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Entre o amor e a razão, pra chorar no cinema

Montagem: Cícero Filho
Cenas do filme Entre o amor e a razão
1
Natacha Maranhão · Teresina, PI
29/9/2006 · 133 · 4
 

Quando eu soube que um estudante de jornalismo estava fazendo um filme, fiquei logo curiosa pra assistir. Depois comecei a ver os out-doors nas ruas divulgando a estréia e fui ficando ansiosa... Só que no dia que estreou, 19 de agosto, eu tinha um compromisso inadiável e não deu pra ir. Achei que teria que ver em DVD, mas quase um mês depois, o diretor conseguiu mais uma semana de exibição no cinema do Riverside Shopping. Eu tinha que dar um jeito de ir.

Fui. E já foi uma noite diferente porque foi a primeira vez que eu fui pro cinema sozinha! Cheguei lá e fiquei observando o povo chegar pra assistir: um grupo de adolescentes, um casal de idosos, mais adolescentes, umas meninas conversadeiras, mais alguns casais. Ao todo, umas sessenta pessoas.

O filme começou e foi me envolvendo, fui achando bacana, ficando surpresa com a qualidade, com a interpretação – porque só um dos atores é profissional, os demais são amigos e pessoas da família do diretor Cícero Filho -, com a fotografia caprichada, com a música bonita.

Engraçado é que eu me senti como eu acho que se sentem os moradores do Leblon quando assistem a uma novela do Manoel Carlos: cada vez que aparecia um pedacinho de Teresina, eu achava lindo. As ruas, os ônibus, as expressões das pessoas, os sotaques, tudo teresiníssimo.

“Entre o amor e a razão” conta a história de uma família de sertanejos que vive praticamente na miséria. A história começa mostrando o casamento de Elizeu e Cláudia. Ela, moça bonita que foi adotada por uma família rica, ganha o desprezo da mãe adotiva ao se apaixonar por um cara pobre. Sai da vida de luxo que levava e vai viver num casebre com o marido e três filhos.

Cansado de ver a família sofrer, Elizeu decide deixar o povoado onde mora, no interior do Maranhão, e vir tentar a sorte em Teresina. A cena em que a família se despede provocou minhas primeiras lágrimas da noite. Minhas e de mais um monte de gente.

São muitos momentos emocionantes em todo o filme. A Brenna Lima, que interpreta a filha do casal, tem um rosto de anjo que é uma coisa... quando ela aparece de carinha triste todo mundo que está no cinema cai no choro de novo.

Não acho graça em contar a história toda do filme, mas adianto que ri, chorei muito, saí do cinema com o coração apertado por saber que muita gente passa pelas mesmas situações que a família de Elizeu e Cláudia passa, e também com um orgulho danado de ver que o trabalho do Cícero e seus amigos é mesmo bonito e merece os elogios, os confetes e os aplausos que tem recebido por aqui.

Conversei com ele e senti a paixão do cara pelo que faz em cada palavra, no brilho dos olhos quando contava cada pedaço da saga que foi fazer o filme.

Cícero Filho acabou de se formar em jornalismo e tem experiência por trás das câmeras porque este é o seu 23º filme – o primeiro foi feito aos 12 anos de idade. Ele conta que “Entre o amor e a razão” marca uma nova fase, mais profissional, mais séria. “Eu fazia filmes de brincadeira. Com esse eu levei tudo muito a sério, e foi difícil de fazer. Pra você ter uma idéia, começamos a gravar em 2004 e de lá até o momento da finalização tivemos muitas pausas, atores que desistiam, dinheiro que não tinha”.

Vendo o filme pronto, fica difícil pensar em outras pessoas fazendo os papéis. Quem dá vida à Cláudia é Irisceli Queiroz, estudante de jornalismo (sim, colega de faculdade do diretor). A beleza bem brasileira dela faz pensar imediatamente naquelas meninas bonitas que vivem “escondidas” no interior do Brasil. A mãe malvada é interpretada pela professora doutora Graça Targino, que faz uma cara de megera de dar medo. “Selecionar os atores foi complicado. Quando terminei o roteiro, comecei a convidar pessoas que estivessem dispostas a participar de um filme voluntariamente, porque eu não tinha dinheiro para pagar atores profissionais. Convidei gente leiga mesmo, que nunca tinha ficado de frente pra uma câmera, até meu pai entrou no rolo. Mesmo com as dificuldades, não desanimei, procurei deixar o clima das gravações bem leve, deixei todo mundo à vontade e esse foi um grande diferencial. Os atores ficaram livres para dar vida às falas, eu só cortei os excessos”, revela, acrescentando que o único ator profissional é Anchieta Cardoso, que vive Elizeu (ele também é estudante de Jornalismo). A irmã e o sobrinho de Cícero também estão no elenco.

As gravações foram feitas em Teresina, em Poção de Pedras (cidade natal do Cícero) e nos povoados Barro Vermelho e Moradinha, no interior do Maranhão.

Para exibir o filme nos shoppings, junto com os blockbusters, o diretor teve que emocionar o gerente dos cinemas. “Ele me ofereceu um dia de quinta-feira às 13h, mas eu queria muito que fosse no fim de semana, então pedi a ele que desse uma olhadinha no filme. Ele assistiu até o fim e se emocionou, depois perguntou quanto eu gastei, que câmeras eu usei. Pediu um relatório completo da produção do filme e perguntou quando eu queria exibir e me deu o sábado à noite, no horário mais ‘nobre’. Fiquei feliz demais. E mais ainda quando vi a fila se formando pra assistir ao meu filme, os comentários das pessoas depois”.

O filme tem uma comunidade no Orkut e um blog, onde dá para ver cenas das gravações e conhecer os atores e o diretor.

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Edson Costa Filho · Aracaju, SE 29/9/2006 03:03
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Natacha Maranhão · Teresina, PI 29/9/2006 14:22
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Eugênio Rego · Teresina, PI 29/9/2006 15:58
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fontineles · Teresina, PI 5/11/2007 16:36
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