cuja obra não conheço, além desta bela pintura que encabeça o seu texto. Assim como no Mato Grosso do Sul, em qualquer recanto longínquo deste imenso Brasil há artistas e mais artistas cujos trabalhos jamais são divulgados. Parabéns pela sua iniciativa.
Remisson Aniceto · São Paulo, SP 5/9/2007 14:49
Alma de artista tem Juvenal, faz poesia de cordel, boneco de mamulengo, pintura e arruma tempo pra achar sitios arqueológicos.
Juvenal, por esses dias, tava segurando as pontas num programa de rádio nordestino, sem nunca ter falado ao vivo numa emissora de rádio...Ah! Frazão, agora ele é nosso parceiro no Conselho de Cultura.
Tem mais aguardem...
"É feliz, porque tem a natureza aos seus pés..." - Somos agradecidos e felizes pelo seu dom e pela sua sensibilidade de revelá-lo... Abçs...
Nydia Bonetti · Campinas, SP 5/9/2007 19:13
Olha, é magnífico valorizar o trabalho de artistas que buscam retratar o que de bom existe. Nós que fazemos o NAEC de São Benedito - CE, damos todo apoio às iniciativas que buscam valorizar a cultura. Acesse : http://naec.gigafoto.com.br e conheça melhor nosso trabalho.
parabéns pelo artigo e abraços de toda equipe do NAEC de São Benedito - CE
Meu prezado amigo e confrade Frazão:
Sou suspeito de 'comentar' os teus escritos, porque sou teu fã. Não por acaso, já timbraste duas "orelhas" em dois livros meus (inclusive, o mais recente, que divides o espaço com Ronaldo Cunha Lima).
Neste texto, mostras - mais uma vez - toda a força da tua arte maravilhosa amalgamando o jornalismo e a literatura.
Li e reli - e me envolvi - nas linhas e entrelinhas desta prosa admirável, que arrebata e afaga o nosso interior.
Viva o MS
Viva Anastácio (o Portal do Pantanal)
Viva a colônia paulista
que abriga a casa humilde
do caboclo Juvenal!
Ilha, obrigado. Fico lhe devendo, por enquanto, mais detalhes sobre o Juvenal, mas vou mostrar-lhe todos os comentários – como o seu – que servem de estímulo aos artistas.
Remisson, obrigado pela sua força verbal.
Rangel, é isso mesmo, a arte está tirando o Juvenal do caritó.
Nydia, somos felizes pela sua douta e amável receptividade.
Rubenio, meu irmão, o Juvenal já se tornou seu fã (tanto quanto eu), especialmente depois da sua magna palestra realizada em nossa cidade. Quanto a mim, tenho me inebriado do prazer colhido em seus versos, que são da mais fina arte.
Obrigado à equipe do NAEC.
Vou acessar o site e conhecer sua performance.
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