Quem é? Professor da graduação de psicologia da Faculdade Frassinetti do Recife (FAFIRE)
Onde estudou? Tem Mestrado em Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
ENTREVISTA
Eduardo Fonseca
“A publicidade democratiza o desejo, mas não democratiza a forma de consumir”
Para o Psicólogo Social, o discurso publicitário instiga o sujeito ao consumo não delineado
Ronaldo Barbosa Lima
O psicólogo Eduardo Fonseca, nessa entrevista, irá falar sobre as consequências que o discurso publicitário causa na vida diária do indivíduo e, como o mesmo, se comporta frente ao “patoá” da publicidade que, em suas combatas sociais cotidianas, os receptores, vem aprendendo, empregando, atualizando e disseminando os valores disseminados pelo anúncio mercantil, enquanto percepção de mundo.
1. Quais os efeitos que o discurso publicitário causa na vida diária do indivíduo?
Entre outras causas instigar o consumo de forma irresponsável, uma vez que, há uma mistura de valores na vida diária do indivíduo que é perversa. A publicidade transmite a idéia de que o consumo é o bem supremo. Isso tem contribuído com a marginalidade. Adolescentes entram no mundo do crime para consumir o tênis importado midiatizado pela publicidade. Eles se sentem excluídos por não consumir. A publicidade democratiza o desejo, mas, não democratiza a forma de consumir. Isso tem contribuído para o aumento da violência e do endividamento das camadas populares.
2. Como a publicidade confunde os valores de felicidade e consumo na vida do indivíduo?
A publicidade espelha o que já espelho de uma sociedade. Nós brasileiros, gravitamos em torno do consumo (reflexo da sociedade norte-americana). Esse é o valor central em nossa sociedade. O consumo agrega valor de identidade
3. Que razões levam as pessoas a gastar mais do que ganham?
Em primeiro lugar, a gente se relaciona no mundo do consumo de modo emocional. As pessoas consomem mais do que precisam, e raciocinam pouco sobre o consumo planejado. Numa sociedade do consumo, o meio de comunicação tem um papel enorme de pegar nossas fragilidades e resolver na pauta do consumo. Muitas vezes, o indivíduo briga com o namorado (a) e tenta resolver seu problema consumindo. É nesse contexto que a publicidade se utiliza de um mecanismo perverso. Transforma as fragilidades e fraquezas do homem na idéia de que consumir irá solucionar o problema. E diz: você merece. Cria a necessidade de que eu mereço. Mas, muitas vezes, minha faixa de renda não permite que eu faça isso. A publicidade diz: se o cliente for frágil, explore a fragilidade dele. O que é um absurdo!
4. Quando é que o consumo é visto de forma patológica?
Quando vira compulsão. Compro coisas que não preciso. Na compulsividade, o desejo é maior que minha capacidade de dominar o meu desejo. A ação está acima da minha atividade de controle.
5. Porque temos dificuldades de sermos consumidores conscientes?
Por não termos uma atitude crítica sobre o contexto do consumo no qual nos encontramos inseridos. O contexto me pressiona, claro, mas, preciso assumir uma postura crítica. A sociedade atual hiper valoriza o consumo. Devo consumir, contudo, não ser refém dessa lógica. É se perguntar: Eu preciso? Eu posso comprar? E ser crítico é importante, sobretudo, na criação dos nossos filhos. As crianças serão esses adultos que criamos hoje. E viver nesse mundo é ser cobrado por ele. Enfim, o desafio é encontrar o equilíbrio.
6. Qual o papel das pessoas que resolvem o conflito felicidade x consumo?
Não precisa ser psicólogo para fazer isso. Eu acho que são as pessoas que tem se preocupado em olhar criticamente ao seu redor. Ter atitude sobre a lógica de valores disseminados pela mídia. Se perguntar sobre os valores que quer para guiar a sua vida. Os valores são imprescindíveis. Deve se perguntar: o que é importante para mim? A sociedade do consumo tem empobrecido a estrutura da vida do indivíduo. E viver nos parâmetros do consumo, é viver a vida no que há de mais rasa. Posso até viver para isso. O problema é viver em função disso. E isso é ser fundamento para a felicidade?
Quem é? Professora da graduação de Comunicação Social da Faculdade Vale do Ipojuca (FAVIP – Caruaru) e do Ensino Superior Bureau Jurídico – Faculdade Mauricio de Nassau (Recife).
Onde estudou? Graduada em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda (UFPE-2002), Especialização em Design da Informação (UFPE-2004) e Mestrado em Sociologia (UFPE-2007).
ENTREVISTA
Lívia Valença da Silva
“Eu quero a sua felicidade? É uma mentira. Eu quero lhe dar um gosto de felicidade, tirar, e apresentar outro para que você continue a consumir”
Para a publicitária, atualmente o discurso publicitário é poderoso, inteligente e escravo do sistema capitalista
Ronaldo Barbosa Lima
A publicitária Lívia Valença da Silva é um dos expoentes que acredita num discurso publicitário feito com ética e respeito para com o indivíduo social. Nessa entrevista, você poderá refletir através da fala dessa profissional, como a publicidade se porta quando trabalha o aspecto felicidade atrelada ao consumo.
1. Qual o papel da publicidade na formação da opinião pública do conceito de felicidade?
Eu não diria o papel. Diria qual a responsabilidade que cabe a publicidade. Ela é extremamente poderosa, pois, estimula valores e acelera novas formas de vida. O anúncio mercantil auxilia na formação da opinião pública de conceitos de qualquer coisa que seja. Porém, vale ressaltar que ela busca para a sociedade o que ela quer. As pessoas querem a felicidade. Assim sendo, o anúncio publicitário, buscará elementos para agregar o conceito de felicidade ao produto de consumo. A felicidade passa a ser o produto e o produto passa a ser a felicidade.
2. De que forma a publicidade colabora com as vigas de sustentação da ideologia capitalista no processo de representação da felicidade na vida do indivíduo?A partir do momento que ela é a principal ferramenta do sistema capitalista, ou seja, um serviço contratado por ele para dizer de maneira mais “glamorosa” o que o sistema sozinho não consegue dizer.
3. Como à senhora explica a relação que a publicidade exerce no meio de realização da felicidade na vida diária do indivíduo e, até que ponto as propagandas podem ser interpretadas de forma enganosa?
Felizmente e infelizmente. Felizmente para o publicitário a maior parte da população desconhece as ferramentas que utiliza e, não são capazes de perceber que o discurso publicitário é um jogo. Eu quero só o seu dinheiro. É você quem me sustenta. Eu quero a sua felicidade? É uma mentira. Eu quero lhe dar um gosto de felicidade, tirar, e apresentar outro para que você continue a consumir. Infelizmente para o sujeito que influenciado e quanto menos esclarecido for, melhor.
4. “Todo discurso interpretativo é menos sedutor”, afirma o sociólogo Jean Baudrillard no seu livro Sociedade do Consumo. Você concorda com essa colocação?
Quando um discurso deixa as coisas nas entrelinhas é muito mais fácil de identificação, pois, o público se ver nele, acreditando ser possível alcançar a proposta emitida. As pessoas se vêem ali. Sempre falo para os meus alunos que o bom discurso publicitário deve deixar algo nas entrelinhas, para o sujeito se ver nele e trazê-lo para a sua vida. Não se deve fechar o cenário para o publico. Se eu fecho, reduzo o número de pessoas que se identificarão com a proposta disseminada.
5. Como é que o indivíduo, constantemente assediado por uma coleção de imagens e desejos disseminada pela publicidade, se comporta e, sobretudo, se modifica?
Não é algo simples de se compreender. Não é uma luta contra a parte negativa da publicidade. É uma coisa em longo prazo. Deve ser tratado de forma planetária. O sistema diz que vai lhe dar segurança e não dar. Porque choveu investidores privados para financiar a copa de 2016 no Rio de Janeiro e não chove para investimento em educação e saúde? Porque no esporte o retorno financeiro é rápido. Educação e saúde, não. E o que seria da indústria farmacêutica se não houvesse a doença? A publicidade cria a necessidade? Não. Mas o sistema capitalista, sim. Resolver esse problema não é apenas uma questão de educação, é resolver a estrutura do sistema como um todo.
6. Qual o principal argumento publicitário para instalar no imaginário do indivíduo, de que ele ao consumir determinado bem de consumo atingirá um estado de felicidade?
O principal argumento depende da natureza do produto ou serviço. Se for um apartamento, por exemplo, que quero vender, vou pesquisar na sociedade a que tipo de apelo às pessoas está sensível e agregar ao valor de “status”, pessoa bem sucedida pessoal e profissionalmente, ou outro aspecto qualquer, para que o sujeito se identifique com o bem de consumo oferecido.
7 .Como à senhora avalia o discurso publicitário nos dias atuais?
Poderoso, inteligente e escravo do sistema capitalista.
um bom trabalho, um boa semana, abraçossss
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 23/11/2009 11:17Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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