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Entrevista com Daniel Novais

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Janos Biro · Goiânia, GO
29/6/2009 · 57 · 17
 

Entrevista com Daniel Novais, criador do jogo Estamos pensando, um jogo-arte brasileiro. Se você ainda não jogou não sabe o que está perdendo. O jogo conseguiu destaque nacional e internacional, não apenas por ser bem feito. É uma obra de arte interativa, uma esperança para este gênero no Brasil, mas exatamente por isso gerou polêmica.


1. Qual a influência, em que você se inspirou para criar Estamos Pensando?

Daniel - Muita gente não entendeu o que eu quis passar de verdade com o Estamos Pensando. A idéia central do jogo é a de induzir o jogador a tomar uma atitude similar a da situação real. Quando estamos apaixonados e nos permitimos colocar outra pessoa em primeiro lugar, o normal é agir sem pensar e causar uma porção de erros enormes. Algumas pessoas entenderam isso, se indentificaram e me escreveram comentários muito legais em diversos sites que publicaram o game. Estes comentários fizeram o trabalho todo valer muito a pena. E, sim, o jogo tem uma pontinha de um relacionamento passado meu. Quanto as influências de outros games, Passage e Gravitation, ambos de Jason Rohrer.


2. Você acredita que a linguagem dos jogos pode servir para mais do que entreter, como para emocionar, informar, educar ou passar uma mensagem de vida?

Daniel - Sou muito fã de um escritor inglês chamado Douglas Adams (autor de The Hitch Hiker's Guide To The Galaxy). Ele escreveu uma porção de livros fantásticos e um dia, no auge da carreira, resolveu que queria fazer um game. Ele aprendeu a programar, foi atrás do sonho e, no final dos anos 90, lançou o jogo Starship Titanic (infelizmente, fracasso de crítica e vendas). Adams acreditava que um game poderia ser uma forma superior de se contar uma história pois obrigaria o jogador a entender a história para poder progredir. Um autor de um livro não tem como controlar se um leitor pula uma página. Um game designer tem alguns meios. Portanto, sim, eu acredito que um game pode (mas não costuma) conter qualquer tipo de informação e de um modo muito mais íntimo e interessante.


3. O que você acha da "cena" de jogos independentes do Brasil, como você vê a maioria dos jogadores e dos desenvolvedores brasileiros de jogos independentes hoje?

Daniel - Eu acho que falta ambição. Estamos Pensando foi o meu primeiríssimo jogo e já conseguiu 25.000 visitas e um destaquezinho internacional super bacana. Me arrependi muito de não ter colocado o game no Kongregate.com antes. Talvez eu tivesse até ganhado algum dinheiro. Existe muita coisa bacana sendo feita por aí, mas o pessoal ou não é criativo o suficiente ou não faz tem interesse em divulgar. Na comunidade do SBGames 2008 no Orkut eu coloquei recentemente um link para o game Tensão Abaixo de Zero, feito por estudantes da Anhembi-Morumbi. O game é super bacana, diferente e foi a minha escolha para o voto no SBGames. Mas sei lá eu por qual raio de motivo, só foi tornado público agora.

Outra história sobre a cena nacional. Quando o Kotaku publicou o Estamos Pensando, eu estava absolutamente longe da internet em uma cidadezinha no interior de Minas Gerais, em um casamento de amigos. Quando voltei para casa, no dia seguinte, passei horas lendo os muitos comentários no Kotaku e em outros sites que encontraram o jogo por lá. Muita gente odiou o jogo (e muitas das pessoas com argumentos reais, não dá pra discordar). Mas o meu blog, onde o game estava hospedado, ficou especialmente repleto de mensagens ofensivas de brasileiros, muitos deles com links para seus blogs de estudantes de cursos de games. Apaguei todos os comentários com palavrões, mas a sensação ficou e hoje ainda dá pra ver um pouco disso por lá. E navegando nestes sites todos, dá pra perceber que os brasileiros foram os que mais se pronunciaram negativamente sobre o game. Eu não acho que a pessoa deve gostar de um game por este ser brasileiro, de forma alguma. Mas é muito triste o fato de alguém odiar o game por ser criação de um brasileiro.


4. Quais jogos você anda jogando ultimamente ou quais foram os últimos que você jogou e gostou?

Daniel - Nesta geração me tornei adepto do PlayStation 3. Os jogos que estão saindo para a PlayStation Network são fantásticos: PixelJunk Eden, PixelJunk Monsters, The Last Guy, flOw, Flower, echochrome. Dos jogos "tradicionais", terminei recentemente o novo Prince of Persia (uma das minhas séries favoritas, fantástico) e ando jogando LittleBigPlanet (o game não é tão bom quanto a crítica diz, mas perfeito para jogar com a esposa ou namorada) e Mirrors Edge (estou gostando muito, foi mais criticado do que devia).


5. Gostaria que você falasse um pouco dos seus projetos para jogos, o que você anda fazendo atualmente.

Daniel - Eu decidi começar a trabalhar com games no fim de 2007. Larguei um confortável emprego como Analista de Sistemas, que pagava razoavelmente bem, para poder estudar de manhã e tentar mudar para a área de games. É claro que eu tinha muita dúvida do que ia conseguir fazer e se tinha tomado a decisão certa. Esta foi a maior importância do Estamos Pensando para mim: me fez acreditar que sim, a decisão de mudar de vida foi boa.

Desde antes do Estamos Pensando ser concluído, eu já estava trabalhando em diversas idéias e algumas delas já estavam em desenvolvimento. As principais são um outro art game que eu quero que tenha um tom feliz (nada de melancolia) e um outro estilo arcade, um pouco mais bobo, mas com algumas mecânicas diferentes. Este segundo será lançado primeiro, está até que bem adiantado. O outro vai ter trilha sonora do mesmo músico do Estamos Pensando e tenho que dizer que ele tem criado coisas incríveis pra mim. É ótimo ter um amigo tão bom músico!


Esta entrevista foi concedida por e-mail dia 9 de fevereiro de 2009.

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Andre Pessego
 

Não conheço o jogo. Não estou, nunca estive, com desenvoltura para coisas assim. Talvez seja interessante.
Prefiro lembrar o velho ditado camponês.
"Jogo é roubo e roubo é jogo".
abraço.
Desculpa, o que está em votação é a entrevista. Muito bem conduzida, pode-se conferir.......
andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 29/6/2009 17:54
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Janos Biro
 

Andre

Existem jogos e jogos. A maioria das pessoas reage automaticamente à palavra "jogo", mesmo quando falamos de "jogo-arte", há muita resistência e preconceito. Eu só posso dizer; conheça antes de criticar. Pode ser que o jogo roube seu coração.

Janos Biro · Goiânia, GO 29/6/2009 18:35
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Hermano Vianna
 

sempre bom encontrar no Overmundo notícias sobre a produção de jogos brasileiros - em 2006 houve esta série de artigos por aqui - precisamos de atualização urgente! muita coisa já aconteceu de lá para cá

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 30/6/2009 00:42
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Viktor Chagas
 

Opa, Janos,
Muito bacana a entrevista! Por acaso o Daniel foi um dos contemplados pelo edital do Itaú Cultural na última edição do Rumos?
Sensacional o jogo! Uma coisa linda...

(E, concordo com uns comentários que vi por ali, fico na torcida para que as músicas da trilha sejam disponibilizadas.)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 30/6/2009 00:54
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Marília Chinchilla
 

Lembrei-me de uma frase do Laing, que salvo engano é assim: "Eles estão jogando o jogo deles. O jogo de não ver o jogo que eles jogam. Se eu mostrasse que os vejo tal qual eles estão, quebrarei as regras do seu jogo e receberei a sua punição. O que devo, pois, é fazer o jogo deles: o jogo de não ver o jogo que eles jogam".

Não costumo jogar, mas vejo esta paixão em meus filhos. Esta entrevista me deu vontade de conhecer este jogo. E isso, para mim, não é pouco. Abraços, parabéns.

Marília Chinchilla · Campo Grande, MS 1/7/2009 11:58
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Kuja
 

Muito bom o jogo! Vai com ceretza para a lista de links do site da exposição GamePlay. Não foi contemplado em Rumos, não, Viktor. Se o Daniel tivesse inscrito, quem sabe? Abraços

Kuja · São Paulo, SP 1/7/2009 17:31
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Viktor Chagas
 

Opa, Guilherme,

Valeu pela informação. Fiz a pergunta justamente pq em Brasília conversamos com um programador de games. Fiquei achando que poderia ser ele. Mas, desfeita a confusão, que bom que o Estamos pensando vai figurar entre os links do Itaú Cultural! :)

O jogo é realmente sensacional. De uma beleza ímpar. Já mostrei a várias pessoas pro aqui. Tomara que outras produções do Daniel cheguem ao Overmundo.

(E, sobre as músicas, que eu tinha comentado antes, descobri que a trilha principal do jogo corresponde aos samples de baixo da faixa Ecoa Azul, do último álbum dos MacCACOS. O Daniel chega a citá-los no blog, em nome do Hurso, mas não indica exatamente a faixa, que além do baixo, tem tb o resto da banda e os vocais. Dá pra baixar o disco daqui.)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 1/7/2009 18:15
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ayruman
 

Genial. Sucessos!!!
Saúde e Paz na Terra.

ayruman · Cuiabá, MT 1/7/2009 21:51
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Daniel Novais
 

Olá, pessoal!

Guilherme, muito legal você ter encontrado a Ecoa Azul. Na verdade ela não tem nada a ver com o game, mas você conseguiu encontrar uma das músicas compostas pelo Hurso (todo mundo compõe nos Maccacos).

A canção do game é a Eternal e não está em mais lugar nenhum. Eu queria muito disponibilizar ela para download, mas o Hurso insiste em retrabalhar ela antes... vamos ver se a gente consegue fazer isto logo!

Infelizmente eu não inscrevi o game em nenhum dos eventos que vocês citaram. Depois do SBGames no ano passado eu já passei a trabalhar na próxima idéia e acabei deixando de lado. Acho que eu me arrependo um pouco!

No mais, obrigado a todos pelos comentários! Principalmente e novamente, ao amigo Janos!

Daniel Novais · São Paulo, SP 2/7/2009 13:01
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Viktor Chagas
 

Legal, Daniel!

Perdão pelo erro na informação acima. Achei mesmo que a faixa era aquela. Me pareceu que os acordes do baixo eram semelhantes. Mas fiquei então ainda mais curioso pela trilha do game e pelo trabalho dos Maccacos. Fica a sugestão para que eles publiquem alguma coisa no Banco de Cultura do Overmundo também! :)

E quanto ao game, acho que você devia explorá-lo melhor, sim. Os editais do Rumos, no Itaú Cultural, são uma possibilidade interessante, q vale conferir. E outra coisa que fiquei pensando é q valia disponibilizar o game para ser embedado em blogs e afins. Assim, você teria como contabilizar quem está embedando, onde, e ainda ganharia (e muito) em divulgação.

E, como disse antes, espero ver mais trabalhos teus por aqui! Parabéns! :)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 2/7/2009 13:33
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Daniel Novais
 

Guilherme, obrigadíssimo pelos comentários... vou dar uma olhadinha no Rumos. Quem sabe, né?

Ah, e só pra constar... não sei se foi meu texto no site que ficou meio estranho, mas as músicas desse game foram gravadas pelo Hurso sozinho. Com todo o respeito a banda dele (que eu realmente tenho), preciso dizer que as músicas foram trabalho de um homem só. O mérito é só dele mesmo! : )

Mais uma vez, obrigado!

Daniel Novais · São Paulo, SP 2/7/2009 15:32
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Daniel Novais
 

Ah, e me toquei agora de que estou chamando o Viktor de Guilherme. Desculpa, cara... nem sei de onde veio isso. Hahahah!

Abraços!

Daniel Novais · São Paulo, SP 2/7/2009 15:34
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Julia Ana
 

Amo-te ...

Julia Ana · Londrina, PR 2/7/2009 21:18
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Saulo Frauches
 

deixei o gta e o warhammer online de lado um pouquinho para curtir o estou pensando :)

entrevista bacana e conceito de jogo para lá de simpático.

Saulo Frauches · Rio de Janeiro, RJ 3/7/2009 01:55
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Adla Viana
 

É uma coisa fofa... Eu achei extraordinário alguém fazer um jogo sem pensar em números, senhas, pontos, vidas... Eu só tenho a dizer que é muito "fofo".

Adla Viana · Vitória da Conquista, BA 4/7/2009 00:54
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Adla Viana
 

O jogo e a música é tão tocante, esqueci de elogiar a entrevista... Parabéns Janos.

Adla Viana · Vitória da Conquista, BA 4/7/2009 00:56
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Janos Biro
 

Valeu. Quem quiser saber mais sobre jogos-arte, visitem meu blog de jogos: infoblarg.blogspot.com

Janos Biro · Goiânia, GO 4/7/2009 02:18
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