Véio. Como pode um nome tão simples gerar tanta repercussão no cenário artístico sergipano e, também brasileiro? Como pode um artesão de uma cidade do interior do estado, que por muitas vezes não ouvido, lançar-se e ser reconhecido nacionalmente, mesmo sem muito apoio, nesse mar de ideias e, porque não, de significados?
Significados estes que hora se mostram sensíveis, com obras mais tradicionais, ora se mostram como frutos transformadores da realidade que nos é cabível. A verdade, digo-lhes, é que veio enganou a gente (e digo “gente”, me incluindo como um apreciador de sua arte), ele não entalha madeira, tampouco faz reles obras ecologicamente corretas.
Não, Véio não me engana, mesmo com sua espécie de jogo artesanal onde se combina luz e tradição com trevas e ideias pós-modernas, não consigo me ludibriar com tais sistemas de composição. Sabem por que, caros leitores? Porque nem os recursos que ele utiliza, recursos estes nas quais suas ideias não cabem, nem suas peças madeirescas, retratam o que Véio faz.
O que ele faz, isso com toda certeza, é entalhar sim, mas, não madeira, nem lindas obras, pois nem sempre o que é belo é digno de uma bela ideia, tampouco é artesão de coisas materiais, o que Véio entalha é cultura, moldando a golpes cada vez mais certeiros o material com o qual nossas subjetividades são formadas, material esse que não é físico, nem palpável, mas sim, existencial. Funcionando, através de suas obras e de suas contribuições, cada vez mais, como o coração artístico de Nossa senhora da Glória.
Opa, Ramon,
Muito legal a lembrança. Ouvi falar do "Véio" pela primeira vez aqui mesmo, no Overmundo, a partir do trailer do documentário e da nota sobre a sua pré-estreia. Mas sempre tive curiosidade de saber mais, se não sobre o filme, sobre o artesão. Não quer falar mais num outro novo texto? :)
Ramon Diego, concordo com o Viktor Chagas. Que tal falar mais sobre o Véio num novo texto?
Tomei a liberdade de guardar na minha lista de citações, respeitando autoria: "O que ele faz, isso com toda certeza, é entalhar sim, mas, não madeira, nem lindas obras, pois nem sempre o que é belo é digno de uma bela ideia, tampouco é artesão de coisas materiais, o que Véio entalha é cultura, moldando a golpes cada vez mais certeiros o material com o qual nossas subjetividades são formadas, material esse que não é físico, nem palpável, mas sim, existencial. "
Realmente, Ramon, "Véio" entalha a riqueza imaterial e formidável da experiência do sertanejo sergipano, e a mantém viva, pulsando. Sua obra é única e seu texto revela bem o sentimento que ela desperta em nós. Parabéns!
Poeta Jorge Henrique · Nossa Senhora da Glória, SE 12/2/2011 11:21Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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