ENTREVISTA - MADAME MIM

Divulgação: Daniela Dacorso
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Cleyton Brito · Recife, PE
11/6/2007 · 96 · 1
 


Mariana Eva, ou carinhosamente, Eva, é uma argentina super envolvida com a música, isto é, ela é (junto com o Superputo), Madame Mim, banda que acabou de finalizar seu segundo CD, que, além de mesclar electro-punk com rock latino, faz de suas letras um minúsculo mosaico de sentimentos e prazeres: ora sexuais, ora mórbidos. Não para por aí… No Brasil, Eva foi componente de uma banda punk de garotas que se tornou lenda no underground carioca dos anos 90: o Pólux. Ela participou dos discos Brazil, The Women’s Voice lançado em Londres, Lucky Strike Lab Music, Djavan Na Pista e em 2005 lançou seu primeiro trabalho solo Eu Mim Meu pela gravadora Lua Music. Esse CD, de porte experimental, descrito pela crítica como “pop pervertido” teve participação de diversos músicos e produtores de peso como Rodrigo Campello que também produziu o CD Na Paz da Fernanda Abreu. Jr. Tostoi que fez parcerias com Lenine, Adriana Calcanhoto, Jards Macale. Carlos Trilha que cuidou do disco Canções dentro da noite escura de Lobão e que anda tocando com Marisa Monte.

Além das apresentações, tanto no Rio quanto em Buenos Aires, Madame Mim marcou presença em muitas festas raves como DJ durante a composição do segundo disco. Isso resultou um amadurecimento no “lulling” das pistas de dança e seu set de novidades latinas foi foderoso para seu trabalho como artista e também ajudou a distinguir o novo formato de seu atual show que se resume em apenas duas pessoas no palco. Madame Mim Provoca com risadinhas maliciosas, arremessa efeitos na voz e toca guitarra com uma sensualidade fora do comum e, seu partner, o Superputo, toca teclado e afrouxa as bases com intervenções eletrônicas ao vivo, tornando cada apresentação orgânica e inesquecível. No dia 19 de maio, uma noite como outra qualquer, tivemos uma conversa por telefone. Eu, em Barcelona, Mariana Eva em São Paulo onde ela tem uma agenda repleta de shows.

Seu trajeto com a música não vem de hoje. No Brasil, fez parte de uma banda punk de meninas que ficou marcada no “underground” carioca dos anos 90, o Pólux. Na época o grupo fez mais de 250 shows, tocou em diversos eventos e festivais como o Abril pro Rock, Humaita Pra Peixe, Motim, Planet Fashion, Festa do Zine 02 Neurônio e até abriu o show da banda alemã de digital hardcore Atari Teenage Riot. Quando você descobriu que a sua parada era música?
Foi de um dia pro outro. Eu era atriz, fazia teatro e dança, mas sempre fui rodeada de amigos músicos. Um dia, numa mesa de bar, uns amigos me botaram uma pilha de fazer uma banda de meninas. Três dias depois, estava no show do Wander Wildner no Rio, conheci a Bianca e a chamei pra tocar comigo. Quero dizer “tocar” comigo por que nenhuma das duas tocava nada. A gente foi aprendendo com o Polux, compondo juntas com os shows. Foi um processo totalmente punk, “do it yourself”. Eu lembro que como não sabia as cifras inventei um método pra me fazer entender e escrever minhas músicas. Eu dei número pras cordas em vez de letras. Funcionou super bem!

Uma pergunta que já lhe fizeram umas “100.000" vezes, de onde vem o nome Madame Mim?
Bom, primeiro veio só o “Mim”, de uma letra de música. já tinha algumas músicas e ainda não tinha o nome do trabalho. A música era “Hoje” que está no meu primeiro CD Eu Mim Meu e na letra dizia: “…um pedaço de mim terminou…”. Enfim, peguei o “Mim” pra ser o nome do meu projeto solo, achei que “Mim” tinha a ver com eu mesma (risos). Depois o trabalho foi para outro lugar totalmente diferente do que era o “Mim” e não dava pra manter o mesmo nome já que o som havia mudado tanto, então como eu tinha virado madame (mais risos), transformei o “Mim” em “Madame Mim”.

Neste segundo CD, a banda traz uma mistura de electro-punk com rock latino, uma pitada de cumbia eletrônica e mais uma série de novidades para as pistas de dança. Foi uma transformação do primeiro pro segundo CD da artista Mariana Eva?
Transformacão total. No Eu Mim Meu eu comecei a flertar com o eletrônico. Tinha saido do punk rock e aos poucos fui explorando esse universo. Fui me apaixonando, tocando em festas aqui e em Buenos Aires como DJ e acabou sendo um processo natural mudar o som.

Nas novas composições, Madame Mim conta com a parceria do produtor e baterista Vig que já habitou no Brasil e tocou com Lobão, Sergio Dias e Gilberto Gil, mas atualmente mora em Londres onde toca do underground ao mainstream como ao lado de Eminem, Avril Lavigne, e já até trabalhou com o produtor Tom Aitkenhead do Bloc Party. Então, a pergunta é: como é trabalhar ao lado de Vig?
Bom, não é bem trabalhar ao lado por que ele mora do outro lado do oceâno atlântico. Nós compomos pela internet. Ele faz lá, manda pra cá, eu faço aqui, mando pra lá. Mas sempre mantemos um cronômetro do tempo gasto em cada composição, o arquivo sempre vai junto com o tempo gasto ao lado. Tipo, demorei 45 minutos para fazer esse loop e oteclado e, assim, vai até completar as duas horas por que no fim das contas uma música não pode demorar mais do que isso pra ser composta. Faz parte dos meus dogmas.

Os dogmas são...
Dois. O primeiro fala do tempo pra compor uma música, que não pode demorar mais do que duas horas. Tem que ligar o despertador e terminar como ficou. O segundo fala do não uso do computador, tem que gravar tudo ao vivo, usando equipamentos eletrônicos digitais, claro, mas sem o computador e seus plugins envolvidos. Ainda nos dogmas não podemos fazer teclados que não possam ser tocados com dois dedos e ensaiar só no dia anterior ao show.

E aí, sendo assim tão bonita (leia-se sexy!), você já teve algum problema durante os shows com rapazes grosseiros?
Obrigada! Nunca tive nenhum problema (risos).

Como tem sido os shows ao vivo?
Ótimos, simples e contagiosos. É muito legal ver o público pulando
junto com você!

Ouvi dizer que você é uma argentina que passou a vida entre Buenos Aires, Rio de Janeiro, San Francisco (CA) e que agora está definitivamente em São Paulo. Primeiramente, por que você saiu da Argentina e, segundo, o que você está fazendo em SP?
Foi muito legal morar em todos esses lugares, cada um me influenciou de uma maneira. Agora estou em SP e está sendo uma experiência incrível!

Agora, fale-me sobre o Superputo, já que ele não está sendo entrevistado.
O Superputo é o meu parceiro, compõe e toca ao vivo comigo. Ele é da indústria de games, trabalhou nos USA e na Coréia, não tem muita paciência pra música, ensaios, e tal… Ele só topou fazer este projeto por causa dos dogmas. Assim fica bem mais divertido!

Entrevista originalmente publicada no Recife Rock
Ouça o som da Madame em http://www.myspace.com/mimadame

Agradecimentos: Viviane Menezes, Daniela Dacorso, Vig, Lua Music, Globo Online e Uol

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madamemim
 

adorei!!!!!!!!!!!!!!!!!

madamemim · São Paulo, SP 16/7/2007 16:37
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