Petrobras Lei Rouanet
 
 

ENTREVISTA COM O ESCRITOR FLÁVIO O. FERREIRA

arquivo de Flávio O. Ferreira
Entrevista com o jovem escritor mineiro Flávio O. Ferreira.
1
Elenilson Nascimento · Salvador, BA
7/2/2010 · 2 · 1
 

“Destituo-me de qualquer título/Entrego-te a pena para que faças dela o que quiseres/Não sou o que imaginas, tampouco o que desejas/Sou apenas um aluado devaneando sonhos”.
Sempre foi complicado se estabelecer como artista nesse País de faz-de-conta. E hoje, mas do que nunca. É complicadíssimo ser escritor, poeta, músico, artista plástico, enfim, produzir arte no Brasil. A primeira dificuldade já surge no acúmulo de atividades. Vários artistas têm que se desdobrar entre alimentar a sua arte e alimentar-se. Salvo raras (*diria raríssimas) exceções, ainda não é possível (pelo menos à maioria esmagadora) viver exclusivamente de arte no País.
Isso, contudo, ainda é o de menos. Ser um escritor brasileiro é querer ser um herói de uma arte que anda caducando. Concluído um livro, por exemplo, com entusiasmo de criança, mas com ingentes sacrifícios, ele precisa empreender uma humilhante e incerta romaria às editoras, se quiser que ele seja publicado e saía da gaveta.
Pensando nisso, intercalei algumas perguntas sobre esse assunto nessa entrevista com o jovem escritor Flávio O. Ferreira, que ainda se define como poeta e operário, natural de Bela Vista de Minas (MG), autor de “Cata-Ventos” (Kroart Editores/2005) e “Itinerário Fragmentado” (Quártica Premiun/2009), pois, no Brasil, ainda é bastante rara, quase inexistente, a figura de um jovem que se dedica a literatura. Nesta entrevista, debatemos sobre a questão da distribuição de livros, a dimensão do mercado editorial em relação e outros assuntos. Temos é que sobreviver nesse País onde pesquisas mostram que apenas pouco mais de cem municípios, dos mais de seis mil existentes, têm livrarias. É espantoso (ou calamitoso?), mas verdadeiro!
“Renego qualquer herança/Os rabiscos nos muros são mais sinceros, mais honestos, mais poéticos/Estas palavras, aqui rabiscadas, nada valem, servem apenas de muleta onde escoro meu corpo fatigado tentando equilibrar-me sobre as pernas que já não andam”. Esses versos sedentos e cheios de gritos no início e, agora, no final dessa introdução foram extraídos da poesia “Renúncia”, composta pelo Flávio.
Elenilson – Um assunto muito discutido no momento é o da fotocópia de livros. Mas num país onde quase ninguém coloca livros na cesta básica o que podemos ainda esperar? Onde a média dos preços dos livros está em torno de R$ 40,00 até R$ 90,00, qual a sua opinião?
Flávio O. Ferreira – O que se pratica em relação à democratização da leitura e do livro é quase imperceptível, pois o mercado editorial está voltado para a lucratividade. O que se vê são livros que têm um custo muito baixo sendo vendidos a preços exorbitantes com margens de lucro elevadíssimas. Pela lógica mercantilista vigente é inviável a distribuição de livros em cestas básicas. Embora, na minha opinião, seja a melhor forma de levar cultura e conhecimento às classes desfavorecidas. Há muito que ser feito, projetos precisam ser mais abrangentes, sair do papel e do discurso demagógico; autores e editores precisam sair desse pântano de lucro, deixar de serem mercenários da palavra e fazer um processo mais justo na aplicação de valores às obras literárias. Afinal, a literatura sobrevive à custa dos leitores, sem eles não há sentido a existência dos livros.

Leia a entevista aqui: http://literaturaclandestina.blogspot.com/2010/02/entrevista-com-o-escritor-flavio-o.html

comentários feed

+ comentar
Douglas Vieira

Elenilson, acho que seria mais legal se você também disponibilizar a entrevista aqui no Overblog. O que você acha?

Douglas Vieira · Rio de Janeiro, RJ 8/2/2010 12:20
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

veja também

filtro por estado

busca por tag

observatório

feed
Overmundo no Cena Contemporânea

Em uma parceria com o Sarcástico, o Overmundo está na capital do país para cobrir os 13 dias da 11ª edição do Cena Contemporânea – Festival... +leia

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados