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Encontro dos Tambores

Tato
O Encontro dos Tambores já faz parte do calendário festivo dos amapaenses

Uma semana para a conscientização de ser negro
“Há quem diga / Que o tronco, a senzala / Hoje é memorial / Navio negreiro, foi um transporte infernal / Sou um negro, no tronco da demagogia / Levando chibatadas de hipocrisia / Preso na senzala da indiferença / E transportado no navio da ofensa / Sou um negro, atrás da minha liberdade / Sou crioulo, sou um negro de verdade” Negro Soul de Luiz de Jesus

Os tambores rufaram no bairro do Laguinho festejando XIV Encontro dos Tambores, em referência a Semana da Consciência Negra. A programação ocorreu no período de 20 a 25 de novembro, com palestras, apresentação de grupos de dança, artesanato e ritos religiosos.
As 34 comunidades afrodescendente do Estado marcaram presença na sede da União dos Negros do Amapá, (UNA), que promoveu o encontro em parceria com Centro de Cultura Negra do Amapá, (CCNA) e recebe patrocínio do Governo do Estado.
A programação iniciou dia 20, com a caminhada Zumbi dos Palmares e a tradicional Missa dos Quilombos, terminando com o rufar dos tambores.
Durante a semana, na sede da UNA, ocorreu às apresentações de grupos folclóricos das comunidades afrodescendente. Teve também roda de samba com participação das baterias das Escolas de Samba do Amapá. No encerramento da festa aconteceu o show com a cantora nacional Lecí Brandão, que fez uma homenagem à cultura Afro-brasileira e ao aniversário da UNA, pelos seus 22 anos atuando no Estado.
Durante a semana o público que compareceu ao evento pode participar de seminários, atividades afro-religiosas, debates e assistiu à espetáculos musicais como o sairé, batuque, samba, zimba e muito marabaixo. O público ainda contou com uma vasta gastronomia regional e africana e puderam passear pelas dependências da UNA e fazer compras na feirinha de artesanato.

Consciência Negra
A lei N.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003, incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar, data em que comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. A mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.
Com a implementação dessa lei, o governo brasileiro busca contribuir para o resgate das contribuição dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da história do país.
A escolha dessa data não foi por acaso: em 20 de novembro de 1695, Zumbi - líder do Quilombo dos Palmares- foi morto em uma emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que culminou com o início da destruição do quilombo.
Para os movimentos afrodescendente comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva na memória essa figura histórica. Não somente a imagem do líder, como também sua importância na luta pela libertação dos escravos, concretizada em 1888.
No entanto, as estatísticas sobre os brasileiros ainda mostram desigualdades entre a população de brancos e a de negros e pardos. Por isso, nessa data é promovida várias programações com palestras, debates e apresentações culturais, com o intuito de mostrar a importância histórica dessa fatia da população, que é maioria. “Buscamos desenvolver políticas públicas para fazer com que os negros possam ter mais oportunidades, já que temos anos de abandono na história desse país, nossos antepassados escravos foram largados a boa sorte, e chamaram isso de liberdade, não receberam um centavo pelo trabalho que fizeram, nem educação, nem moradia eles tiveram”, informa o presidente da Federção dos Cultos Afro-brasileiros do Amapá (Fecab), Pai Salvino.


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