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Encontro dos Tambores

Tato
O Encontro dos Tambores já faz parte do calendário festivo dos amapaenses
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Pérola Pedrosa · Macapá, AP
30/11/2008 · 159 · 9
 

Uma semana para a conscientização de ser negro
“Há quem diga / Que o tronco, a senzala / Hoje é memorial / Navio negreiro, foi um transporte infernal / Sou um negro, no tronco da demagogia / Levando chibatadas de hipocrisia / Preso na senzala da indiferença / E transportado no navio da ofensa / Sou um negro, atrás da minha liberdade / Sou crioulo, sou um negro de verdade” Negro Soul de Luiz de Jesus

Os tambores rufaram no bairro do Laguinho festejando XIV Encontro dos Tambores, em referência a Semana da Consciência Negra. A programação ocorreu no período de 20 a 25 de novembro, com palestras, apresentação de grupos de dança, artesanato e ritos religiosos.
As 34 comunidades afrodescendente do Estado marcaram presença na sede da União dos Negros do Amapá, (UNA), que promoveu o encontro em parceria com Centro de Cultura Negra do Amapá, (CCNA) e recebe patrocínio do Governo do Estado.
A programação iniciou dia 20, com a caminhada Zumbi dos Palmares e a tradicional Missa dos Quilombos, terminando com o rufar dos tambores.
Durante a semana, na sede da UNA, ocorreu às apresentações de grupos folclóricos das comunidades afrodescendente. Teve também roda de samba com participação das baterias das Escolas de Samba do Amapá. No encerramento da festa aconteceu o show com a cantora nacional Lecí Brandão, que fez uma homenagem à cultura Afro-brasileira e ao aniversário da UNA, pelos seus 22 anos atuando no Estado.
Durante a semana o público que compareceu ao evento pode participar de seminários, atividades afro-religiosas, debates e assistiu à espetáculos musicais como o sairé, batuque, samba, zimba e muito marabaixo. O público ainda contou com uma vasta gastronomia regional e africana e puderam passear pelas dependências da UNA e fazer compras na feirinha de artesanato.

Consciência Negra
A lei N.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003, incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar, data em que comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. A mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.
Com a implementação dessa lei, o governo brasileiro busca contribuir para o resgate das contribuição dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da história do país.
A escolha dessa data não foi por acaso: em 20 de novembro de 1695, Zumbi - líder do Quilombo dos Palmares- foi morto em uma emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que culminou com o início da destruição do quilombo.
Para os movimentos afrodescendente comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva na memória essa figura histórica. Não somente a imagem do líder, como também sua importância na luta pela libertação dos escravos, concretizada em 1888.
No entanto, as estatísticas sobre os brasileiros ainda mostram desigualdades entre a população de brancos e a de negros e pardos. Por isso, nessa data é promovida várias programações com palestras, debates e apresentações culturais, com o intuito de mostrar a importância histórica dessa fatia da população, que é maioria. “Buscamos desenvolver políticas públicas para fazer com que os negros possam ter mais oportunidades, já que temos anos de abandono na história desse país, nossos antepassados escravos foram largados a boa sorte, e chamaram isso de liberdade, não receberam um centavo pelo trabalho que fizeram, nem educação, nem moradia eles tiveram”, informa o presidente da Federção dos Cultos Afro-brasileiros do Amapá (Fecab), Pai Salvino.


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Yusseff Abrahim
 

Oi Pérola... fico fascinado com estas manifestações. Pena que Amapá é um pouco contramão (engraçado um amazonense falar que algum lugar é contramão, né?). Mas já estive ai em 2005. Adorei relembrar minha passagem por ae.
Viva o Dia da Consciência Negra.

Yusseff Abrahim · Manaus, AM 27/11/2008 12:05
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Krista K
 

Olá Pérola. Que texto lindo e informativo! Na próxima passagem pela área vou procurar conhecer o Amapá/Macapá e a rica cultura de lá. :)

Krista K · Salvador, BA 27/11/2008 16:21
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Higor Assis
 

Nome forte o do título. Gostei! Parabéns pela matéria.

Higor Assis · São Paulo, SP 27/11/2008 16:28
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Álvaro Albuquerque (Mineiro)
 

Parabéns!

Gostei muito da abordagem.

O dia 20 de novembro é um momento de alimento para as ideias que sustentam a luta, ainda constante, da busca da liberdade real que vai além da pele, pois esta não pode ser representativa em uma sociedade onde o que grita, interiormente, é a pluralidade dos tons em busca de ser.

Álvaro Albuquerque (Mineiro) · Barreiras, BA 29/11/2008 19:02
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Andre Pessego
 

Legal, muito boa postagem no momento .......
abraço
andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 30/11/2008 00:12
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Edna Morena
 

Eu sou essa de verde,lá atraz. Fico muito feliz em saber que tem gente que pensa assim como vc. PARABÉNS!!!

Edna Morena · Ipiaú, BA 30/11/2008 20:12
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Hideraldo Montenegro
 

CICATRIZ

p/Graça Graúna


Solano sol
de cada manhã
a cor
do sol
doura a pele
de liberdade
a cada passo
a África
colada
à sola
da caminhada
é asa


Solano sol
poesia e rouxinol
canto da manhã
na cor
desterro e dor
de uma pátria
colada à sola
da caminhada
a cadência
marca
a fala
e fertiliza o chão
por onde a África
passa


Solano sol
da fala
a cor é flor
na marca
a pele
aberta
desabrocha o sorriso
na dor
como uma flor
nasce
no asfalto
como um assalto
um sobressalto
dos pés
na caminhada
que a pele
livre
carregada de sol
fez da cultura
humana
beija-flor

Hideraldo Montenegro · Recife, PE 30/11/2008 22:36
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Hideraldo Montenegro
 

Mas, não cultivo as diferenças (sejam elas quais forem, raciais, culturais, sociais, étnicas, etc). Penso apenas no SER HUMANO e valorizo as nossas semelhanças (que é o que interessa).
Paz.

Hideraldo Montenegro · Recife, PE 30/11/2008 22:38
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Pérola Pedrosa
 

Obrigada pelos comentários e Yussef valeu os toques no texto, e Krista estamos esperando vc por aqui no Amapá, Higo queria um título forte, que bom que gostou. Álvaro profundo seu comentário e concordo pois acho que nós somos de todas as cores. OLá Andre, obrigada por sempre ler meus textos, e Edna você estava aqui no Amapá? Bonito poema, Hilderaldo, e acredito que somos diferentes, sim, pois não teria graça alguma sermos cópias dos outros, mas o belo está nisso, mas ao invés de separar, eu gosto de misturar, como um bom e delicioso bolo, temos que misturar a farinha, os ovos, o leite, a manteiga e tantas outras coisas, para prerará-lo, e no final dá aquele gostosura, ou não, afinal nem todo ser humano se torna algo bom, independente da cor ele possua.

Pérola Pedrosa · Macapá, AP 1/12/2008 17:01
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